Arquivos para: Dezembro 2008

31/12/2008

FELIZ ANO NOVO

Acho legal que se faça essa divisão compartimentada do tempo, de modo que possamos, por exemplo, comemorar aniversário e, claro, também festejar o tal "ano novo" - seja ele cristão, judaico etc.

Mas acho estapafúrdio quando as pessoas põem culpa nessa divisão, e não nas circunstâncias, ou nelas próprias, quando há um acúmulo de problemas e coisas do tipo em determinado ano.

E o que já era idiota fica bisonho quando neguinho surge com teoria matemática ou coisa do gênero evocando coisas do tipo "ano terminado em oito" ou algo assim. Putamerda! É demais!

Seguinte: deu muita merda? A culpa não é de 2008 e, lamento informar, 2009 não trará consigo milagre algum. Para alguns esse texto parece chato, mas sei que para muitos os parágrafos servem como carapuça milimetricamente medida.

Paciência. E paciência.

Gosto das divisões. Odeio as teorias. E acho legal tirar sarro, ainda que isso pareça verborrágico em princípio, mas no fundo é um sarrinho legal. Dane-se essa gente.

Feliz 2009 pra todos, mesmo esses que têm raiva do ano, não do que fizeram dele.


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30/12/2008

BADABAUÊ RESORT: O PARAÍSO DO RIPONGA RICO

Você tem grana, já tem quase quarentinha ou até já passou, mas é meio riponga, meio sujinho, não gosta de viagem cheia de frescura e curte umas coisas meio místicas?

Prefere fugir do karma negativo da hospedagem em algum hotel caro, repleto de desperdícios materiais?

Seu sonho de viagem é aliar o lazer de um passeio com as instruções espirituais para este novo milênio?

Desnecessário dizer que seus problemas finalmente acabaram, pois chegou o...

Conheça um pouco mais dessa verdadeira sucursal de Xanadu, essa porçãozinha terrena do Nirvana, o zênite cercado por muretas, o píncaro circunscrito em alqueires. Enfim, conheça nossas instalações:

Piscinas Aromáticas
Com olores variadíssimos, tais como: jasmim, dama-da-noite, flores do campo, manjericão, erva cidreira, mel, e toda sorte de fragrâncias e cheirinhos que se possa imaginar, inclusive aqueles não exatamente louváveis, mas que feliz ou infelizmente nos pedem para constar do cardápio aromático.

Refeições
Nossos restaurantes estão preparados para servir o que há de melhor na culinária badabauística. Vejam só: Arroz integral; arroz selvagem; 7 cereais; 9 cereais; 27 cereais e não se fala mais nisso; Carne de soja; Carne de glúten; Carne de quinua; Carne de Oxigênio; E uma infinidade de iguarias que você pode saborear à vontade em quatro pontos de alimentação distribuídos na área do Badabauê Resort de acordo com as normas do feng-shui.

Esportes
O Yôga - com acento circunflexo e atenção redobrada para pronúncia! - é fundamental, mas além disso há outras modalidades: práticas circenses, mímica, meditação transcendental, levitação, abraço de árvores, conversa com lagoas, conexão com o universo e muitas outras modalidades que infelizmente não são ainda apreciadas pelo Comitê Olímpico Internacional.

Cursos
Além de aproveitar uma infinidade de atividades esportivas e, claro, curtir o lazer de um resort de padrão internacional (por que não dizer, também interdimensional?), oferecemos alguns cursos, tais como: Cromoterapia, Quiromancia, Evidência em Água, Runas, Astrologia e qualquer tipo de ziriguidum que aparecer na hora.

Tarô
Sem dúvida, trata-se de um capítulo à parte, já que o tarô foi inventado no exato dia em que alguém resolveu desenhar umas carinhas diferentes num baralho. Desta feita, ensinamos o Tarô Egípcio, o Mesopotâmico, o Fenício, o Romano, o Cigano, o Celta e também o de Osasco e Região.

Gurus
Além de tudo isso, que convenhamos não é pouco, temos diversos gurus, das mais variadas crenças, todos prontos para dar aulas, ensinamentos, passes, dicas, e até mesmo fazer parceirada em jogos de tranca, buraco ou pôquer.

Se você tem grana, mas não quer gastar com esses hotéis materialistas, preferindo portanto evoluir espiritualmente em uma experiência inesquecível de veraneio transcendental, você precisa do...

Atenção: em nome da transparência, aviso a todos os leitores que este post foi pago e é, portanto, um publieditorial, pelo qual recebi uma série de bênçãos, alguns florais, e algumas seções gratuitas de tarô fenício ou romano (não me lembro bem, confesso).


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transubstanciado por gravata às 30.12.08 | 7 comentários

29/12/2008

UM POUCO DE CINEMA, SEM ORDEM NEM MUITO NEXO

Nesses dias, vi "Ensaio Sobre a Cegueira", o filme, e achei extremamente chato. Tenho medo de dizer isso, confesso, porque sei que o correto é achar legal. Mas achei chato. Muito chato, mesmo. Não por culpa do diretor, que deve ter feito o possível e o impossível, mas a história é chata. De todo modo, ele tem sua dose de responsabilidade ao levá-la às telas, já que funciona no livro, mas no cinema é uma caca.

Li uma porção de críticas sobre o novo filme de Woody Allen e praticamente nenhuma menciona o fato de que a Prefeitura de Barcelona pagou uma grana para o cineasta filmar ali a película. Sem esse dado, a análise é prejudicada. Vamos supor que o prefeito de São Paulo tenha pago para que algum cineasta gringo filmasse "Maria Joana São Paulo". Duvido que suprimissem esse detalhe. Não é falta de cuidado, mas falta de informação. A diferença entre burrice e conhecimento.

O filme novo que junta a dupla Robert de Niro/Al Pacino é uma desculpa muito melhor do que "Fogo Contra Fogo". Recomendo. Não é um filme-filme desses de mudar a vida dos outros, claro que não, mas é bacana. Aliás, acho espantoso que alguém tenha a vida modificada por causa de um filme. Se esse for seu caso, leitor, procure ajuda de um especialista. Tá, ok, é brincadeira. Mas é que o povo exagera quando trata as coisas como supra-sumo da arte.

Esse "007", o novo, é ótimo! Excelente! Chega dessa bobagem do agente secreto bocó, os tempos são outros, o negócio é partir pro sapeca iá-iá, mesmo. Daniel Craig é um bom ator, o filme é amarradinho e as marmeladas ocorrem dentro do aceitável. Preferi esse ao anterior, Cassino Royale, talvez em função daquela outra versão, de décadas atrás, com elenco intergaláctico (procurem: é comédia, não está na franquia do James Bond e é um filmaço!).

Estou em débito com alguns DVDs recentemente comprados, em especial "O Cinema Falado", "Os Doces Bárbaros" e os quatro episódios de "Indiana Jones". Mas darei um jeito nessas madrugadas insones de janeiro, embora haja uma perspectiva de trabalho que talvez impeça a maratona de filmes.

O curioso disso tudo é que corro com os filmes quando os seriados estão na entressafra. Antes, era o inverso. Isso é engraçado, mesmo. E não vejo a hora de começar "The Unit", "House", "NCIS", "24", "LOST", "Fringe" etc. Hoje, isso me agrada mais do que os filmes.

E nem falei a pilha de livros que se formou aqui, já que há um revezamento filmes/seriados/filmes... Vergonhoso. Filosofia, teologia, humor, romances. Vergonha, mesmo. Mas, deixa. Era para falar de filmes, extrapolei com seriados, falar de livro é passar vergonha de graça.

Vamoquevamo!


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29/12/2008

A "POLÊMICA" NA ATUALIDADE

Esse é o tipo do texto que, num trabalho de colégio (hoje usam outro termo, né?), procurariam como preâmbulo a definição do dicionário. Escapo disso. Porque não faz sentido. Não há o menor cabimento em buscar o valor semântico escorreito da palavra "polêmica" quando se busca retratá-la nos dias de hoje.

Explico.

Predomina a apatia, e não falo aqui exclusivamente da blogosfera ou mesmo da juventude, nem me socorro da interpretação mais literal - e equivocada - daquela história da 'cordialidade' do povo brasileiro, como preconizara Sérgio Buarque de Hollanda em sua obra sociológica. Não é nada disso.

Nos dias de hoje, a população brasileira é composta por uma grande massa formada por uma aparente e suposta 'turma do deixa disso político', que na verdade é uma 'galerinha do eu-quero-o-meu'. Não é, como disse, uma prerrogativa da blogosfera. Isso acontece em todas as categorias da sociedade, infelizmente.

Como a grande maioria, aqui, me conhece por meio do blog, só posso falar como "blogueiro" (quando montei esse negócio, não existia a palavra, agora somos identificados assim...). Pois bem, então vamos lá:

A coisa hoje atingiu um tal grau de pasmaceira e, ao mesmo tempo, promiscuidade entre o formador de opinião e o anunciante, que qualquer opinião contrária é chamada de "polêmica" - dando à palavra um valor semântico totalmente adverso daquele originário.

Vira um rótulo. Algo como "Ah, aqueles? São os da polêmica, né?" - e caso encerrado. É como dizer "Ah, aqueles? São os vendidos, né?" - de novo, caso encerrado. Mas e o leitor? Essa é a indagação que muito pouca gente faz, mas não deveria ser assim. Porque os leitores obviamente não passam ao largo desses dois extremos.

Assim como não passam ao largo os leitores das grandes mídias, os clientes da publicidade, os da advocacia, e dos demais ramos profissionais ou não que acabam envolvidos nesse esquema oito-ou-oitenta da "apatia x polêmica" em que acaba se transformando o negócio todo.

Claro que muitas vezes releio algum texto e penso, sinceramente, "caceta, exagerei aqui e ali". E exagerei, mesmo. Mas, no geral, sei que fui por uma linha correta e, principalmente, abordando como contraponto uma linha totalmente inadequada. E, os da linha inadequada, claro, usam o detalhe exagerado para tentar uma salvação técnica processual. Um truquezinho maroto.

E, se falhar, também vale: "é polêmica". Pronto.

Estava lendo, agora há pouco, a entrevista de John Lennon para a coletânea da Rolling Stone. É ruim, porque cortam partes legais - prefiro o livro com a bagaça na íntegra, com o nome "Lembranças de Lennon". Mas um trecho eles preservam, no qual o ex-beatle fala da época em que toda a mídia mantinha a aura de bons moços acerca dos "fab four". E justifica alegando que isso era importante para que todos eles aproveitassem as benesses decorrentes.

Resumindo: uma vez revelada a safadeza que havia por trás de uma turnê dos Beatles, com drogas e putaria e tudo mais, seguramente todos ali perderiam a boquinha e isso não seria interessante para ninguém. Esse é, no fim das contas, o espírito que mantém o nariz torcido para as polêmicas de sempre.

E isso me faz achar graça em ir no sentido contrário.


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28/12/2008

GAMBAZINHO SOFREDOR X GUERREIRO TRICOLOR


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28/12/2008

FLASH MOB: RETRATO DE UMA GERAÇÃO

Não somos uma marca de refrigerante ou qualquer outra coisa pop cantada por aí. O exemplo mais bem acabado de nossa juventude, sem dúvida alguma, é essa coisa de "flash mob". Nada encerra tanto os significados - ou "não significados" - políticos das ações e inações de nossos jovens nos dias de hoje.

Vamos ao começo.

"Flash Mob" é um protesto dos novos tempos, mas vai além de ser única e tão-somente uma novidade. Trata-se, também, de uma performance de rapidíssima duração, combinada invariavelmente pela Internet. Um happening, às vezes com viés político, como aqueles de décadas atrás, mas agora com prevalência de nonsense em vez de ousadia contestatória.

Recentemente, houve uma flashmob montada pelos organizadores da "Campus Party", cuja marca é protegida pelos direitos inerentes à propriedade intelectual (TradeMark). Os participantes, aliás, foram praticamente eles próprios, já que não passaram de cinqüenta pessoas, na contagem dos "flashmobistas" (mas, nas fotos, não conseguimos ver mais de 20 sacripantinhas - além de um deputado do glorioso partido).

De fato (e de direito) é o meio adequado para uma manifestação acerca do tema. Não discutem nada, não debatem coisa alguma, é tudo muito rápido e todos vão embora quase que imediatamente. Como diria um amigo: "pouco esforço e muita mídia".

Um dos organizadores da CP, e participante dessa "flash mob", salientou em seu blog a importância de não se partidarizar algumas discussões, isso quando o diretório petista de Fortaleza tentou tirar o Twitter do ar, acionando um blog (alguns devem se lembrar dessa cagada estratosférica, que depois o partido tentou empurrar para o TRE/CE). Na manifestação da Avenida Paulista, porém, ele não teve dúvidas: seu cartaz trazia a inscrição: "contra a Lei Azeredo". Porque uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

Voltemos...

Talvez isso das coisas rápidas seja resultado da pressa das pessoas. Porque as pessoas têm muita pressa, hoje em dia. Não sei exatamente por qual motivo, mas têm. Isso é fato. Eu mesmo tenho, e nem sei por que motivo estou tão apressado, às vezes. Mas sei que estou, e sigo adiante esbaforido. Mas alguns são exagerados com isso, muito mais do que eu (que já beiro à caricatura).

Vejam, por exemplo, o caso dos emails. Qualquer pessoa sabe que é muito simples apagar uma mensagem indesejada, ou mesmo fazer tudo em bloco, clicando em diversos 'quadradinhos' para em seguida dar o famoso 'excluir'. Mesmo assim, há aqueles que preferem o caminho mais difícil e paradoxalmente demoradíssimo: respondem para todos e dizem "por favor, essas mensagens me aborrecem" ou algo muito menos polido. Sei que não fazem por maldade, mas sim por burrice - pura burrice temporal/matemática, além de uma falta de inteligência social absurda (afinal, uma pessoa pode ser chata convicta, como eu; mas ser chata sem querer, convenhamos, é inaceitável).

O próprio Twitter não deixa de ser um sinal de e uma resposta a essa pressa, mas que se revela, ao fim e ao cabo, uma tormenta. Pois surge como 'microblogging', com capacidade pequena de caracteres, limitando o conteúdo a ser digitado. Ok, belezura. Os mais tapados, inclusive, alegam que aquilo é para ser seguido FIELMENTE como um microblogging - como se os 'blogs', que nasceram da palavra 'weblog' devessem seguir até hoje a característica de 'diarinhos virtuais'.

Mas eis que o Twitter, como tudo na Internet, dinamizou-se de tal forma que se parece, hoje, com uma sala de bate-papo gigantesca. Cada um é dono de sua própria 'salinha' e pode, inclusive, vetar a participação de outros quanto à leitura do que escreve. Não se trata mais de um 'microblogging', mas sim de um 'fulano fala com sicrano', com direito até mesmo ao 'reservadamente' - que é o popular 'direct'. É isso, simples assim.

Mas querem saber? Eu acho legal essa subversão do Twitter, dando-lhe uma finalidade diversa daquela originalmente planejada, sobretudo para mostrar que a Internet é composta por pessoas e, por óbvio, essas pessoas transformam o que se põe na rede, independentemente da finalidade original que se queira dar a determinada coisa.

Assim como, no fim das contas, também não acho totalmente ruim a idéia de flash mob. Tanto que minha análise é menos um juízo de valor e mais um retrato da modalidade de manifesto como um sinal dos dias de hoje (dos quais faço parte, não?).

Ainda é melhor a idéia de uma juventude que faz essas micagens de dois minutos do que a total apatia. Pouco esforço e muita mídia é, ao menos, alguma coisa. Qualquer coisa, que seja.

Evamoquevamo!


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transubstanciado por gravata às 28.12.08 | 1 comentário

27/12/2008

A HISTORINHA DO HUMOR EM MINHA VIDA ou RAZÕES PELAS QUAIS NÃO RIO TÃO FACILMENTE DAS COMÉDIAS EM PÉ

Alguma coisa vai mudar no mundo dos meus blogs, mas talvez continue com este, o "Gravataí Merengue", muito provavelmente mudando o estilo dos textos, sumindo com algumas seções e, por conta disso, talvez desaparecendo também com noventa por cento do leitorado. É o preço. Depois falo mais sobre isso.

O papo de agora é humor. Porque falaria acerca dos inspiradores do blog, e o primeiro impulso seria mencionar outras pessoas também donas de espaços parecidos, mas isso seria puro compadrio e marmelada. Nada na Internet inspira o que faço - o que, de certa forma, pode soar elogioso aos que escrevem nestas plagas.

Comecei a ler humor muito cedo, com Leon Eliachar; "O Homem ao Zero" e "O Homem ao Quadrado", se não me engano, eram os que tínhamos em casa. Havia também uma coletânea denominada "Dez em Humor", com dez humoristas (daí o título da publicação) - indo de Millôr a Fortuna, de Jaguar a Sérgio Porto, de Ziraldo a Claudius.

Mas minhas leituras regulares de humor começaram com a revista "MAD" e, depois, com as publicações da trinca Angeli, Laerte e Glauco. Em seguida, Casseta Popular e Planeta Diário (este último, mais raro). Tudo que aparecia com esses nomes eu devorava. O mesmo valia para os gibis dos Trapalhões (não sei se todos sabem, mas EXISTIA gibi dos Trapalhões!).

Anos depois, muitos anos depois (mesmo!), passei a ler coisas mais sofisticadas, cronistas de escrita elaborada. Nada disso tinha a rebeldia adolescente do humor que acompanhei regularmente, nem a genialidade imediata daqueles caras que - fui saber, então - formaram o "Pasquim".

Ainda assim, lia e lia e lia tudo que vinha pra mim sob o rótulo "humor". Muita coisa achei medíocre, como Efraim Kishon, cronista israelense; outras coisas são excepcionais como Aparício Torelly (o Barão de Itararé), cujas máximas são até hoje ditas e repetidas sem que lhe seja dada a autoria.

Uma dessas coisas maravilhosas que pude conhecer foi o programa de rádio PRK-30. Quem poderia imaginar uma coisa dessas, não é? Tudo graças a um livro que não apenas trazia a história e reunia esquetes, mas também vinha com CDs de 'melhores momentos' de um dos maiores programas de humor radiofônico. Isso sem contar, claro, minha inspiração e admiração pelos "Sobrinhos do Athaíde", que fizeram renascer esse gênero.

Não podia deixar de mencionar os próprios Trapalhões, cujos programas televisivos eu amava e devorava e, agora, tenho comprado os DVDs, e também Chico Anysio, cujas personagens tinham praticamente vida própria - e, quanto a isso, há um livro maravilhoso, recente, organizado por Ziraldo com caricaturas de boa parte desse universo criado pelo gênio do humor. Procurem.

Ninguém da minha idade, portanto, "cria" qualquer coisa. O que faço é meramente colar referências daqui e dali, usando esse exército de craques, de milhares de gerações, meios de comunicações diversos etc. No blog, valho-me da escrita, mas pessoalmente também cometo alguns gracejos e as fontes são as mesmas.

Outro dia um sujeito disse que humor era algo sério. Achei engraçado, porque é mesmo, e para muitos é uma profissão. E vou além: humor é difícil.

Querem um exemplo? A turma do Filinto Müller (Chefe da Polícia do Getúlio Vargas) invadiu o jornal do Aparício Torelly (Barão de Itararé) e desceu-lhe o sarrafo. Deram uma surra, mesmo, nele. Isso é fato, aconteceu de verdade. No dia seguinte, ele mandou pôr uma plaquinha na porta: "Entre sem bater".

É por essas e outras que não consigo rir tão facilmente dessas pessoas que precisam ficar em pé com um microfone para contar piadas do dia-a-dia, naquela coisa de "aí minha mulher fez aquela cara disso" ou "sabe o motoboy?" etc. - embora ache louvável que sejam figuras desinibidas o bastante para essa empreitada.


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transubstanciado por gravata às 27.12.08 | 9 comentários

26/12/2008

EU QUERO VOLTAR PRA DISNEY (*)

Conheci a Disney, na Flórida, com seis anos de idade. Fui com meus avós maternos, minha mãe e também meu irmão, então com três anos, que provavelmente não deve se lembrar de muita coisa (mas eu me lembro de tudo embora não tenha "aproveitado" tudo que pudesse).

Meu pai e avô juntaram forças financeiras para pagar aquela viagem e me lembro com um carinho absurdo de tudo aquilo. Do vôo - foi pela Transbrasil -, dos brinquedos aos quais pude ir (não eram todos), dos parques temáticos (Busch Gardens, Magic Kingdon - a Disney -, Epcot Center, Sea World etc.). Eu era criancíssima, mas me lembro bem de praticamente tudo. Inclusive do cheiro das coisas (tenho uma memória olfativa impressionante).

Depois disso, aos 15, fiz aquela viagem para Cataratas do Iguaçu, que inclui Paraguai e Argentina, mas isso não conta como viagem internacional, né?

