OS AUTORITÁRIOS, A TELEVISÃO E O BBB
07/02/2009
OS AUTORITÁRIOS, A TELEVISÃO E O BBB
Nunca sei o que é pior: o autoritário convicto ou o idiota. Às vezes tenho certeza de que o convicto é uma praga mais alarmante, pois ele tem certeza de seus ideais totalitários. Mas depois vejo o caso do idiota e, bom..., não dá para ficar calmo diante da idiotice.
Um bom exemplo de autoritarismo imbecil é o debate acerca da exigência da programação televisiva quanto aos pendores "educativos". Numa leitura rápida e rasa, de exegese pedestre, pode-se supor que isso seja positivo. Mas uma análise profunda faz com que se nos revele o ranço autoritário.
A TV é um meio de comunicação de possibilidades quase infinitas, INCLUSIVE a educativa. Tanto que há dramaturgia, jornalismo, filmes, esportes etc. O meio é usado para o divertimento dos telespectadores, de modo que a maior audiência garanta o lucro do empresário.
O 'contrato tácito' entre essas duas partes é bem simples: um fornece o que o outro quer ver, o outro vê porque ali está o que gosta de ver. Simples.
Como fica o viés autoritário? Simples, também.
Educar e "orientar" a população não é tarefa da televisão ou de qualquer outro meio de comunicação. Vamos supor, por exemplo, que amanhã ou depois - e isso é possível - a Internet supere a televisão. Esses mesmos gênios da teoria vão sugerir que todo 'website' tenha conteúdo educativo? É esse o ponto.
As pessoas não lêem. Há uma preguiça absurda com relação à leitura e mesmo quanto à educação formal. Há também, claro, o inegável deficit educacional. Para substituir essa carência, exigem que a TV faça as vezes de meio fundamentalmente educativo. Isso é uma mistura de autoritarismo com pura e simples burrice.
Para compreender a lógica de tudo, basta inverter o raciocínio: um povo com estudo suficiente não precisa da TV para essa função educativa e, mais ainda, tem todos os subsídios teóricos para compreender tudo que se passa na programação.
O que não se pode é culpar a televisão pelas carências do país, imputando-lhe uma obrigação que por óbvio não lhe é cabível. É aí que está o autoritarismo e, sem dúvida, a burrice.
* * *
Big Brother Brasil
Não vejo porque não gosto e não tenho tempo, mas também não sou contra quem gosta ou deixa de gostar. O que me espanta é a quantidade (e qualidade!) de debates acerca do programa.
Há casos de birra, pessoas da TV que notoriamente não gostam da Globo e aproveitam para falar mal da emissora, usando todo tipo de 'argumento', coisa digna de gargalhada.
E há também os discursos políticos, aquela lengalenga de "alienação" e blábláblá. Dá uma preguiça danada. Prefiro rir dos 'argumentos' das pessoas invejosas.
Mas o que me dá raiva é essa bobagem de chamar os participantes de 'brothers', como se 'Big Brother' fosse o título conferido ao grande vencedor, subvertendo completamente o conceito da obra de Orwell. E John De Mol, o holandês criador do programa, já disse que se baseou no livro "1984" para fazer o BB.
No Brasil, porém, mudamos tudo. Eis aí, de fato, uma função DESEDUCATIVA da TV. Eis a diferença entre colocar um professor em todos os programas para dar aula disso e daquilo, e arrancar um bife cultural de um programa sem qualquer contrapartida de entretenimento, por pura e simples bobagem.
E com o direito de chamar as meninas participantes de "sisters", para mostrar que os anos de Pedro Bial como correspondente londrino valeram pra alguma coisa.
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transubstanciado por gravata às 07.02.09 | 16 comentários
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Comentários:
De cultura sinceramente eu não vejo nada , eis o porque :
1- Uma mulher de 60 anos que va debaixo do lençol pra simular que esta transando com outro da casa é bizarro , e dizem que esse programa é cultura ?
