PRA SER DO CONTRA: EM DEFESA DO ACORDO ORTOGRÁFICO

01/10/2008

PRA SER DO CONTRA: EM DEFESA DO ACORDO ORTOGRÁFICO

Em princípio, fui contra a reforma e, pra ser franco, continuo contra. Mas todo mundo agora resolveu falar mal e, vocês sabem, não gosto de seguir "a galera". Preciso ser do contra. Na pirraça e por pura birra, vou defendê-la.

Mas - vocês também sabem -, não sou um birrento qualquer: faço minhas defesas com bons fundamentos. Ótimos! Excelentes! Excepcionais! Lindos! Perfeitos! Cheirosos, eu diria! Tá, tá. Parei. Vamos lá...

Essas mudanças ortográficas acontecem sempre e, também sempre, todos metem o pau. É normal, faz parte etc.

Peguem um livro antigo. Vão ver coisas como advérbios de modo, derivados de adjetivos proparoxítonos com acentos graves demarcando a prosódia antiga. Em suma, coisas como "pràticamente". Ou ainda "pharmacia", em livros de idade mais avançada, e assim por diante.

Que tal? Uma merda, né? O povo daquela época também achou uma porcaria. Vocês, hoje, acham um absurdo escrever desse jeito. E a palavra "asma"? Tão simples! Mas antes, jesuscristinho! "Asthma"... Era quase mais prático pegar a doença!

É claro que não vou me acostumar com a reforma e escreverei tudo errado. Continuarei usando trema, por exemplo, e cometerei erros bobos. Talvez nunca mais saberei escrever "corretamente" (se é que um dia soube).

Aliás, é curioso como os que reclamam da reforma, em sua mais expressiva maioria, não sabe nem nunca souberam escrever. No fim das contas, ao fim e ao cabo, terão uma desculpa oficial para seus tropeços. Deveriam agradecer ao acordo ortográfico.

(texto curto porque estou com sono; e sem revisão porque a Hellen já foi dormir)


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transubstanciado por gravata às 01.10.08 | 15 comentários


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Comentário de: Laércio · http://outforlunch.blogspot.com

Nunca mais trema.

Continuaremos todos a nos entender, como entendemos ao que está escrito nos livros antigos. Pelo menos aqueles de nós que têm cérebro.

(Gravz: Ou seja, a minoria)

PermalinkPermalink 01.10.08 @ 07:56



Comentário de: jzanette

acredito que antes de mudar a ortografia o governo deveria se preocupar mais em alfabetizar os milhões de analfabetos do país, não só aqueles que não sabem ler e escrever, mas também os analfabetos funcionais, que só sabem "desenhar" o nome e não entendem o que lêem (coloquei o acento porque era o correto quando estava na escola!!). Mas acho que esta opção não agrada muito os governantes, então ér mais fácil mudar a língua....

(Gravz: Sim, sim)

PermalinkPermalink 01.10.08 @ 08:27



Comentário de: Marcita

duvido muito que a grande maioria "reclamona" note as diferenças
Afinal, boa parte não sabe escrever direito mesmo (inclusive eu)...isso é só pra não perder o costume de reclamar de tudo e preguiça de se adaptar

(Gravz: Alguma coisa a gente percebe, outro tanto de coisa passa batido)

PermalinkPermalink 01.10.08 @ 09:03



Comentário de: hellen

minha grande indignação com essa reforma é a relevância econômica de tirarem o trema ou alguns hífens e acentos, pq isso foi usado como desculpa principal. Se fosse modernizar a língua, vá lá... vou virar chatinha e só escrever "leiáute" agora. Por favor...

beijos da revisora! ;)

(Gravz: Beijos, revisora)

PermalinkPermalink 01.10.08 @ 10:01



Comentário de: Isis · http://xisxis.wordpress.com

Eu era contra, mas o Sr. Mauro Villar - sábió - me convenceu do contrário. Claro que não concordo com alguns detalhes, como cor-de-rosa continua com hífen, mas pé-de-moleque não. Aliás, sugiro o especial sobre o acordo do iG: http://educacao.ig.com.br/acordo_ortografico/ . Lá está a entrevista que fiz com o amigo do Houaiss.