Aos 19, conheci a Europa, fiquei trinta e cinco dias passeando por lá: França, Suécia, Dinamarca, Alemanha, Holanda, Inglaterra... Foi uma viagem inesquecível. É impossível contar tudo o que aconteceu ali. Aliás, tudo começa do "antes"...

Eu fui para JOGAR BOLA! Isso mesmo, era do "time da escola" e fui para jogar, mas obviamente joguei apenas umas três partidas - numa delas, aliás, assinalei meu tento, e foi justamente em Portsmouth, contra o time da cidade, e ficou registrado na súmula.

Sei que, perto de alguns, viajei pouco. Mas até que dei umas voltinhas aqui e ali. Talvez precise viajar mais, mesmo. E tenho pena de quem vai sempre para o mesmo país, pode ser tanto o Cone Sul ou os Estados Unidos, mas não os condeno. Cada um faz o que quer e como quer.

Mas, pra mim, nenhuma outra viagem terá o sabor daquela em que fui pros Estados Unidos com meus avós, minha mãe e meu irmão, ainda que o ideal seria a presença também do meu pai e, agora, do Draguinha e todo mundo - isso num plano ideal doido.

Ah, eu quero mesmo é voltar pra Disney!

Eu deveria ter ido com meu pai. Em vez da despedida no aeroporto, ele embarcaria conosco e participaria de tudo, embora ainda dê tempo e seguramente faremos algo assim. Eu tenho saudade do meu avô, dele contando do Lincoln não sei exatamente em qual brinquedo de qual parque (ok, não vale perguntar também o cheiro). E quero ir com o Draguinha, porque provavelmente vai ter alguma coisa extremamente colorida de que ele goste muito, com uma música bem legal pra ele dançar mexendo as mãos e o quadril.

Viajar é isso. Ao menos, pra mim. Como eu disse, cada um faz o que quer e como quer. O mundo é livre, e quase todo ele é lindo.

Apesar das pessoas.

(*) - A gente diz "a Disney", mas não existe esse artigo feminino antes do nome do parque temático, tanto menos do sobrenome do Mr Walt, não é? Sei lá como surgiu esse hábito...


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transubstanciado por gravata às 26.12.08 | 8 comentários

24/12/2008

FELIZ NATAL

Um feliz natal para todos vocês, aquilo de sempre e vamoquevamo! Estou a caminho de Ubatuba, volto logo mais - provavelmente amanhã, mesmo - e continuo trabalhando. Felicidade a todos. Boa festa, boa ceia. Volto pro ano novo.


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transubstanciado por gravata às 24.12.08 | 7 comentários

23/12/2008

FILME DOS THUNDERCATS? E COM BRAD PITT E HUGH JACKMAN?

Não sei se todos já viram isso:

Filme daquele desenho-animado que nos alucinava anos atrás? Não, nada disso. O trailer é obra de um fã (muito talentoso, por sinal). E, sim, haverá a adaptação... Foi-se o tempo do "ah, queria que fulano fosse o ator". Agora, com a Internet, já tratam de escalar na marra.

Mais um pouco e fazem o filme inteiro, dispensam os diretores e fim de papo.


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transubstanciado por gravata às 23.12.08 | 13 comentários

23/12/2008

DOS LIVROS

Fiquei especialmente surpreso quando um amigo relatou sua vontade de comprar tudo que via pela frente ao entrar em determinada livraria, sobretudo porque o papo se inseria num contexto de anti-consumismo e, se não me engano, ele falava contra o mercado capitalista. Tudo ali era tão bizarro e contraditório que nem precisei fazer qualquer piada, apenas o olhei: os dois rimos muito.

Os livros fazem isso conosco. Eles nos tiram da normalidade.

Lembro-me de quando li "De Profundis", de Oscar Wilde e lá pelas tantas simplesmente parei de ler por pura depressão, tristeza, não conseguia seguir adiante. Nunca, em tempo algum, havia sentido algo parecido. Sou extremamente livre dessas bobagens, mas aquela narrativa me pegou de jeito - e é em primeira pessoa, de certa forma tendenciosa. Soube, recentemente, que a mulher de um amigo passou por algo parecido.

Aos dezoito, dezenove anos, todo comunistinha, li uns três livros de Noam Chosmky no metrô e em pé!, um atrás do outro, nas várias viagens que fazia, ida e volta, casa/Faculdade/casa. Cheguei a passar da minha estação mais de uma vez. Não se tratava ali de uma boa narrativa, mas sim de meu interesse ideológico - do qual hoje rio, mas ao mesmo tempo me sinto bem por ter ocorrido na idade adequada e ter feito parte de meu desenvolvimento.

Quando fazia Letras, corria sempre à biblioteca lá da FFLCH, na USP, porque achava o máximo conviver com aquela turma. E em dado momento peguei "Galáxias", o livrão do Haroldo de Campos. Confesso que não o li. Ficou comigo o tempo máximo, devolvi, mas não o li. Nunca li "Galáxias" - e se alguém fuçar nos registros da biblioteca encontrará meu nome dentre os que o retiraram. Nunca tive fôlego, força, tesão, vontade ou qualquer tipo de interesse por aquilo, muito embora acreditasse em tudo isso quando o retirei da prateleira. Nas várias tentativas, dormi. Mas nunca contei isso a ninguém - até hoje.

Poesia, em geral, foi algo de que sempre fugi, com duas exceções: Fernando Pessoa e João Cabral de Mello Neto. Acho que Pessoa, por exemplo, não chega a fazer poemas, mas sim teses filosóficas expostas de modo lírico. Meu favorito, o "Poema da Tabacaria", é quase um "anti-poema". E João Cabral tem aquele da Bailadora Andaluza que é uma das coisas mais lindas que já li. É seco e é lindo. Talvez por ser seco, enfim. Mas me toca porque usa uma palavra empregada por minha bisavó e usada até hoje pela família: "siguiriyas".

Há um gênero literário que é totalmente antiético: a troca de correspondências entre gente morta. Dois autores, ou duas personalidades, enfim, trocam cartas com uma série de informações e idéias que cabiam apenas aos dois. As famílias, atrás de uns trocados, mas sob a desculpa de que há "interesse público", aceitam a proposta de divulgar o material, reunindo em livro. E o povo compra, numa espécie de BBB sofisticado. Acho ridículo, não me parece honesto com quem, enquanto vivo, preferiu guardar esse material das vistas públicas.

Passei a ler muito - mas muito, mesmo - sobre as religiões judaica e cristã. Como não tenho qualquer crença ou fé, sinto-me isento para analisá-las. E isso vai de Carl Sagan a Harold Bloom, de Richard Dawkins a Nietzsche, de Voltaire ao texto da própria "Autora Javista". Alguns exageram no xingamento, outros até que pegam leve, uns sacaneiam tirando sarro, mas dá para se ter uma base bem razoável a respeito de tudo. O melhor disso é que descobri não ser preciso ter uma religião para gostar do assunto - e outra coisa importante é que, quanto mais estudamos, mais aprendemos a tolerar os religiosos, compreender a fé, inclusive a ver muita beleza nos ritos, livros etc.

E jamais consegui me desvencilhar - nem nunca quis, porque gosto - das histórias em quadrinhos. Quanto a isso, aliás, tenho mil pés atrás com a bobagem do "quadrinho adulto", meio que para classificar as histórias voltadas para um público teoricamente saído da puberdade, já interessado em histórias menos fantasiosas. Na boa? "Me inclua fora dessa!". Porque não tenho o menor saco para esses "gibis de arte". Se é para ler algo sério e pronfundo, temos a gloriosa "literatura de verdade". Se é para buscar a criatividade dos traços e afins, com idéias mirabolantes e pancadaria para dar e vender, temos as HQ. Dá para fazer bem feito? Opa, claro! Mas tem gente fazendo "cinema iraniano em quadrinhos". Aí é demais...

Recuso-me terminantemente a ler qualquer coisa que venha com a chancela de "nova literatura brasileira". Pode até ser que surja algo bom, sem dúvida, mas infelizmente não tenho mais forças para isso. É sempre a mesmo história, ou melhor, é sempre a mesma não-história, que se passa numa não-cidade, com não-personagens atrás de uma não-coisa e assim por diante. Sem contar essa gente de menos de 25 anos que publica autobiografia. O que eles têm para contar? Enfim, passo. Deixo pro pessoal daqueles bares toscos da Vila Madalena, os "moralistas liberais" (um dia escreverei sobre isso, por favor, cobrem! - se não fecho o blog antes!).

Enfim, tudo isso pra dizer que leio poucos blogs. Pra ser franco, quase não os leio, não tenho tempo. Porque já perco quase todo o (pouquíssimo) tempo livre vendo seriados e acho alguma brecha para ler essas coisas todas. Convenhamos, não faria o menor sentido ler blog. E também nunca entendi o que vocês fazem aqui, mas é claro que me sinto grato.


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transubstanciado por gravata às 23.12.08 | 16 comentários

22/12/2008

BLOGOSFERA: QUANDO NOS PERDEMOS?

Quando me meto a falar dos blogueiros, é claro que me incluo. Mas, para além de uma auto-análise, os textos também servem como "discussão de relacionamento". É uma DR virtual maluca, como se tudo tivesse começado de um jeito e, agora, estivesse - e está totalmente diferente. E é isso, mesmo.

No início, por exemplo, os blogueiros eram todos meio revoltados. Não aquela coisa adolescente tapada e bocó, mas uma revolta engraçada, de quem faz questão de não se enquadrar, um negócio meio "punk", na melhor acepção da palavra. Você jamais convenceria um blogueiro-roots (ui!) a fazer um esquema, qualquer que fosse. E, se ele topasse, tão-logo recebesse a eventual grana, pode apostar, falaria mal da marca pagadora. E riríamos pra caralho disso tudo. Porque éramos blogueiros, mas ao mesmo tempo tínhamos outros trabalhos, estudávamos, fazíamos estágio etc. O blog era uma diversão, uma sacanagem, não era para ser levado a sério e fazíamos questão disso - até para nos dar liberdade de falar qualquer coisa sobre todo mundo.

Hoje, a meninada da blogosfera passa com o chapéu implorando por esmolinha, post pago. E não importa quem seja o patrocinador. Pode ser qualquer empresa, qualquer agência. Querem mais é que se foda a procedência do dinheiro, não dão muita trela para o leitor etc. Quando questionados, usam uma desculpa-padrão esfarrapadíssima, aquele negócio de: "só divulgo aquilo em que acredito" ou "só falo do que gosto, se não gostar não falo" - frases tão verossímeis quanto "fui até ali ver uma corrida de unicórnios" ou "acabei de vencer uma partida de biriba com dois gnomos" (até porque, bem sabemos, gnomos nunca perdem partidas de biribas!).

Os blogueiros d'antanho tinham também uns anseios literários, por óbvio sem qualquer talento, mas isso lhes conferia certo charme e alguma dose de decência. Não, eles jamais seriam escritores: faltavam idéias, um mínimo de coesão textual, enfim, não davam pra coisa. Mas eram como meninos com uma banda de garagem, guardadas as proporções.

Na blogosfera atual, o que se tinha de pretensos escritores temos de supostos publicitários. Da mesma forma que os verdadeiros mestres da literatura deveriam rir dos antigos blogueiros, presumo que os publicitários de verdade (caso exista algum) devem gargalhar desses publicitários da blogosfera que se acham os novos gênios do marketing.

Principalmente depois dessa nova baboseira que se transformou num axioma de palestrantes e gente que ficou famosa dando seminário para pessoas que ficaram famosas assistindo a esses seminários: "os meios tradicionais estão saturados, agora o negócio é anunciar na blogosfera, pois o consumidor não vê um blog como um veículo de propaganda, e há a credibilidade blablabla..." (enfim, é algo mais ou menos assim). Que preguiça, né?

Capacidade de Mobilização x Levantar um Troco
E também me irrita profundamente a renúncia que muitos blogs fizeram da capacidade de mobilização para simplesmente levantar um troco. E isso se torna patético quando alguém diz "ah, mas fulano chega a ganhar dois mil numa campanha!" - como se o valor da puta enobrecesse o meretrício. E aí os neoblogueirinhos, todos com dezesseis, dezessete anos, claro!, querem também chegar a isso, ganhar seus dois mil reais para anunciar uma TV ou uma pasta de dente - ou um chá-mate ou qualquer coisa que lhes pague isso. O importante deixa de ser o blog, mas a grana.

Deveriam era avisar ao menino sobre o seguinte: um engenheiro cobra dois mil para olhar pra cara do cliente. Um médico cobra isso apenas para dar um peteleco no estetoscópio. Um advogado ganha o mesmo para tirar a caneta do bolso. Até naquele concurso de garis, o do Rio de Janeiro, que deu a volta no quarteirão de tantos inscritos, o salário era de quase três mil reais, se não me engano. Só mesmo um blogueiro cobra dois mil para falar bem de uma multinacional como se ela fosse salvar o planeta de todas as mazelas.

Não, gente, isso NÃO é legal.

E é óbvio que há algo errado aí. Estamos, sim, perdendo nossa credibilidade, e o leitor não é idiota. Ele sabe disso. Ele sabe exatamente quando o blogueiro está levando uma grana e, em dado momento, passa a assimilar que "faz parte do jogo", ou seja, que esse tipo de coisa é necessária para que o blog sobreviva - mas, ao mesmo tempo, jamais levará a sério a opinião do cara quando der alguma sugestão de marca - mesmo quando for sincera.

A blogosfera brasileira, pelo menos essa meia dúzia que se diz "a blogosfera" está ENTERRANDO sua credibilidade - e é exatamente isso que me revolta. Porque temos em mãos uma ferramenta do caralho, que poderia, sim, fazer muita coisa boa. Poderíamos abrir mão desse ganho inicial, dessa merreca que as agências oferecem como esmola, para crescer de verdade.

Se for para pensar de forma estritamente profissional, é preciso observar o que acontece em qualquer negócio do mundo: primeiro vem o crescimento e DEPOIS - beeem depois - vem a profissionalização, os grandes lucros etc.

E a blogosfera brasileira, tadinha dela, está muito longe dessa última etapa. MUITO longe. Outro dia li um blogueiro brasileiro dizendo-se profissional e aquilo ficou patético, parecia mais um jogador da terceira divisão do campeonato acreano. Só não parecia tanto por conta do anglicismo, o negócio de "pro-blogger".

Acho que nosso problema tem a ver com essa bagunça na ordem dos fatores, porque ela tem alterado, sim, o produto. O pessoal PRIMEIRO faz propagandas de todo gênero para depois - e apenas depois - começar a crescer. Isso não faz o MENOR sentido.

Ter o blog como atividade central de sua vida, no aspecto profissional, e sem ser bancado por um grande grupo de comunicação, é meio que fazer votos de renúncia financeira ou então abrir mão de um sem número de pudores existenciais.

Meu conselho é: arrumem um emprego e tenham o blog como algo paralelo, um prazer, um hobby. Isso faz com que o peso sobre as costas seja sempre menor e, fazendo apenas com vontade, o trabalho por aqui vai ser SEMPRE SEMPRE SEMPRE bacana - sem contar que nada é tão legal quanto dizer "não" a uma agência que oferece dinheiro. E só pode dizer isso quem já tem um trampo, não é?

Mas, se você quer mesmo a profissionalização, então invista. Porque é preciso investir muito, mesmo. Não adianta apenas pôr um terninho e dar três palestras, ter tantos mil acessos e fazer meia dúzia de campanhas. Isso pode até fazer com que você "cobre pelos serviços", mas depois tem que ter a manha de agüentar as piadinhas.

Vejam o caso da Campus Party. A briga é tamanha para descolar algum destaque e fazer "networking", que a moçada deixa passar um trilhão de pautas a respeito do tema. Nos EUA, onde HÁ UMA BLOGOSFERA EFETIVAMENTE PROFISSIONAL, já teriam analisado o evento sob mil pontos de vista - todos eles bem críticos (o espaço físico é um pavilhão de eventos localizado em cima da Mata Atlântica, a bagaça é paga pela Telefonica [monopolista], há ligações interessantes entre diretoria e Lula e Marta etc...).

Por aqui? Nada! Escrevi algo no Imprensa Marrom, o iG - sempre maravilhoso! - deu capa, mas a blogosfera no geral infelizmente não adota uma postura mais crítica. Todos querem mais é descolar entrada grátis, ou com desconto, e também sortear ingressinhos. E queremos ser profissionais? Não, né. Nosso negócio ainda é outro. Infelizmente.

Sei que esse papo é chatíssimo para muita gente, mas me contento em saber que, de cada dez que me xingam, há dois ou três que acham a conversa bacana. Com esses dois ou três, travo o diálogo. Mas, na real, queria mesmo que o discurso calasse mais fundo nesses "xingadores", pois honestamente não ligo que me ofendam, desde que reflitam um pouco sobre a mensagem.

Porque nossa blogosfera pode muito mais do que ela é. Vocês podem muito mais do que isso. Tenho certeza de que não precisam se vender e, caso realmente necessitem, o preço não precisa ser tão baixo.

* * *

(exte texto encerra aquela bagaceira dos três textos: o primeiro foi esse, o segundo esse... mas do jeito que sou chato, ainda vou aborrecer os leitores com esse tipo de tema bocó algumas outras vezes)


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transubstanciado por gravata às 22.12.08 | 31 comentários

18/12/2008

GRAVATA RESPONDE: DÚVIDAS FEMININAS - 013

A última coluna do ano! Eita, laiá! Agora, só em 2009! Evamoquevamo! Mantendo o que já vinha fazendo na semana passada, deixo as perguntas na íntegra, sem editá-las, já que as meninas mandam agora de forma sintética (quando não o fazem, peço para que reenviem ou então apago quando não tem jeito).

Vejamos:

"Oi Gravata! Olho para o meu noivo todos os dias e tenho vontade terminar tudo, mas não consigo!!! Com esse cara, rolou q éramos amigos e tentei fazer ele namorar várias das minhas amigas e ñ deu certo até q me descobri interessada nele. Tesão mesmo. Só q hoje, o tesão continua mas ele mal me toca, mal me beija.. é dele msm. Não é carinhoso. Ele é assim! Só q não aguento mais meu fogo ser apagado por ele. E, não consigo terminar. Será q eu envelheci e fiquei 'brocha'? Pq não consigo mais chutar o balde como sempre fiz?"

Você quer saber COMO termina seu noivado ou SE termina? Porque, pelo visto, está nervosinha com o jeito do cara, mas ainda gosta dele - e diz isso quase que expressamente, inclusive falando na existência do tesão etc.

Em primeiro lugar, descubra se quer MESMO terminar tudo. É o primeiro passo mais do que óbvio, ou melhor, a reflexão necessária que antecede todo e qualquer passo. Depois - e apenas depois - é que você passa à outra etapa.

Aí o caldo entorna.

Porque não é fácil. Não, mocinha, não é. Dizer simplesmente que a relação "subiu no telhado" ou que os planos de casamento passaram a fazer parte de uma série de ações a ser conjugadas no futuro do pretérito, convenhamos, funciona na anedota. Na vida prática não é moleza.

Não existe fórmula mágica e meu único conselho é esse daqui, o óbvio do óbvio, clichê máximo: falar a real. É isso que você quer? É isso mesmo? TEM MESMO CERTEZA? Então faça uma cobrança de falta usando o balde metafórico como bola e fim de papo. Seja feliz.

* * * * * * * * * *

"Gravata, mulher hetero que te manda beijoca signifca chances remotas de rolar sexo. Ok. E quando o cara (HETERO) chama a mulher carinhosamente de "meu anjo"? É só amizade? (Ele já fez isso em 3 ocasiões diferentes, tô contando...) Obrigada, e bitocas! ;-)"

Pior que beijoca, só mesmo "bitoca". Mas beleza, não estamos aqui para falar de sua despedida... Esse "meu anjo" pode ser apenas uma cafonice do cara, ora bolas! Também pode ser um excesso de delicadeza. Não dá mensurar sem ver.

Imagino tanto o Jece Valadão dizendo isso, feito o Boca de Ouro, quanto o Clodovil dando um conselho olhando para a "lente da verdade". A expressão é bem elástica quanto à virilidade dos que a adotam.

* * * * * * * * * *

"Olá. Como saber se um cara está realmente "a fim", está de pilantragem ou é só curiosidade (considerando que os galanteios são bem parecidos no início da paquera)? Alguma dica? Intuição não vale! Abç."

De tudo, posso garantir que o item "curiosidade" é o mais raro. Exceto se você for uma ariranha e o sujeito seguir os passos de Jacques Cousteau, é improvável que qualquer aproximação seja pelo fato dele ser "curioso" em relação a você.

