NÃO DÁ PARA NÃO FALAR DE ISRAEL E PALESTINA

14/01/2009

NÃO DÁ PARA NÃO FALAR DE ISRAEL E PALESTINA

É muito difícil falar sobre Israel. Não falo somente sobre o patrulhamento ideológico, porque isso é algo que com o tempo aprendi a tirar de letra. O maior problema é a falta de informações concretas, além das coisas que nos chegam enviesadas, torcidas por uma ou outra vertente. Mesmo assim, não falar parece o mais equivocado.

Há muita coisa ali que talvez nem todos saibam. A primeira delas, curiosamente, diz respeito à história. A Palestina, que compreende todo o território israelense, nunca foi dos árabes palestinos. Isso mesmo, vale repetir: NUNCA FOI. Eles nunca tiveram soberania sobre tal território.

Vale lembrar: mesopotâmicos, hebreus, romanos, hebreus novamente, romanos de novo... Império Romano do Oriente. Até que esse império cai perante o Império Turco-Otomano, cuja queda se deu APENAS NA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL. Desde então, o território palestino – que, repita-se, compreende Israel – passa às mãos da Inglaterra.

Antes do final da Segunda Guerra, os árabes palestinos tentaram um levante, de resultado infrutífero. Ingleses continuaram sendo os "donos" daquela terra, então dominada por séculos pelos Turcos-Otomanos – e se alguém acredita na "fraternidade sim, violência não" entre facções, basta lembrar das recentes mortes entre OS PRÓPRIOS PALESTINOS/PALESTINOS de facções teoricamente "do mesmo lado" atirando umas nas outras: Hamas e Fatah.

(Por fim, e para constar, Mustafa Kemal Atatürk, após o fiasco da Primeira Guerra,tratou de instalar na Turquia um estado secular, acabando de vez com o milenarismo muçulmano.)

Sigamos.

Com o final da Segunda Guerra, portanto, ninguém invadiu casas e expulsou pessoas para a "chegada dos judeus". Assim que acabou a PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL, e tendo em vista a conquista da Palestina pelos ingleses, os judeus sionistas aos poucos mudavam-se para lá. A escolha de tal território para fundação do Estado de Israel não foi uma "provocação", mas algo um tanto óbvio e até lógico.

E a partilha foi meio-a-meio, em 1948. Notem, portanto, que são fatos bem recentes. Não falamos aqui de coisas que se arrastam por séculos, milênios etc., mas de um território partilhado há coisa de cinqüenta anos.

E então surge o primeiro argumento torto: "o terror tem origem no abuso de Israel". Desculpem, mas é falho. Porque as coisas não são BEM assim. É difícil precisar o início de tudo, quem atirou a primeira pedra, da mesma forma que é ridículo pontuar o começo de tudo em Sarah, Ahgar, Isaac e Ismael, ou culpar Abraão e deixar por isso mesmo.

Mas a Guerra dos Seis Dias dá uma pista do que procuramos buscar, se estamos realmente atrás de respostas históricas e intelectualmente honestas. Três países tentaram atacar Israel, com o apoio de outros cinco. Os três da ponta eram Egito, Jordânia e Síria e os apoiadores: Arábia Saudita, Argélia, Iraque, Kuwait e Sudão (muitos desses países faziam parte do antigo Império Turco-Otomano, extinto na Primeira Guerra Mundial).

(Ah, a União Soviética, é claro, também deu uma força, afinal, os fatos aconteceram em 1967 e Israel já era um país – vejam que pecado! – "apoiado pelos EUA!". O que ninguém conta é que TODOS OS DEMAIS ERAM APOIADOS PELA URSS!!!)

O nome Guerra dos Seis Dias resulta de um acidente geográfico, as Colinas de Golã. Porque a Força Aérea da Jordânia do Egito foi destruída em solo. Isso mesmo: em solo! Graças a um minucioso trabalho de espionagem do Mossad, esse ataque nem chegou a acontecer.

Israel começou a empurrar a Jordânia pra trás, e o mesmo fez com o Egito, por meio do Sinai. A ONU, claro, passou a pedir o cessar-fogo. E a Síria resistia bem, pois as colinas ajudavam. Daí a duração mais prolongada do conflito, pois se não seriam mesmo só uns três dias. Saldo: 18 mil soldados mortos de um lado, cerca de 750 baixas do outro. Podem pesquisar.

Barra Pesada
Daí em diante, é claro, Israel começou a pegar pesado e, em várias ocasiões, não tenho dúvidas de que passou de alguns limites. Por outro lado, VÁRIOS GRUPOS TERRORISTAS SE FORMARAM. E é por isso que considero MUITO EQUIVOCADA essa historinha de que tal grupo se formou porque "houve abuso" e tal, tal, tal. Mentira! É cascata! Vejam só: a Guerra dos Seis Dias aconteceu em 1967! Não foi no século retrasado!

Esses grupos surgiram quando? O Fatah é de 1964 e o Hamas é de 1987, mas... Epa! Deriva da Irmandade Muçulmana do Egito, que é de 1928!

Ao mesmo tempo, é claro, ações geram reações e, sem dúvida, crianças palestinas vítimas da guerra são potencialmente recrutáveis para a guerrilha, assim como crianças israelenses vítimas da guerra são também potencialmente recrutáveis e assim por diante.

Mas é bobagem supor que TODOS OS GRUPOS TERRORISTAS, sobretudo os principais – e esses que agora estão na mídia – tenham surgido como resultado de ações "totalitárias" de Israel, quando, na verdade, é praticamente o inverso.

O Momento Atual
São muitos mortos. Muitos. É praticamente impossível defender Israel e, embora eu tenha uma opinião francamente favorável à existência do Estado Israelense, não vou defender ações de guerra – assim como sou favorável à existência dos Estados Unidos e não sou favorável à invasão do Iraque.

Mas é preciso, mais uma vez, trabalhar com fatos: o Hamas (e não os palestinos) lançou cerca de CINCO MIL FOGUETES ao longo de aproximadamente um ano. E foguetes CONTRA CIVIS. A tecnologia de Israel permitiu que as baixas fossem mínimas, mas ainda assim alguns morreram.

Se não me engano, foram quatro. É "pouco"? Não sei. Acho muito. Qualquer vida humana pra mim é muito. Assim como é um absurdo sem pé nem cabeça quando morrem mil ou milhões, incluindo civis ou mesmo militares.

O dado curioso é que NINGUÉM TIRA DE ISRAEL O DIREITO DE SE DEFENDER. Ninguém! Todos dizem que o país tem esse direito, mas o deve fazer dentro de uma "proporcionalidade". E é isso que me intriga.

Temos o seguinte:

a) Israel DEVE se defender;
b) Essa defesa DEVE ser proporcional.

Muita gente fez a mesmíssima pergunta que farei e baseada nas premissas acima, apresentadas por todos – e é uma pergunta relevante, sim, não uma provocação. Ela nos faz pensar, de forma literalmente filosófica, em quão idiota é o raciocínio da guerra, e ao mesmo tempo faz refletir em quão impossível seria o "senso de proporcionalidade" quando se trata de uma ação beligerante.

Vamos lá: O QUE SERIA UMA REAÇÃO PROPORCIONAL?

Israel escolhe quatro pessoas? Solta foguetes com a mesma tecnologia ultrapassada, emprestando sua tecnologia avançada de combate a esses foguetes velhos, mantendo assim o ritmo de tortura psicológica das sirenes disparando diuturnamente? Usa homens-bomba?

Entendem o nível de loucura a que tal exigência-padrão nos faz chegar? A cobrança de "proporcionalidade", além de ser algo pernóstico (afinal, não existe isso numa guerra, pois uma vez iniciada, o objetivo é vencer, e não "empatar"), é simplesmente IMPOSSÍVEL.

Porém...
Claro, não sou um maluco. Não estou aqui para ENDOSSAR uma ação de guerra em que OBVIAMENTE Israel passou alguns limites. O que não consigo é fazer isso brigando contra fatos históricos, xingando a realidade, esmurrando a faca da razão e assim por diante.

É preciso deixar de lado o vale-tudo do partidarismo, é preciso abrir mão dessa coisa exagerada. Israel precisava se defender? Sim, precisava. E isso é o que dizem TODOS OS SEUS DETRATORES E INIMIGOS – apenas cobravam "proporcionalidade" (sem explicar, claro, como seria isso).

Um outro dado de extrema relevância é o fato de que não se deve ignorar a safadeza do Hamas – e não do povo palestino, fique claro – de colocar "estrategicamente" postos militares muito próximos de escolas e outros lugares do gênero. A própria ONU já os denunciou quanto ao uso de escudos humanos.

Não que isso atenue eventuais exageros de Israel, mas é um sinal a mais para se analisar, fora da raiva unilateral, quando alguém se dispuser a fazer uma análise realmente honesta acerca de todos esses fatos.

Enfim, eu obviamente não apoio de forma integral a ação de Israel, e possivelmente terei várias ressalvas quanto a muito do que foi feito, principalmente porque ainda não temos a menor ideia de nada – já que os jornalistas foram proibidos por ali.

Mas me recuso a distorcer a história e os fatos para transformar tudo num grande romance.

