REFORMA ORTOGRÁFICA E OUTROS BICHOS
26/08/2008
REFORMA ORTOGRÁFICA E OUTROS BICHOS
Mudar a ortografia é inútil, estapafúrdio e um exercício da imbecilidade. Em vez de "corrupção", deveremos escrever "corrução", mas mantendo a antiga pronúncia. O trema deixará de existir e uma série de outras palavras serão escritas de forma diferente.
Só isso.
E o objetivo da medida é fazer com que todos os países de Língua Portuguesa tenham uma ortografia única. Uma grande vantagem, por exemplo, para quem pretendesse escrever algum texto com a palavra "alcatéia" (agora, alcateia, sem acento) em Cabo Verde. Ou para os que pretendem falar de aritmética (agora, "arimetica") em Angola. E assim por diante.
Uma grande bobagem. Como grande parcela da população é composta por analfabetos ou analfabetos funcionais, a reforma será mais do que inócua. E os "não exatamente alfabetizados" continuarão usando palavras clássicas, como "estrombo", "pobrema" e quejandos.
Vida que segue.
Minha maior preocupação não é com a grafia de palavras bobas, mas sim com aquilo que se ensina nas escolas de forma equivocada, sobretudo nas aulas de história.
No primário, "aprendemos" que Pedro Álvares Cabral chegou aqui sem querer, que a Inconfidência Mineira pretendia libertar o Brasil dos domínios imperiais portugueses e que a Guerra do Paraguai foi uma iniciativa democrática contra um governo autoritário.
No cursinho, tudo isso vai por terra, mas ainda assim os professores fazem a ressalva de que as versões "da escola" são aquelas aceitas pelo MEC e, portanto, aquelas que serão oficialmente adotadas nos vestibulares.
É o governo, portanto, que decide o que realmente aconteceu (não importa o que tenha acontecido de fato).
E os mesmos professores de cursinho aproveitam para falar do Regime Militar, lidando com o tema de forma mais madura no que diz respeito às críticas ao regime, mas às vezes faltando com a verdade quando tratam dos grupos armados.
Nesses casos, eles vão além dos sapatos ao dizer que tais grupos pretendiam não apenas derrubar o governo, mas também – e principalmente! – instituir um governo democrático, com eleições diretas e participação popular.
É mentira.
Os grupos armados não queriam democracia alguma, apenas lutavam para substituir uma ditadura por outra de cor diferente. Sairiam os milicos "de direita" e entraria um regime como o cubano ou o soviético ou até mesmo o chinês. Grandisbosta, diria o outro – sem atentar pra reforma alguma.
Mas, enfim, o que vale é o fim do trema e a mudança de grafia das palavras para que possamos dar esse abraço ortográfico em nossos irmãos lusofônicos.
Só de birra, se um dia eu for a Macau ou ao Timor Leste, prometo não usar nenhuma das palavras objeto da reforma. Ou, se usá-las, manterei a grafia original brasileira como forma de resistência – a luta armada das canetas e teclados para instaurar a ditadura do proletariado da grafia antiga.
E viva o trema!
Revisão: Hellen Guareschi
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transubstanciado por gravata às 26.08.08 | 32 comentários
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(Gravz: Vamos criar um movimento de resistência. O símbolo poderia ser o trema, mesmo)
Fodam-se nossos "irmãos" lusófonos.
(Gravz: Ah, não fale assim deles - dos lusófonos, claro)
(Gravz: É bem foda, mesmo)
Trabalho pra revisor de texto vai pipocar, já tá aparecendo muita coisa por conta desta reforma e de milhares de livros que precisam receber a devida revisão. E eu tenho vontade de desaparecer, acho isso uma heresia.
No final, quem mais sairá lucrando com a reforma é quem escreve errado, porque vai continuar escrevendo, só que desta vez sendo considerado certo. :/
(Gravz: Mas quem escreve "corrução" ou algo assim?)
(Gravz: Nem vem, gê)
Essa tal dessa reforma ortográfica é coisa de quem não tem o que fazer!
Mas, também, com um presidente quase analfabeto, podemos esperar o quê? Claro que, desse jeito, o governo vai aprovar apenas as reformas que facilitam a vida do Lula! Aí ele não precisa quebrar a cabeça pra acentuar proparoxítonas, por exemplo... =P
De que adianta escrever alcatéia sem o acento? De acordo com as regras da nossa língua, se não houvesse esse acento, a pronúncia seria "alcatêia". E como eles querem mudar a grafia mantendo a pronúncia em "corrupção"?