Daí temos que ou o cara está de pilantragem (um eufemismo para "quer apenas sexo) ou "está realmente a fim" (uma forma de você dizer que ele quer uma relação mais estável). É isso, né? Então vamos lá...

Você transa com ele. Quando ele disser "você foi a melhor da minha vida", logo no dia seguinte, tente descobrir em que tom isso foi dito. Se foi "si bemol", é porque quer pilantragem. Se foi "lá sustenido", é porque ele está realmente a fim.

* * * * * * * * * *

"Gravata, Começei a sair com meu prof. da faculdade em agosto.Nós dois já passamos dos 40 anos. hj ele diz que não quer mais, pois gosta de mim e tem medo. Porque é que o homem tem medo de se apaixonar??"

Algo me diz que esse professor anda pisando na bola com relação a algumas aulas, mas vamos adiante... Essa coisa de "ter medo" é desculpinha, cacete! É mentira, né? Você ainda cai nisso com 40 anos nas costas?

HOMEM NÃO TEM MEDO DE NAMORAR, ISSO É DESCULPA! Repetindo: DESCULPA, DESCULPA, DESCULPA, DESCULPA! É tudo desculpinha esfarrapada para não segurar a onda. Medo a gente tem de ladrão, espírito, rato e barata. Não de andar de mão dada com mulher bonita, cacete!

O cara deu um chapéu em você. Conforme-se.

* * * * * * * * * *

"Olá Gravata, namoro a 9 meses com um homem encantador, contudo ele troca qualquer coisa para ficar no bar batendo papo com os amigos (dentre eles, meu irmão), algumas vezes eu vou com ele (nem sempre me chama). Saio com as minhas amigas também, acho saudável, mas ele exagera. Gostaria de saber se isso demonstra desinteresse, para ele tanto faz a minha compania? Obrigada."

Realmente, ele é encantador. Logo na primeira frase você fala que ele troca qualquer coisa para ficar no bar, e eu quase viro gay para tentar namorar com ele, tamanho o encanto. Cuidado ao anunciá-lo por aí, pois esse PARTIDÃO vai comover o mulherio.

Acorda, né?

E daí você pergunta - pior que com sinceridade - se "isso demonstra desinteresse", quando comenta sobre o ÓBVIO DESINTERESSE do cara... Difícil minha situação!

Claro que tudo pode ser um exagero seu, talvez você seja do tipo ultra possessivo etc. Nunca se sabe. Eu aqui não tenho elementos bastantes para análises mais embasadas.

Como você diz que o problema é o "exagero", a chave de tudo é uma reflexão acerca disso. É mesmo um exagero dele? Ou é um exagero seu? Há esse exagero de alguma das partes? Ou é tudo frescura sua, ou dele, ou de todos etc.?

* * * * * * * * * *

"Sempre leio o seu blog e adoro as respostas que vc dá!! Mas pra encurtar a conversa vou fazer a minha pergunta tb!! O caso é o seguinte: namoro um rapaz de 35 anos há 06 meses, ele sempre foi muito mulherengo, mas jura de pés juntos que nunca me traiu, sinto que gosta de mim e eu tb gosto muito dele, mas a dúvida me persegue, homem mulherengo consegue deixar de ser ou uma vez mulherengo sempre mulherengo??? Me responda por favor!!! Bjs"

Ué, consegue. Fico imaginando o que você já fez pra ter chegado ao ponto de mandar um email... Fuçou o celular? Mexeu na caixa postal? Ouviu conversinha? Confessa, vai...

Não fique paranóica. Ou namora, ou não namora. Se é para namorar, é para confiar. Você nele, ele em você. Ou então ficam ambos solteiros. Há mulherengos que se "regeneram", assim como há o "correspondente feminino" a isso.

Não é regra geral, mas nem é tããããão raro assim. Basta que haja amor de verdade - e que não passe nada muito interessante do outro lado da calçada, claro (ok, essa foi só pra atiçar seu ciúme de levinho).

* * * * * * * * * *

"Depois de 4 anos trabalhando na mesma empresa, eis que surgiu um funcionário novo.....a principio ele não me encantou, mas nos tornamos amigos. Depois de um ano que ele estava na empresa, ele se casou, fui em seu casamento com meu namorado(eu namorava a 4 anos), e lá no dia de seu casamento, em uma oportunidade, ele disse a mim, que ele queria mesmo era que eu estivesse ali vestida de noiva!!!!!Quase morri!!! bem passaram-se 3 anos, eu terminei meu namoro pois já estava insustentável, e comecei a sair com ele! Eu o Amo como nunca amei ninguém....sinto que ele tbém me ama, ele já saiu de casa por 2 vezes e voltou novamente, e vive dizendo pra que eu acredite, pois os seus sonhos são meus, mas a pergunta é....Vc acha que ele seria capaz de jogar tudo pro alto (casamento de 4 anos), ou até gosta de mim, mas tá me usando? Um beijo"

Não sei, mas bem que podia, né? Ir ao casamento do cara com seu namorado de quatro anos e ficar de paquerinha, convenhamos, é pra não se queixar na hipótese de "ser usada".

Ademais, quando uma pessoa solteira (homem ou mulher) sai com outra casada, sabendo muito claramente desse estado civil, sejamos honestos, não vale depois dizer que "foi usada".

Acorda!

* * * * * * * * * *

"Oi!!! Gosto muito do meu ex namorado. Terminamos a 5 meses por motivo de brigas relacionadas a coisas do passado, ciúmes e etc. Ele esta morando em uma outra casa agora mas sempre conversamos, saimos juntos e ele até ja me convidou para viajar. Toda vez que tento conversar, para ver se a gente se entende, acabamos brigando e ele diz que é melhor sermos apenas amigos pois ele esta de saco cheio de muita coisa. Sinto que ele ainda gosta de mim mesmo porque é muito atencioso comigo. Será que o que ele precisa é de apenas um tempo ou realmente já era? Em algumas brigas ele já chegou a falar que nao sabe mais o que sente, no entanto fica nervoso se algum cara olha para mim. Obrigada"

Sua situação dá novo sentido à palavra "desesperadora", hein? Tudo que tem para se apoiar, veja só, é o ciúme. E algumas pessoas são mesmo ciumentas - em especial os homens, que gostam de bancar aquele negócio da "posse".

Não, isso não é indício de nada. Sinto muito, mas não é. Ele fica nervoso porque é incômodo, assim como você obviamente ficará se alguma garota se oferecer sexualmente para ele (presumo). É da natureza humana - se bem que você ainda gosta dele, e esse meu exemplo foi bem ruim.

Mas, enfim, você entendeu. Pensa aí naquele outro cara, não esse, um outro de quem você gosta só um pouco, ou nem gosta tanto, mas tem ciúme. Pegou o exemplo? Pois é. É isso. Não serve para segurar todo um sentimento e tanto menos uma relação.

* * * * * * * * * *

"conheci um cara, ficamos... e depois fomos pra casa dele e tansamos, no dia seguinte ele me levou em casa mas ñ me ligou... nos falamos alguns dias depois, saimos e ele até conheceu meus pais, voltamos a sair durante a semana e qdo chegava aos sabados ele dizia que dormia e só ligava no dia seguinte, ele fez isso umas duas vezes, fiquei chateada e ñ liguei mais, ai uma sexta a noite ele me ligou pediu que eu fosse até a casa dele, eu fui tentar dar mais uma chance, na hora da transa ele pediu pra realizar uma fantasia que era transar com mais uma mulher fiquei p... da vida, disse que não, acabamos de transar eu ñ liguei mais pra ele e nem ele... vc acha que eu devo ligar? Tenho 37 anos e ele 32. Bjo"

Ué, liga.

* * * * * * * * * *

"Como vejo q vc eh muito coerente em seus textos e bastante sincero tb, gostaria q me tirasse uma grande duvida a respeito de um grande problema q estou passando. Eu tenho 22 anos e meu marido 41, estou com td em ordem, odesta parte , mas nao consigo entender pq ele tem uma mania de comprar filmes porno escondido. ele espera eu dormir e vai assistir e praticar o cinco contra um, sabe..O q mais me deixa estressada eh q tem vezes q ele prefere se mastubar com os filmes a querer algo comigo. pq sera?? me ajude, please!!!!"

Compra um consolo tamanho "humilha-marido-a-ponto-de-fazer-com-que-tenha-complexo-de-inferioridade-pro-resto-da-vida" e, quando ele começar a ver o filme, sente-se pacientemente ao lado dele e comece SUA masturbação, como se nada estivesse acontecendo.

Pode apostar: resultados garantidos!

No mais, homem se masturba, mesmo. Porque jogo é jogo e treino é treino, já disse isso várias vezes. Mas não adianta treinar muito para jogar pouco, né?

* * * * * * * * * *

"Caro Gravatá, sou casada há 10 anos e temo que a família do meu marido acabe nos separando. No início do casamento e até hj, só q com menos frequência, minha sogra muda meus móveis de lugar e as roupas no meu armário , mudando tudo sem aviso prévio. Já cansei de pedir educadamente pra não fazer, mas ela melhora por uns tempos e retoma td outra vez. Minha cunhada deixa o filho, de dois anos, na minha casa pra passar o dia com frequência e sem aviso prévio, só q trabalho em casa. A outra já visou q vai deixar o dela ( de três anos) todos os dias a partir do ano que vem. Temos um filho de oito anos, mas nunca deixei na casa de nehuma delas, acho q filho é obrigação dos pais. Aparecem pra almoçar, passar o fim de semana, etc, sem aviso prévio. Meu marido não diz nada e eu que tenho que me defender sozinha, é uma guerra! Além disso, sou sua colega de formação, e a famíla dele quer que eu resolva todos os galhos de todos os gêneros e de todos da família. Isso tem desgastado bastante o nosso relacionamento, ando cansada... Vc tem alguam sugestão prática?"

Sim, claro. Avisa que você não é empregada da família dele, manda todo mundo plantar batatas e pronto. Resolvido. Tenha personalidade.

Se não funcionar, diga que brincará com metralhadoras de plástico, ensinará o hino dos clubes rivais, e se a família for de esquerda você ensinará a adorar a TFP (se for de direita, você põe estrelinhas do PT em todos eles).

* * * * * * * * * *

"Caro Gravata, tenho 19 anos e meu namorado tem 30, estamos juntos há 2 anos, o grande problema é que sou muito insegura. Não sei se você já teve alguma experiência desse tipo, mas eu gostaria de saber como os homens encaram um relacionamento com essa diferença de idade, sei que em qualquer tipo de relação há o risco de traição, mas será que por conta da idade o cara uma hora ou outra vai cansar de só "ensinar" e sentir saudades do tempo em que "trocava experiências" (no caso com as mulheres da idade dele)?"

Isso é bobagem, homem não tem isso de "cansar de ensinar", a menos que ele use quadro negro e dê aula expositiva contigo. Se for assim, realmente deve ser bem enfadonho.
O que me espanta, inclusive, é o quanto algumas meninas de 19 e 20 anos, por exemplo, já SABEM tanto sobre sexo e outros detalhes. Foi-se o tempo do marmanjão de 30 ter algo para ensinar. Já era!

Tudo bem que os meninos dessa idade são jogo duro, sei disso, mas vocês são espertíssimas, inteligentes, lêem e já são mulheres feitas.

* * * * * * * * * *

"Gravata, Voce teria algum conselho para mulheres sensiveis e romanticas conquistarem de vez um homem, fechado , serio , que nao se abre por nada, nao consegue expressar de maneira nenhuma o sentimento que tem? Conversar sobre relacionamento NUNCA ACONTECEU ele fica extremamente irritado, isso me frustra demais. Namoro ha 2 anos com um cara assim, me sinto insegura pq ele diz que gosta de mim e as vezes nao acredito, sei que tenho culpa tambem por cobra-lo esse amor, ao mesmo tempo sei que cada um tem seu jeito de amar.Dificil essa hein?!!! Obrigada"

Que pergunta doida! Até a metade, parece razoável, daí descubro que você JÁ NAMORA o cara e HÁ DOIS ANOS! Presumo que ele JÁ ESTEJA CONQUISTADO, não? Ou você o mantém amarrado num cativeiro?

Sinceramente, não sei nem como começar a responder. A pergunta não tem lógica. Veja direitinho o que você escreveu. Não faz sentido, não bate, não fecha.

Você tá de frescurinha, isso sim.

* * * * * * * * * *

Esta coluna, feita em parceria com o canal Delas, do iG, é publicada todas as quintas-feiras e, para participar, basta mandar um email para gravataresponde@gmail.com - obviamente, sua identidade será preservada, nenhum nome será mencionado e você jamais será cantada, convidada para sair ou algo do tipo. E nem adianta insistir. Humpf! :)

(sem revisão, como sói)


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transubstanciado por gravata às 18.12.08 | 28 comentários

17/12/2008

SOBRE "MOVIMENTOS E MOVIMENTOS", E AS PESSOAS SOB UMA PERSPECTIVA REALISTA - E CAETANO FALOU COMIGO NOVAMENTE

Quando me pus a escrever essa "tríade" sobre a blogosfera, jamais pensei que fossem três textos, mas apenas um. Calhou de surgir a idéia do segundo e, imediatamente, o gancho para o terceiro, cujas linhas gerais estão já desenhadas. Como sói, deu pano pra manga, dor de cabeça e, claro, mais inimizade e aquelas acusações de sempre "polêmica vazia!", "quer chamar atenção!" e toda sorte de tergiversação que esvazie o debate.

Mas isso é outro papo.

A conversa deste texto é sobre música, especialmente a respeito do rock nacional dos anos 80s, do samba do Rio de Janeiro do início daquela década, e dos movimentos efetivamente populares que são sistematicamente ignorados pelos ditos "formadores de opinião" - que preferem, eles próprios, indicar as "tendências" a ser seguidas por meia dúzia de pangarés.

É claro que houve uma febre acerca do rock nacional e, como nunca, ele foi ouvido e tocado, gravadoras correram atrás de lançamentos e bandas e roqueiros ganharam uma dinheirama. A cada dia - lembro bem disso - surgia alguma coisa nova (de qualidade pra lá de duvidosa, inclusive). E muita coisa boa, também.

Mas, como MOVIMENTO, não teve tanto impacto.

Tanto que os remanescentes, que foram poucos (quantos realmente "sobraram", quantos permaneceram até pelo menos a metade dos anos 90s?), não permaneceram com o rock-rock, mas sim com estruturas musicais já voltadas para uma mistura de ritmos nacionais os mais variados - de Legião Urbana a Paralamas, de Titãs a Engenheiros do Hawaii, e assim por diante.

E os que surgiram, mesmo na "segunda leva" (era grunge, digamos), vieram com influências mais nacionais e nativas do que qualquer outra coisa: Mangue Beat, Raimundos com o "forró-core" etc. Não era mais aquela mimetização das bandas inglesas nem a obediência canina ao que determinavam os críticos babacas dos jornais e revistas contra os quais muito pouca gente se rebelava - e, curiosamente, as vozes mais marcantes não vinham do rock, mas da MPB.

Mas voltemos ao início dos anos 80s...

No Rio de Janeiro, periferia, um grupo de sambistas se reunia na quadra do Cacique de Ramos e ali fazia nascer o MOVIMENTO mais poderoso da década, pois quem define e decide isso não são os cadernos culturais nem os "formadores de opinião" que escrevem para meia dúzia de bocós, mas sim o POVO. E o povo não são os freqüentadores de exposições.

Beth Carvalho, Leci Brandão, Arlindo Cruz, Sombrinha, Zeca Pagodinho e, não no Cacique mas também "acontecendo" ao mesmo tempo, - lá no Morro do Galo - Bezerra da Silva. Essa foi a turma, com mais alguns outros, que desenhou o movimento mais impactante dos anos 80s. E o que mais repercutiria anos depois.

Porque o rock se fechou em si próprio - como acontece com a blogosfera que se considera famosa, mas é como aquela cobra que come o próprio rabo e não sai do próprio círculo. O rock era restrito às próprias bandas, a um público cada vez menor, às revistas com vendagem sempre decrescente, aos críticos sempre mais e mais pessimistas e com leitores menos empolgados etc.

O samba do Rio de Janeiro ressurgido por meio da força de Beth Carvalho deu vez a um movimento que atingiu o povo, não os jornais ou cadernos de cultura. Isso só aconteceu agora, bem depois, e disso falarei mais adiante. Naquela época, era algo restrito a uma camada social desprezada pelos "formadores de opiniões". A meia dúzia que lhes interessava não queria saber desse povo. A vida seguia; e seguiu.

Esse novo samba, fortalecido, veio para São Paulo. Seu crescimento não foi tão rápido como o "movimento do rock nacional", pois não decorreu de iniciativas de mídia. Era uma coisa realmente lenta, mas feita pelo povão, pela geral-geral-geral.

Na entressafra rock-samba, houve o fenômeno da música sertaneja, também insuficientemente compreendida pelos órfãos do rock, que nela viam mais cafonice que qualquer outra coisa, pois não estavam preparados para lidar com os legítimos gostos do povo. É sempre assim.

Mas eis que surge, "do nada", - para eles, os "mais informados" [que preguicinha, né?] - uma onda de grupos de samba. Caíram do céu? Surgiram de onde? Uma do Rio, uma de São Paulo, outra de Minas Gerais... Minas Gerais? Sim! E justamente a mineira homenageava um sucesso antigo de Zeca Pagodinho.

Era o MOVIMENTO da Quadra do Cacique de Ramos ressurgindo. A desinformação era tamanha que, até hoje, essas pessoas confundem samba com pagode - a ponto de alguns dizeram "ah, não gosto de pagode, prefiro samba". Dá vontade de jogar uma cadeira na cabeça.

Beth Carvalho, que é bem mais polida do que eu, já explicou N vezes, com toda a paciência do mundo, e às vezes algum sarcasmo, aquilo que todos ignoram: PAGODE NÃO É UM RITMO! Pagode é a festa, é a bagunça, é a algazarra. O ritmo é samba e suas variações.

O "grupo de pagode" é, na verdade, um "grupo de samba". Quando fazem essa diferenciação é por pura ignorância e talvez queiram dizer algo como "prefiro o samba mais tradicional do que esses grupos mais modernos", mas não deixa de ser também algo idiota, porque muitas vezes nem eles saibam o que seria o "samba tradicional" - afinal, o que é?

Porque, para saber disso, é preciso saber quem são as pessoas, e para conhecê-las é necessário deixar de lado a crítica musical dos jornais, ou dessa gentarada freqüentadora das casas noturnas da moda.

O novo disco da Maria Rita é todo ele de samba e com uma série de composições do Arlindo Cruz, o mesmo da quadra do Cacique de Ramos. Não é coincidência. Assim como não é por acaso a influência sambista de Marcelo D2, da Orquestra Imperial, de Los Hermanos ou de qualquer um que faça música mais "moderna" no Brasil. Há muito mais influência do samba do que do rock nacional dos anos 80s.

E isso não é uma surpresa ou um "achado", já vem de um processo pelo qual até as bandas de rock oitentistas passaram - como Paralamas, principalmente, e até os Titãs (ouçam "Senhor Delegado", no disco "Volume II"...). O Mangue Bit já veio regado com essa água, não apenas a do rock, mas das influências nacionais gritantes (o que dizer do maravilhoso cavaquinho de Fred 04?).

E como ter noção do que é um MOVIMENTO sem saber o que é o brega do Pará, o arrocha da Bahia, o hip-hop na periferia paulistana, o funk do Rio etc.? Não, não dá. Levar a Tati Quebra-Barraco para uma casa noturna da modinha é uma coisa, mas compreender todo um MOVIMENTO é outra conversa. E exige certa bagagem.

Os paraenses, com o maravilhoso brega, por exemplo, fazem algo de uma magnitude absurda e um impacto popular quase imensurável. O arrocha baiano é a mesma coisa. O funk, no Rio, tem também esse aspecto, embora seja pelo viés estético/musical algo aparentemente mais pobre. Bem como pode-se alegar misoginia ou caráter monotemático no hip-hop/rap paulistano.

Tudo isso passa ao largo da crítica dos formadores de opinião. Nada disso é considerado ou levado realmente a sério. O que importa é o novo disco do cara que saiu de uma banda que, ainda na ativa, já não era ouvida por nem meia dúzia. São gente de um mundo paralelo.

De cada dez pessoas do país, nove não sabem do que estão falando. Essa gente se fecha num mundo bizarro sob a desculpa de que seria qualitativamente melhor, enquanto as coisas realmente acontecem do lado de fora. É como aconteceu no rock nacional dos anos 80s.

Quem perder o bonde do que o povão ouve hoje, não entenderá o que pode acontecer com a música e a cultura brasileiras daqui a cinco, dez ou vinte anos. E dirá que foi tudo uma grande surpresa - porque acompanhou tudo pelas críticas de algum modernoso bunda-mole que tem coluninha "de favor" em algum site, portal, jornal ou coisa que o valha.