Revisão: Hellen Guareschi


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transubstanciado por gravata às 14.01.09 | 42 comentários



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Comentários:


Comentário de: Maximo

Finalmente coerência no blogosfera...
É fácil tratar os palestinos e principalmente os grupos rebeldes (sofismo para terroristas) islâmicos, mas os fatos estão listados, embora falte unzinho...

Israel é um estado reconhecido/criado pela ONU, portanto, QUALQUER agressão a Israel deveria ser considerada uma agressão à ONU, mas infelizmente os valores se invertem.

(Gravz: Você tem razão, Maximo. A ONU, de fato, reconhece Israel e uma agressão territorial deve ser combatida - assim como devem ser combatidos os ataques feitos pelo Hamas que, embora terrorista, também ocupa posição de chefia de governo da Autoridade Palestina - o que transforma tais ataques em Atos de Guerra)

PermalinkPermalink 14.01.09 @ 16:40



Comentário de: FabDisaster

Gostaria de indicar, caso já não tenha assistido.

Occupation 101: Vozes da Maioria Silenciada

É um documentário que aborda o conflito Israelo-Palestino dirigido por Sufyan Omeish e Abdallah Omeish, e narrado por Alison Weir, fundadora do If Americans Knew. O filme discute os eventos a partir do surgimento do movimento Sionista até a segunda Intifada, a limpeza étnica da Palestina, as relações entre Israel e Estados Unidos e as violações dos direitos humanos e abusos cometidos por colonos e soldados israelenses contra os Palestinos

http://video.google.com/videoplay?docid=-4059024493735334793&hl=pt-BR

(Gravz: Eu adoraria ver algum documentário do que se fez na Arábia Saudita, no Sudão, no Egito, na Jordânia, no Iraque, no Irã, em todos esses lugares... Aliás, recentemente meu amigo Persegonha viu um documentário sobre um aliado deles, a URSS. Pena que não tenha aqui comigo o nome, se não passaria a você)

PermalinkPermalink 14.01.09 @ 16:53



Comentário de: Rita

Gravata, Israel tem o direito de se defender, os Palestinas também.Mas se 04 vidas pra vc é muito , o que vc diz dos quase 1000 palestinos mortos/
Vc não cita esse número, por quê?
Não entendo de política internacional, mas me pergunto: os Judeus foram tão maltratados, dizimados e humilhados, não deveriam ter um pouco de compaixão pelos seres humanos que eles maltratam, dizimam e humilham?
Parece que todo o sofrimento pelo qual passaram os endureceram demais, e todo o mundo fica morrendo de medo de dizer a eles que estão matando pessoas tão inocentes quantos os judeus que foram mortos por Hitler.Isso não importa, eles tem a prerrogativa de matar tantos inocentes quantos forem necessários pra matar um ou outro terrorista.
E todo mundo fica do lado deles porque já sofreram demais.E os pais, mães, irmãos e filhos dos que eles matam hoje?
Ah, esqueci, são palestinos, não são filhos de Deus.

(Não é por aí, Rita. Eu acho que muito mais os detratores dos judeus usam o argumento do Holocausto do que eles próprio o evocam. Segundo o Presidente do Irã, não houve Holocausto - curiosamente, é um dos financiadores do Hamas ou Hizbollah, ou sei lá mais quem. E, com a queda dos petrodólares, a coisa apertou. Mas não minimizei aqui os exageros, apenas recontei a história e, com a devida cautela, pulei essa parte, justamente para não me acusarem de apelativo. Não é lícito que você use esse argumento agora. Releia o que foi exposto e fundamente sua tese baseada nos fatos. Não é judeus x palestinos, mas sim uma ação de dois governos, sendo que o Hamas hoje está na frente de um deles)

PermalinkPermalink 14.01.09 @ 16:53



Comentário de: Leonardo

Fernando, só corrigindo, a força aérea que foi destruída ainda no solo foi a egípcia, e não a do reino da Jorndânia.

Abraço e parabéns pelo texto.

(Gravz: Tem razão, Leonardo!)

PermalinkPermalink 14.01.09 @ 17:00



Comentário de: Christian Martins

Gravata,
Quero dar parabéns pela forma que você escreveu sobre o assunto. Concordo com você sobre os pontos históricos (até pq são verdade) e também sobre a ignorância de uma guerra.
Mas deve ser muito difícil para uma "nação" agüentar estes grupos terroristas acabando com a paz das pessoas. Acho que Israel ainda demorou em fazer esta ofensiva militar na Faixa de Gaza.
Hoje a ONU e vários paises reclamam de muitas coisas que estão acontecendo - até armas ilegais que Israel está usando (mas em uma guerra existem armas legais?) – mas pelo que me lembro, todas as tentativas de cessar fogo que fizeram nestes anos, foram no imediatismo e não pensando a longo prazo. Pensando nisso acho que não existe uma saída neste conflito recente (que como você informou existe desde a 2ª Guarra)
Creio na verdade que em algum momento não existe saída a não ser a guerra.
Quero deixar claro que sou contra a guerra, mas sei que será muito difícil não existir no mundo onde sempre teremos disputas de poder (dinheiro, política, espaço físico, religião, etc.).
Abraços

(Gravz: Eu não concordo com os exageros e não concordo com guerras de nenhuma espécie. Mas é importante saber que quem deu início à guerra foi o Hamas, lançando foguetes constantemente, durante um ano, por aí. Claro que, em dado momento, vem o troco. É uma porcaria, é uma grande lástima e tomara que encontrem alguma solução próxima de algo menos violento. Mas não se pode usar as formas simplistas adotadas por aí)

PermalinkPermalink 14.01.09 @ 17:01



Comentário de: Sandro · http://arkhanasilum.blogspot.com

É tudo muito confuso. Embora eu tenha a tendencia de concordar com a grande parte das açoes tomadas por Israel, nao consigo concordar com todas. Concordo que, se tomou a decisão - apoiada por todos - de defender seu território de ataques de um grupo terrorista que tem em sua carta de fundacao o desejo expresso de ver Israel destruído - deve fazê-lo de forma a realmente impedir que este grupo volte a ameaçar vidas. e para isso nao pode haver limites de Proporcionaliade. deve ser na linha do botar pra foder. Mas por outro lado, da uma pena danada dos pobres civis presos - literalmente - no fogo cruzado, já que nao podem fugir de gaza pra lado nenhum.
Ao mesmo tempo, nao consigo concordar com os assentamentos de judeus ultra ortodoxos nos assentamentos e demais territórios ocupados.
Fora que, pra mim que sou extremamente racional, ver aquele povo que se engaja numa ou outra facção religiosa que distorce os preceitos dos livros sagrados de cada um para endossar suas ambições politicas, dizendo que estão em guerra santa, é muito bizarro.

(Gravz: Sim, é tudo muito difícil e NADA deve ser simplificado, reduzido, tratado como joguinho de futebol. Há civis mortos, há crianças mortas, há uma ação exagerada. Isso é fato e não reconhecê-lo é ridículo. Daí a ignorar toda uma história também é ridículo, bem como ignorar a origem do Hamas etc.)

PermalinkPermalink 14.01.09 @ 17:02



Comentário de: Fá

É, esqueceu da parte religiosa né!
Pois é, vivi por quelas bandas, no meu sangue corre "liquido" libanês e só quem já viu ou viveu pode odiar guerras!Sou contra qualquer tipo de violência mas gravata deixa te perguntar... Existe algum país católico ou protestante? Porque deveriamos engolir um país Judeu?É exatamente isso que acontece lá eles querem fundar um país judeu e subjugar o povo que está lá á séculos não nos dando o direito de escolha religiosa...As coisas não são muito bem mostradas como vc mesmo disse!!!
beijos

Gravz: Rita, o Líbano expulsou os cristãos - os muçulmanos, no caso, não exatamente "o Líbano"... - e muitos deles vieram parar até aqui no Brasil. Foi uma faxina e tanto. Aliás, quantos "estados muçulmanos" existem por ali? Só eles podem ter países? Já imaginou o trabalho para abrir uma sinagoga no Irã ou na Síria? Por favor, não use uma lógica deturpada. Neste texto, por óbvio, condenei a violência exacerbada, mas não vale passar por cima do raciocínio mais razoável

PermalinkPermalink 14.01.09 @ 17:02



Comentário de: Mary V. · http://umabelezadegarota.blogspot.com

Concordo com a necessidade de pesquisa histórica que você apontou! As pessoas só pesquisam na mídia, e a mídia na maioria das vezes expressa opiniões e poucos fatos. Sou contra a ofensiva israelense, mas já cansei dessa desumanização em relação aos israelenses, como se o objetivo do povo de Israel fosse matar palestinos.

(Gravz: Exatamente. Mais ou menos como fazem às vezes com os americanos, a culpa é posta sobre TODO o povo de Israel, numa confusão absurda)

PermalinkPermalink 14.01.09 @ 17:11



Comentário de: Srta.T · http://calmaqueficapior.blogspot.com

Putz, cansei de tentar dizer isso em blogs, fóruns (a Folha Online me odeia) e etc. Botou criança machucada na capa de jornal, virou coitadinho. Pior é ver pseudo-feminista defendendo o Hamas. Cacetada.