(Gravz: Ah, que legal! Vou ver)

PermalinkPermalink 01.10.08 @ 10:15



Comentário de: ana maria

Sou a favor. A língua falada é viva, rica, perde-se umas letras aqui, ganha-se novas palavras alí, porque a galera, principalmente, inventa pacas, né.
fica mais fácil de aprender e errar menos.
Abs.

(Gravz: Eu sou a favor. E sou contra. Vai muito do que a maioria pensa. Se a turma tá de um lado, eu vou pro outro e faço birra. Oi, tenho 13 anos)

PermalinkPermalink 01.10.08 @ 10:18



Comentário de: Lara · http://www.larajanuario.blogspot.com/

Éeeee. Agora tenho licença poética para errar!

(Gravz: Não bem 'poética', mas uma desculpa e tanto)

PermalinkPermalink 01.10.08 @ 10:19



Comentário de: Marcita

PS: "O Lula não está mudando a gramática essa semana... ele já faz isso há muuuito tempo!"

(Gravz: Sim, ele faz há muito tempo)

PermalinkPermalink 01.10.08 @ 10:32



Comentário de: Fumagalli

Cara, tem muito nego que só quer falar "ah, é culpa do Lula". Tudo é culpa do Lula, e, para quem nunca soube escrever e só conhece notícia de orelhada, a reforma é culpa do Lula também.

(Gravz: Ah, mas é tudo culpa do Lula, mesmo. É tudo gozação, né? E eu acho legal seu nick "Fumagalli". Lembro desse nome nos Gols do Fantástico)

PermalinkPermalink 01.10.08 @ 11:11



Comentário de: Vinicius

"Corretamente" vai mudar também? Agora não entendi mais nada!

(Tá, não é sério).

A reforma é tão absurda que nem tu, aquele que sempre arruma argumentos para defender o indefensável, conseguiste apoiá-la.

Vou continuar escrevendo "conseqüentemente vou à pharmacia em Pôrto Alegre". E não tô nem aí.

(Gravz: Você usa a segunda pessoa e a conjuga com o tempo verbal da terceira. Ou seja, usa a forma coloquial sulista subvertendo toda a gramática... Não deveria se importar com isso ;))

PermalinkPermalink 01.10.08 @ 13:40



Comentário de: Marcio

Gravata,

a ortografia do Espanhol é a mesma, assim como a do Inglês, e veja o grande intercâmbio literário que existe entre países de língua espanhola e de língua inglesa. Veja bem, não estou dizendo que se fala o mesmo espanhol na Argentina e na Espanha, mas que ambos usam a mesma ortografia.

As diferenças na língua em si continuarão no português, mas a ortografia universal facilita a troca cultural entre os países. O Português é uma das línguas mais faladas do mundo e sua relevância internacional é ínfima. Sei não, mas pode ter ligação com a ortografia não-uniformizada. Veremos...

Um abraço!

(Gravz: É, veremos... Abraço!)

PermalinkPermalink 01.10.08 @ 14:30



Comentário de: Adriano

O trecho chave da ótima entrevista com o Vilar no iG é o seguinte:

"A ortografia é uma convenção que pode ser simplificada ou complicada."

Perfeito. Andaram falando que a língua é orgânica, que é o povo quem a faz, que é o uso que a molda etc etc.

Tudo isso é verdade, mas o acordo não muda o idioma. Só muda a ortografia. E a ortografia não é a língua - é uma mera convenção, completamente artificial, criada para facilitar as coisas na hora de escrevermos o que falamos. Só isso.

(Gravz: Muito bom, Adriano!)

PermalinkPermalink 01.10.08 @ 17:55



Comentário de: Vinicius

consegui
conseguiste
conseguiu
conseguimos
conseguistes
conseguiram

(Gravz: ?)

PermalinkPermalink 02.10.08 @ 11:39



Comentário de: Trotta · http://trottolices.blogspot.com/

É em momentos assim que se torna vantagem o Brasil ser um país em que certas leis não pegam. Essa aí do acordo ortográfico é uma que não me pegou nem ferrando.

(Gravz: O pessoal ainda não entrou num acordo nem pra aprender a escrever ou a falar)

PermalinkPermalink 04.10.08 @ 01:04



Comentário de: Faroleiro

dizer o quê? Ah,tá...
Estamos onde mesmo...ah lembrei,Brasil
tá bom então.

(Gravz: Sim, sim)

PermalinkPermalink 04.10.08 @ 17:17



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