Fujam dessa gente. Saiam disso. Escapem. Por mais que vocês odeiem os ritmos populares e não queiram se misturar, não fujam da informação. Nâo fiquem por fora. Nâo sejam feitos de bobos pelos que supostamente fingem conhecera mais.

Eles não conhecem nada.

Sabem, sim, de bandas obscuras do Alasca e cantores pouco conhecidos do norte da Escócia, que daqui a cinco anos continuarão sendo obscuros e pouco conhecidos e não mudarão nada a cultura de lugar algum. E você fará papel de idiota, enquanto o cara que te fez de trouxa encheu o rabo de grana.

É mais ou menos como na blogosfera, quando alguém diz que um celular é legal, um filme é ótimo, uma bebida é o máximo, uma camisinha é tudo de bom, qualquer coisa é acima da média (desde que haja a contraprestação financeira, claro).

A história se repete, mas não como farsa. A repetição se dá como piada, chiste. Anedota do Costinha.

Segunda-feira tem mais briguinha adolescente com a modorrenta blogosfera, que deixou de ser um projeto de jornalismo ou trampolim literário para ser uma vitrine publicitária ou sub-bureau de mídia.

Por enquanto, presto minha homenagem às pessoas maravilhosas do Cacique de Ramos, do Rio de Janeiro, que construíram o mais importante MOVIMENTO de música popular dos anos 80s.

* * *

E CAETANO FALOU COMIGO NOVAMENTE :)
Hoje, novamente, recebi uma resposta dele. Fiquei mais uma vez feliz pra caramba, principalmente em razão de ser um debate, como sempre, inimaginável. Nunca pensei que pudesse travar esse tipo de diálogo.

Na gravação de "Incompatibilidade de Gênios", Caetano põe um ritmo diferente dos anteriores, fazendo-o de forma lenta, aparentemente triste, e muita gente ali qualificou como "monótona".

Eu disse o seguinte:

"ps - sobre a “monotonia”, talvez seja agora uma opinião de fã falando mais alto do que a razão, mas penso da seguinte forma: um sujeito falando ao advogado, e prestes a se separar, por acaso estaria COMEMORANDO EM BATUCADA? Não, creio que não. Caetano interpreta de forma linda, “cansada”, e como sempre afinadíssima - assim como quando foi pioneiro na interpretação “triste” de Asa Branca - que muitos também chamaram de “monótona”, a despeito dos tantos que fizeram maravilhas com a música antes de sua gravação perfeita em Londres."

E ele respondeu:

"Gravataí: quando voltei de Londres, ao cantar Asa Branca num ginásio de esportes lotado no Recife, levei a maior vaia por causa da estranheza e da duração do “nham, nham, nham” do final - e justo no Recife, onde gemedeiras deveriam ser coisa familiar.Talvez justamente por ser familiar e a platéia ter ali mais desejo de se desidentificar do sertanejo - e divertir-se como gente urbana moderna: fácil e rapidamente."

Fiquei feliz, muito feliz, não apenas pelo fato de ter conversado com um ídolo etc., mas também por ter acertado numa observação técnica, por ter tido sensibilidade dessa sacada.

Quanto ao blog e à possibilidade de votar na melhor versão, fomos também "provocados" a fazer remixes. Fiz o meu e aproveitei para criar uma espécie de rádio, na qual pus algumas gravações com voz e violão, minhas (mas quem tirar sarro leva porrada).

(sem revisão alguma, tá tarde pra diabo, né? sintam-se livres para tirar sarro...)


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transubstanciado por gravata às 17.12.08 | 19 comentários

16/12/2008

BRODAGEM NA CARA DURA

Não, não ganho um centavo com isso. Sim, meu amigo ganha vários centavos com isso. Assim como ajudei a Ísis a ganhar aquele negócio do Trident - e ela ganhou -, agora é a vez de dar uma mão para o Ian Black, velho de guerra.

* * *

Estou ajudando o Ian Black para ele ganhar o Desafio LG , e por isso estou divulgando o vídeo RIDÍCULO dele dançando o tema do FLASHDANCE:

* * *

Enfim, é isso. Se você tiver blog, faça o mesmo e avise o Ian. Estou pedindo encarecidamente, pois ele precisa do notebook, o moço está necessitado etc. É sério. Ele poderia estar roubando. Também poderia estar trabalhando... :D


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transubstanciado por gravata às 16.12.08 | 6 comentários

16/12/2008

OS PIORES EX-NAMORADOS DO MUNDO

Há casais que terminam uma relação numa boa, todos ficam felizes e convivem naturalmente, sem brigas e de forma madura. E há, claro, os casais da vida real. Este texto trata dos casos extremos; aqueles ex-namorados que fazem o Joselito merecer o Prêmio Nobel do bom-senso.

Vejam só:

O Queima-Filme
Enquanto namora, enaltece a patroa que é uma grandeza. Trata-se da oitava maravilha do mundo em carne e osso. Não tem defeitos, é um poço de virtudes, não erra, não falha, é mais infalível do que a bailarina da música do Chico Buarque. Mas, assim que termina... Seguuuuura! Passa a xingá-la diuturnamente, e a cada dia surgem novidades de fazer cair o queixo. Claro: é tudo mentira. Mulheres também fazem isso, eu sei.

O Pega-Amiga
Não basta ser safado, tem que ser desgraçadamente estapafúrdio para usar esse expediente e, ainda por cima, contar com a cumplicidade da amicíssima. A tática é ao mesmo tempo antiga e rastaqüera: ele termina o namoro e, na seqüência, começa a dar em cima de alguma amiga da ex. Sempre tem alguma mais carente que cai e aí usa esse artifício para fazer ciúme. É um golpe muito abaixo da linha da cintura.

O "Nega Tudo"
Pode parecer bizarro, mas isso acontece: alguns pilantras namoram as meninas por semanas, meses e às vezes até anos e depois de tudo NEGAM. Isso mesmo: NEGAM! Simplesmente dizem que NÃO NAMORAVAM. Quando perguntam sobre o namoro, dizem que jamais houve qualquer coisa, assim sem nem aquela, e dão o caso por encerrado. Às vezes, diante da impossibilidade de uma negativa, alegam que era apenas "um rolo sem importância", ou algum outro eufemismo. Nunca entendi o porquê dessa bizarrice, pois isso denota o quanto o cara está puto da vida com o término e - obviamente - o quanto a menina ainda é importante em sua vida.

O Volta-Mas-Não-Volta
Também conhecido como "contatinho", é um malandrão que faz muita menina de trouxa (ou, sei lá, muita babaca aceita a acomodação desse cara). Ele termina, em geral alegando que não consegue dar conta do namoro, ou alguma outra desculpa pra lá de esfarrapada, mas depois vira o "Rei do Remember", o campeão mundial do "Revival". E a menina, claro, topa - muitas, coitadas, na esperança vã de que isso talvez faça com que voltem. Não, vocês NÃO vão voltar e, se voltarem, terminarão em dois tempos.

O Agora Ficante
Em síntese, é como o de cima, mas há uma certa sofisticação conceintual. O cara consegue - vejam só! - terminar o namoro e estabelecer outra relação. Homens, pela regra, não ligam para rótulos, as mulheres é que gostam desses carimbos. Mas o camarada consegue. E aí "termina" para "começar" outra coisa, sendo que esta nova relação é mais light. É como se dessem um tempo, mas sem exatamente "dar um tempo". Em suma: terminam o namoro-namoro, começam um "rolo" ou algo assim. Tudo para tirar o piano das costas, mas não perder o sexo garantido e o cafuné seguro na noite fria. Não, eu não estou inventando, isso realmente acontece.

O Amigo (Mas Não Muito)
Seguinte: rola aquele "exercício de maturidade", o camarada acha que o melhor é manter o contato como se nada tivesse acontecido etc. etc. etc. Na teoria, parece realmente funcionar. Mas, na prática... Claro que dá merda. Alguns não fazem por mal, mas a maioria faz por pura pose de "falsa modernidade". Não, não acho que o correto é sair todo mundo correndo um pra cada lado do planeta. Mas também não precisa fingir que nada aconteceu logo depois de terminar de forma relativamente traumática um namoro de, vá lá, cinco ou seis anos. Alguns processos existem para ser vividos e pulá-los não é sinal de maturidade, mas sim uma estratégia que no fim das contas sempre dá merda. No mais, esse tipo de "ex-namorado" quando faz isso na malandragem, acredite, quer no máximo manter uma ponte para usar alguma das táticas dos dois tópicos a que me referi antes deste.

O Zé Serasa
Não basta ser ex, tem que participar dando prejuízo (as mulheres possuem uma versão que é a Maria SPC). O caboclo termina o namoro e, na hora de passar a régua surge um saldo negativo daqueles de azedar. É celular, TV a cabo, condomínio, aluguel... Vixi! A pobre coitada, que já carregava a relação nas costas quanto à parte financeira, acaba arcando com uma porção de contas. É uma caca tão gigante que chega a ser lícito chamar esse tipo de término de "rescisão" e não "fim" do namoro.

Clássico Maior: O Arrependido
Se houvesse um "Cachorrada Greatest Hits", essa seria a "Faixa 1" ou, como dizem, a "música de trabalho". É realmente o GRANDE CLÁSSICO. Nada mais manjado do que o camarada que dá um pé na bunda da moça, deixa a coitada chorando e, depois de um tempo, volta todo arrependido pedindo uma chancezinha. O que ele quer? Ora, ficou carente e quer dar uma bisgüizada. Mas nem ele sabe disso, essa que é a parte triste e por isso parece tão convincente. Daí voltam e EM POUCO TEMPO TUDO VOLTA A SER O INFERNO QUE ERA ANTES E PRATICAMENTE QUASE SEMPRE O PRÓPRIO CABOCLO PEDE PARA TERMINAR LOGO EM SEGUIDA. Clássico dos clássicos.

* * *

Tem mais? Sim, claro. É simplesmente impossível fazer uma listinha assim e não acabar esquecendo pelo menos uns duzentos tipos. Espero que, nos comentários, vocês me ajudem quanto a isso.

Evamoquevamo!


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transubstanciado por gravata às 16.12.08 | 61 comentários

15/12/2008

EMPRESÁRIOS, NÃO ANUNCIEM EM BLOGS!

(Semanas atrás, falei dos blogueiros que atraem audiência usando mecanismos manjados e escondem as estatísticas para fazer de conta que têm leitores e não pára-quedistas. Pois chegou a hora de falar do péssimo negócio que é usar a blogosfera como vitrine publicitária.)

É mau negócio. Aliás, é um péssimo negócio. O retorno é quase zero. Em alguns casos, chega a ser negativo. Como? Simples: sua marca vai ter o filme queimado "como nunca antes nestepaiz". Pois é... E isso acontece.

Sabe por quê? Porque blogueiro é invejoso. Você vai contratar aquela agenciazinha que promete mundos e fundos. Bom, os fundos você vai ter que dar para ela. Mas os mundos ela promete como retorno. Daí ela repassa uma parte da verba (merrequinha, porque blogueiro aceita esmola – às vezes, um brindezinho já vale) para meia dúzia.

Pronto, sua marca está "divulgada". Tudo bom, então?

NÃO! TUDO PÉSSIMO!

Porque blogs, hoje, não têm mais quase credibilidade alguma quando se trata de anunciar um produto! Até a minha avó sabe que a palavra de um blogueiro, quando se refere ao anúncio de uma marca, vale menos do que a de apresentador de programa vespertino – talvez porque estes últimos tenham um código de ética mais tenaz quanto a distinguir espaço editorial de anúncio.

Ou seja, na hora do "jornalismo", eles falam do escândalo da Suzana Vieira ou do barraco armado por algum ex-integrante do Big Brother e, na hora do merchandising, anunciam algum Leite de Aveia ou marca de esmalte. Tudo bem separadinho.

Na blogosfera, porém, as coisas nem sempre são assim. O blogueiro "emite opinião favorável à sua marca". E, convenhamos, sua marca não está com essa bola toda. Muito menos o blogueiro. Fica uma falsidade desgraçada, daquelas que não enganam ninguém.

"VEJAM QUE BACANA ESTE VÍDEO, ADOREI, É UM LANÇAMENTO SUPER LEGAL, QUAL SERÁ O SEGREDO DO BLABLABLA..."

Algum publicitário supergêniodaparóquia bola uma "ação" digna de levar um pescotapa, inventa que isso vai ser o máximo e joga uma esmola para o blogueiro. Ele aceita, pois vive de esmolinhas. Você, que construiu sua empresa com trabalho e suor, não entende de internet e se deixa levar porque acaba confiando.

E dá com os burros n'água.

Pois acredite: É A MAIOR ROUBADA DO SÉCULO ROUBADA! Fuja! Saia correndo e não olhe para trás! Corra como se não houvesse amanhã!

Os que ficaram de fora passarão a descer a lenha. E por pura invejinha mesmo. De que adianta contratar 10 se 100 não entraram na festa? Você está sempre em desvantagem.

Pra piorar, blogs não têm "leitores", mas "blogueiros-leitores", ou seja, o que aqui se fala repercute apenas entre outros blogueiros, num ciclo vicioso ridículo, risível, patético e até mesmo um tanto nojentinho. É um clube tão idiota que – vejam só! – me aceita como sócio (e aceita gente bem pior, juro!).

Quanto ao mais, vale lembrar daquela marca de tequila que quase teve um prejuízo exorbitante porque resolveu fazer uma "ação" pra lá de desastrada: blogueiros foram para uma baladinha a convite de uma agência, ganharam garrafas e depois a sortearam.

Detalhe: o goro supera os 13 graus e isso, segundo a lei, configura propaganda ilegal.

Se o Ministério Público resolvesse ir atrás da bagaça, adivinha o que aconteceria? Pois é... A EMPRESA SEGURARIA A BRONCA. Uma açãozinha inocente dessas, que de início parece não custar quase nada, daria um prejuízo inesquecível, sairia nos jornais e ainda por cima traria implicações penais.

A "Bolha"
Há um consenso de que a blogosfera brasileira é uma espécie de bolha. Pessoas das mais variadas vertentes defendem isso – umas torcem para a bolha estourar logo, outras exploram o quanto podem as benesses desse negócio enquanto dá.

Uma outra coisa equivocada é a idéia da "fixação da marca". Desculpem os marqueteiros, mas isso não cola. Não numa blogosfera que, hoje, está mais para "esmolosfera". Quando se perde cada dia mais e mais a credibilidade, convenhamos, não há marca que possa ser fixada.

É uma queimação de filme dos diabos!

Minha opinião? Talvez não estoure essa bolha. Os blogueiros são, em sua maioria, uns bolhas (eu incluído, claro). Mas essa tal bolha não é como aquela dos "ponto.com". Os blogs são minúsculos demais para causar míseros arranhões em qualquer que seja o mercado.

Aliás, é risível falar em bolha. Vá lá, trata-se de um flato (daqueles ainda por cima sem barulho nem cheiro).

A longo prazo, as empresas com algum nome na praça vão perceber que é mau negócio fazer essas "ações", como sortear bebidas alcoólicas com graduação superior ao permitido pela lei, entre outras coisinhas bem pouco louváveis.

Restarão dois tipos de anunciantes: os "anunciantes diretos" e os "qualquer nota". Vamos a cada caso:

Anúncios Diretos: não basta ter audiência, pois os programas vespertinos têm muito mais, os jornais de bairro têm mais ainda e, como sabemos, basta colocar um bannerzinho num portal. O anúncio direto consistirá numa parceria entre a empresa e blogueiro, no mais das vezes intermediada por uma agência também parceira do dono do blog, não mais uma "ação" como essas bobagens que vemos por aí, de duração exígua e resultados pífios. É presumível que, nessa fase, as coisas sejam conduzidas por profissionais, e não mais pelo esqueminha “agência/blogueiro brother". Sim, é essa a bolha que vai estourar...

Anúncios Qualquer Nota: alguém vai precisar anunciar velórios, velas, chocadeiras elétricas, emplastros e outros produtos, não é mesmo? Taí um nicho a ser explorado pelas agências logo após demitir 90% de seu efetivo. E poderão fazê-lo usando os blogs de seus (a partir de então) ex-funcionários. Se a bolha estourou, o jeito é usar a microbolha para sobreviver. É a crise, mano! Apenas uma dica: não pensem que é fácil engambelar dono de empresa pequena. Executivo de multinacional é mais facilmente chapelável, porque acredita em lorota. Já o dono da avícola, que ralou a vida inteira, vai pensar trinta vezes antes de sortear ovos galados entre visitantes dos blogs que participarão da ação proposta por sua agência...

Ânfân...
O mundo da esmola e da mendicância nunca vai acabar. É bobagem supor que seja uma bolha prestes a estourar. Desde o Egito antigo, há gente pedindo uma ajudinha pelo amor de Hórus – só não sei se embutiam anúncios nos hieróglifos ou papiros em troca disso...

Mas, é claro, em alguns meses ou poucos anos, a realidade será outra. Ou, de repente, nada muda e o Brasil continua sendo o Brasiu e tudo fica do jeito que está, ué!

Apenas tomaria cuidado com o cara da controladoria. Porque ele é perigoso. Esse cara é dureza. O do marketing é legal, boa-praça etc., o do jurídico é cauteloso, mas não se mete com questões do departamento comercial... Mas o da controladoria, ai ai ai...

É assim: no ano que vem, perguntam o que deu lucro e o que deu prejuízo, aí o carinha levanta o braço lá no final da mesa (vocês sabem quem). Ele diz que gastaram X naquela campanha e Y na outra.

Perguntam em seguida qual o retorno. E ele levanta novamente a mão. Dessa vez, porém, em vez de falar ele faz um sinal que poderia ser o de "jóia", mas o polegar vai para o chão.

Todos se olham na mesa, o cara do marketing, que é boa-praça, mas não opera milagres, joga a toalha e lá se vai a brincadeira de fazer ações com blogs ou pagar para esse tipo de bobagem.

É grana, rapaziada. É isso que esse povo quer. Blogueiro não gosta de esmola e brinde? Pois então: empresas gostam de muito dinheiro. O mundo funciona assim.

Torçam pra bolha não estourar ou, caso isso aconteça, treinem os posts elogiando chocadeiras, esmaltes, coquetel de frutas para alisar cabelos, prestação de serviços de benzedeiras e outras atividades empresariais que se interessarão por anunciar nos blogs.

Viva us blógui du Brasiu!

Revisão: Hellen Guareschi


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transubstanciado por gravata às 15.12.08 | 15 comentários

12/12/2008

NOTÍCULAS DE SEXTA

BICO DE PENA
Finalmente, tirei o pó do Bico de Pena. Mas não sei é o caso de comemorar. Acho que perdi a mão. Vejam .

* * *

BLOGOSFERA
Segunda-feira sai o segundo texto da tríade elaborada para tratar dos blogs. O primeiro foi aquele dos blogueiros que não abrem as estatísticas, escondendo-as de seus leitores e anunciantes. Agora, falarei diretamente aos empresários, mostrando o tamanho da roubada que é anunciar num blog. A terceira parte é uma análise acerca da pasmaceira mendicante em que se transformou isso tudo.

* * *

OTTO LARA RESENDE
Não, não vou falar do poeta. É apenas uma curiosidade, dessas que eu guardo sabe-se lá por quê: esse é o segundo nome da peça "Bonitinha, Mas Ordinária", de Nélson Rodrigues. O nome original é "Bonitinha, Mas Ordinária ou Otto Lara Resende".

Esse segundo nome é uma espécie de "homenagem" que, dizem, quase rendeu briga entre o autor e o poeta. Isso porque, no decorrer da trama, ouve-se à exaustão uma máxima atribuída a Otto (mas é do próprio Nélson): "o mineiro só é solidário no câncer". Em suma: "mineiro é tudo filho da puta".

Pra coisa ficar ainda pior Edgar, o rapaz de origem humilde, aquele que era contínuo e no filme é interpretado por José Wilker, é... MINEIRO! Daí a gozação com Otto que TAMBÉM ERA MINEIRO (mas de São João Del Rey).

Mas, curiosamente - para padrões rodrigueanos, sobretudo -, há redenção. Talvez por isso, o título em homenagem ao amigo, ou em razão disso a justificativa do fato de que eram amigos. Mas, definitivamente, tirou quase toda a verossimilhança da obra.

O que a mantém viva é o Peixoto, aquele sujeito boa-praça que consegue tudo exatamente por ser boa-praça, ao contrário de Edgar, que, quando consegue algo, é apenas pela própria competência, já que definitivamente não é nada agradável (e isso faz deste último exemplo de anti-mineiro para a tese rodrigueana e aquele um mineiríssimo).

Bom, ok, agora é que a verossimilhança foi mesmo pro brejo.