2- Um cara falar que ali vale tudo já se mostra que os brasileiros se vendem por qualquer coisa ,uma coisa meio sem nexo . isso é cultura ?
3- De todas as mulheres que entram , praticamente 98% vai pra playboy , então essa de dizer , que ganha quem leva o premio de 1.000.000,00 , isso é balela , BB é vitrine pra olheiros da playboy , mesmo pq estamos no Brasil um dos paises com maiores indices de exploração sexual , o que isso tem a ver, decidam vcs mesmo , tenho 2 filhos que não assiste essa porcaria de jeito nenhum ..Isso é cultura ?
3- BB parece Motel , vira e mexe la ta eles debaixo dos lençóis , e se esquecendo que tudo que acontece la aparece para o Brasil todo , principalmente , se esuqcem que tem crianças assistindo ..
Reality Show , é eu acordar todo dia pra trabalhar , aguentar cliente me enchendo os pacová (risos), chegar em casa aguentar a esposa , dar um beijo nas crianças e tomar aquela ducha pra relaxar .. Isso sim é a realidade , não um programa que pasmem , sempre tem duvidas quanto a escolha dos candidatos , a maioria tudo bem de vida , já que é reality show pq não colocam pessoas da periferia .
Isso aí aqui é Brasil país da hipocrisia , onde quem rouba uma galinha pega 10 anos , e quem rouba 1 milhão tem 100 anos de perdão ..
O poder monolítico das redes de TV.
No mundo em que vivemos, a cada dia, o poder dos meios de comunicação tornam-se mais monolíticos e implacáveis.
Um poder que se equipara e rivaliza com os poderes tradicionais do Estado (Executivo, Legislativo e Judiciário) – mas que, ao contrário desses, não tem a legitimidade democrática, não é exercido em nome e no interesse do povo. Ninguém jamais "votou" foi consultado sobre quais idéias seriam transmitidas através das grandes redes de TV. A "liberdade de escolha" restringe-se a coisas banais como "Big-Brother" ou " pequenas enquetes no fantástico".
No entanto, quando o Governo Federal propôs um debate sobre esse assunto, as redes de TV se insurgiram, falando em nome da liberdade e contra qualquer tipo de controle sobre elas.
Nosso assunto aqui, entretanto, não é discutir os prós e contras do controle da mídia, mas podemos usar esse caso para compreender outro tipo de censura, muito mais perigosa, sobre a qual ninguém fala: a censura à livre expressão e comunicação de idéias.
Quando se falou em controlar as redes de TV, o objetivo não era sufocar a expressão de idéias, pelo contrário, era limitar um pouco o poder desse tipo de veículo que tem a característica de influenciar sem precisar expor idéias ao debate. A censura de que falamos aqui é justamente o contrário, é a tentativa de calar quem abre o espaço ao debate.
Até algum tempo atrás, a Internet era uma fonte alternativa de comunicação e troca de idéias.
Um espaço para pessoas se expressarem e terem contato com idéias diferentes das velhas e surradas ladainhas, estanques, monolíticas e mitificadoras, bombardeadas pela televisão.
Infelizmente esse espaço que surgiu de forma democrática tem mudado, e está sendo paulatinamente dominado por grandes grupos comerciais, extremamente parecidos com as grandes redes de televisão. Grandes "Portais" são verdadeiros canais de difusão de imagens e notícias prontas, onde os "internautas" não passam de "espectadores". A ilusão de participação fica por conta de pesquisas de múltipla escolha, e de fóruns, mas as páginas principais são irretocavelmente prontas, como na televisão.
As fontes verdadeiramente alternativas de idéias, com efetiva participação dos visitantes, têm perdido espaço.
Mas até aí, as coisas, apesar de ruins, estavam no limite da legalidade.