(Gravz: Feminista defender o Hamas é demais. Se bem que já vi gay defender Cuba)

PermalinkPermalink 14.01.09 @ 17:40



Comentário de: Vivian Siqueira

Muito esclarecedoras suas considerações!

(Gravz: Obrigado, Vivian :))

PermalinkPermalink 14.01.09 @ 18:08



Comentário de: Fractal Pantufa

Que aula!

(Gravz: Grande Pantufa!)

PermalinkPermalink 14.01.09 @ 18:19



Comentário de: Marco Aurélio Fedeli · http://analiseseopinioes.blogspot.com

Abaixo o que escrevi sobre o assunto. Pensamos igual.

http://analiseseopinioes.blogspot.com/2009/01/questo-israelense-palestina.html

(Gravz: Opa! Fico feliz :))

PermalinkPermalink 14.01.09 @ 19:16



Comentário de: Diogo Araújo

Obviamente que há equívocos neste texto.
1) A URSS apoiou Israel (a grande maioria de judeus eram russos) na criação de seu Estado. Sinceramente, imputar o apoio russo aos árabes é desqualificar a história.
2) Tanto em Haifa quanto em Ramla, milícias judaicas explodiram ônibus (ah, esses bárbaros que explodem tudo...), causando 27 mortes e ferindo outras 30 pessoas.
3) A guerra implodiu naquele pequeno pedaço de terra (http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_massacres_committed_during_the_1948_Arab-Israeli_war) conformem podem ler aqui.
4) Numa boa, Gravataí, pesquise mais ou continue com este texto apócrifo. Esta revisão deixou a desejar...

(Gravz: Vamos lá...

1) Apoiou a fundação. Na Guerra dos Seis Dias, apoiou os países árabes;

2) Sim, pode ser. Não defendo o assassínio de inocentes - E, se quiser, posso fazer uma lista de cada coisa que já explodiram por ali, vai ficar complicado...;

3) Opa! Em 1948 houve a FUNDAÇÃO dos dois países! Como assim a Guerra eclodiu? Que tal ESSE link? http://en.wikipedia.org/wiki/Six_days_war#U.S..2C_British_and_Soviet_non-combat_support ;

4) Está suficientemente pesquisado? :)

Antes mandar alguém pesquisar, faça-o. E apócrifo é o que não contém assinatura. Como você chama de apócrifo um texto que eu assino? Você gosta da palavra e usa em todas as circunstâncias, a ponto de pedir uma pizza "com pouco apócrifo"?
)

PermalinkPermalink 14.01.09 @ 19:34



Comentário de: bobmacjack · http://outforlunch.blogspot.com

Gostei da análise, informação sempre é bom. Não dá pra ficar indiferente ao que acontece ali, e a população está sofrendo demais. Coisas da guerra. Que sempre é uma coisa nojenta.

(Gravz: Sim, exatamente. Mas aí vem a turma de sempre, a do FlaxFlu, e resolve tocar corneta no blog)

PermalinkPermalink 14.01.09 @ 19:41



Comentário de: Eduardo

Tentando complementar, ocorreram ainda mais duas guerras de fato. A de 1948, logo após a fundação de Israel, acho que com os mesmos países ou mais alguns. A outra foi a Guerra do Yom Kipur em 1973, contra Egito e Síria.
Em ambas guerras Israel foi atacado, e em ambas saiu vitorioso, além da Guerra dos Seis Dias (1967) que você citou.
É realmente horrível ver as fotos das crianças palestinas e igualmente horrível imaginar o sofrimento das famílias em geral. Mas fico imaginando se o Hamas tivesse a tecnologia de guerra que Israel possui, será que eles estariam pensando nas crianças israelenses?

(Gravz: Não, não estaria. Infelizmente, não estaria. E, até onde sei, eles não miram aqueles foguetes em adultos)

PermalinkPermalink 14.01.09 @ 22:09



Comentário de: Danielle Argibay

Leio e busco informações sobre tudo isso e confesso que fico cada vez mais confusa! Muitas vezes, vejo todo esse fato como uma briga de "crianças", disputando quem tem o melhor "brinquedo", sabe?! É absurdamente ridículo tudo que acontece e, mais ainda, as opiniões e intromissões dos outros países, que nada fazem e ainda bancam de "solidários", enquantos milhares de inocentes morrem! Absurdo!!

(Gravz: Sim, exatamente. É desagradável quando tanto fatos históricos quanto os horríveis da guerra atual são reduzidos a brigas ideológicas que esmurram a realidade em nome de predileções partidárias)

PermalinkPermalink 14.01.09 @ 23:02



Comentário de: Juliaura da Luz Bauer · http://julidaluz.blogspot.com

Há um masacre de de não israelenses em Gaza.

A PALESTINA
Dados históricos para a compreensão da situação actual
e algumas reflexões
Comissão Justiça e Paz CNIR/FNIRF

INTRODUÇÃO


Palestina é o nome do território situado entre o Mediterrâneo a oeste, o rio Jordão e o Mar Morto a este, a chamada Escada de Tiro a norte (Ras en-Naqura/Roch ha-Niqra, fronteira com o Líbano) e o Wadi el-Ariche a sul (fronteira com o Sinai, tradicionalmente egípcio). Com 27.000 km2, a Palestina é formada, de um modo geral, por uma planície costeira, uma faixa de colinas e uma cadeia de baixas montanhas cuja vertente oriental é mais ou menos desértica.


A Palestina foi habitada desde os tempos pré-históricos mais remotos. A sua história esteve geralmente ligada à história da Fenícia, da Síria e da Transjordânia, limítrofes. Talvez por causa da sua situação geográfica – faz parte do corredor entre a África e a Ásia e ao mesmo tempo fica às portas da Europa –, a Palestina nunca foi sede de um poder que se estendesse para além das suas fronteiras. Pelo contrário, esteve quase sempre submetida a poderes estrangeiros, sediados na África, na Ásia ou na Europa. Em regra geral, foi só sob as potências estrangeiras que ela teve alguma unidade política.

DE FINS DO II MILÉNIO A. C. A MEADOS DO SÉCULO XIX

Para melhor compreender a situação actual da Palestina, convém fazer um esboço da sua história a partir do II milénio a. C. A Palestina esteve organizada em cidades-estado sob a hegemonia egípcia durante uma boa parte do II milénio. A situação mudou nos últimos séculos desse milénio. Chegaram então à Palestina sucessivas vagas de imigrantes ou invasores vindos do norte e do noroeste, das ilhas ou do outro lado do Mediterrâneo. Os historiadores costumam designá-los com a expressão Povos do Mar. Esses povos parecem ter-se fixado sobretudo ao longo da costa. Os mais conhecidos entre eles são os Filisteus que se fixaram sobretudo no sudoeste (costa, oeste do Neguev e Chefela). Aí fundaram vários pequenos reinos (Gaza, Asdod, Ascalão, Gat e Ekron). Paralelamente aos reinos filisteus, constituiram-se primeiro o reino de Israel no norte da Palestina e depois o reino de Judá, mais pequeno, na zona de baixas montanhas do sul. Durante a maior parte da sua existência, Israel teve como capital Samaria. Hebron foi a primeira capital de Judá, mas depressa cedeu o lugar a Jerusalém.


Entre os antigos povos da Palestina, os Filisteus foram porventura os que maior influência exerceram até aos últimos séculos da era pré-cristã. Com efeito, não deve ter sido por acaso que o seu nome foi dado a toda a região, a Palestina, isto é, o país dos Filisteus. Com o sentido que se tornou habitual, o nome está já documentado nas Histórias do grego Heródoto em meados do séc. V a. C. Apesar da sua importância na antiguidade, conhecem-se muito mal os Filisteus e a história dos seus reinos. A razão óbvia dessa ignorância é a inexistência de uma biblioteca ou de bibliotecas filisteias comparáveis ao Antigo Testamento. Praticamente tudo o que se sabe ou se pensa saber sobre os Filisteus se baseia nos escritos bíblicos. Por conseguinte, a posteridade só conhece os Filisteus na medida em que eles estão em relação com Israel, com Judá ou com os judeus. Além disso, vê-os através dos olhos daqueles que foram os seus concorrentes, não raro os seus inimigos declarados. De facto, a posteridade, de maneira geral, não se interessa pelos Filisteus nem os estuda por si mesmos, mas só por causa da sua relação com a história bíblica. Tudo isso deformou a visão que se tem deles, do lugar que ocuparam e do papel que desempenharam, aparecendo os Filisteus como um elemento marginal na história da Palestina antiga. Esse erro de perspectiva influencia sem dúvida alguma a visão corrente que se tem da actual Palestina, da sua composição étnica e da sua situação política.


Os vários reinos palestinenses[1], filisteus e hebraicos, coexistiram durante séculos. Ora guerrearam entre si ora se aliaram para sacudir o jugo da grande potência do momento. A primeira vítima desse jogo foi Israel, conquistado e anexado pela Assíria em 722 a. C. Desde então até 1948 não houve nenhuma entidade política chamada Israel. Os reinos filisteus e o reino de Judá continuaram a existir sob a dependência da Assíria, a grande potência regional entre o séc. IX e fins do séc. VII a. C., cujo território nacional se situava no norte da Mesopotâmia, no actual Iraque.