A parte curiosa dessa nota grande é que me lembrei o motivo de tê-la publicado: conversei recentemente sobre o tema com meu amigo Marcão, profundo conhecedor de Nélson Rodrigues. Ele insistia para que eu lesse um dos livros políticos, mas lá pelas tantas a conversa descambou para a forma com que Zé Wilker pronuncia "Filho da Puta!" no filme.

* * *

DAVID YALLOP E OS PAPAS
Sou de pouca leitura, como muitos já observaram. Ainda assim, atrevo-me a dar algumas dicas. Anos atrás, li "Em Nome de Deus" e, agora, leio "O Poder e A Glória", ambos de David Yallop.

No primeiro, o escritor inglês trata do assassinato de João Paulo I, Albino Luciani, (muita gente nem sabe que EXISTIU tal Papa) cujo papado durou pouquíssimos dias. No segundo, analisa o reinado (a gestão?) de João Paulo II e destrói diversos mitos, como a farsa da "grandiosa colaboração para a derrubada do regime polonês" etc (estou ainda na metade).

Yallop também escreveu sobre futebol, "Como Eles Roubaram o Jogo", mas não li. Sou de pouca leitura e falo de orelhada. O pessoal católico o odeia e trata seus trabalhos como se fossem coisa de Michael Moore. Mas, acreditem, não é por aí.

Aliás, tirando algumas mancadas de "Tiros em Columbine", e a óbvia teatralidade que faz parte do estilo do cineasta, o próprio Micheal Moore não dá tantas mancadas assim.

* * *

MÚSICA
De certa forma, uma recente reclusãozinha me fez recuperar o prazer de tocar e cantar e isso me estimulou a modificar algumas formas de organizar canções do meu não muito longo repertório (sei tocar bem poucas músicas, pois nunca fiz aula de violão).

"London, London" é uma que comecei a tocar de outro jeito, mas para dar certo precisaria de mais gente ou de distorções no violão. Pra mim, está tudo muito bem, já que ouço tudo sozinho e pronto. Mas, se for pra mostrar pra mais gente, precisaria de um trabalho mais elaborado. É de se pensar.

* * *

DRAGUINHA PÉ GIGANTE
Comprei dos pares de tênis para o Draga e um não serviu. Sério: NÃO SERVIU. Medi tudo certinho, calculei com certa folga e saí da loja com a seguinte convicção "não vai usar agora, mas em pouco tempo servirá". Que nada! NÃO COUBE!!! Dois puminhas microscópicos simplesmente maravilhosos, e o pior é que nem eram baratos, mas não se olha preço quando é para presentear quem amamos - e graças a deus podemos (por mais que eu não acredite em deus).

* * *

LENNON: ROLLING STONE x ROLLING STONE
Andei lendo o livro de entrevistas da Rolling Stone. É ótimo, mesmo. Uma excelente compilação. Mas, poxa!, o "Lembranças de Lennon", que é a entrevista NA ÍNTEGRA de John Lennon dá de dez e, ao menos para mim, consiste no papo mais interessante de todos. Enfim, comprei o livro de entrevistas da "RS", mas não deixem de conferir o "Lembranças...", que se não me engano é da Conrad Books.

* * *

AH, O HEXA...
Meu time é o MAIOR CLUBE DO BRASIL. Três vezes campeão mundial, três vezes campeão da Libertadores e, agora, SEIS VEZES CAMPEÃO BRASILEIRO. Todo mundo torcendo contra, querendo que um ou outro ganhasse. Que dureza...

E o que tenho a dizer é o seguinte: Hexa! Temos seis títulos da série A e zero da B. Isso é o que importa, o resto é chororô, seja de gaúcho, seja de flamenguista que não consegue nem segurar o pança na gávea, seja de dirigente alviverde que tenta tumultuar a decisão por meio da FPF.

Enfim: Hexa!

Minha tristeza, de verdade, é ver o Vasco cair, pois o time é um campeão legítimo. Mas é também o time da virada e vai subir com honra. Digo mais: ganha a Copa do Brasil, vai pra Libertadores e sobra tempo pra tirar sarro do Flamengo. Lembrem-se dessa previsão.

No mais... HEXA!

E é engraçado quando gremistinha fica nervoso e diz "na Libertadores a gente ganha", como se eles REALMENTE ganhassem alguma coisa. Quando 'ganham', o máximo que conseguem é vencer UM JOGO, para perder a final. Ou então até ganham a final, para depois... FAZER PAPELÃO EM TÓQUIO. Ê, Grêmio! Deixa isso pra quem sabe, pô! Mas até que vocês são um time esforçadinho, não fiquem bravos! E não vale chorar, tá?

Ah, ia esquecendo: HEXA! SEIS A e ZERO B.

* * *

LEMBRANÇA DO TÉCNICO TETRACAMPEÃO
Muricy Ramalho, o técnico tetracampeão brasileiro (2005 com o Inter, 2006 a 2008 com o São Paulo), deu o autógrafo abaixo para mim:

Vou dizer mais o quê? Ah, claro: HEXA!

* * *

Evamoquevamo!


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transubstanciado por gravata às 12.12.08 | 12 comentários

11/12/2008

FENÔMENO: GORDURA TRANS NO RÍNTIAS

Sem mais...


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transubstanciado por gravata às 11.12.08 | 8 comentários

11/12/2008

GRAVATA RESPONDE: DÚVIDAS FEMININAS - 012

Décima segunda coluna, mas ALGUMAS LEITORAS AINDA NÃO ENTENDERAM QUE O NEGÓCIO É RESUMIR. Ê, laia! Vou parar com gentileza de mandar um email pedindo para diminuir o tamanho da história, ok? Não é por maldade, é que realmente não cabe. O carro-chefe da vez é a "Por Que os Homens Fogem do Casamento?". Mas há muitas outras. De novo, não revisei nada. Está do jeito que me mandaram. Evamoquevamo!

Vejamos:

"Olá gravata, adoro seu blog... Bem eu namoro a quase quatro anos sou uma pessoa tranquila nunca fui de cobrar nada de meu namorado, mas um certo dia ele chegou e disse que não agüentava mais a pressão que as outras pessoas faziam com ele para casar logo e que não queria se casar pois tinha medo (já estavamos com mais de tres anos de namoro), quando ele me falou isso minha reação foi imediata entramos num acordo e terminamos tudo, dois dias depois ele voltou e disse que não era bem isso que ele queria voltamos a namorar e estamos com o casamento marcado, mas ele sempre comenta que tem medo. Minha pergunta: Porque os homens tem tanto medo de casar? Por medo de não dar certo? De assumir uma familia? Agradeço desde já sua atenção. Beijão"

Primeiro, um erro conceitual: medo. Homens não têm "medo" de casar. Simplesmente NÃO QUEREM casar. Homens têm medo, por exemplo, de ir ao dentista. E também de tomar benzetacil. Mas casamento não põe medo em ninguém, apenas aborrece porque tolhe a liberdade de ir-e-vir, em seu sentido bem lato.

Depois de um tempo, já casado, o caboclo que optou pelo enlace descobre que aliança alguma impede o exercício de alguns direitos, e é nesse ponto que começa a bagunça. O mesmo vale, é claro, para as mulheres - muito embora, no universo feminino, muito por culpa das pressões sociais, o casamento ainda seja visto como algo bonitinho e muitas vezes um "sonho".

Aí você diz "ah, mas ele FALA que tem 'medo'...", e eu respondo "sim, queia que ele dissesse 'não, querida, eu prefiro ficar solteiro e assim bagunçar o coreto mais um pouco'..."? É essa a questão.

Essa oposição ao casamento, por parte dos homens, é tão antiga quanto a 'vontade de casar' por parte das mulheres, e os dois impulsos fazem parte de uma mesma caricatura social, quase teatral.

Na sua pergunta você dá uma pista disso, quando comenta a "pressão de outras pessoas". O que é isso, agora? Sociedade tribal? Ninguém tem o direito de pressionar!

Algumas pessoas fazem questão de avisar ao Cartório e pedir permissão a algum sacerdote quando decidem se amar de forma pública e, assim, morar juntas. Outras fazem isso sem grande alarde. Nada disso, no fim das contas, interfere na construção de uma família.

E os homens, acredite, não têm "medo" de casar. Muitos dizem isso - o que é uma desculpa RIDÍCULA - porque não têm coragem de falar a verdade, mas, se disserem, aí acabaria sendo bem pior (então, sejamos francos, até que dá para conviver com a idéia de que haja algum temor em vez do fato de que ele prefira um pouco mais de liberdade).

Por fim, se ele encher muito o saco, dá um sustinho. Seja bem convincente e pronto. Teatro por teatro, faça seu papel com alguma desenvoltura que em pouco tempo ele estará vestindo fraque no altar. Funciona com todas, pode perguntar para suas amigas.

* * * * * * * * * *

"Olá, estou namorando mais ou menos uns 5 meses pela internet um peruano, ele me disse que no momento não pode vir me ver aqui no brasil e que então eu fosse para la para nos conhecer mos, minha familia sabe dele e a dele tambem sobre mim, disse que fala com meus pais se for preciso e assume total responsabilidade sobre mim lá, porém estou com medo de ir sozinha para um lugar que não conheço o que deve fazer?"

Obviamente, não ir. Não sei por que me pergunta. Vai chegar o dia em que alguém mandará alguma coisa do tipo "devo tomar um frasco de veneno?", emendando: "em caso positivo, pode ser com duas pedras de gelo?"...

Encontros de Internet tinham algum charme quando eram num Shopping Center, ou em algum lugar desse tipo. Depois de um tempo, claro, pessoas de cidades diferentes passaram a se conhecer, e isso também pode ser bacana.

Mas IR AO PERU, sozinha, sem nunca ter visto a cara do camarada? Até por uma questão de gentileza, seria o caso dele aparecer por aqui primeiro, não? E marque em local arejado, bem iluminado, com muita gente...

Jesus!

* * * * * * * * * *

"Olá, conheci seu site hj e já tenho um conselho a pedir: Namoro a 07 anos e sempre fui perdidamente apaixonada por ele, sempre tive ele em 1º lugar em tudo na vida, a um tempo atrás ele me contou que me traiu e isso me machucou muito, eu perdi o interesse que eu tinha nele, e sexo com a gente é quase nulo hoje, não quero terminar pq amo mto, mas não consigo mais ser a mesma com ele, tenho medo de conversar com ele e ele entender errado, o que eu faço?????"

O que todo mundo faz nessa hora, ué: vista-se com uma roupa de Jornada nas Estrelas e cante "La Barca" com uma peruca jamaicana e botas de cowboy... Cacetada, né?

CONVERSA COM ELE!

Como assim "tem medo dele entender errado"?

Quando ele te traiu ele contou como? Por meio de mímica? Pegou um quadro negro e desenhou? Disse que a "fidelidade subiu no telhado"? Suponho que houve uma conversa, e das boas, pois estão juntos, e você ainda por cima está com medinho até de falar que tem raiva.

Então deixa de ser palerma e CONVERSE COM ELE. Explique todos esses problemas e não tenha medo se der "errado". Essas aspas são propositais porque seu medo não é o de que ele "entenda errado", mas sim o de acabar tudo, não é?

Ele é esperto, joga com isso. Você tem medo.

Por isso aceitou a traição. Por isso mantém uma relação mesmo sem gostar. Por isso não tem coragem de conversar com ele. Pensa bem: vale a pena viver assim? Quer isso pro resto da sua vida?

Ah! Se ele traía antes, quando havia sexo e tudo mais, agora que não há nem isso ele parou? Pensa mais um pouco... Enfim, fala com ele.

* * * * * * * * * *

"Acho que como homem talvez vc possa me dar uma opinião melhor... O caso é o seguinte, sou casada a 6 anos com um homem 12 anos mais velho. O problema é que desde que temos 2 anos de casamento começamos a ter relacionamento sexual com outras mulheres, menage... As 1° foram pros dois digamos, mas ele ultimamente tem casos sozinho. Eu até que não ligo, pq ele me conta e eu permito, mas ele tem sido muito chato comigo, não se interessa muito, não faz questão de estar comigo... e olha que eu sou bonita, tenho um corpo bonito e 25 aninhos neh...sexo faço tudo o que ele quer... Detalhe nossos relacionamentos são só com mulheres, nada de outro homem. Me dá uma opinião do que eu faço para reconquista-lo, para chamar sua atenção."

Não é preciso ser um gênio - embora você tenha recorrido aos conselhos de um :) - para sacar que há um problema da pesada por aí, não é? E esse machismo do "mundo liberal", na boa, é ridículo. Os caras querem fazer a festança de arromba com o mulherio em geral, mas não aceitam que haja nem mesmo um "happy hour" com a própria mulher...

E você, claro, aceita... Tsk, tsk...

Não se trata de "reconquistar" o cara, porque você não o "perdeu". Ele está numa zona de conforto que faz a expressão "zona de conforto" ganhar um valor semântico pra lá de exagerado. Olha só que maravilha de vida! Uma mulher interessantíssima, bonita e gostosa, e muitas outras mulheres, e ainda outras com quem ele sai sozinho. Tudo "dentro do combinado".

Em primeiro lugar, é preciso saber se isso surgiu por imposição do "grande malfeitor". Parece difícil, já que você pelo visto "topou" e, na mensagem, não há sinais de arrombamento. O mais provável, se me permite um chute, é que tenha topado para "agradar".

Quer saber? Ele permanecerá eternamente deitado nesse berço pra lá de esplêndido, a menos que você jogue duro e acabe com a farra, desde que esteja disposta a segurar o tranco óbvio: fim da relação (porque ele jogará com isso).

Se tiver a manha de arriscar, é esse o caminho. E já chega falando que quer provar como é o negócio com três, quatro homens, só para ver a reação do camarada. Daí, claro, prepare a conversa seguinte, falando da importância de acabar com as participações especiais, pontas e extras na relação.

Enfim, é isso. Não sei mais como ajudar. Boa sorte.

* * * * * * * * * *

"Tenho 22 anos e conheci um cara que por sinal é um Profissional que contratei seus serviços, ta meu Dentista..rsss e tipo...rolou uma quimica, mais o cara tem namorada, fui muito sacana em furar olho da menina, mais aposto que não fui a primeira, mas não sei até que ponto gosto dele ou não, até porque ele foi o primeiro cara que transei, não me arrependo, tbm não fui com mais nenhum cara, porém nos vemos sempre que dá, ele me levou na casa dele, e ele mora com a familia, e o cara tem 33 anos por ai...Mais ele namora ainda, aí que tá, Como eu vou saber que o cara gosta de mim ou só ta querendo da uma variada? o Fato dele ter me levado na casa dele, mesmo ele namorando há 4 anos uma outra menina eu posso pensar que ele pode gostar de mim? Nos vemos até hj, como disse não é sempre até pelo meus horarios e os dele...Até mais..."

Qual a graça de guardar a virgindade quando tal momento é reservado para uma situação como essa? Você mesmo trata o caso como "muito sacana" falando em "furar o olho da menina", ainda dizendo "aposto que não fui a primeira".

Você segurou a onda esse tempo todo para ISSO? O dentista, que namora, apostando que não foi a primeira relação extraconjugal dele...? E agora você pergunta se ele REALMENTE gosta de você ou se "só quer dar uma variada"?

TUDO NA MESMA PERGUNTA?

O que o pessoal anda colocando na água de vocês? Na boa. Vocês perguntam e já respondem tudo no mesmo parágrafo. Eu fico aqui enrolando, só colando trechos.

Vamos lá:

"rolou uma química" = a cantada funcionou
"fui sacana" = tô na seca
"foi o primeiro" = tô MESMO na seca
"nos vemos até hoje" = variadinha

E isso da "casa da família" não entendi direito. Você foi para uma festa, um jantar, almoço, ou foi à noite, só com ele? Se for este último caso, nem preciso comentar. Se for algum evento, por mais que você se apóie em tal muleta factual, essa andorinha, assim solitária, não fará verão sentimental algum.

* * * * * * * * * *

"Em uma de suas respostas vc diz a respeito de uma rapaz de 23 anos:"ele está naquela fase de suar a camisa para conseguir uma foda".Quais são essas "fases" do homem, já que o "pega e não se apega". tá rolando solto em todas as idades.. Obg"

Com o tempo, os homens são mais criteriosos quanto ao sexo, pois acaba a "novidade". Aos 15, por exemplo, é a descoberta, e essa fase dura mais ou menos até os 18, por aí. Dos 19 aos 24, a depender do caso, é quando o cara consegue a primeira relação estável com sexo freqüente.

Na primeira fase, o garoto tem tanto tesão que qualquer coisa o agrada; chega a se masturbar lendo até a cotação do ouro, dos commodities etc. Na segunda, o cara fica quase louco diante da idéia de sexo constante, dando lugar às transas eventuais e raras (era a essa fase que me referia na resposta daquela questão).

Depois, transformamo-nos nuns babacas acomodados, mas é claro que a maioria nega, bate no peito, finge que é machinho-alfa etc. Vocês sabem como é caricato e ridículo o mundo da afirmação masculina. Não consigo compactuar com isso, nem participar dessa parte teatral.

Prefiro fazer parte da platéia que ri, ainda que eu mesmo seja o objeto da piada, porque não dá mesmo para engolir alguns de nossos comportamentos. Assim como vocês, mulheres, às vezes precisam aprender a rir mais também de si próprias - nesta semana, quase fui linchado porque não fui suficientemente elogioso.

* * * * * * * * * *

"Caro Gravata...Namoro ha dois anos e um mes atras trai meu namorado com um caso antigo...Nao aguentei e acabei contando, e ele terminou o namoro na hora, claro. Mas depois disso continuamos saindo e ha uma semana ele me pediu em namoro de novo...E aceitei, na certeza de q nao ia repetir o feito. Mas fui numa festa esses dias e acabei dando um beijo num menino. Estou inconformada, porque dou mancada com um cara que eh 100% em tudo? Ele mora em outra cidade, entao soh nos vemos no fim de semana...Eu amo o cara, pretendo construir uma vida junto, mas ao mesmo tempo acho injusto continuar, ja que nao sou fiel como deveria. O que faço? Obrigada...."

Eu acho que você ainda é nova (não sei sua idade, é um chute) para assumir esse tipo de responsabilidade. Sentimento é uma coisa, e compreendo perfeitamente que você o tenha. Mas não adianta assumir uma relação para dar mancada no dia seguinte - ou no mesmo dia, haja vista seu ritmo :)

Não leve isso como uma ofensa, ok?, mas amadureça um pouco mais. É uma porcaria perder pessoas importantes, perder oportunidades etc. Mas é melhor assim do que fazer errado.

Muitos casamentos começam pelas vias mais tortas possíveis, tudo para "não perder a chance", e nesses casos um dos dois é sempre apontado pela rua, sendo motivo de piada, chacota etc. Você quer isso para quem você ama?

Vou ser bem franco: sou bem ruinzinho no que diz respeito à prática dos conceitos de amor, mas sei preservar as pessoas que eu amo desse tipo de vexame.

Faça o mesmo. Quando for a hora, você terá uma relação legal. E agradeça meu bom humor por não lhe ter dado um esculacho, ok? Você deu sorte porque a conexão caiu ontem e só fui responder às perguntas hoje mais cedo.

Meu humor é péssimo para essas perguntas à noite, mas de manhãzinha estou sempre mais calmo e paciente (talvez por isso esta coluna não tenha a menor graça para os leitores, já que todos gostam de xingamentos etc.).

* * * * * * * * * *

"Gravata, não vou encher a tua bolinha, que já tem mulé demais fazendo isso (não quero ser só "mais uma" na tua vida). Meu caso é o seguinte: há cerca de 6 meses, terminei com um "encosto". (É isso mesmo, ENCOSTO. Um cara inteligente, sensível, bonito, etc., de quem eu até gostava bastantinho, mas era um atraso de vida pra mim, em vários sentidos). Bem, na verdade, eu terminei, mas foi ele que deu os motivos, já que por mim eu continuava com o sujeito. Bom, acontece que agora, depois que eu fiquei difícil pra ele (difícil não, IMPOSSÍVEL, porque eu terminei pra valer, sem volta, sem olhar pra trás), ele ficou cismado e começou a correr atrás de mim. Me liga várias vezes, fala coisas perfeitas, certeiras e sutis, manda presentinhos irresistíveis, simples e criativos (ex.: uma florzinha silvestre com um cartão feito por ele, um livrinho bacana que eu queria há muito), até um fake no Orkut muito bem bolado e inteligente ele criou pra tentar me ganhar de novo. Bom, eu, definitivamente, não quero voltar com ele, já comi o pão que o capeta amassou e acho que não vai mudar, mas confesso que fiquei com o ego nas estrelas, agora que o jogo inverteu (inverteu em termos, porque esse interesse dele é só mesmo porque eu virei uma espécie de troféu, uma mulher meio inatingível. Não acho que ele esteja gostando de verdade de mim). Só que a minha vontade é continuar o joguinho, me fazer de boba, tentar deixar o sujeito de quatro por mim. Você acha isso legal ou é muita sacanagem (ou burrice) da minha parte? E ATENÇÃO, SEU PESTE, SE VOCÊ ME ESCULACHAR, VOU TE ROGAR UMA PRAGA (e olha que praga de pisciana pega... yahahahahahah!!!! - Risada maligna) pra você brochar pra todo o sempre, e não vai ter Viagra que levante o teu "moral". Beijos indecisos (a indecisão é sobre se você merece ou não meus beijos. Ainda vou resolver...)"

