A "POLÊMICA" NA ATUALIDADE
29/12/2008
A "POLÊMICA" NA ATUALIDADE
Esse é o tipo do texto que, num trabalho de colégio (hoje usam outro termo, né?), procurariam como preâmbulo a definição do dicionário. Escapo disso. Porque não faz sentido. Não há o menor cabimento em buscar o valor semântico escorreito da palavra "polêmica" quando se busca retratá-la nos dias de hoje.
Explico.
Predomina a apatia, e não falo aqui exclusivamente da blogosfera ou mesmo da juventude, nem me socorro da interpretação mais literal - e equivocada - daquela história da 'cordialidade' do povo brasileiro, como preconizara Sérgio Buarque de Hollanda em sua obra sociológica. Não é nada disso.
Nos dias de hoje, a população brasileira é composta por uma grande massa formada por uma aparente e suposta 'turma do deixa disso político', que na verdade é uma 'galerinha do eu-quero-o-meu'. Não é, como disse, uma prerrogativa da blogosfera. Isso acontece em todas as categorias da sociedade, infelizmente.
Como a grande maioria, aqui, me conhece por meio do blog, só posso falar como "blogueiro" (quando montei esse negócio, não existia a palavra, agora somos identificados assim...). Pois bem, então vamos lá:
A coisa hoje atingiu um tal grau de pasmaceira e, ao mesmo tempo, promiscuidade entre o formador de opinião e o anunciante, que qualquer opinião contrária é chamada de "polêmica" - dando à palavra um valor semântico totalmente adverso daquele originário.
Vira um rótulo. Algo como "Ah, aqueles? São os da polêmica, né?" - e caso encerrado. É como dizer "Ah, aqueles? São os vendidos, né?" - de novo, caso encerrado. Mas e o leitor? Essa é a indagação que muito pouca gente faz, mas não deveria ser assim. Porque os leitores obviamente não passam ao largo desses dois extremos.
Assim como não passam ao largo os leitores das grandes mídias, os clientes da publicidade, os da advocacia, e dos demais ramos profissionais ou não que acabam envolvidos nesse esquema oito-ou-oitenta da "apatia x polêmica" em que acaba se transformando o negócio todo.
Claro que muitas vezes releio algum texto e penso, sinceramente, "caceta, exagerei aqui e ali". E exagerei, mesmo. Mas, no geral, sei que fui por uma linha correta e, principalmente, abordando como contraponto uma linha totalmente inadequada. E, os da linha inadequada, claro, usam o detalhe exagerado para tentar uma salvação técnica processual. Um truquezinho maroto.
E, se falhar, também vale: "é polêmica". Pronto.
Estava lendo, agora há pouco, a entrevista de John Lennon para a coletânea da Rolling Stone. É ruim, porque cortam partes legais - prefiro o livro com a bagaça na íntegra, com o nome "Lembranças de Lennon". Mas um trecho eles preservam, no qual o ex-beatle fala da época em que toda a mídia mantinha a aura de bons moços acerca dos "fab four". E justifica alegando que isso era importante para que todos eles aproveitassem as benesses decorrentes.
Resumindo: uma vez revelada a safadeza que havia por trás de uma turnê dos Beatles, com drogas e putaria e tudo mais, seguramente todos ali perderiam a boquinha e isso não seria interessante para ninguém. Esse é, no fim das contas, o espírito que mantém o nariz torcido para as polêmicas de sempre.
E isso me faz achar graça em ir no sentido contrário.
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transubstanciado por gravata às 29.12.08 | 7 comentários
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(Gravz: Ele cutuca as feridas necessárias, e em geral usa o humor para aliviar a coisa - justamente para não resvalar pra violência. É besta esse tipo de comentário, geralmente parte de quem se sente agredido por contra de ver feridos os brios partidários. É do jogo, mas é golpezinho manjado)
Bisous
(Gravz: Hoje, predominam os salmões criados em cativeiro, alimentados por razões que lhes façam ter cor avermelhada)
(Gravz: Eita, também não é para ficar triste... Calma
(Gravz: Eu atropelo
(Gravz: Hm.. Não.. E seu comentário taí, ué)
Abraços e um feliz 2009 bastante saúde e sucesso.
(Gravz: Não sei quem é matusalém matusca. E agora o blog está 'em férias'. Quanto há posts com parceria, aqueles com canais do iG etc., há mais de 100, 200 e às vezes 300 comentários. Não dou conta de responder a todos. Agora é que está calmo e resolvi escrever essas bobagens mais prolixas