No fim do séc. VII a. C., o Egipto e a Babilónia, a outra grande potência mesopotâmica, com a sede no sul do Iraque actual, disputaram-se os despojos do império assírio. Tendo a Babilónia levado a melhor, a Palestina ficou-lhe submetida durante cerca de oito décadas. De um modo geral, as histórias, focadas como estão em Judá, falam só da conquista desse reino por Nabucodonosor, da deportação para a Babilónia de parte da sua população, da destruição de várias das suas cidades, nomeadamente de Jerusalém com o templo de Iavé (597 e 587 a. C.). Deve no entanto reparar-se que os reinos filisteus de Ascalão e de Ekron, conquistados por Nabucodonosor respectivamente em 604 e em 603, tiveram um destino semelhante.


Em 539 a. C. a Palestina passou com o resto do império babilónico para as mãos dos Persas Aqueménidas. Sabe-se que estes entregaram a administração do território de Judá, pelo menos de parte dele, a membros da comunidade judaica da Babilónia. Em 331 a Palestina foi conquistada pelo macedónio Alexandre Magno. Após a morte deste, ficou primeiro sob o domínio dos Lágidas ou Ptolomeus que tinham a capital em Alexandria, no Egipto (320-220 a. C.). Depois passou para a posse dos Selêucidas sediados em Antioquia, na Síria (220-142 a. C.). Entre 142-63 a. C, os Asmoneus, uma dinastia judaica, com Jerusalém como capital, conseguiu não só libertar-se do poder selêucida, mas até impôr o seu domínio praticamente em toda a Palestina, inclusivamente nos territórios filisteus. Nessa altura a grande maioria dos judeus já vivia fora da Palestina, encontrando-se dispersos em todo o Próximo Oriente. A dispersão deveu-se sobretudo à emigração e, numa medida de longe muito menor, às deportações de 597-587. Os principais centros judaicos fora da Palestina eram então Alexandria e Babilónia. Profundamente helenizados, os judeus de Alexandria liam as suas Escrituras em grego. Deve-se-lhes a colectânea de escritos que se tornará o Antigo Testamento cristão.


Em 63 a. C., a Palestina passou a fazer parte do império romano dentro do qual não teve sempre o mesmo estatuto. Por voltas de meados do séc. I da era cristã, os judeus da Palestina tentaram libertar-se do domínio romano. Houve primeiro várias sublevações locais. Em 66 a revolta generalizou-se. Em 70 os Romanos conquistaram Jerusalém e destruiram o templo judaico. Os judeus da Palestina voltaram a revoltar-se em 131. Após ter esmagado a revolta, em 135, o imperador Adriano fez de Jerusalém uma colónia romana, Colonia Aelia Capitolina, da qual os judeus estiveram excluídos durante algum tempo. Com a ruína do templo e o fim da autonomia judaica na Palestina desapareceu a maioria dos grupos político-religiosos nos quais o judaísmo, sobretudo o judaísmo palestinense, estava então dividido. Praticamente só ficaram em campo dois grupos: o farisaísmo e o cristianismo, recém-formado. Os dois grupos acabaram por separar-se e evoluiram de maneira independente, em concorrência e, não raro, em conflito. O farisaismo deu origem ao judaísmo rabínico, isto é, o judaísmo actual.


Graças à cristianização do império romano, a Palestina, palco dos acontecimentos fundadores do cristianismo, adquiriu uma grande importância para o mundo cristão, sobretudo para os cristãos que se encontravam dentro do império romano. Por isso durante o período bizantino (324-638) a Palestina conheceu uma prosperidade e um crescimento demográfico notáveis. Durante esse período a esmagadora maioria da sua população tornou-se cristã. Em 614 os Persas Sassânidas invadiram a Palestina, onde causaram grandes estragos. Ocuparam-na até 628, ano em que os Bizantinos a reconquistaram, mas por pouco tempo.


Com efeito, dez anos mais tarde, em 638 toda a Palestina passou para o domínio árabo-muçulmano. Este exerceu-se através de uma sucessão de dinastias, de origens, de etnias e com capitais diferentes. A primeira dessas dinastias, a dos Omíadas (660-750), com a capital em Damasco, foi uma das que mais marcou a Palestina, nomeadamente com a construção do Haram ech-Cherife (o Nobre Santuário/Esplanada das Mesquitas) no lugar que ocupara outrora o templo judaico, tornando Jerusalém na terceira cidade santa do islão. Seguiram-se os Abássidas (750-974) e os Fatimidas (975-1071), com as capitais respectivamente em Bagdad e no Cairo. Entre 1072 e 1092 a Palestina esteve sob os Turcos Seldjúcidas, que então tinham a sede em Bagdad.


Embora não tenha dado origem a uma imigração popular e, por conseguinte, não tenha mudado a composição étnica e a demografia de maneira apreciável, o regime árabo-muçulmano teve como consequência a arabização e a islamização da Palestina. A arabização[2], nomeadamente da população cristã de língua aramaica, língua parenta do árabe, deu-se muito depressa. Não pode dizer-se outro tanto da islamização. Apesar de o islamismo se apresentar como o acabamento da tradição bíblica, partilhada pelo cristianismo, pelo judaísmo e pelo samaritanismo, o processo de islamização da população palestinense (cristã, judaica e samaritana) parece ter sido muito lento. Em 985, após três séculos e meio de regime islâmico, o geógrafo árabe-muçulmano de Jerusalém, conhecido pelo nome de el-Maqdisi («o jerosolimitano»;), lamenta-se de que os cristãos e os judeus são maioritários na sua cidade natal. O que el-Maqdisi escreve a respeito da Jerusalém de fins do séc. X valia para o conjunto da Palestina e continuou provavelmente a valer durante cerca de mais dois séculos e meio.


Organizada com o intuito declarado de arrancar o túmulo de Cristo das mãos dos «infiéis», a primeira cruzada terminou, em 1099, com a conquista de Jerusalém e, no ano seguinte, a criação do Reino Latino de Jerusalém. Este manteve-se até 1187, tendo sido então conquistado pelo curdo Saladino, o fundador da dinastia ayúbida. Aos Ayúbidas seguiram-se os Mamelucos, primeiro turcos (1250-1382) e depois circassianos (1382-1516). Os Ayúbidas e os Mamelucos tiveram a capital no Cairo. Segundo a maioria dos especialistas da questão, foi durante o período mameluco que teve lugar a grande vaga da islamização popular da Palestina. Desde então até à segunda metade do séc. XX, os muçulmanos constituiram a esmagadora maioria da população. Do ponto de vista numérico, o segundo grupo era constituído pelos cristãos, seguidos, de muito longe, pelos grupos dos judeus e dos samaritanos. Em 1517 a Palestina passou para o poder dos Turcos Otomanos, cuja capital era Istambul.

Mais detalhes...
http://www.triplov.com/hist_fil_ciencia/palestin/petitio.html

(Gravz: Vamos lá, trechos daqui: http://pt.wikipedia.org/wiki/Palestina

O Império Otomano

Após a expulsão dos Cruzados, a Palestina tornou-se parte do Sultanato mameluco do Egipto, integrada no distrito (Wilayah) de Damasco.

Sob a administração mameluca a região viveu cerca de 100 anos de prosperidade, com a consequente reconstrução de escolas, mesquitas destruídas ou negligênciadas durante o período dos Cruzados. Em torno de 1382 a expansão territorial dos Mamelucos leva-os a confrontarem os Mongóis, e posteriormente os Otomanos. Estas campanhas vão estender-se até 1516, quando as forças do Sultão Selim I derrotam os Mamelucos na batalha de Marj Dabiq, e ocupam a totalidade da Palestina.

Durante os próximos 400 anos, o nome Palestina praticamente desaparece, pois a designação oficial sob a administração turca, uma vez que estes dividem o território em sub-províncias (vilayet) que recebiam o nome da sua cidade capital (ex.: vilayet de Saida).

Em 1799, durante a Guerras Napoleónicas, e no âmbito da Campanha do Egito, as tropas napoleónicas invadem por pouco mais de um mês as cidades de Jaffa, Haifa e Caesarea; é ainda nesta altura, durante o cerco a Acre, que um estadista europeu publicamente avança com a ideia de um estado judaico na Palestina. De facto, Napoleão tinha uma proclamação preparada nesse sentido, mas nunca chegou a ser publicada.

Entre 1832 e 1840 esteve sob administração do Egipto de Muhammad Ali, voltando à dependência directa do Império Otomano no fim desse período.

Em 1873 a região é reorganizada administrativamente, sendo dividida em três grandes àreas: a Norte, de Jaffa a Jericó e o Rio Jordão a pertencer ao vilayet de Beirute. De Jaffa, ao longo da costa até ao Sinai, pertencia ao distrito de Jerusalem, enquanto o restante território (Península do Sinai, Deserto de Negev pertencia ao vilayet de Hijaz, que se estendia até à parte ocidental da Arábia.

É também em torno desta data que os primeiros emigrantes judeus europeus, sionistas, começam a chegar à Palestina. A escola Mikveh Israel tinha sida fundada em 1870 pela Alliance Israélite Universelle, com o objectivo de ensinar aos colonos como cultivar a terra, por forma a obter os melhores resultados. As terras exploradas por estes colonos eram arrendadas directamente à administração Turca.