Posso imaginar que tipo de sujeito "inteligente, sensível..." cria um 'fake' no Orkut como estratégia de reconquista. Qual seria o passo seguinte, alugar um guindaste e um megafone para cantar "Besame Mucho" na frente de sua casa?

Em primeiro lugar, você não ficou "impossível", pois quem toma uma decisão não manda cartinha para coluna de relacionamentos. Se mandou email é porque está indecisa e, se está indecisa, é porque seu "impossível" tem valor nulo.

Ele deve saber que sua opinião não vale muita coisa e, em razão disso, pretende dobrá-la usando técnicas sofisticadas de conquista, como essa de criar um perfil falso no Orkut, ou talvez - quem sabe? - mandar um webcard com musiquinha ou até mesmo um email com aplicativo de Power Point daqueles com mensagens edificantes e cachoeiras ao fundo.

O MAIS ENGRAÇADO é que você se preocupou tanto com as gracinhas e afirmações que a pergunta ficou escondida. Algumas mandam mensagens com dúvidas sinceras, tal e coisa. A sua está ali, perdida. Achei por acaso, e é algo sobre deixá-lo de quatro.

Bobagem: você já está de quatro, mandando mensaginha para mim, a fim de saber o que fazer. Esqueça. Você já perdeu esse jogo. Ponto para ele. E isso não é esculacho, embora você seja livre para jogar a praga que quiser.

* * * * * * * * * *

"OI!!! Na real, eu quero saber como m aproximar de um homem (30 anos), visto que o único contato q eu tenho com ele é pelo orkut!! Como posso chamar a atenção dele? E quando eu ver ele pessoalmente o q eu faço? (ressaltando q pintou o maior clima qdo nos vimos pela primeira vez, mas n deu pra gente se conhecer, isso quer dizer q ele m achou atraente) OK! BjSS!! Valew!"

De fato, preciso entrar em contato com a companhia de abastecimento de água, porque já são três mensagens do mesmo gênero. Há algo errado por aí. Você pergunta o que fazer quando o vir pessoalmente e, logo em seguida, diz que "pintou o maior clima" quando se viram pessoalmente???

Você está relatando fatos de vidas passadas?

Quero deixar uma coisa bem clara: só trabalho dentro das regras do contínuo espaço/tempo e não posso responder a nada que fuja da boa e velha lógica aristotélica. Não sei nem por onde começar, sério.

* * * * * * * * * *

"Namorei a distância 10 meses com um cara 4 anos mais novo, tenho 28 e ele 24. Ele não confiava em mim e terminou comigo e menos de 2 meses ele arrumou outra mais nova 4 anos. E desde q terminamos ele continua a me dar toks no celular e as vezes fala comigo no msn e diz q fui a melhor mulher da vida dele e q não vai ter outra igual,mais nunca da o braço a torcer e continua com a namorada e sempre q eu vou pra São Paulo ele pede pra ficar comigo! Porq me procura? Será q realmente ainda gosta de mim ? Ja chegou a dizer q se eu for embora pra São Paulo q é pra mim voltar com o meu antigo namorado q no caso é ele e ainda me disse q tudo pode acontecer... Oq vc acha? Me ajuda.. Bjos"

Epa! Olha o conto do vigário aí gente! Salve 171! Mulheres fingem orgasmo, homens disparam elogios. É assim que funciona. Ele falou que você foi a melhor da vida, e aí você acredita. Você finge que goza, e ele acredita.

Não se trata, portanto, de dar o braço a torcer.

O que ele quer? Apenas uma bisgüizadinha-revival. É isso, e apenas isso, tanto que está até com namorada. Aceite os fatos e, se quer um conselho, viva as coisas de maneira mais leve. Saia com ele sabendo que vai ser assim, em vez da ilusão de que você seja MESMO a "melhor da vida dele".

Menos, menos... Vocês precisam parar de acreditar nessas coisas. É sério. Nós, aos 20 anos, realmente acreditamos naquelas gozadas teatrais de vocês. Depois, claro, sabemos que é cascata - embora vocês exijam inscrição no Oscar de Melhor Gritinho Seguido de Unhada.

Aprenda a não acreditar em elogios superlativos.

* * * * * * * * * *

"Olá gravata! Boa tarde! Tenho 27 anos e a 9 meses terminei um relacionamento de 6 anos já estava de saco cheio,o relacionamento já tinha caído na rotina e estávamos nos desentendendo bastante e ele não falava em casamento, a 2 meses atrás ele me liga direto e vive me mandando sms dizendo que me ama (coisa que em 6 anos nunca fez). A 4 meses eu reencontrei o meu 1º namorado(de 9 anos atrás) e foi muito bom curtimos uma paixão louca, ele diz que quer casar comigo,mais tem um probleminha, ele está se divorciando e tem 2 filhos e o pior fez vasectomia irreversível! Não sei o que fazer (não mesmo). Fico com ele e abro mão de ter um filho, algo que futuramente quero ter, ou dou uma oportunidade para o meu ex? Grata"

A vida não é uma equação matemática. Que tal parar de fazer cálculos? Você fala em sentimentos, mas ao mesmo tempo traça linhas racionais para seu futuro (o que é saudável, compreendo). No fim das contas, porém, prevalece um racionalismo nada condizente com essa coisa de "amor e paixão".

Posso te ensinar pelo menos umas trinta arapucas para laçar o ex, mas isso é um tiro no pé, pois em dois dias ele escapa, e a idéia aqui é fazer algo dar certo, não simplesmente usar uma traquitana para que ele caia, não é?

Eu - na condição de conselheiro improvisado e blogueiro esculhambador - não posso dizer com quem você fica. Só faltava essa, mesmo. Mas posso dar um conselho óbvio que até agora você parece não ter seguido: escolha aquele de quem você mais gosta.

Sei que é mais fácil falar do que fazer, ou até descobrir. Mas, uma vez descoberto, vai ser a decisão mais acertada.

* * * * * * * * * *

"Olá tudo bem? Sou casada a 20 anos, e a um ano descobri que meu marido estava pegando a esposa do chefe, fiquei louca pois esse tempo todo só vivi para ele e nossa casa, me cuido,sou boa de ver, a dita cuja me conhece. Disse a ele que queria a separação, o homem ficou doido começou a chorar feito criança,disse que só havia ido pra cama com ela uma vez, e que daria tudo por terminado já que queria continuar comigo .Pois bem,a porrada foi forte um ano e não consigo esquecer.As vezes acho que eles continuaõ saindo,já que ela é do tipo insistente,ligava várias x por dia. Ou será o medo de perder o emprego? Se ele me largar para ficar com ela,vai perder o emprego; O que voce acha?"

Eu acho, antes de tudo, que ele toma Malandrol e chupa Malandrops, tudo ao mesmo tempo; porque, sejamos honestos, sair com a mulher do patrão não é para qualquer um (a menos que seja daquelas desesperadas que se jogam nos funcionários).

Vamos por partes quanto ao resto (ou seja, a porção séria da coisa): você já o perdoou. Se houve o perdão, não há o que discutir. Não faz sentido perdoá-lo e, ainda assim, permanecer hesitante, cheia de dúvidas etc. Não há relacionamento que sobreviva à desconfiança, pois logo mais você fica paranóica, e às vezes nem há uma razão concreta para isso (apenas um motivo do passado).

Essa sua pergunta do emprego é um questionamento importante, pois de fato não são todos os chefes que mantêm o "funcionário do mês", ainda que no quesito "bom faturamento" esteja incluído "faturar a patroa". O modelo clássico de gestão prevê dispensa desse tipo de empregado.

No mais, nem adianta falar para você "conversar", porque você já deve ter conversado trocentas vezes. Esse negócio de responder pergunta está me tornando calejado. Já até conheço o tipo das pessoas e você, pelo que percebi, é do tipo que dialoga. Conversou, conversou, conversou, mas não se dá por satisfeita.

E eu sei que nenhuma resposta minha a satisfará. Então estamos os dois aqui perdendo tempo. Por isso, resta a mim fazer piada, ao menos os demais se divertem enquanto nós dois fazemos este exercício inócuo.

* * * * * * * * * *

Esta coluna, feita em parceria com o canal Delas, do iG, é publicada todas as quintas-feiras e, para participar, basta mandar um email para gravataresponde@gmail.com - obviamente, sua identidade será preservada, nenhum nome será mencionado e você jamais será cantada, convidada para sair ou algo do tipo. E nem adianta insistir. Humpf! :)

(o Virtua saiu do ar, fiz a coluna correndo, hoje pela manhã e não teve MESMO como conseguir revisão)


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transubstanciado por gravata às 11.12.08 | 50 comentários

10/12/2008

VOCÊ É CONTRA A "LEI AZEREDO", MAS NÃO SABE NADA SOBRE ELA e PARTICIPANTES REMUNERADOS DA "CAMPUS PARTY", VAMOS DOAR A GRANA?

Tenho um problema sério que consiste em dar opinião sobre o que eu não sei. Praticamente todos os internautas brasileiros assinaram a petição online contra o "Projeto Azeredo". Boa parte não leu o projeto, é provável que muitos não saibam que Aloizio Mercadante apresentou um substitutivo e talvez a grande maioria não tenha idéia de que ele estava no exercício da Liderança do Governo no Senado quando fez isso.

Mas, seguramente, nem um décimo dos signatários desse abaixo-assinado leu todo o SUBSTITUTIVO apresentado por Aloizio Mercadante. Desafio qualquer um para debater o projeto de Lei. E nem faço isso como um cowboy de filme de faroeste. Porque simplesmente o projeto é bom. O único artigo ainda "polêmico" diz respeito à proteção de dados que... JÁ SÃO PROTEGIDOS.

Os que ainda atacam a Lei, surrados pelos argumentos, alegam que é possível haver uma interpretação equivocada, algo como confundir "dado" com "notícia" - como se um juiz proibisse um blog, por exemplo, de veicular alguma coisa da Folha de São Paulo. Enfim, piraram o cabeçote.

E falam das redes P2P com um amor à causa e "em nome da liberdade do conhecimento" que quase sai uma lagriminha do meu olho esquerdo. Daí me lembro que essas redes são usadas para trocar músicas protegidas, filmes protegidos, jogos protegidos. Ou alguém usa P2P para trocar teses, textos etc?

Façavor, né? É muita cara-de-pau.

Um dos principais signatários do negócio é filiado ao PT e, por isso, até hoje partidariza o projeto, bem como, contrariando a "liberdade do conhecimento", não coloca um mísero link para que o internauta, ao assinar aquela estrovenga, possa ao menos LER o raio do projeto.

Nada! Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Porque os bocós da Internet brasileira - blogueiros incluídos - são usados como massa de manobra para interesses políticos de ocasião.

Exemplo disso é o "staff" do Campus Party, evento patrocinado pela Telefonica, fazendo arruacinha de meia dúzia lá na Paulista, como se fosse um movimento genuíno de internautas contra a tramitação do Projeto de Lei. De novo, os panacas caem feito patos nessas orquestrações.

E, de novo, é o PT quem usa as "invenções" do Azeredo. Primeiro foi o Mensalão; agora é a Lei da Internet (a primeira a usar foi Luizianne Lins - e o moço que segura a placa "Contra a Lei Azeredo", quando Luizianne tentou tirar o Twitter do ar, escreveu no blog que era melhor não partidarizar a questão... Pff!!!).

No fim das contas, sou eu que falo sobre o que não sei, né? Sou eu o "polemista vazio" etc. Mas eu li o substitutivo apresentado pelo Senador Aloizio Mercadante e posso dizer: é ótimo. Mas só pode debater - e assinar! - quem também leu (psiu! leia aqui...).

"Campus Party", Inclusão Digital, Ecologia e o Desafio da Doação
Não basta pisar na bola APENAS com a Inclusão Digital, é preciso simplesmente sapatear na bola com toda a força, em grande estilo, nas mais variadas modalidades.

A Telefonica exerce MONOPÓLIO de telefonia fixa em São Paulo, de modo que qualquer "ativista de Software Livre" minimamente comprometido com a causa não aceitaria receber um centavo da empresa. Mas, sabem como é, precisa-se pagar a hipoteca...

Além disso, o Campus Party deste ano será realizado no charmosíssimo e bucólico CENTRO IMIGRANTES, que é assim descrito no próprio site:

"Localizado dentro da maior reserva de Mata Atlântica da cidade de São Paulo, um grande centro de negócios, informações, cultura e lazer, o local possui 240.000m² de área total e abriga 3 gigantescos pavilhões (...) Situado em local privilegiado, na Rodovia dos Imigrantes a 1.200 metros da Avenida dos Bandeirantes, a apenas 850 metros do Terminal Jabaquara do Metro, 3km do Aeroporto Nacional de Congonhas, 7km do Centro Hoteleiro e financeiro de São Paulo, 10km do centro da cidade e a 25km do Aeroporto Internacional de Guarulhos..."

Realmente, não consigo imaginar um local tão geograficamente privilegiado. Talvez, vá lá, Suriname. Mas, voltando: COMO É QUE CONSTRUÍRAM DUZENTOS E QUARENTA MIL METROS QUADRADOS DENTRO DA MAIOR RESERVA DE MATA ATLÂNTICA DA CIDADE DE SÃO PAULO?

E que exemplo o "Campus Party" pretende dar com isso? Não basta ser patrocinado por um MONOPÓLIO, é preciso fazer o evento no "Centro Imigrantes", encravado na MAIOR RESERVA DE MATA ATLÂNTICA DE SÃO PAULO? Quem teve essa idéia? Pensaram assim "oba, é longe pra caceta e TAMBÉM é no meio da Mata Atlântica!"?

E depois reclamam porque alguém usa Windows! E fazem flash mob na Paulista!!! Mas, enfim, eu falo das coisas sem saber, né? Eles que sabem de tudo...

Ahhhhhh! Estarei lá, participando da mesa "Direito Eletrônico". Não sei se recebo algum centavo para isso. Se receber, doarei tudo para alguma instituição de PRESERVAÇÃO DA MATA ATLÂNTICA.

E PROPONHO A TODOS OS PARTICIPANTES QUE FAÇAM O MESMO, INCLUSIVE OS COORDENADORES. QUEM TOPA? FAZEMOS, ASSIM, UMA GRANDE DOAÇÃO, VÁ LÁ, AO "S.O.S. MATA ATLÂNTICA". QUE TAL?

Tenho plena convicção de que todos, sem exceção, mostrarão comprometimento com a ecologia, sobretudo tendo em vista esse fato intrigante de o evento acontecer dentro da maior reserva de Mata Atlântica da cidade de São Paulo.

Não é mesmo? Afinal, abaixo assinado e flash mob são atos de extremíssima coragem. Uma doação dessas é moleza perto de iniciativas tão bravas!


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transubstanciado por gravata às 10.12.08 | 5 comentários

09/12/2008

APRENDA A DESCOBRIR SE ELE ESTÁ TE TRAINDO

Em primeiro lugar, é claro, não existe uma ciência exata capaz de medir a traição masculina, na base do "ele está traindo" ou "ele não está". Mas os homens, como sabemos, gostam de bagunçar o coreto e, sempre que podem, bagunçam pra valer.

Muitas mulheres, é claro, vão achar algumas dicas óbvias. Porque, claro, não desprezarei as dicas desse gênero. Além disso, mesmo quando um camarada reúne TODOS os sintomas não significa que esteja traindo - é como se fossem sintomas de uma doença - vá lá... - que às vezes se repetem em outro tipo de moléstia, mas não é exatamente a mesma coisa.

De todo modo, vale abrir o olho (sobretudo se o caboclo vier com desculpinha esfarrapada...).

Diminuição do Sexo
É o fator primeiro e vocês sabem disso. Em geral, as mulheres tratam elas próprias de perguntar ao camarada que logo nega - se ele estiver com outra, vai dizer que não (porque obviamente não é besta) e, se não for esse o caso, obviamente também negará (já que dirá simplesmente a verdade). Em suma: pergunta inócua (e ridícula). Mas, sem dúvida, é um fator a ser pesado. Ponha na balança e aguarde os demais.

Embaranguização Feminina
É, minha amiga, se você deu uma embarangadinha e, por acaso, ele não acompanhou sua 'enfeiada', acredite, isso pode contar em algo. Não quero aqui acentuar as lágrimas de ninguém, nem ganho comissão de academia alguma, tanto menos das clínicas de estética que faturam para dar golpes nas incautas. Mas a verdade é que os homens, esses salafrários, realmente vão por aí. E vocês sabem disso. Exceto, claro, quando o casal embaranga unido.

Pornografia Crescente
Um outro motivo alarmante é quando o sexo diminui, rola a embaranguização feminina e, ao mesmo tempo, começam a aparecer filminhos pornográficos pel casa, ou no computador, ou revistinhas até então inéditas no ambiente do lar etc. etc. etc. Isso é um fator e tanto para se somar à conta macabra dos sintomas da pulta-atrás-da-orelha. Talvez seja o último estágio antes do salto com vara na cerca do relacionamento...

Rupturas na Rotina
Horários que até então obedeciam pontualidades britânicas e eficiências suíças passam a ganhar improvisos tipicamente brasileiros. Pois é, parece que nossa amiga, a porca, deu uma torcidinha no rabo. Sabe aquela hora extra que nunca aconteceu e, vejam só!, foi até tantas horas da manhã? Ou o pessoal do trabalho, que sempre brigou, mas achou por bem fazer happy hour em plena sexta feira. Sem contar um Congresso disso ou daquilo... Não, não fique paranóica. Tudo isso pode mesmo ser verdade. Por isso é preciso fazer a tal conta para SOMAR os fatos. Sintomas isolados não valem nada. Sintomas somados assustam um pouquinho. Todos os sintomas juntos são dignos da atenção de um especialista e merecem dois olhos muito bem abertos.

Historinhas (BEM) Estranhas
O povo gosta de uma fofoca e, quando pode, quer mais é ver o circo pegar fogo. Sabemos disso. Fofoquinhas isoladas, convenhamos, não valem um tostão furado. Mas quando elas vêm acompanhadas de TODO esse repertório já comentado, é para gelar os ossos. Sobretudo quando feitas por alguma pessoa que DEFINITIVAMENTE NÃO É DISSO, e já começa cheeeeeeeeeia das ressalvas.

Desculpas Esfarrapadas Sucessivas
Toda história estranha vem acompanhada de uma desculpa. Ela pode ser simples, direta e objetiva (é aquela que sempre se espera), ou pode ser estapafúrdia, desconexa, surreal e esfarrapada (a que enterra o caboclo). O ouvido sentimental humano é treinado para acatar esse tipo de coisa, na base do "ah, tudo bem". Uma vez, duas, três. Lá pela terceira, claro, a casa cai. Sobretudo quando tem mais gente sabendo.

Muitas vezes o camarada faz a bobagem, não tem para onde correr e o pouco que lhe resta de hombridade é simplesmente confessar, agir como alguém adulto e conversar feito gente. Mas, não!, nega até o fim, naquela coisa de gente velha, como "ensinou" Nelson Rodrigues.

Dá no que dá e rola o famoso papelão.

Importante: As Gafes do "Sexto Sentido"
Mulheres acreditam DEMAIS em slides de PowerPoint, bem como também dão ouvidos a videntes e levam a sério toda sorte (sorte?) de sandices divinatórias (a astrologia é um bom exemplo). Não é de graça que acreditam nessa imbecilidade chamada "sexto sentido" ou "intuição feminina".

Aliás, mulheres levantam da cadeira quando alguém diz que elas são burras - e com razão, pois não são burras. Mas ao mesmo tempo praticamente todas dizem numa boa que têm "intuição" (ou seja, são praticamente X-Women, com poderes mutantes). Não aceitam a diminuição, mas ao mesmo tempo não vêem problemas quando se qualificam assim - o que equivale a chamar os homens de "hipossuficientes cognitivos".

Mas, enfim, a tal intuição não existe. Se existisse, elas não iriam para as mulheres que lêem mão, jogam búzios, tarô, cartas, evidência em água etc. Bastaria, sei lá, colocar os dedos na testa e intuir, né? Mas, não, não conseguem. Só depois que a caca acontece é que falam "ah, eu sabia!".

