AMOR DE PRAIA SOBE SERRA?
06/01/2009
AMOR DE PRAIA SOBE SERRA?
A indagação poderia ser simplesmente respondida com sim ou não, mas a verdade é que ela precisa ser analisada de forma muito mais profunda. Isso porque não se trata de uma pergunta objetiva e simples, bem como há um equívoco conceitual no centro da questão. Mas vamos lá...
Equívoco Conceitual
Há "amor de praia” ou "paixão de temporada"? Não quero aqui bancar a mãe zelosa, mas é óbvio que o amor-amor vai além daquela coisa de duas ou três semanas. Talvez até perca em intensidade, porque a paixão não é brincadeira, mas em contrapartida é algo muito mais duradouro.
E, por não ser amor – mas sim paixão –, taí uma parte da solução do problema. "Sobe serra?". Não, não sobe. Ou melhor, até "sobe", porque o casal começa a trocar e-mails (antes eram cartinhas, telefonemas), marcam encontros, mas isso esmorece quando a rotina se impõe.
Porque a paixão não sobrevive em ambientes inóspitos. A paixão é feita para durar em determinados ambientes ou circunstâncias, e nem sempre – ou quase nunca – é equilibrada. Daí a origem do ditado que se transformou num verdadeiro axioma: "amor de praia não sobe serra".
A Complexidade
Na "praia", todos somos iguais. Enquanto na cidade há toda uma diferença de classes sociais, obrigações, distâncias etc. etc. etc., na praia tudo isso desaparece. Os casais estão a poucas quadras de distância, passam o dia juntos, não há obrigação, não há rotina, não há nada.
"Subir a serra" não é um fenômeno geográfico, mas sim uma circunstância de amplos significados. Já sabemos que o amor não era exatamente isso, mas sim uma paixão. E, agora, trataremos das mudanças.
Na praia, não havia obrigações mais sérias, além de tomar sol, passear, ficar à toa, sair à noite etc. Quando acaba essa farra, porém, a conversa é outra e tudo muda MUITO de figura. Às vezes, mesmo os casais que se amam de verdade não resistem a determinadas modificações ou imposições da crueza da rotina, imagine os pequenos românticos adolescentes ou não tão adolescentes assim.
Claro que é grande a chance de dar errado...
Outros Mundos, Outras Pessoas
Pra piorar, no "alto da serra", há mais gente, e isso não inclui apenas amigos e amigas, mas também pretendentes de ambas as partes, ou mesmo de apenas uma das partes, o que prejudica sobremaneira a relação. No começo, ainda sob o efeito da paixão, não influi muito. Mas água mole em pedra dura...
Enfim, é claro que lá pelas tantas as coisas se ajeitam e, fazendo aqui bem porcamente algumas contas, antes da Páscoa já está tudo resolvido. Um já esqueceu o outro, outro já esqueceu o um. Muito embora – bem sabemos – no carnaval jurem amor eterno e xinguem em voz alta quem ousa duvidar desse sentimento.
E, querem saber? É bom que seja assim. Sem isso, a vida não tem a menor graça. No fundo, o grande problema não está na resposta à pergunta do título, mas sim na graça de existir o "amor de praia", mesmo se é ou não um amor.
Precisamos aprender a viver sem muito medo de fazer essas perguntas retóricas e sem dar bola para os ditados que se transformam em axiomas. Mesmo que isso implique em inevitável sofrimento. Mesmo que no fundo saibamos da grande roubada em que nos metemos.
A vida, sem isso, não faz muito sentido.
Revisão: Hellen Guareschi
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transubstanciado por gravata às 06.01.09 | 20 comentários
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Comentários, Trackbacks:
(Gravz: "Sempre"? Ou seja... Em 22 anos
Mas a vida de cada um é única, e o "tempo" de cada coisa também.
(Gravz: Mas é legal essa paixão praiana, sim)
Posso morrer amanhã e a minha vida durar 22 anos. Vai saber. E mesmo assim foi o meu "sempre fui".