Apesar das designações oficiais, o termo Palestina foi utilizado de forma informal, não só pelas populações locais, como em algumas situações, mesmo pelos Otomanos; a partir do século XIX a expressão Arz-i Filistin (A Terra da Palestina) aparece em vários documentos oficiais para indicar uma região a Oeste do Rio Jordão num sentido lato.

O Império Otomano era um dos membros da Tríplice Aliança, e portanto inimigo da Inglaterra na Primeira Guerra Mundial. Os ingleses, sobretudo a partir do Egipto lançaram várias ofensivas contra os turcos, nomeadamente através das acções de Lawrence of Arabia, que à frente das forças arabes conquista a região, chegando até Damasco a 1 de Outubro de 1918. Contudo, um ano antes, a 2 de novembro de 1917, o então ministro britânico dos Assuntos Estrangeiros, Arthur James Balfour, havia enviado a Lord Rothschild a carta, conhecida como a Declaração de Balfour, na qual comprometia a Inglaterra na criação de um estado judaico.

Com o Tratado de Versalhes a Palestina no seu sentido lato é dividida entre a França, que ocupa os actuais Libano e a Síria, e a Inglaterra.

O enquadramento legal desta situação será dado pelo Mandato Britânico na Palestina produzido pela Sociedade das Nações, que baseado no Acordo Sykes-Picot previa que a Palestina seria colocada sob administração internacional.

Esta situação iria manter-se até ao final da Segunda Guerra Mundial.


Ou seja: do Sultanato Mameluco, passa pro Império Otomano, não dando chance para os tais 'árabes palestinos' serem dono da tal terra por nem um mísero segundo)

PermalinkPermalink 15.01.09 @ 01:03



Comentário de: Juliaura da Luz Bauer · http://julidaluz.blogspot.com

Além do que, sem dúvida todas as pessoas ali as que matam e as que morrem, são terráqueas.

Da mesma fonte citada.


A maneira como os vencedores da Primeira Grande Guerra decidiram o destino da Palestina, servindo-se para isso da Liga das Nações, é quase uma caricatura da duplicidade e da prepotência que não raro caracterizam as relações internacionais. De facto, há especialistas do Direito Internacional que questionam a legalidade das decisões da Liga das Nações em relação à Palestina em nome das regras que ela própria fixara. Assim, apesar de ter classificado a Palestina num grupo de nações às quais reconhecia imediatamente a independência formal e prometia a independência efectiva a curto prazo, a Liga das Nações impôs-lhe um Mandato cujo objectivo prioritário não era a instalação da administração palestiniana nacional, como previa o documento que institutiu o sistema dos Mandatos, mas, sim,

a criação do «lar nacional judaico» com gente que ainda estava espalhada pelo mundo.

Ora, este objectivo não só contrariava o processo de transição para a independência política efectiva da Palestina, mas era incompatível com o próprio princípio da sua independência com a população que ela então tinha, princípio esse que a Liga das Nações admitira previamente. Por outro lado, tendo nomeado a Grã-Bretanha para potência mandatária sem ter consultado os palestinianos, o Supremo Conselho Aliado não respeitou a regra fixada pelo Pacto da Liga das Nações, segundo a qual os desejos das comunidades submetidas a esse tipo de Mandato deviam ser uma consideração principal na escolha da potência mandatária (art. 22 )[7].



Mandato britânico (1922-1948)


Os palestinianos viram no patrocínio que deram primeiro a Grã-Bretanha e depois a Liga das Nações ao projecto sionista de criação do lar nacional judaico na Palestina a negação do seu direito à independência. Ora, tanto a Grã-Bretanha como a Liga das Nações, explícita ou implicitamente, não só lhes tinham reconhecido esse direito, mas também lhes tinham prometido o seu gozo pleno a curto prazo.

Por isso, além do mais, os palestinianos sentiram-se defraudados.

Naturalmente, opuseram-se ao projecto da criação do lar nacional judaico na Palestina desde o primeiro instante – logo que tiveram conhecimento da Declaração Balfour – e tentaram, por todos os meios, impedir a sua realização, pois temiam que dela resultasse a sua submissão, não só política mas também económica, aos sionistas, passando assim do domínio turco para o domínio judaico, com um intervalo britânico. Apresentaram protestos contra a Declaração Balfour à Conferência de Paz de Paris e ao Governo Britânico. A primeira manifestação popular contra o projecto sionista teve lugar a 2 de Novembro de 1918, primeiro aniversário da Declaração Balfour. Essa manifestação foi pacífica, mas a resistência depressa se tornou violenta, expressando-se em ataques contra os judeus que degeneravam em confrontos sangrentos. Houve motins em 1920, durante a Conferência de San Remo que distribuiu os Mandatos, em 1921, 1929 e 1933. De um modo geral, as erupções de violência eram cada vez mais graves à medida que o Mandato se prolongava e a colonização sionista se estendia e fortalecia. Os acontecimentos desenrolavam-se segundo uma sequência que se tornou habitual. A potência mandatária respondia aos motins nomeando uma comissão real de inquérito, cujas recomendações reconheciam a legitimidade das reivindicações palestinianas e levavam a anunciar ou a esboçar tímidas medidas tendentes a satisfazê-las. Mas, dado que contrariavam o objectivo primordial do Mandato, essas medidas ficavam letra morta ou eram depressa esquecidas. E o ciclo recomeçava.


A resistência palestiniana culminou na revolta de 1936-1939. Em Abril de 1936, distúrbios locais entre árabes e judeus degeneraram numa revolta generalizada dos palestinianos. A revolta já não visava só a colonização sionista. Dirigia-se sobretudo contra as autoridades britânicas, o poder estrangeiro, de quem os palestinianos exigiam a constituição de um governo nacional. As autoridades britânicas ripostaram com uma repressão violenta e os sionistas com represálias. Os palestinianos começaram uma greve geral a 8 de Maio de 1936 coordenada pelo Alto Comité Árabe, que era composto por representantes dos principais partidos. Terminaram-na em Outubro do mesmo ano como resposta ao anúncio de mais uma comissão real de inquérito. A trégua foi de pouca dura, a revolta não tardando a recomeçar. Tendo chegado à conclusão de que os palestinianos não renunciariam à independência, os britânicos encararam em 1937 a hipótese de dividir a Palestina em dois estados, um árabe e o outro judaico. Essa solução não satisfazia nenhuma das partes.

Os palestinianos não renunciavam a uma parte do seu território.

Os sionistas, que viam com razão nesse plano um desvio da política oficial não só britânica mas também internacional, ainda não aceitavam a ideia de criar o estado judaico só numa parte da Palestina, o que aparentemente significaria renunciar à reivindicação da totalidade do país.

A revolta palestiniana continuou e durou até 1939. Considerando inviável o plano de divisão da Palestina, os britânicos fazem marcha atrás e propõem no «Livro Branco» de 1939 a criação de um só estado para árabes e judeus, no prazo de dez anos. O mesmo documento propunha o fim da imigração judaica dentro de cinco anos e limitava a 75.000 o número de imigrantes durante esse prazo de tempo. Além disso, previa uma regulamentação estrita da compra de terras pelas organizações judaicas. Esse conjunto de medidas implicava que os árabes constituiriam um pouco mais de dois terços dos cidadãos do Estado da Palestina. O peso dos dois povos na administração do Estado seria proporcional à sua importância numérica. As autoridades mandatárias tentaram executar as recomendações do «Livro Branco» de 1939, mas sem verdadeiro êxito.


O «Livro Branco» de 1939 confirmou a viragem na política britânica já esboçada dois anos antes. Ao abandonar a ideia da criação de um estado judaico, as autoridades mandatárias romperam com a política seguida até então. Isso representava um sério revés para os sionistas. Estes tiveram que adoptar uma nova estratégia, a qual comportou três elementos principais. Promoveram a imigração ilegal, tarefa essa facilitada pelo genocídio judaico que a Alemanha nazi estava então a perpetrar na Europa central e oriental. Nessas circunstâncias a Palestina aparecia como o lugar de refúgio para os judeus europeus, sobretudo do centro e do leste. Além disso, os sionistas procuraram obter o apoio dos Estados Unidos da América (EUA) para substituir o apoio britânico.

Alguns grupos armados lançaram-se numa campanha de guerrilha contra as autoridades britânicas e os árabes.

Nessa altura a Haganá não era o único grupo armado judaico.

Havia também o Irgun e o Stern[8], que se destacaram na guerrilha pela sua violência.

Entre as numerosas acções realizadas pelo Irgun contra as autoridades britânicas, a mais conhecida é o atentado do Hotel King David em Jerusalém, onde estava instalada a administração governamental.

A explosão de uma ala do edifício, no dia 22 de Julho de 1946, custou a vida a 91 pessoas, das quais 86 funcionários (britânicos, árabes e judeus).

Declarando-o inviável por ter duas missões inconciliáveis, a Grã-Bretanha renunciou ao Mandato e remeteu a questão da Palestina para a sucessora da Liga das Nações, a Organização das Nações Unidas (ONU), em Fevereiro de 1947. A 29 de Novembro de 1947 a Assembleia Geral da ONU, retomando uma ideia que já tinha sido proposta dez anos antes, aprovou a resolução 181 que recomendava a divisão da Palestina em dois estados, um judaico e o outro árabe.