Aí é fácil, né?

ps - Se você, leitora, chegou até aqui, não sei se merece uma medalha ou um tapinha na nuca... Afinal, caso ele traia, você o perdoará, mesmo... ;)


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AMIZADE ENTRE HOMEM E MULHER
OS PIORES EX-NAMORADOS DO MUNDO

transubstanciado por gravata às 09.12.08 | 66 comentários

07/12/2008

NOTICULAS PORTENHAS

(antes de tudo, peco desculpas pela falta de acentuação e cedilhas na maioria das palavras que precisariam disso, pois o computador que uso e um mackbook pro xpto fodao e ele não tem disso – o que consigo por aqui e a correção do word)

* * *

Cemitério
Eu achei horrível o passeio pelo cemitério da Recoleta (ou Ricoleta?). Não que eu seja religioso. Não, não sou. Mas quem esta la, presumo – e ate mesmo pela antiguidade de alguns túmulos, não imaginava que se tornaria uma atração turística. O pessoal faz pose, tira fotos, conta piadas etc. Algo totalmente ridículo. Uma falta de respeito com quem pensou num ‘repouso eterno’. Os donos do cemitério deveriam ter vergonha disso.

(e a falta de privacidade faz parecer aquela bizarrice de venderem livros entregando o conteúdo da correspondência entre determinados autores... editoras e familiares faturam as custas da violação da privacidade ou mesmo da intimidade alheia...)

Ah! O tumulo da Evita e uma bela merda, tal qual a historia do peronismo.

* * *

Comidas/Bebidas
Aqui, come-se e bebe-se bem pra caramba, e a preço de banana. Um pouco por conta do cambio, outro pouco por causa das especialidades locais. Um tal de cordeiro patagonico custa uma ninharia – algo que, no Brasil, custaria uma fabula. Cervejas (em razão do cambio) e vinhos (pela região) também são baratissimos.

* * *

Roupas
Não recomenda-se a cidade para eletrônicos, mas em compensação trata-se de um paraíso para as compras de roupas – tanto especialidades locais (couro, lãs etc), como também marcas européias e americanas (decorrentes de uma época que não volta mais...). Preços muito menores que os brasileiros, cambio favorecendo etc. Festança no arraial, brasileirada comprando a rodo.

* * *

Dicas
Como Buenos Aires se tornou um passeio barato, algo como a ‘Porto Seguro dos tempos atuais’, todo mundo tem alguma dica. Isso, claro, da nos nervos. O ‘Esquadrao CVC-Gol fica enchendo o saquinho com dicas e mais dicas e mais dicas, bem como a Patrulha-do-Alfajor. Chega uma hora que irrita, viu? Aquela coisa de ‘ei, fuja dos shows para turistas, tente ir para uma milonga local’ ou ‘tem uma feirinha linda em tal lugar’ ou mesmo ‘nao perca o passeio XYZ’. Avemaria!

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Simpatia
No Brasil, os garçons são mais simpáticos, mas as vezes fazem gambiarras nas contas. Aqui, não ha essa coisa de querer ser seu melhor amigo, mas também não te sacaneiam colocando coisas a mais nem nada do gênero. Ótimo que seja assim. Odeio garçom idiota que se faz de amigo e depois da golpe na conta.

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Pessoas Bonitas
Sim, são. Homens e mulheres muito bonitos. Para quem conhece a Itália, com exceção desses meninos ‘emo’ aqui da Argentina, que deixam o cabelo no estilo ‘mullet com sebo’, e alguns com cara de Infantaria Inca, ha uns muito bonitos mesmo – e a Dri e a Gêmula que estão comigo ficam delirando. As mocas também propiciam momentos de muita alegria – exceto umas e outras. Mas, no quesito mulher, temos BH que não fica atrás.

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Musica
Como todo lugar em que não houve miscigenação negra, a Argentina tem uma musica horrível. Os ingleses, pelo menos, souberam fazer uma coisa legal. Aqui, sempre houve – e ha – uma resistência gigante em relação a isso. Deu no que deu. Quando colocam os ‘ritmos locais’ e para sair correndo. Da ate medo.

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Feirinhas
A feira de San (Pedro) Telmo tem as mesmas barracas que a da Recoleta. São exatamente os mesmos badulaques, talvez com a diferença de que, nesta ultima, uma senhora velha joga búzios para adivinhar nosso futuro.

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Puerto Madero
O passeio por Puerto Madero e lindo. Gostaria de ter ido ao cassino flutuante, o que foi prejudicado por conta de umas questões paralelas. De todo modo, fica registrado que tambem gostei dos bares de Palermo e San Telmo.

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Mortas Vivas
Cultivam senhoras velhas como se fossem mocas em Buenos Aires, tudo a base de plástica e alguns cosméticos. E engracadissimo. Depois que vi duas ou três delas passando por mim, ficou explicado o porque daqueles túmulos arrombados no cemitério que visitamos.

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Moraria aqui?
Esta e uma daquelas cidades em que todos dizem que morariam, mas poucos pensam na parte mais obvia, que consiste basicamente num trabalho. Salvador e assim. Muita gente sai de la pensando “eu moraria aqui”. Jura? E trabalharia no que? Porque as opções portenhas, para quem ganha em ‘pesos’, convenhamos, são reduzidíssimas. E, com curso superior brasileiro, então... Mas e aquele momento poético irresponsável, a caminho do aeroporto, ne? Não tem problema...

* * *

Ecumenismo Político
Uma mesma pessoa, sem qualquer constrangimento, vai ate a Praça de Maio, depois tira foto do tumulo de um general da ditadura do Videla, dai vai ate um shopping center com as marcas mais caras, então vai a um show de rua, depois disso posa para um retrato em um monumento pago pela ‘Lockheed’ (faz jatos e mísseis) etc. Trata-se do mais puro ecumenismo político de que já tive noticia. Genial! Trabalhismo e neoliberalismo de mãos dadas. Como os ingleses que dançam ouvindo nossos atabaques e depois querem saber mais sobre a cultura opressora dos negros.

* * *

Comprei tênis (pra mim e pro draguinha) e alfajores (pra geral) Não me deslumbro com terras estrangeiras, nem com minha própria cidade. Mas isso – eu sei – e um defeito meu. Evito contar para os outros, embora o esteja fazendo neste momento.

Evamoquevamo.

(sem a menor possibilidade de revisão)

* * *

Ahhhhh..

E CHUPA!!!!!!!!!! E AGORA? CHUPA! GREMIOZINHO AMARELÃO, PALMEIRAS, FRAMENGUINHO... HEIN? A UNICA PENA É O CRUZEIRO, PORQUE EU GOSTO DO TIME, E O REBAIXAMENTO DO VASCO, QUE EU RESPEITO, O RESTO NEM LIGO... FICA TUDO SECANDO. SÃO PAULO É O MAIOR TIME DO BRASIL.


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transubstanciado por gravata às 07.12.08 | 30 comentários

04/12/2008

GRAVATA RESPONDE: DÚVIDAS FEMININAS - 011

Eis a décima primeira etapa do glorioso "Gravata Responde", cujo destaque da semana é o "COMO CONVENCER MEU MARIDO A FAZER SWING?". Mas, sem dúvida, há outras também interessantes. No mais, em razão do adiantado da hora, não pude editar as perguntas, de modo que as perguntas estão publicadas da forma como as recebi (apenas cortei eventuais palavrões e afins, mas não tive como fazer grandes correções lingüísticas etc. - mas ninguém vai pegar no pé desse tipo de coisa, né?...).

A ver:

* * * * * * * * * *

"Tenho 33 anos, estou casada pela 4º vez, tenho 1 filha de 6 anos do 3º casamento. Enfim, com o meu atual marido (4º) , ele me despertou pra mil e uma coisas na cama, só q esta passando dos limites de 4 paredes, e quero ir em casa de swing, transar com mulher, transar com dois caras... E depois q ele me despertou, ele me trava...o q faço, realizo minhas fantasias sem ele, tento convence-lo a fazer o q quero ou abafo tudo e continuo ali em 4 paredes , DVDs pornos e masturbação???"

Muitas vezes os homens fantasiam e guardam a loucura para um plano fora da realidade. Não conseguem arcar com o ônus, enfim, não seguram o tranco ou, como dizem, não dão conta. Você, pelo visto, foi estimulada e, agora, quer pagar para ver.

Faço duas perguntas simples, e você precisa refletir com sinceridade: a) você REALMENTE quer ou também está empolgada a ponto de ACHAR que quer?; e b) você acha que seria legal convencê-lo ou ele poderia topar apenas para agradá-la?

Claro que todos temos fantasias e, às vezes, algumas delas não são tão facilmente realizáveis. Nesses casos, nem sempre temos condições de sair por aí, na primeira oportunidade, para saciar a bagaça. Convém refletir.

Não quero também bancar o conservador. Sou, sim, a favor do sarrafo generalizado, sobretudo quando ele vem de um estímulo propiciado por ambas as partes - mas refugado por uma delas na hora "h". Mas seria leviano não tratar desses dois tópicos de reflexão.

Claro que masturbação e DVD pornô não resolve nada, e só adia o problema. Conversa com ele, diga que você está realmente a fim. Uma opção - que também é paliativa - é o uso de consolos. Você, ele e alguns consolos, para simular duplas penetrações e outras brincadeiras.

No mais, se você realmente precisar viver isso, sinceramente, que viva. Você é adulta, madura, já teve quatro casamentos e seria pra lá de ridículo eu bancar o conselheiro. Estou aqui talvez mais dando dicas às outras do que a você.

E boa sorte.

* * * * * * * * * *

"Vou resumir bem: Como posso m aproximar de alguém, sem demonstrar q estou loucamente apaixonada (eu acho)!! E depois como ter certeza q ele caiu na rede! *detalhe: q tu acha de mandar cantada pelo orkut? Espero tua resposta!! Agradeço desde já!!Bj!!"

Eu não acho que seja ruim mandar cantada pelo Orkut - mas, falando por mim, eu jamais faria isso, pois sou um fiasco nas cantadas. Não consigo obter êxito nisso, não tem jeito.

O problema aí é outro: que negócio é esse de se aproximar "sem demonstrar paixão"? Qual o medo? Por que raios, hoje em dia, as pessoas têm medo disso? Por que tudo virou um jogo?

Sim, eu sei, é esse o teatro. E entendo seus medos, não sou nenhum idiota. Sei que, se ele descobre, te faz de idiota. Então sei que é necessário fazer jogo duro - e ele, por outro lado, fará também jogo duro, e assim por diante.

O mundo da conquista e do prazer virou um xadrez, virou uma coisa besta, boba, chata e completamente idiota. Um engana o outro, o outro engana o um. Ou melhor: ambos fingem que se enganam, pois todos sabem claramente o que se passa. È ridículo.

Meu conselho? Mande uma mensagem impessoal, seja sucinta, objetiva, não cobre resposta e, na hora da réplica (ou seja, ao "responder a resposta", mantenha o ar lacônico). É isso que determina a regra teatral dessa estratégia.

Mas eu não faço assim, não. Se eu quero, simplesmente vou atrás e falo, sei lá, converso e pronto. Depois, se der errado, paciência. Melhor do que transformar o mundo num tabuleiro de RPG, War ou coisa que o valha.

A vida é uma só. Viva de verdade.

* * * * * * * * * *

"Sei que vou ser esculachada, mas juro que não tô nem aí, pois já perdi mesmo a vergonha. Há 4 anos conheci um garoto na faculdade e digo garoto porque tenho 39 e ele tem 23 e me apaixonei mas notei seu interesse também. Um dia rolou beijo e ele veio reclamar que agente era amigo.Só que isso se repetiu e basta um vacilo e agente tá transando.Ele já chegou a falar em casa e eu quase morri de susto. Quando rola outra pessoa, agente põe defeito em tudo. Agente não se desgruda. Fim de semana, nas folgas, férias... Eu sou doida por ele e agente se dá muito bem, mas eu não quero casar com ele... Propus que "ficássemos" sem compromisso e ele não aceitou, disse que só queria se fosse sério. Bom, você deve tá me achando louca, mas eu tô sofrendo mesmo. Tenho medo que logo apareça alguém prá ele e pronto.Só queria saber sua opinião. Beijos."

Sim, quando você diz "garoto" é porque ele tem idade para ser seu neto. E ele tem interesse porque ainda está naquela fase de suar a camisa para conseguir uma foda e, contigo, conseguiu sem maiores dificuldades. Esses são os fatos.

Você sabia que seria esculachada, então taí.

É possível, sim, que ele esteja apaixonado. A depender de como tenha sido a vida desse menino (porque é, de fato, um menino), talvez seja a primeira relação sentimental/sexual regular que ele vive. Pra você, isso já é algo banal, para ele, é a novidade das novidades. Ele está deslumbrado, você está normal.

Não acho "errado" de sua parte e estou longe de entrar nessa bobagem de questionar as relações entre pessoas de idades diferentes. Mas, é claro, é preciso saber analisar os contextos aí. Para ele, muito provavelmente, essa vida é um novo universo.

Entenda, por favor: não quero parecer pessimista, mas é possível que não seja uma 'paixão' por você, mas sim pela situação. É um garoto convivendo pela primeira vez com uma relação de sexo à vontade. Pense a respeito.

* * * * * * * * * *

"Tenho 26 anos e transo com um cara de 45: Só que ultimamente ele não me procura, e nem liga e não responde quando eu ligo, mas quando o procuro pessoalmente, está mais excitado ainda e me diz que adora que eu vá atrás dele, que isso o excita muito! Minha pergunta: será que realmente isto o excita, ou ele não está com coragem de dizer que não quer mais?"

Sim, parece que ele está com medinho de terminar, ao mesmo tempo em que é muito cômodo ter a 'menininha' no "sexo delivery" - quem não queria, não é mesmo? Um quarentão, numa boa, com a menininha batendo na porta de casa dizendo "me come?" e tudo mais?

Você está fazendo um papelão daqueles, moça, acredite... É claro que isso deve dar "tesão" nele, assim como daria em qualquer caboclo. O fato disso excitá-lo, porém, não exclui a hipótese dele estar com medo de terminar tudo.

OU então, diante da EXTREMA COMODIDADE, talvez ele não queira terminar. São visitas regulares? Você vai lá de quinze em quinze dias, uma vez por semana, algo assim? Porra, ele só termina se for muito besta! Afinal, você tá fácil demais!

* * * * * * * * * *

"Oi Gravata! Bem, a questão é a seguinte: Estou saindo com um cara há três meses. A atitude dele deixa claro que rola uma química sexual muito boa entre nós mas que é apenas isso. Quando um homem só quer sexo, isso quer dizer que não existe possibilidade de que ele desenvolva afeto pela mulher?"

Como é isso? Gostaria MUITO, mas MUUUUUUUUUUUITO de saber que raio de sexo vocês fazem que há tanta química e, ao mesmo tempo, NÃO HÁ AFETO!!! Como é possível? Juro, agora fiquei curioso...

Porque entenderia perfeitamente ele não querer compromisso, ou uma relação séria, ou qualquer coisa do tipo. Mas falar na inexistência de "afeto" é uma coisa pra lá de estranha...

De todo modo, para não ficar apenas na evasiva, vou supor que você tenha tentado dizer que é uma fuga de compromisso (não sei se é isso, mas costuma ser um padrão masculino pra lá de clássico). Nesse caso, às vezes acontece, mesmo.

Eu não sou assim, mas não posso responder pela maioria dos homens e, muito infelizmente, a "grande maioria" costuma me fazer passar vergonha. Uma delas é esse negócio de dividir o mundo em "mulher pra comer" e "mulher pra namorar" (geralmente quem faz isso é o homem que as mulheres dividem em "homem pra ser corneado" e "homem pra não ser corneado" - ficando por óbvio no primeiro grupo).

* * * * * * * * * *

"Me encantei com um moço que mora em uma cidade que fica a 2 horas e meia de distância da minha. Fui até lá uma vez mas só conversamos. Um mês depois, resolvi voltar, mas meu carro quebrou na estrada. Depois, vários outros desencontros e nenhum encontro. Quando achei que ia rolar, porque ele estava em férias, um baldão de água fria: ele diz que está "quase" namorando e, como eu "não deixei claro" meu interesse, ele desanimou. Claro que é mentira. Claro que ele encontrou outra melhor do que eu (e provavelmente mais perto). Mas fiquei chocada com o fato de ter que arcar com a "culpa". Afinal, onde foi que eu errei?"

Ué, você não errou. Perder um homem não significa "errar". Quando você termina uma relação com um cara significa que ele "errou"? Quando alguma amiga sua o faz, por exemplo, significa que o cara "errou"? O mesmo raciocínio vale para quando algo não dá certo.

Não tem nada a ver com erro.

E estou aqui trabalhando com a PIOR hipótese, hein? Porque pode muito bem não ter acontecido nada disso. Ele pode ter conhecido alguém, nesse tempo todo em que ficaram sem se ver e, claro, rolou paixão. Isso acontece, ué. Paciência.

As pessoas muitas vezes tendem a construir umas histórias muito elaboradas e depois querem que tudo se encaixe no enredo fictício. É bem provável que você tenha construído algo assim. Note, aliás, que já comecei pela PIOR hipótese, para mostrar que até naquele caso você não teria "culpa" nem seria o caso de ter feito algo "errado".

Bola pra frente, moça! É um chavão, e é certíssimo.

* * * * * * * * * *

"Terminei um namoro de 2 anos (por vontade dele). Hoje, temos aquela relação: ainda não encontramos nada melhor e nos vemos de vez em quando, terminando na cama. Ele me liga sempre, fala que ainda me ama... Já não sinto mais o mesmo, mas não quero abrir mão do sexo e da companhia sempre disponível (OK, gosto do sexo e da companhia, mas não quero voltar. Assim como sei que ele só terminou porque queria outras mulheres, agora eu também quero um pouco de liberdade.). Então: continuo enrolando a nós dois ou termino? De qualquer forma, parece que a coisa vai acabar desandando! Beijos!"

Ué, se está bom para você, continue. Mas, seja sincera... Você tem saído aos sábados? Tem procurado companhia? Tem conversado com mais gente? Ou, na verdade, já está bem acomodada, ciente de que tem essa companhia garantida, e até entra naquele joguinho de ciúme?

Pois é...

Uma coisa é o "não tem tu, vai tu mesmo", ou a "recaidinha eventual". Outra, bem diferente - e parece ser esse o caso -, é o "namoro-que-continua-sem-dizer-o-nome".

Mantenho o conselho: se está bom, vai fundo.

De todo modo, nunca vi alguém mandar pergunta pra "coluna de perguntas e respostas" quando algo vai bem, né? Você parece querer uma definição. Inclusive usa o verbo "terminar" (se não é namoro, por que raios usa esse verbo?).

Conversa com ele, defina isso. Se não for o caso, continue, aproveite, viva o que é bom nessa bagunça, mas não deixe de abrir os olhos para o que acontece no seu mundo.

* * * * * * * * * *

"Existe a possibilidade de um cara que é o maior galinha da paróquia sossegar? Tem um que diz estar apaixonado por mim, quer namorar sério. Ele diz que já aproveitou o que tinha que aproveitar. Porém, ele sai todos os dias, e quando eu não topo, ele sai com as amigas (sendo que são umas cinco, e ele mesmo disse que já pegou todas, há muito tempo). Enfim, minha intuição diz que é roubada, tô certa? Muito obrigada, Abraços."

Sim, existe. É ridículo eu dizer que não. Porque o mundo das possibilidades é praticamente infinito. Veja, por exemplo, a física quântica. Você ficaria besta ao descobrir cada hipótese que nos apresentam dia após dia.

É tudo tão fantástico que uma pergunta dessas, envolvendo o "maior galinha da paróquia", na boa, chega a parecer coisa besta.

Convém, no entanto, ficar com um pé atrás. Ou melhor: os dois. E os olhos bem abertos. BEM abertos. Mas dê uma chance, ué. Boa sorte.

* * * * * * * * * *

"Aparentemente ele gosta de mim, mas perdeu o interesse sexual (depois de uma viagem) e eu não... será q ele está me traindo? O que eu faço? Tenho q ficar na mão(literalmente)? Ou procuro outro (pq na mão não tem tanta graça? rs)"

Que raio de viagem foi essa? E quanto tempo demorou? O que aconteceu com você nesse período? Pode ser que tenha outra, pode ser que ele tenha mudado de sexo, pode ser que ele tenha parado de produzir alguns hormônios...

Sei que, nesse pé, você logo mais contrairá tendinite ou algum outro tipo de LER, né? Procurar outro não resolve pra sempre, apenas dá aquela sossegada momentânea.

Meu conselho é o mais óbvio do planeta: CONVERSA COM ELE. Adultos costumam fazer isso. Fale numa boa, use uma abordagem moderada, de preferência sem essa menção sobre as mãos, e tente descobrir o que houve nesse misterioso safári em que os bichos selvagens talvez usaram como alimento algo fora de seu cardápio natural.

