A OBVIEDADE DOS QUE FOGEM DO ÓBVIO
27/08/2008
A OBVIEDADE DOS QUE FOGEM DO ÓBVIO
Algumas pessoas - e eu definitivamente faço parte desse grupo - não gostam de ser "como a maioria", e isso vale até quando se trata de maiorias não muito esmagadoras. Na verdade, não gostamos de fazer parte de quaisquer que sejam o grupo. Há mais de meia dúzia? Estamos fora.
Isso parece bom, mas é sem dúvida algo patológico. Deixamos de lado o que realmente sentimos para exercer, antes da análise, uma observação "de contexto" quanto a quem, como e onde opiniões parecidas foram e/ou são emitidas.
Daí a certeza de que se trata de patologia. Uma espécie de "TOC da Originalidade Forçada". Roberto Carlos só se veste com a cor azul e sempre sai pela mesma porta que entrou. Nós não temos essas frescuras, mas não aceitamos fazer parte de grupinhos. No fundo, é a mesma merda.
Na próxima segunda-feira, publicarei uma lista com as dez blogueiras mais bonitas do Brasil (um rol formado pela opinião de uns vinte amigos, leitores, demais blogueiros etc). Muitos se referiam a uma ou outra como "de beleza óbvia" ou "manjada nessas listas".
Em princípio, fui levado a concordar. Mas acordei. Que coisa mais ridícula! É CLARO que elas estão e sempre estarão nessas listas. Elas são bonitas, porra! Qual o problema nisso? Até que ponto é razoável a busca desenfreada pela originalidade anti-clichê? Aliás, até que ponto esse tipo de coisa não se constitui, ela própria, um verdadeiro clichê?
A fuga instintiva do óbvio consiste não apenas numa patologia, mas também numa verdadeira obviedade. Como no genial desenho do Angeli, somos os idiotas que usam todos a mesma camiseta: "Fuck the Fashion!"
Este texto sobre o nada, inclusive, é minha camiseta retórica "Fuck the Fashion". Explico: era para falar dos jogos olímpicos, mas de tanto pensar numa abordagem "original", percebi que essa atitude merecia uma nota mais considerável do que o convescote com exercícios lá de Pequim.
De todo modo, o texto olímpico está pronto. Acho que sai na semana que vem. Meu negócio, mesmo, é jogar Nintendo Wii. E tênis. E ver seriado manjado. E ler coisas bobas. Se bem que recentemente comprei a Trilogia do Kaos, de Jorge Mautner.
Um "fuckthefashionzinho", assim bem de vez em quando, também não mata ninguém.
Revisão: Patricia Köhler
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transubstanciado por gravata às 27.08.08 | 18 comentários
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Comentários:
O grande problema, na minha opinião, é "criar" o mesmo.
Pegou a diferença sutil?
(Gravz: Peguei sim
(Gravz: Seu comentário corrobora minha tese)
(Gravz: Isso aí)
(Gravz: A mocinha aí de baixo discorda. Se bem que ela não faz uma análise textual. Mesmo assim, me agradou
(Gravz: Aê, eu gosto assim!
(Gravz: Agora, meu chapa, será uma por semana. Agüenta, coração! - como diria Bueno, o Galvão)
Eu faço parte do grupo que lê o Gravata todos os dias....esse eu tenho que admitir e que eu puxo o saco mesmo, está na cara!!!beijão!!!
(Gravz: Todas banda é comercial. E vc não puxa meu saco não!)
(Gravz: Sim, são homogeneos protestando contra a falta de personalidade)
Sem dúvida alguma. Acho que isso te define por completo.
Mas não se iluda muito: você não é original. Só é chato. E a chatice é demasiadamente comum. Nada de novo.
(Gravz: Opa, obrigado pelo diagnóstico. Eu sempre gosto de saber como sou visto de baixo pra cima)
e vamo pro pau..simbora brigar
Ah... eu tenho TOC...e na boa acho normal rs
bjkas
(Gravz: Você só sabe brigar)
E suas listas "top 10" são maravilhosas... acho até pouco uma vez por semana.
Beijos!!!
(Gravz: Listinha é encheção de lingüiça, mas eu adoro fazer. E, não, não estou bonito nem nessa nem em nenhuma foto. Mas fico com o elogio, claro. Estou adorando essa coisa de "groupie de blog"
(Gravz: Você precisa ampliar seu leque de leituras
Faz parte do grupinho que não quer fazer parte de nenhum grupinho e percebe e faz auto-crítica e... Ah! sei lá! Mas que faz, faz!
(Gravz: É mais ou menos isso...
Tava precisando de uns groupies de blog. (muxovo)
(Gravz: Muxovo?)
Eu acho que a busca pela originalidade, mesmo exagerada e forçada, é válida, é uma busca por identidade própria, por novidade...só precisamos ligar o desconfiômetro algumas vezes.
(Gravz: É válida, mas não precisa ser uma "busca". Ser original é ser natural, não há necessidade de uma "busca")
(Gravz: Tá
(Visitei por recomendação de Marcele. Ela sempre me manda esse blog. Muito bom, por sinal)
(Gravz: Valeu, Jô! E volte sempre
Eu: É, a pessoa precisa ter aquele instinto questionador e conseguir enxergar ângulos diversos de uma mesma situação, detalhes ou análises que ninguém mais se lembra...bem, posso até estar equivocada, mas o caráter inato aliado à originalidade constitui um talento, certo? O dom de subverter clichês, descobrir novos caminhos (filosofia brega ^^), e etc...talvez a tal "busca" seja desenvolver essa aptidão, buscando conhecimento sobre o que já existe e inventando coisas novas, pensando diferente...afinal, ninguém pode ser diferente só por ser, tem de haver um motivo...eu daria como exemplo o trabalho da Vanessa Mae.
(Gravz: Concordo)