Os dois estados estariam unidos do ponto de vista económico.

Jerusalém (incluindo Belém) não pertenceria a nenhum dos estados, mas formaria um corpus separatum sob a jurisdição da ONU.

Passados dez anos haveria um referendo entre os habitantes da cidade sobre o seu regime. O plano deveria entrar em vigor dois meses depois do fim do Mandato que a Grã-Bretanha fixou para o dia 15 de Maio de 1948.

E continua...
http://www.triplov.com/hist_fil_ciencia/palestin/petitio.html


PermalinkPermalink 15.01.09 @ 01:48



Comentário de: Thiago

Simplesmente lamentável... agora é hype ficar do lado da judeuzada... citando wikipedia como fonte, meu deus....................................................

PermalinkPermalink 15.01.09 @ 02:48



Comentário de: Diogo Araújo

Este texto deveria vir com a bibliografia, não sendo assim, torna-se apócrifo para mim. Queres fazer uma pesquisa e a única informação sobre o texto é ´revisão de...´ Sua assinatura vale tanto quanto a palavra de um advogado. By the way, o espaço é seu, mas é nada interessante comentar os comentários. Deverias, isso sim, permitir o uso de réplicas e tréplicas. Da forma como está, mais parece uma imprensa marrom... sinceramente...

PermalinkPermalink 15.01.09 @ 10:19



Comentário de: Flavia

"(...)O rei Saul pertencia à tribo de Benjamim, e adquiriu inicialmente a simpatia de todas as tribos, mas um movimento em Judá, liderado por Davi e apoiado pelos filisteus, terminou por vencer Saul. Davi foi coroado em Hebrom rei de Judá, enquanto o restante de Israel deveu lealdade ao filho de Saul, Isbosete. Houve uma guerra civil, com vitória de Davi.(...)" Ou seja, houve um momento na história onde todos eram amiguinhos fazendo guerra juntos. De qualquer forma, apoio o seu texto. Para mim a proporcionalidade cobrada é tão cínica que é por isso que ninguém esclarece. De um lado os países do ocidente, passando por uma das maiores crises econômicas da história e que por motivos óbvios não querem atrair terroristas para seus territórios e terem que gastar os tubos em novas guerras como a do Iraque, e por isso agora são bonzinhos com os palestinos. De outro lado,nações mulçumanas como a Árabia Saudita, Síria, e etc... que agradecem o trabalho que Israel faz indiretamente por eles de manterem o Irã xiita sob controle quando parte para ações militares. E um terceiro lado, o Hamas sendo usado pelo Irã para desviar a atenção de Israel dos seus planos de atacarem suas bases nucleares. Ou seja, INTERESSES POLÍTICOS! INTERESSES ECONÔMICOS!O Hamas e Israel são os bonequinhos que fazem o trabalho sujo dos outros.

PermalinkPermalink 15.01.09 @ 11:28



Comentário de: Dinair

Ameiiiiiiiiiii seu relato, matéria, enfim..rs
fato é que procurei durante essa semana informações sobre a origem desses conflitos e vc de forma resumida explicou tudo. Acho que guerra só serve para duas coisas, movimentação do capital, dos países que não estão em guerra óbvio, que aproveitam para vender suas armas e etc, e também para uma auto-determinação absurdamente brutal e sem sentido, vamos viver nossas vida sem incomodar o vizinho...se ele não te agride não há porque remoer casos do passado e, hoje, causar a morte de pessoas que nada tiveram com isso.

PermalinkPermalink 15.01.09 @ 11:45



Comentário de: Juliaura da Luz Bauer · http://julidaluz.blogspot.com

Impressionante a falta de direção dos foguetões dos não árabes hoje. Acertaram tudo: rádio, tevê, mesquita, mulher, criança, repórter, funcionário da ONU.
Depois ficaram de bandido e mocinho com tirinhos de pistola e fuzil com meia dúzia de gente não israelense.
Parceria incômoda para os patrocinadores, essa empreitada do povo escolhido pelo deus deles na terra prometida para eles pelos escribas do deus deles, num lugar que já tinha gente no manah quando lá chegaram.
E tudo do mesmo planeta, mas chegados de avião e navio a maioria, como o arsenal de hoje em dia.
Tem mais petróleo que motor de carro nessa parada, penso.

PermalinkPermalink 15.01.09 @ 13:51



Comentário de: Arnaldo

Seu texto é perfeito, Gravata. Entre os comentários deste post se tem uma pequena amostra de desvios que contaminam a opinião das pessoas a respeito deste tema. Toda a vida é sagrada, e se em Israel morreram apenas quatro foi porque eles corriam para abrigos anti-aéreos ao soar alarme de que mais um míssel vinha, e não ficavam expostos de peito aberto para que depois seus corpos fossem levados em uma procissão macabra para atrair a mídia.

Se alguem acha que a URSS apoiava Israel, esse alguem deve ler um pouco de história.

Se alguem fala que não deve existir um Estado para judeus, desconhece que existe uma população árabe grande vivendo em seu território, inclusive representada no congresso. Quem fala uma coisa destas não sabe que Israel tem a única democracia da região, ou que os judeus não são aceitos em nenhum país árabe, ou que foram duramente perseguidos na Europa Oriental antes da segunda guerra.

Ou alguem que lembre que houve atentados terroristas praticados por judeus durante a ocupação inglesa, e este motivo justifica ataques contra um Estado reconhecido. Lembro que após a fundação de Israel, o governo rechaçou grupos terroristas ou paramilitares judaicos que pretendiam continuar cometendo atentados na região. Um dos integrantes destes grupos, que teve que sair de cena com o rabo entre as pernas foi Menahen Begin, que mais muito tarde chegou a primeiro-ministro.

Esta difícil desassociar o pensamento pseudo-humanista que certos indivíduos tem com relação aos pobres palestinos que estão morrendo de um antissemitismo puro e simples. Por que estas pessoas não deixam claro de uma vez por todas: Sou antissemita! Mas se disfarçam de humanistas, que não dão a mínima às centenas de milhares de mortos e refugiados no Sudão, mas em nome de um anti-imperialismo americano e de um antissemitismo se condoem do sofrimento dos irmãos fundamentalistas islâmicos.

Pois bem, entreguem o território israelense ao Hamas, e verão milênios de história ir para o saco. A exemplo do Taleban, símbolos pagãos serão bombardeados. O Muro das Lamentações provavemente será o primeiro, e não causará grande comoção para a opinião pública. E quando chegarem à Basílica do Santo Sepulcro? Daí será tarde...

PermalinkPermalink 15.01.09 @ 15:11



Comentário de: Daniel Coelho

Usar a história para entender esse conflito hoje é muito complicado. Muitos fatos possuem muitas versões e interpretação criadas e/ou exploradas.

Seu relato dessa história é bom. Mas pelo pouco que andei pesquisando sobre o assunto, acho que é importante destacar alguns pontos:

(i) Fala-se muito dos refugiados palestinos e se ignora os milhares de judeus que moravam nos países árabes e que fugiram para Israel, a diferença é que os países árabes mantêm os palestinos como refugiados por 40 anos.
(ii) É curioso que nas primeiras guerras os países árabes tinham a intenção de repartir entre si os territórios e não fundar o estado da Palestina.
(iii) A resolução da ONU que criou o estado de Israel não foi uma imposição, mas uma fuga do atoleiro que aquela região já era desde antes da II GM, a Inglaterra fugiu de lá.

Abs
PS: o imprensa morrom vai fazer falta.

PermalinkPermalink 15.01.09 @ 15:42



Comentário de: Pedro Teles

Gravata,
Seu texto é muito bom, todo fundamentado em fatos, exceto quando você diz:
"Claro, não sou um maluco. Não estou aqui para ENDOSSAR uma ação de guerra em que OBVIAMENTE Israel passou alguns limites".
Logo depois, está lá:
"Enfim, eu obviamente não apoio de forma integral a ação de Israel, e possivelmente terei várias ressalvas quanto a muito do que foi feito, principalmente porque ainda não temos a menor ideia de nada – já que os jornalistas foram proibidos por ali".
1 - Como você pode afirmar que OBVIAMENTE Israel ultrapassou alguns limites, se depois reconhece que "ainda não temos a menor idéia de nada"? Quais são os FATOS que levam a essa obviedade?
2 - Você não indica os "alguns limites" que foram ultrapassados. Não é uma guerra (contra o Hamas)? Quais seriam então esses limites?
Você não gosta da guerra, como eu não gosto e ninguém gosta. Mas parece que ainda não encontrou argumentos factuais para condenar Israel, como eu ainda não encontrei e ninguém de boa-fé encontrou.
Abraço.

PermalinkPermalink 15.01.09 @ 17:46



Comentário de: Diego Camara

Eu normalmente concordo com suas colocações, mas desta vez não considero que foi uma decisão inteligente e necessária de Israel.