(Gravz: Entendi... É que, nesses casos, o tempo tem uma relatividade diferente. Aos 25, mesmo, vocÊ terá outra opinião. Aos 28, então, vai ver só. Aos 30, terá já quase-certezas. E assim por diante)
(Gravz: zzzzzzzzzzz rs)
Ei doido vô fazê minha versão pra essa fita ai, vai sê assim:
AMOR DE ASFALTO SOBE MORRO?
O que achô mano gravata?
Só falta eu recebe visita, o goggle analitycs parece que não funciona no meu brogue, só da 0 toda hora.
Falo Guerrero
(Gravz: No baile funk, diz que amor de morro sobe pro céu... Instala o sitemeter)
Recebo menos vistitas do que paciente orfão em hospital da cruz vermelha na faixa de Gaza.
Tá osso a situação.
(Gravz: Calma, mano. É assim mesmo. Demora, mas depois pega no breu)
No começo paixão, depois amor, carnaval tempestade, feriados tranquilos, felizes....finais de semana românticos....
o importante é que valeu!!!!!
(Gravz: A vida é assim
(Gravz: Na "pegada master"?)
(Gravz: Claro que há exceções, Ana, sem dúvida)
(Gravz: Ih, rosa, que moralismo bobo)
Penso que no fundo todo mundo gostaria de estar apaixonado por alguém e sendo correspondido, tendo um relacionamento prazeroso, pra não ter que ler esse tipo de artigo e ficar julgando se fulano ou ciclana galinha na serra, namora na praia ou trepa no pântano, e se isso é correto e vai dar certo ou não.
Nada contra o artigo, só contra o ser humano e suas eternas vontades reprimidas, invejas contidas e péssima comunicação com o sexo oposto, motivo pelo qual na minha tola opinião existem tantos artigos em revistas, jornais e na net ensinando as pessoas a se entenderem umas as outras um pouco melhor.
Pra mim parece tão óbvio que chega a ser clichê e cretino: basta não fazer com os outros o que não gostariamos que fizessem conosco, amar pessoas, usar coisas.
Mas se isso acontecesse o blog do amigo ia ser cancelado (ou ia mudar de assunto), as revistas Claudia, Marie Claire, Contigo, iam à falência, e eu não ia poder mais falar mal das mazelas do ser humano, um de meus passatempos.
Deixemos como está e esperemos o apocalipse para que tudo termine em fogo e ódio.
(essa ultima parte foi brincadeira, só pra descontrair)
(Gravz: Puxa, que susto! Valeu pelo aviso...)
A 17 anos atras conheci e me apaixonei, namoramos, e hoje vivemos felizes com 3 filhas lindas e um ajudou a outro a crescer...
Mas não quer dizer que é para todos a mesma felicidade
(Gravz: Ae! O que vale é que deu certo
Tenho 40, e ele, 44.
(Gravz: Caramba, até agora só exceção. Pelo visto, virou regra
Portanto se for amor e não paixão, amor de praia sobe serra sim.
(Gravz: Tá, tá, tá...rsrs)
Chega de frases de efeito fora de moda.
O fato é que as pessoas precisam amar e ser amadas...
A endorfina suaviza as dores e tristezas do cotidiano.
Desçam e subam a serra quantas vezes for necessário para amar, viver, sorrir e aproveitar todas as estações do ano...
Sai fora castração...
Que caretisse essa de colocar etiqueta de prazo de validade nos relacionamentos.
As vezes parece que estamos vivendo no século passado.
Tudo isso será medo de amar ?
Conheci minha esposa em 02/11/86 na Praia Grande, estamos casados desde 18/10/87 temos tres lindos filhos e somos muito felizes.
abss e sorte para os novos casais
Beijos
Agora quem não viveu isso deve morrer de inveja...hua.
Melhor julgar e condenar do que admitir a inveja!
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