* * * * * * * * * *

"Gravata, estou numa duvida cruel. Conheci com um rapaz e estou super atraída por ele, mas é só isso, só atração mesmo, puro e simples desejo. Estou só no momento, mas quero um tempo sem compromisso, queria um envolvimento sem cobranças, só prazer. Mas não gostaria de dizer isso assim, na lata, até mesmo porque tenho medo dele me tratar como uma vadia, coisa que não sou. Como vcs homens encaram isso? Me ajuda, tá?"

É fato que as coisas têm mudado e, hoje, o quadro é outro. Anos atrás, você seria fatalmente chamada de vagabunda. Hoje, talvez não. A molecada já não está mais tão bocó - embora haja, sim, essa turma.

Mas você também não precisa agir SEMPRE em função disso, né? O que você quer é curtir, transar, sair, aproveitar... Então, caramba, qual o problema? Há alguma chance dele agir dessa forma?

Dou apenas um conselho: comece a pensar melhor com que quais homens (ou moleques?) você partirá para essas brincadeirinhas de taras e conquistas - embora, claro, não haja muita saída quando falamos de desejo.

E, se é desejo, é bobagem também falar em privação. Viva. Não existe outro conselho.

* * * * * * * * * *

"Afinal de contas, os homens dos dias atuais preferem tomar a iniciativa ou preferem garotas com iniciativa? E... por quê?"

Já pensou que legal seria se eu soubesse a opinião dos "homens dos dias atuais"? E que ÓTIMO se ainda por cima tivesse o "porquê" da resposta? Não digo que ficaria rico, porque sou perdulário demais para juntar grana, mas seguramente compraria várias tranqueiras e faria umas viagens bem legais.

Não sei as respostas, mocinha, embora ficasse tentadíssimo a inventar alguma coisa aqui apenas para dar risada, algo como "os homens atuais preferem mulheres que façam performances com malabares, porque há toda uma carga circense de conquista teatral".

Não, não há uma regra. Ou melhor, há sim: seja você. Nem sempre "dá certo", no sentido dos resultados positivos, mas é infalível quanto à originalidade ;)

* * * * * * * * * *

"Oi, Gravata, acho teu blog super educativo, rsrsrs. Vamoquevamo: tem um cara beeem mais velho que eu me cercando há quase um ano, trabalhamos na mesma empresa. O tempo todo me cobre de gentilezas, fez festa surpresa de aniversário pra mim, presentinhos toda hora etc. É separado há tempos. Há alguns meses saio com ele, não rola nem selinho, só umas cantadas de leve, mas não dou bola, porque trabalhamos juntos, apesar dele ser muito atraente. E também porque sou gata escaldada. Vamos a teatro, cinema e restaurantes superlegais. Fui na casa de praia dele, me apresentou a todos os amigos de lá. Anda de mãos dadas comigo (perto da casa dele), tem um papo bom, é divertido, temos coisas em comum e tal. Minhas amigas acham que eu devia dar uma chance, que ele quer namorar sério. Eu acho que ele só quer me comer. E você, o que acha? Obrigada, beijos."

Ele é seguramente um idiota.

* * * * * * * * * *

"Olá Gravata, é o seguinte. Sou casada a 2 anos com um homem maravilhoso (minha alma gêmea), no entanto eu não paro de pensar em um ex namorado meu de 10 anos atrás. Tivemos um relacionamento conturbadissímo com traições, brigas e escandalos durante uns 5 anos. Meses atras ele me achou no msn e fala que me ama ainda, que não me esqueceu e que pensa muito em mim. Eu falo que o que tivemos não tem como voltar e que eu hoje sou uma outra pessoa. Mais Gravata, eu não paro de pensar do dito cujo. Tenho sofrido muito com tudo isso e meu marido já esta até percebendo que eu to mais triste. Sigo minha cabeça ou meu coração?"

Não, ele não é sua alma gêmea. Exagerando e sendo pra lá de bonzinho, ele é sua alma prima de segundo grau ou, vá lá, agregada ou irmã de criação. Porque, cacetada!, você logo no embalo que não pára de pensar em um ex namorado de DEZ ANOS ATRÁS!

Almas trigêmeas? Clonagem de almas?

O foda é que vocês andam ouvindo muita música ou vendo telenovela, de modo que encaixam esses raciocínios triangulares com explicações pseudo-biológicas. Essa separação de "cabeça" com "coração" é de lascar a manona, né?

"Racionalmente", você acha correto ficar com seu marido; emocional, sentimental e sexualmente, você quer o cara de DEZ anos atrás. E manda um email para mim, meio que "passando a bucha".

Não, não seguro seu rojão. Vai que é sua, Taffarel!

Não tenho como tomar decisões por você. O que faço é clarear o quadro. A decisão é você que toma. Você já trouxe o quadro bem clarinho, e apenas tentou se desonerar da decisão, porque sabe que não é nada fácil.

E eu também sei que não é. A vida às vezes não é fácil - aliás, quase nunca. Mas não posso te ajudar. Se escolher o marido, trate de bloquear e excluir o ex da antiga. Se escolher o ex, jogue limpo com o marido. São os conselhos óbvios.

O resto é contigo.

* * * * * * * * * *

Esta coluna, feita em parceria com o canal Delas, do iG, é publicada todas as quintas-feiras e, para participar, basta mandar um email para gravataresponde@gmail.com - obviamente, sua identidade será preservada, nenhum nome será mencionado e você jamais será cantada, convidada para sair ou algo do tipo. E nem adianta insistir. Humpf! :)

(e, claro, sem revisão...)


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transubstanciado por gravata às 04.12.08 | 28 comentários

03/12/2008

JUDIAÇÃO, DENEGRIR... A NOVILÍNGUA POLITICAMENTE CORRETA E ESTUPIDAMENTE IDIOTA

A filosofia, que consiste basicamente no estudo do pensamento e na história do pensamento, tem como um dos pontos fundamentais o respeito à linguagem, à comunicação, a compreensão de sinais etc. Para explicar um fato, por exemplo, é preciso saber definir com precisão todos os elementos que nele atuam e dele participam.

Não é por outro motivo que, no livro 1984, George Orwell criou a "novilíngua", um idioma no qual uma série de termos eram suprimidos, de modo que a população do regime totalitário não conseguia nem mesmo compreender o conceito de algumas coisas, como "liberdade", "debate" e afins (*). Algo parecido acontece nas produções da Disney, já que deus, diabo e outros termos são cortados, para – eles dizem – preservar o caráter exclusivamente lúdico dos filmes.

Tergiversei o quanto pude, arrotei o que foi permitido de meu pseudoconhecimento aliado a uma retórica meia boca (muito eficiente para confundir o interlocutor menos hábil), mas chegou a hora e a vez do tema central: passamos do limite do "politicamente correto" e já estamos há muito tempo na circunscrição do vexame puro e simples. Ao menos no que diz respeito à linguagem.

Explico.

Se não me engano, começou com "judiação". A palavra, derivada do verbo "judiar", foi proibida lá pelas tantas, não me lembro quando, sob protestos da comunidade judaica. Nem sei, pra ser franco, se houve mesmo esse protesto, mas me lembro de professores do segundo grau dando orientações expressas para que a evitássemos.

Tenho certeza de que ninguém usa essa palavra para exercer o anti-semitismo. Lupicínio Rodrigues, por exemplo, ao compor Judiaria, não pensava em protestar diante de uma sinagoga. Mas, vejam só, a palavra foi vetada. Não está na Novilíngua Politicamente Correta.

Juntou-se a ela o "denegrir" e suas variações: "a coisa está preta", "o lado negro" etc. Qualquer tipo de associação desse gênero é automaticamente caracterizada como manifestação racista, discriminatória e preconceituosa.

Aliás, assusta o número de pessoas que não sabem a diferença entre "discriminação" e "preconceito". Discriminar é separar, preconceito é quando temos uma convicção mesmo sem conhecer o objeto de nossa opinião.

Um preconceito pode não ser racial ("fulano odeia batata, mas nunca comeu batata"), embora seja sempre idiota ter certeza daquilo que não se sabe. Mas há discriminações que são efetivamente boas e benéficas. A idéia de "separar o joio do trigo", por exemplo, é nada menos que o exercício da discriminação: separa-se o que é bom do que é ruim.

A discriminação racial é que é ruim, pois ela usa como premissa a idéia esdrúxula de que a cor da pele, o tipo do cabelo, o formato dos olhos ou qualquer característica fenotípica sirva de critério para estipular supremacia qualitativa de um grupo sobre o outro – inclusive intelectual.

E há, sim, a discriminação em função da cor da pele aqui no Brasil. Dizer "não somos racistas" é pura bobagem. Somos sim. Há racismo sim. A coisa pega, e pega pra valer. Mas não é proibindo a palavra "denegrir" que se constrói uma sociedade mais igualitária. Muito menos vetando o uso de "a coisa tá preta".

Aliás, por falar em ignorância, talvez os negros militantes e os judeus que policiam o uso de "judiar" não saibam, mas a palavra "escravo" vem de "eslavo". Vão continuar usando, mesmo assim? Afinal, os eslavos são o povo do leste europeu, e não faz sentido que uma palavra tão ruim – seguindo, assim, a lógica que eles adotam – seja associada a um grupo étnico.

Ou vocês achavam que viesse do latim "escravum"?

Aproveitando o embalo, vamos acabar de uma vez com essa coisa de "deu branco". É uma tremenda falta de respeito com os anglo-saxões, arianos em geral e, por que não dizer, albinos e até mesmo o glorioso lateral esquerdo da seleção tetracampeã (que substituiu Leonardo e fez aquele gol firmeza de falta contra a Holanda).

É justo associar aos de pele clara algo tão terrível quanto o esquecimento, o vazio da mente, o vácuo da memória, o zero do pensamento, a falha do raciocínio? Seguramente não. Se é para ser rigoroso com essa patifaria lingüística, que se vá às últimas conseqüências.

Por isso, pus ali ao lado um selinho. Era para ser uma "campanha", mas tenho feito tantas que já deu no saco, né? Quem quiser usa, sei lá, façam como bem entender. Mas essa coisa de policiar a linguagem já deu no saco e o politicamente correto se tornou, de forma inequívoca, algo estupidamente idiota.

Sim, a linguagem é importante para a filosofia, para o pensamento e também para a psicanálise etc. Mas esse cerco imbecil às palavras não passa de patrulhamento mocorongo.

(Ainda posso escrever "mocorongo", né?)

(*) - meu amiguirmão Persega, em explicação rápida pelo MSN (sim, há algumas pessoas que lêem esses textos antes, para dar uns toques...), falou mais sobre a “novilíngua”, e eu realmente havia esquecido de algo importantíssimo: uma palavra às vezes acabava significando seu contrário.

Revisão: Hellen Guareschi

* * *

Abaixo, o selinho discreto:

Tá na lateral do blog, também.


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transubstanciado por gravata às 03.12.08 | 29 comentários

02/12/2008

CAPITU: A TRAIÇÃO É RELEVANTE?

UM TRATADO (AVE!) EM DEFESA DA PERSONAGEM MAIS INJUSTIÇADA DA LITERATURA BRASILEIRA

O brasileiro é tão miseravelmente desprezível que até na literatura – quando se mete a estudá-la ou debatê-la – põe-se a tratar das questiúnculas de somenos importância. Dom Casmurro, por exemplo, um livro de grandiosidade inquestionável, é reduzido à pequenez de um quadro do Programa do Ratinho. Mais um pouco e pedem exame de DNA.

Sigamos...

O livro é narrado pela ótica masculina, de Bentinho, o narrador obsessivo magistralmente construído por Machado de Assis. Toda a história, portanto, não é isenta. É a visão subvertida de um sujeito perturbado, uma primeira pessoa pra lá de biruta. Um paciente e tanto para Simão Bacamarte.

Mas é o seguinte: vamos falar bobagens sobre Dom Casmurro? Então, em primeiro lugar, sejamos justos com as moças e livremos a cara da moça.

Levantar hipóteses doidas sobre a traição – ou não – de Capitu é um assunto muito bocó perto de tantas outras picuinhas que poderiam ser exploradas.

* * *

Bentinho Era Gay?
Sejamos bem honestos: Bentinho não tinha pinta de quem montava na lambreta. A obsessão pelo Escobar faz o amor por Capitu parecer secundário. Ele chega a projetar a imagem do amigo-amado no próprio filho (aliás, o filho tem o o NOME do amigo)!

Pela época, seria um escândalo Machado de Assis criar um romance homoerótico, mas sua genialidade pode ter embutido essa idéia no conteúdo do romance, não? E, se o fez, não foi de forma sutil. Porque não faltam indícios: do seminário à amizade unha-e-carne, da obsessão à imagem vista no próprio filho.

Ou ele tinha um tesão absurdo por Escobar, ou então esqueceram de avisá-lo sobre isso. Capitu, sejamos francos, é a última culpada por aí.

Bentinho Traía Capitu?
Passemos à outra vertente, supondo agora – e a contragosto – que Bentinho gostasse da fruta. Esse negócio de homem MUITO ciumento, como todos sabemos, é um caso bem clássico. Todo obsessivo ciumento é um Mandrake em potencial.

A coitada da Capitu não fez foi nada, mas o Bentinho, pilantra que só ele, e ciente da própria pilantragem, projeta na esposa seus vícios, a ponto de, em dado momento, suplantar as virtudes da moça, consumindo-se a si mesmo nessa loucura toda.

Toda mulher que já namorou um doidão ciumento sabe como é isso. Todo homem que já namorou uma doidona ciumenta sabe como é isso. E, infelizmente, muitas vezes os doidões ciumentos são, eles próprios, pessoas bem pouco confiáveis e extremamente carentes – o que as tornam volúveis e passíveis de sucumbir a qualquer lero-lero.

Resumindo: se não era afim de Escobar, Bentinho era um desses doidões ciumentos extremamente carentes, que são ao mesmo tempo bravos, inseguros e, nas horas vagas, sedutores (para elevar a auto-estima).

Capitu Tinha Outros?
Com um marido como o pangaré do Bentinho, Capitu seguramente sentia falta de homem. E, por homem, naquelas circunstâncias, qualquer coisa estaria valendo. Desde clássicos do anedotário da corneada: leiteiro, padeiro, açougueiro e, se fosse a época, instalador da TV a cabo, até vizinhos, amigos, parentes, sacristãos e quem viesse pela frente.

Pode até ser que ela resolvesse sacanear o palerma do marido com o melhor amigo, mas Escobar era outro bocó. Leiam o livro. Seria quase como trocar seis por meia dúzia. Dois ex-seminaristas bundas-moles que falam bobagens e fazem gracinha sem graça. Trocar o idiota do Bentinho pelo patife do Escobar é inócuo.

Se ela quisesse mesmo botar fogo no coreto – e talvez quisesse –, sairia com gente mais interessante. Bentinho, como bom corno, nunca saberia. O narrador, portanto, não teria essa informação. Ele suspeita de Escobar, o que torna o dito cujo o mais improvável dos "culpados".

Podem apostar.

* * *

CAPITU e MIL CASMURROS
Aproveito esse tema para divulgar o Projeto Mil Casmurros - a iniciativa mais genial dos últimos tempos, e acho que de todos os tempos, não?, pelo menos no que diz respeito ao uso da Internet para veicular o anúncio de uma minissérie.

A Globo vai transmitir Capitu, agora em dezembro, e a emissora lançou o site Mil Casmurros, concebido pela agência LiveAD, no qual praticamente todos os 'interneteiros' descolados já puseram seus videozinhos.

Querem saber? Gostei do título da minissérie. Talvez a abordagem seja mais humana e menos obsessiva, doida e amalucada. Os puristas vão berrar – alguns com certa razão, sei disso. Mas será uma forma de fazer justiça com a Capitu.

Porque ela não traiu Bentinho e, se traiu, ele merecia. Simples assim. E, de mais a mais, é ridículo que o livro Dom Casmurro permaneça restrito à bobagem do "Capitu traiu ou não traiu Bentinho".

Evamoquevamo!

Revisão: Hellen Guareschi


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transubstanciado por gravata às 02.12.08 | 23 comentários

01/12/2008

BLOGUEIROS, TENHAM HOMBRIDADE: ABRAM AS ESTATÍSTICAS DOS CONTADORES DE VISITAS!

Quando montei meu blog, não sabia direito o que era um blog. Na verdade, não fui eu que o montei, mas sim uma amiga, a Liana, depois uma outra, a Marina, foi quem deu um jeito nas coisas, até que finalmente aprendi como funcionava - e falo aqui do ano de 2001.

Ainda não havia a palavra "blogueiro".

Quando entrei no Twitter, surgiu uma espécie de perseguição às pessoas que protegiam suas atualizações. Um amigo me aviso, até educadamente, meio que dando uma dica de etiqueta. Achei engraçado, não dei tanta bola - até pensei que fosse brincadeira -, mas em seguida percebi que era, mesmo, uma coisa séria para muita gente.

Ok, ok.

Por que, então, praticamente todos os blogueiros ESCONDEM DESCARADAMENTE AS ESTATÍSTICAS DE VISITAS DE SEUS BLOGS? E são justamente aqueles que ganham dinheiro vendendo posts, participando de "ações" e entregando a alma não apenas para o diabo, mas para qualquer orixazinho de marca menor que lhes ofereça míseros tostões ou brindezinhos meia-boca.

Por quê?

Desde 2001 que todos os contadores de acesso dos meus blogs - atualmente são três - são abertos para quem quiser ver. Não vejo o menor sentido em esconder isso do público. Isso, sim, é risível. As atualizações do Twitter eu protegia porque, entre outras coisas, havia um "stalker" idiota.

Mas estatísticas de blog? Não, não há motivo para manter isso longe dos olhos dos leitores. Não há nada ali que diga respeito apenas a mim. Mas os "defensores da liberdade" mantêm tudo isso bem escondidinho.

Porque são uns bundões. Uns cagões. Uns idiotas.

Vamos lá! Abram as estatísticas dos seus blogs! Todos! Que tal? Essas agências de publicidade de mentirinha sabem que ninguém fica mais do que um segundo num blog, isso bem sabemos (até porque algumas "contratam" seus próprios empregados como partícipes de algumas ações - haja ética!).

Mas e os clientes, hein? Será que eles sabem? Será que eles REALMENTE sabem que a grande maioria chega pelo Google procurando putaria e não ficam nem um segundo aí no seu blog? Será que eles sabem que você só atrai visita de pára-quedista com post Mandrake?

Ninguém abre as estatísticas do contador de acessos. Morrem de medo disso aí. Confiam naquele negocinho do Google porque, por ali, não dá para entregar o ouro por completo, né? E também há pagerank etc, e blogblogs, essas patifarias todas.

Eu mesmo nunca me cadastrei no blogblogs, nunca entendi direito o que é um pagerank (fiquei sabendo que os meus são cinco e não sei nem se é bom ou ruim) e sei que meus blogs têm uma visitação meia-boca (há uns por aí muito mais foda, claro): cerca de 15,3 mil por dia (IM + GM + Isaías, num total de 460 mil/mês de visitas únicas).

Ah, não faço post pago. Mas o papo nem é esse.

Eu fico puto com esse pessoal que faz campanha para ninguém botar o cadeadinho no Twitter, mas não abrem as estatísticas do blog. É pura hipocrisia.

Por fim, explico aqui o básico do básico: no fundo, eles pedem pra não travarem as atualizações do Twitter porque gostam de pagar de "fodões", naquela onda de terem milhões de seguidores, mas só seguirem três ou quatro. Mas, com todo mundo de cadeado no perfil, não conseguem fuçar.

Querem um conselho? Cadeado já! Quer ler? Vai ter que seguir! E tem mais: blogueiros, abram as estatísticas! Quer vender post? Tem que ter a estatística aberta. Já que a blogosfera virou definitivamente um puteiro, com direito a "hora paga" e até serviços discriminados, é preciso pôr ordem na bagaça.

Mas é claro que isso jamais vai "pegar". As "agências" são as últimas interessadas nesse negócio. Elas precisam convencer o cliente (leia-se: empresa trouxa) de que fazer "ação" num blog é uma boa. Se o cara descobre a FARSA que é o "alcance" da blogosfera, aí é que ele não anuncia mesmo.

Deixa assim, né? Fica bom pra todo mundo.

* * *

E daí que chegou um menino feio e barrigudo para uma moça que trabalhava à noite numa esquina e perguntou pra ela:

- O que você faz?

- Eu trepo em troca de grana, e você?

- Eu publico coisas no meu blog em troca de grana...

- Ah, ta... E como chama isso.

- Sou pro-blogger.

- Ué... Que chique! Então eu sou pro-fucker!

Tá, foi sem graça. Mas tá nesse pé a coisa.


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transubstanciado por gravata às 01.12.08 | 28 comentários



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