Na verdade, a maioria diz que a invasão israelense foi meramente política, uma tentativa dos governantes do país em tentar manter seus cargos pela eleição próxima. Interessante pensar que os próprios políticos israelenses também não imaginaram os riscos disso. A eleição palestina que também irá acontecer este ano estava dando uma vitória fácil para o Fatah, um grupo menos extremista com o qual, unindo a força de Barack Obama e do outro partido israelense que também seria eleito (no lugar do que está no poder), isto poderia resultar numa facilitação para as negociações de paz. Fato é que o governo de Israel agora deu uma sobrevida ao Hamas, que pode se perpetuar no poder após a invasão israelense.

Vamos ser diretos. Não vou aqui discutir quem tá certo quem tá errado.

Para mim isto é uma questão de oportunidades de destruir o outro, e quem está por cima é Israel (se os palestinos tivessem força bélica maior, sem dúvidas fariam a mesma coisa).

Vou na verdade recomendar uma leitura de uma resenha de um livro, publicado na revista Caros Amigos e depois no blog Amalgama:

http://www.amalgama.blog.br/12/2008/a-transferencia-compulsoria-palestina/

Ele é de um livro de um pesquisador israelense, que traçou de acordo com documentos uma possível teoria de aniquilação do povo palestino pelos israelenses. Além disso, ele explica detalhadamente como se deu a divisão territorial da região, os motivos de Israel ter recebido uma região maior que os palestinos e igualmente a relação entre Israel e as diversas nações dominantes da época.

PermalinkPermalink 15.01.09 @ 18:23



Comentário de: Milena

Gravata, li com atenção o seu texto mas fiquei com muitas dúvidas:
1. A área da Palestina era um deserto? Ninguém morava lá?
2. Eu ouvi dizer que na guerra árabesXisraelenses em 1948, 22% do território designado à Palestina na criação de Israel foi ocupado. É mentira?
3. Ouvi dizer também que disso resultaram 800 mil refugiados palestinos (hoje cerca de 3.8 milhão,
espalhados pelo mundo, muitos sem direitos como cidadãos). Isso é mito? Ninguém foi expulso?
4. Porque será que o tema "retorno de refugiados" nem é considerado nas conversas de Paz? Será que os refugiados são uma ficção criada pela mídia?
5. Não entendi uma coisinha: na Guerra dos 6 Dias, você não considera que a destruição da força aérea do Egito foi um ataque?
6.Para onde a Jordânia e o Egito foram empurrados? Não entendi...Israel invadiu esses países? Sinai não era território egípcio? Não está muito claro isso...E a ONU pediu cessar fogo? Que absurdo!
7.Você fala que se não fossem as Colinas de Golã a guerra seria de 3 dias. O desfecho da pequena guerra se deu pela invasão deste "incômodo" entrave? A ONU não determinou que sejam devolvidas à Síria? Putz, a ONU é um saco mesmo... Tenho certeza que deve ser uma mentira danada que depois dessa guerrinha o restante da terra dos palestinos também foi tomada!
8.Quando a gente quer criar uma área de segurança é dentro do nosso país ou no país vizinho? Não sei direito como isso funciona...
9.Eu acho um absurdo esse povo pobre e miserável ter a petulância de querer suas terras de volta! E eleger políticos para ajudar! Ainda essa!
10. Ouvi dizer (isso eu não sei se é verdade) que eles reclamam também de uma coisa chamada "assentamentos". Deve ter sido informações dessa patota do patrulhamento ideológico, claro! Tão dizendo que até tem estradas de acesso aos assentamentos proibidas aos "locais"!
11. Mais: a "patota" do patrulhamento ainda fala de bloqueio de alimentos e ajuda humanitária. E que as águas do Rio Jordão foram desviadas! Que nem água eles têm enquanto Israel tá cheia de casas com piscina. Meu, só pode ser mentira!
12. Caramba, hoje, na ONU ouvi mais uma mentira, mais uma injustiça: que Israel tá indo contra o tratado de Genebra porque bombardea um povo que está preso por muros, bloqueios de exército, e que não tem pra onde fugir. Tão dizendo que isso é crime de guerra. Quanta gente mentirosa, meu Deus!
13. Gravata, mais uma perguntinha (desculpa, mas sou muito ignorante): Eu ouvi dizer que em Gaza tem quase 4200 habitantes por km2. O dobro da densidade de São Bernardo do Campo, ou seja, O dobro de habitantes. Tem postos de controle e áreas proibidas, o que aumenta a densidade. Não fica meio difícil encaixar a teoria de "escudos humanos" numa realidade assim? Digo, aonde da pra colocar a população inocente numa cidade tão populosa?
14. A ONU realmente é uma bobagem! Só Israel desprezou 71 resoluções (é recordista mundial). Principalmente a que resolveria tantos problemas: 242, que determina a volta às fronteiras anteriores à Guerra dos 6 dias, tão glorificada aqui no seu blog.
15. Ah, a mídia tendenciosa ta dizendo que dos 13 israelenses mortos no conflito, 4 foram por fogo amigo!
16. Humm, realmente como vc disse, Israel passou dos limites... Afinal, bombardeou áreas administradas pela ONU, e um prédio onde havia vários colegas seus, da Reutters, BBC e imprensa internacional em geral. Mas eles são da patota de patrulhamento... estavam passando tantas informações parciais né? Melhor acabar com eles também.
17. Bom, last but not least: Você sabia que a Wikipédia não é uma fonte oficial de informações? Se você quiser, podemos encontrar várias outras e denunciar todo esse patrulhamento ideológico que você menciona...Afinal, como sempre se fez acreditar até a evolução da era da internet, críticas a Israel são uma forma contundente de anti-semitismo :)

PermalinkPermalink 15.01.09 @ 18:59



Comentário de: Julio

Ok, interessante teu ponto de vista, faz a gente pensar por outra perspectiva, mas sei lá, não me parece legítimo montar-se um país por decreto em um território antes colonizado (isto é, ocupado à força), e para lá empurrar levas de judeus refugiados de uma guerra produzida pelo ocidente, refugiados estes que ocupam as melhores terras, e que mais tarde derrubam casas dos moradores antigos para estabelecer seus assentamentos (tem aquela história, de derrubarem oliveiras milenares pertencentes às famílias). Acho legítimo o Hamas e qualquer palestino questionar o direito de existência de Israel, na medida em que muitos dos israelenses não reconhecem o direito de existência de um Estado Palestino. Em resumo: não há santos na história - e nem acho que tenha sido isso que você disse - mas acho que o Estado de Israel, enquanto o lado mais forte na história, e com todos os valores, tradição libertária e democrática, etc e tal, dos primeiros judeus tinha a obrigação de liderar um processo de paz mais justo, desocupando as terras surrupiadas, abrindo as fronteiras dos locais sitiados, etc. ao invés de praticar essa truculência toda que temos assistido. Tudo isso é só uma opinião de boteco, visto que o negócio é MUITO complicado, se fosse simples já tinha sido resolvido. Abraços

PermalinkPermalink 15.01.09 @ 19:42



Comentário de: ademir

Bom texto gravata...
Nossa! O Idelber ta fazendo uma cobertura incansavel sobre o conflito. Ele está escrevendo muito, mesmo. Vc percebe quando alguem escreve bem quando mesmo escolhendo um lado (ele está solidario com os palestinos) e estando furioso, consegue fujir do Fla X Flu.
Abraço!

PermalinkPermalink 15.01.09 @ 21:22



Comentário de: Thiago

"Os israelenses se consideram os legítimos donos das terras palestinas, por causa da Bíblia, ou, para ser mais exato, por causa do Tanach, equivalente, com diferenças de ordem, ao Velho Testamento dos cristãos. O próprio Tanach, porém, diz que os judeus não eram os proprietários originais daquela terra, que lhes teria sido dada por Deus. Para apoderar-se dela, segundo a Bíblia, os antepassados dos atuais judeus cometeram massacres hediondos(...)"

mais aqui:
http://multiplosuniversos.com.br/site/selecao-de-artigos-sobre-israel

leia esse blog se quiser parar com essa bichice, de entrar na onda de outros blogueiros por aí que acham que é chique defender essa merda de povo assassino, só pq alguns inimiguinhos de ponto de vista em outros assuntos defendem os palestinos, MAS NESSE CASO, estão cobertos de razão...

eu sei que tem blogueirinho por aí que defende judeu pra pagar de elitista, pra algum otário ler e pensar "ohhh, ele é contra a palestina, ele nao é um sujinho do psol, deve ter berço!", mas no seu caso é pq vc gosta de ser do contra mesmo em vários assuntos, e aí você toma essa posição pra polemizar, visto que a maioria absoluta das pessoas com QI acima de 50 e imparcial percebe que o que acontece na faixa de gaza é um massacre absurdo, um genocidio...

sniper atirando em civis como diversão (MILHARES de fotos na internet pra você ver, inclusive de crianças e bebês com tiros perfeitos no meio da testa), GRILAGEM de terra que os judeus fazem, a colonização forçada, enfim, coisas que atribuem aos nazistas na segunda guerra Israel faz pior ou igual, e com o agravante que eles alegadamente com suas 6 milhoes de mentiras (até 30 anos atrás eram 4 milhoes, acharam mais 2 milhoes de corpos? qual o tamanho do esforço de um país com uma guerra em dois fronts dedica a dezenas de milhares de pessoas por dia em uma guerra desgastante dessa?) teriam sido as grandes vítimas do nazismo, e copiaram e aperfeiçoaram
enfim, se quiser aprender alguma coisa sobre o assunto, que você ainda tá fraco, acessa o site que te mandei...

senão continua nas coluninhas de conselho pras malcomidas que tu faz melhor uso do teu espaço.

