FLASH MOB: RETRATO DE UMA GERAÇÃO
28/12/2008
FLASH MOB: RETRATO DE UMA GERAÇÃO
Não somos uma marca de refrigerante ou qualquer outra coisa pop cantada por aí. O exemplo mais bem acabado de nossa juventude, sem dúvida alguma, é essa coisa de "flash mob". Nada encerra tanto os significados - ou "não significados" - políticos das ações e inações de nossos jovens nos dias de hoje.
Vamos ao começo.
"Flash Mob" é um protesto dos novos tempos, mas vai além de ser única e tão-somente uma novidade. Trata-se, também, de uma performance de rapidíssima duração, combinada invariavelmente pela Internet. Um happening, às vezes com viés político, como aqueles de décadas atrás, mas agora com prevalência de nonsense em vez de ousadia contestatória.
Recentemente, houve uma flashmob montada pelos organizadores da "Campus Party", cuja marca é protegida pelos direitos inerentes à propriedade intelectual (TradeMark). Os participantes, aliás, foram praticamente eles próprios, já que não passaram de cinqüenta pessoas, na contagem dos "flashmobistas" (mas, nas fotos, não conseguimos ver mais de 20 sacripantinhas - além de um deputado do glorioso partido).
De fato (e de direito) é o meio adequado para uma manifestação acerca do tema. Não discutem nada, não debatem coisa alguma, é tudo muito rápido e todos vão embora quase que imediatamente. Como diria um amigo: "pouco esforço e muita mídia".
Um dos organizadores da CP, e participante dessa "flash mob", salientou em seu blog a importância de não se partidarizar algumas discussões, isso quando o diretório petista de Fortaleza tentou tirar o Twitter do ar, acionando um blog (alguns devem se lembrar dessa cagada estratosférica, que depois o partido tentou empurrar para o TRE/CE). Na manifestação da Avenida Paulista, porém, ele não teve dúvidas: seu cartaz trazia a inscrição: "contra a Lei Azeredo". Porque uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.
Voltemos...
Talvez isso das coisas rápidas seja resultado da pressa das pessoas. Porque as pessoas têm muita pressa, hoje em dia. Não sei exatamente por qual motivo, mas têm. Isso é fato. Eu mesmo tenho, e nem sei por que motivo estou tão apressado, às vezes. Mas sei que estou, e sigo adiante esbaforido. Mas alguns são exagerados com isso, muito mais do que eu (que já beiro à caricatura).
Vejam, por exemplo, o caso dos emails. Qualquer pessoa sabe que é muito simples apagar uma mensagem indesejada, ou mesmo fazer tudo em bloco, clicando em diversos 'quadradinhos' para em seguida dar o famoso 'excluir'. Mesmo assim, há aqueles que preferem o caminho mais difícil e paradoxalmente demoradíssimo: respondem para todos e dizem "por favor, essas mensagens me aborrecem" ou algo muito menos polido. Sei que não fazem por maldade, mas sim por burrice - pura burrice temporal/matemática, além de uma falta de inteligência social absurda (afinal, uma pessoa pode ser chata convicta, como eu; mas ser chata sem querer, convenhamos, é inaceitável).
O próprio Twitter não deixa de ser um sinal de e uma resposta a essa pressa, mas que se revela, ao fim e ao cabo, uma tormenta. Pois surge como 'microblogging', com capacidade pequena de caracteres, limitando o conteúdo a ser digitado. Ok, belezura. Os mais tapados, inclusive, alegam que aquilo é para ser seguido FIELMENTE como um microblogging - como se os 'blogs', que nasceram da palavra 'weblog' devessem seguir até hoje a característica de 'diarinhos virtuais'.
Mas eis que o Twitter, como tudo na Internet, dinamizou-se de tal forma que se parece, hoje, com uma sala de bate-papo gigantesca. Cada um é dono de sua própria 'salinha' e pode, inclusive, vetar a participação de outros quanto à leitura do que escreve. Não se trata mais de um 'microblogging', mas sim de um 'fulano fala com sicrano', com direito até mesmo ao 'reservadamente' - que é o popular 'direct'. É isso, simples assim.
Mas querem saber? Eu acho legal essa subversão do Twitter, dando-lhe uma finalidade diversa daquela originalmente planejada, sobretudo para mostrar que a Internet é composta por pessoas e, por óbvio, essas pessoas transformam o que se põe na rede, independentemente da finalidade original que se queira dar a determinada coisa.
Assim como, no fim das contas, também não acho totalmente ruim a idéia de flash mob. Tanto que minha análise é menos um juízo de valor e mais um retrato da modalidade de manifesto como um sinal dos dias de hoje (dos quais faço parte, não?).
Ainda é melhor a idéia de uma juventude que faz essas micagens de dois minutos do que a total apatia. Pouco esforço e muita mídia é, ao menos, alguma coisa. Qualquer coisa, que seja.
Evamoquevamo!
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transubstanciado por gravata às 28.12.08 | 1 comentário
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Comentários:
haaaaaaahahahahahahaha...gravata, eu sou seu fã incondicional!
(Gravz: Glauberóvski tecla preta! Eu também sou seu fã, meu velho!
