"NÃO IMPORTA VENCER, O IMPORTANTE É COMPETIR" – ANALISANDO MAIS UMA FRASE IDIOTA
16/11/2008
"NÃO IMPORTA VENCER, O IMPORTANTE É COMPETIR" – ANALISANDO MAIS UMA FRASE IDIOTA
Sou um adolescente eterno para esse tipo de coisa. Não só para isso, é verdade, mas em especial pra frases e pensamentos assim. Da mesma forma que acho estapafúrdia a burrice de negar a idéia de juízo/raciocínio (como em "não julgo ninguém") sem perceber que o exercício de julgar é, em si, a "ação de raciocínio".
E a frase do título é uma contradição dos diabos, dessas que, quando ouço, fico dividido entre perdoar em razão da aparente manifestação da bondade por meio de uma certa humildade explícita ou minha raiva natural de quem tenta parecer bonzinho justamente pelo "viés humilde".
Vamos à lógica. A frase é burra e contraditória. Quem pára dois segundos para pensar em seu significado direto e reto já percebe a bobagem, mas não custa analisá-la para mostrar sua idiotice. Vejamos...
O que é uma competição? É nada menos do que a disputa para saber quem é melhor. Em suma: quem vence e quem perde. Não há competição sem vencedor e perdedor. Como é concebível um raciocínio segundo o qual pouco importa vencer, mas sim competir?
Repito: não é uma "brincadeira", mas sim uma DISPUTA. Os partícipes não se exercitam pela graça da coisa, mas sim para lograr êxito. Em caso contrário, não se trataria de uma competição. Fazendo uma substituição de palavras sem prejuízo semântico, teríamos o seguinte:
"Não importa vencer, mas sim disputar para vencer" – ou seja, o importante é fazer papel de idiota a todo custo.
Fica a impressão de que alguém andou trocando os verbos no telefone sem fio dessa longa estrada da vida e o verbo competir entrou de alegre. Mas não dá para negar que ouvimos, lemos e "aprendemos" que o importante é isso. Mentira? Desde pequenos nos dizem: "o importante é competir".
E é inescapável: toda competição consiste única e simplesmente na disputa pela vitória. Em caso contrário, não seria uma competição, mas um divertimento. De modo que a frase, para fazer algum sentido e parecer menos idiota, deveria ter algum outro verbo como "brincar", "divertir" (com a partícula reflexiva necessária) ou algo do gênero.
Há outra leitura, é claro. Pode-se dizer que o importante seria disputar – "competir", mesmo –, independentemente da vitória imediata, pois as competições aumentariam a capacidade de êxitos a longo prazo e definitivos. Mas isso também é idiota, porque, no fim das contas, o exercício constante da capacidade competitiva teria como resultado as vitórias constantes – ou seja, não se ganha "agora", mas ganha-se muito mais "depois" – e o "importante" é, sim, "vencer".
Enfim, posso ser um adolescente eterno para essas frases bestas, mas o povo, se for sábio em alguma coisa, definitivamente não o é para cunhar essas frases estapafúrdias. É uma pior que a outra!
Revisão: Hellen Guareschi
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transubstanciado por gravata às 16.11.08 | 19 comentários
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Comentários:
Abs.
(Gravz: Grande Marcos! Seguinte... Isso da competição ser assim ou assado é papo. A frase é besta, mesmo. Mas concordo contigo que o negócio serve para consolar a rapaziada que chora)
Tem razão!!!!
Fala aqui uma professora de redação...rs
Parabéns atrasado pra vc!
Bjos!
(Gravz: Obrigado, Tati
Beijos
(Gravz: Essa é de lascar)
Beijos, beijos, beijos.
(Gravz: Obrigado, dona Amanda)
Bem, a frase é idiote sem dúvida, mas se não fosse ela boa parte dos perdedores iriam entrar em depressão....
essa frase dá aquelae consolo, tipo "pelo menos você tentou..."
Ah, Parabéns atrasado...
Cadê meu pedaço de bolo, hein?
bjux
(Gravz: Sei lá, mas sobrou bolo)
Além disso, há um gosto todo especial em pisar o pescoço do derrotado, após a vitória. O primeiro é tudo; o segundo, é nada, não merece compaixão.
(Gravz: Competir é o ato de disputar pra ver quem vence)
GLAUBEROVSKY
(Gravz: Grande Glauber!)
No lance das frases... "não julgo ninguém", eu julgo sim! Afinal temos nossos parâmetros de certo e errado, agora condenar já é outra coisa....em relação a competição eu concordo com o que o MarcosVP escreveu.
Beijos
(Gravz: Obrigado, Marcinha)
O importante é disputar - "competir", mesmo - , independentemente da vitória imediata, pois as competições aumentariam a maturidade e a capacidade de ser um "bom vencedor" quando as vitórias constantes acontecerem, sendo, portanto, importante mesmo crescer, amadurecer, e não vencer?
Att,
(Gravz: Essa leitura é uma sucessão de eufemismos, hein? Porque, no fim das contas, ela busca láááááá no final corroborar o que eu disse. O importante é VENCER. Ou então, o importante é "brincar". Não se pode dizer que o importante, em vez de "vencer", seria "competir", porque estaríamos trocando seis por meia dúzia)
(Gravz: Eu gosto do Rubinho)
(Gravz: Mesmo com apenas 100 pessoas participando, né?)
Ok. "Bom perdedor" é tão ridículo quanto
(Gravz: Pois é...
(Gravz: Essa do espírito esportivo é foda)
(Gravz: Sim, claro. E também o "errar é humano", como se "acertar" fosse coisa de extraterrestre)
Sobre a frase analisada, gostaria de ponderar, apenas para acrescentar ao debate.
Claro que importa vencer. É o objetivo de qualquer competição. Por isso, não resta dúvidas de que você tem razão nas suas observações. A frase já parte de uma premissa equivocada: "não importa vencer...".
No entanto, apesar de equivocada, tem o intuito de celebrar a competição como fim em si mesma. Uma maneira de incentivar os competidores a continuarem em busca da vitória (pura contradição com a ppremissa inicial). Do conforto que o fato de se "colocar em campo pra jogo" traz, oposto à omissão de se esconder fora.
Nessa confusão completa, entendo o objetivo (notoriamente escondido por trás de uma frase mal formulada, estupidamente difundida), honrado até.
No meu entender o objetivo é agir. Ação. Exposição. Algo como o seu tratado acerca dos famosos mudinhos escondidos atrás dos "não sei", o escudo de proteção que a (suposta) ignorância e a omissão oferecem.
Me fiz entender? Não né! Ahaha! Taí seu "punch line"!
Parabéns mais uma vez pelos textos. Por mais que muitas vezes discorde, não há como negar sua qualidade!
Bruno M.
Ao contrário: [mode Sr. Miyagi on] aquele que aprisiona a mente ao desejo de vitória é o verdadeiro perdedor. Mesmo quando vence [mode Sr. Miyagi off].
Reconheço que a frase cheira antipatia por ter sido muitas vezes evocada em contextos estúpidos. Estranhamente, ela constuma frequentar a boca dos que valorizam exageradamente a vitória - e hipocrisia ninguém aguenta.
Mas a frase, em si, nada tem de burra.
Tanto é assim que, em quase todas as modalidades de esportes, encontramos vários competidores que têm consciência de que a vitória é impossível e, mesmo assim, competem apenas pelo prazer de competir.
Os adversários do São Paulo no Brasileirão, e.x., não me deixam mentir...
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