Agora, porém surgiu um novo método de censura, cerceamento e coação, que pode calar a boca dos pequenos, DESTRUIR pequenas grupos organizados, e fazer da internet um espaço exclusivamente para grandes corporações.
tome como exemplo:
- iG _ Internet Group do Brasil O proprietário do iG, detentor de 99,99% de seu capital, é uma empresa com sede no paraíso fiscal das Ilhas Cayman, chamada Internet Group (Cayman) Ltd. É necessário transpor um complicado emaranhado de sociedades para se chegar a seus controladores, os grupos GP Investimentos, Andrade Gutierrez Telecomunicações e La Fonte. Em suma: todos os acionistas do iG Cayman são controladores da Telemar /Broi.
Mais e mais os grandes grupos vão tomar conta da Internet, e mais e mais ela vai ser unidirecional e monolítica, algo como a televisão, onde o "telespectador" apenas tem a ilusão de que participa, mas não participa de fato. Mais e mais os blogs e sites pequenos e/ou alternativos vão ser tolhidos, amputados e cerceados. E um dos mais ignóbeis instrumentos desse processo será o uso da palavra MODERAÇÃO. Essa palavra vai pairar como uma espada sobre os blogs e sites pequenos.
Recolhi muita conhecimento de bons programas que não eram aulas televisivas, mas sim programação "normal".
Em virtude disso, quando me peguei assistindo descobri que esse devia ser o programa favorito dos existencialistas: Uns caras nada interessantes falando nada sobre nada, fazendo nada, tendo nada a deixar em sua pasagem televisiva.
Gostei, dessa vez, da velhinha preconceituosa dessa edição.
Numa inocência assustadora ela solta uns chistes bem dispares daquela coisa limpa, típica do programa.
É gozado como as pessoas nem sabiam do livro e que quando disse que o Grande irmão era uma coisa nefasta, referência aos estados totalitários e aos momentos ruins nas democracias, o pessoal fazia uma carinha...
O que falta nesse pais é educação de escola, não de televisão, tanto nas ruas quanto na tv, quanto na internet so vemos mulheres peladas, ate as musicas (e num é so funck naum em... todos os estilos) tem um apelo sexual gritante e ninguém vê, dai vem o povo falar do bbb... Brasil pais dos corruptos e dos hipocritas!!!
Há uns dez anos eu achava engraçado a indignação de mães de família descrevendo cenas inteiras de novelas, de como aquela cena era indecente, e tal. E eu pensava: "Como é que é? Descreve de novo a cena, que eu não entendi...".
E da literatura? Bem, da literatura nos resta a grande pergunta que atormenta nosso mundinho: Capitu traiu ou não traiu?
"É sempre um prazer ler o inventor de Big Brother, o verdadeiro, não o do teleshow alcoviteiro sobre zeros-à-esquerda que Orwell na certa veria como mais um grave sinal da decadência humana"
O que é fantasticamente apropriado, embora ele não seja exatamente o inventor do conceito.
Qual é o problema de chamar os participantes de brothers e sisters? Nunca entendi isso como se Big Brother fosse o título conferido ao grande vencedor, e sim como o que está observando todos. Todos quem? Todos os outros irmãos. Pq irmãos? Pq são todos iguais, exceto pelo Big Brother que é o irmão mais velho que zela pelos outros.
Orwell escolheu muito bem. Poderia ter chamado de Paizão, mas aí tiraria o aspecto de igualdade entre todos. O irmão mais velho faz parecer que é igual a todos os outros, mas cuidando dos outros. E, de fato, é o que se passa no programa.
O Big Brother (o povo) observa todos, decide sobre o futuro de todos, mas, teoricamente, é igual a todos.
Então não vejo nada demais, pelo contrário, acho até correto, chamar os participantes de brother e sister.
A não ser que eu não esteja entendendo algo aí. Nesse caso, acho que daria até um bom post explicando...
Att,
André
"O que falta nesse pais é educação de escola, não de televisão"
Discordo. Acho que o que falta é educação de casa mesmo...