PermalinkPermalink 16.01.09 @ 05:30



Comentário de: Tomé

Tô aplaudindo de pé o texto, Gravata! Claro que não concordo ipsis literis, pois acho, sim senhor, que não há exagero nenhum nas ações do exército israelense. De qualquer forma, suas palavras mostram que é possível ser progressista e intelectualmente honesto.

P.S.: Tá faltando um artigo sobre a vergonhosa concessão de asilo ao assassino Cesare Battisti dada pelo delinqüente Tarso Genro.

PermalinkPermalink 16.01.09 @ 05:56



Comentário de: Tomé

Tô aplaudindo de pé o texto, Gravata! Claro que não concordo ipsis literis, pois acho que não há exagero algum nas ações do exército israelense. Mas eu sou um direitista, conservador e reacionário. Para a metafísica influente, tipicamente esquerdopata, opinião de gente assim não conta e direitista bom é direitista morto.

Suas palavras mostram que é possível ser progressista e intelectualmente honesto ao mesmo tempo.

P.S.: Tá faltando um artigo sobre a vergonhosa concessão de asilo ao assassino Cesare Battisti dada pelo delinqüente Tarso Genro.

PermalinkPermalink 16.01.09 @ 05:58



Comentário de: Renata Fern · http://www.bemavontade.com

Uau! Li todo o post e respectivos comentários. Esse é o tipo de assunto que me embrulha o estômago. Odeio ligar a TV e ter notícias sobre essa guerra infeliz. Poderia também acrescentar algumas ressalvas e tal, mas prefiro fazer coro com o poeta sujo (Ferreira Gullar). Certa vez, ele disse o seguinte: "Israelenses e palestinos têm que parar de discutir. Passado é passado. Enquanto quiserem ter razão jamais farão as pazes". Em seguida fez um parelalo com sua vida pessoal: "É que nem com minha mulher Cláudia. Brigo com ela, provo que estou com razão, ela sai irritada (eles moram em casas separadas), passa três dias sem me ligar, fico aqui cheio de razão, triste pra caramba. Brigo com a pessoa que amo, que me dá alegria, para ter razão? Eu quero é ser feliz." A partir daí essa frase consagrou-se: "Não quero ter razão, eu quero é ser feliz".
E nada me soa mais despropositado do que guerra em nome de Deus! É preciso alguma intervenção, isso tem que parar de algum modo. Infelizmente não vejo solução.

Parabéns pelo post, Gravata!

Beijo.

PermalinkPermalink 16.01.09 @ 20:49



Comentário de: JB

Quando vc fala de ONU e de atos de guerra do Hamas que "controla" a faixa de gaza vc trata como igual duas realidades diferentes. Israel nunca permitiu que a Palestina fosse um estado soberano, controlando suas fronteiras, impondo um absurdo toque de recolher. Israel nunca respeitou a partilha da Palestina feita pela ONU e em todas oportunidades (nao só em 67) aproveitou pra ocupar ilegalmente terras dos arabes, inviabilizando de fato um estado palestino.

PermalinkPermalink 17.01.09 @ 09:37



Comentário de: Juliaura da Luz Bauer · http://julidaluz.blogspot.com

Entendi.
Desistimos.
Venceste por cansado.
Tens razão.
Razões há tantas
que até algumas
te encontram no meio do salão.
Vá pra serra de táxi chevrola
com bush e cia.
Té mais nunca!

PermalinkPermalink 17.01.09 @ 10:39



Comentário de: Andre luis nogueira

que tal analisarmos pelo ponto de vista e Ilan Pappe, judeu, que perdeu familiares no holocausto,historiador, ele afirma categoricamente no milenium, que israel sempre quis fazer uma limpeza etnica na palestina, e para isto expulsou cerca de 800 mil arabes, estuprou, matou e o caralho a 4,

quem sao os terroristas afinal ?
eis aqui a interviw,
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM944425-7823-SILIO+BOCCANERA+ENTREVISTA+ILAN+PAPPE,00.html

PermalinkPermalink 17.01.09 @ 18:11



Comentário de: Leticia

Pô, Gravataí, até que enfim um texto em que me sinto um teco mais à vontade pra falar, pelas suas ótimas ponderações.

A questão, pra mim, não é defender X ou Y, ou determinar quem está com a razão. A coisa é complicadíssima e não data de hoje, óbvio. O que me chama a atenção é o andamento da opinião do mundo A PARTIR disso.

Tenho a nítida impressão de que esta ofensiva israelense em particular está proporcionando uma espécie de salvo-conduto para, pela primeira vez desde a II Guerra, se falar mal dos judeus (como um todo) mais abertamente. (Aquela confusão que você mencionou entre judeus e israelenses - é sempre bom frisar que podem ser conceitos totalmente diferentes).

Se até então pegava meio mal uma espinafração aberta aos judeus, por causa daquele papo do Holocausto, de povo sofrido e coisa e tal, este conflito parece que deu uma remexida no vaso entupido e botou pra rodar um papo que estava lá, decantado, no fundo.

Aliada a isso, a orfandade da esquerda desde a queda do Muro, ou então porque os EUA já não são mais aqueles.

Meu receio é que, a partir de agora, o antissemitismo que estava escondidinho por aí, mesmo nas mentes mais simplórias, encontre um cenário propício pra voltar com tudo, com o aval ideológico da esquerda.

E aí, meu nego, salve-se quem puder. Quem vai acabar pagando o pato é aquele cara não religioso, que não dá um suspiro por Israel, mas que carrega um sobrenome, uma circuncisão, um nariz... um indício qualquer.

PermalinkPermalink 18.01.09 @ 22:59



Comentário de: Bruno M.

Gravataí, resposta proporcional aos ataques sofridos seria utilizar de toda a tecnologia de guerra mencionada por você para minimizar as baixas civis e se concentrar na eliminação do grupo TERRORISTA Hamas. Com toda a força, toda a inteligência do Mossad é inaceitável chegar lá e ignorar civis, sob qualquer argumento. Há técnicas, táticas, estratagemas e toda sorte de armas, pessoal, equipamentos próprios para este tipo de combate. Claro, é mais difícil, mais custoso, demorado, perigoso. Pra que né? Poupar a vida de algumas crianças? Potenciais terroristas? EU imagino que seja alguma coisa assim o pensamento militar dessa (justa)resposta de Israel.

Entra nessa bagunça o ingrediente político, uma vez que o Fatah é "controlado" (é com aspas, por favor!)por EUA-Israel. Infelizmente, não se trata apenas de uma luta para manter a soberania territorial, mas também de controle político-militar-ideológico da área palestina (sem entrar no mérito da adequação do motivo).

Sem dúvida, é uma lástima ver a desproporcionalidade da REAÇÃO. Soa como limpeza étnica quando se lê alguns números como 50% de baixas civis (crianças e mulheres - supondo que os números sejam fidedignos, sem teorias da conspiração por ora! Mas só por ora!). Há um limite do razoável e há perdas inaceitaveis. Há uma "margem de segurança" para erros, ataques a comboios da ONU, escolas, hospitais, creches. 50% é muito né?

Brilhante esclarecimento para quem desconhece o histórico dessa briga.

Lembrar que a ONU não reconhece o território anexado por Israel nas Colinas de Golã após a Guerra dos Seis Dias. Há resolução da própria ONU exigindo a devolução.

Não há mocinhos e bandidos, como você bem afirma (nem a simplista judeus x palestinos). Acho que, neste específico é mesmo um povo lutando por sua sobrevivência naquele lugar, mas agindo com excessos nítidos.

Bastante complexo!

Parabéns pelos textos sempre bem escritos e inteligentes! Um prazer lê-lo!

Bruno M.

PermalinkPermalink 19.01.09 @ 04:26



Comentário de: Gabriela Galvão · http://mgabrielagalvao.blogspot.com

E eu, como ñ falo tão bem, dei linque daqui ali: http://mgabrielagalvao.blogspot.com/2009/01/saindo-do-muro.html,
qq coisa, confere.

Bisous

PermalinkPermalink 19.01.09 @ 12:53



Comentário de: gravata Email · http://www.gravataimerengue.com.br

(Não tive como comentar cada comentário, até porque o texto está aí e, enfim, ele próprio é minha opinião - mas estão todos publicados para registrar a manifestação da galera; até de quem fez poema me xingando)

PermalinkPermalink 19.01.09 @ 13:45



Comentário de: Margarida Alves

Muito superficial e parcial a sua narração histórica da Palestina.
O problema é este: as pessoas que não conhecem a História detalhadamente sempre compram o que está sendo dito no momento. Cada um que faça uma pesquisa detalhada, ouvindo todos os lados (toda históra tem muitas versões) e tire sua própria conclusão!
Eu, não tenho dúvidas que os mais injustos nesta histórica são os Israelenses.

(Gravz: Faltou você trazer a SUA pesquisa, Margarida. Para quem não tem dúvidas, é curioso não trazer nada)

PermalinkPermalink 22.01.09 @ 15:03



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