É coisa de panaca burro... =P
Moral da história: esse governo quer apenas continuar o que fez até agora: dar o peixe ao invés de ensinar o povo a pescar!
Eles querem modificar a língua com essa desculpa de unificar os "Portugueses", mas na verdade querem é facilitar a vida das pessoas que estão aprendendo a ler... Assim, a quantidade de analfabetos - falsamente - diminui! É... FALSAMENTE, mesmo, porque os analfabetos funcionais vão aprender a escrever "corrução", mas não vão sequer saber o que significa... ¬¬
Tô até desistindo de cursar Letras! =S
=*
Vamos ter que reaprender a ortografia. Para quem tem boa condição financeira fará um outro curso para aprender as novas regras, até aí tudo tranqüilo. E quem não tem R$? Sai da escola "aprendendo" o novo que vai ficar velho e depois como fazer para ter acesso ao novo? Por que será que a elite desse país insiste pela desigualdade? Cada dia que passa torna-se mais difícil ser brasileiro. Ó Pátria amada idolatrada... e salve, salve a elite brasileira.
É uma pena que seu blogbosta não vai alterar em nada o curso da história, reduzindo seus comentários ao nada que de fato eles ensejam.
Pseudo modernista/vanguardista/ditadorzinho de modinhas efêmeras, cabe a você nanoinstantes de gloríolas virtuais ao ler comentários em seu blogbosta, escritos por outros incultos anencéfalos revoltados, que ainda não conseguiram seus quinze minutos de fama preconizados por Andy.
Por quê você não arranja um trabalho mais produtivo que contribua realmente para o aumento da dignidade humana?
Beijo na bunda
No português lusitano:
1. desaparecerão o "c" e o "p" de palavras em que essas letras não são pronunciadas, como "acção", "acto", "adopção", "óptimo" -que se tornam "ação", "ato", "adoção" e "ótimo"
2. será eliminado o "h" de palavras como "herva" e "húmido", que serão grafadas como no Brasil -"erva" e "úmido"
Que me importa como Portugal fala? Eles têm direito de falar "facto" sim, tanto quanto nós podemos falar "agüenta".
O grande perdedor nessa (pra variar) é Pindorama, que por seu volume de impressão vai gastar em um mês o que Cabo Verde não gasta em um ano.
E quem acredita que os COLINAS e MR-8 da vida eram grupos lutando pela democracia, merece uma sessão de tortura das brabas pra deixar de ser mané.
É difícil encontrar alguém com peito de registrar o que pensa. Neste país vemos mais hipocrisia do que estrelas no céu e memos do que os atentados ao vernáculo que, diga-se de passagem, não conheço ninguém que o domine.
Parabéns!!!
Leo
Mas sobre o tema. Os adeptos da retórica e da palavra escrita ainda encherão muito o saco dos pobres mortais durante algumas décadas (talvez uma 60 ou 70).
Mas o fato é que a tal "palavra escrita" vai ser assunto de museu, em pouco menos de 100 anos. A inutilidade textual será substituída pela fala direta e sem subterfúgios, mediada e organizada pela interação orgânico-digital. Não haverá necessidade de textos, papel, telas digitais. O conhecimento passará a ser adquirido e representado de modo tridimensional, deixando pra trás todo esse atraso mental que o texto representa.
Por enquanto e lamentavelmente, teremos que ainda nos comunicar por meio dessa forma vulgar e atrasada que é o texto escrito.
Vc. ainda tá ligado na propaganda de direita, pelo visto fez a tua cabeça. Pena que não seja o único.
ou seja corrupçao continua assim mesmo..
as que mudam sao...
e pelo que vejo no portugues de portugal....
A decisão foi totalmente política e embasada pelo museu conhecido como Academia Brasileira de Letras. Aquele bando de idosos que se acham aprovam uma kgada destas, mas elegem como membro da ABL um certo pseudo-escritor que não tem - em minha sã opinião - nada de memorável.
Este novo "acordo" é um atraso em anos de pesquisas Lingüísticas sérias e respeitadas. Uma pena que os países de língua portuguesa ainda se espelham em conceitos arcaicos de hegemonia lingüística que não dá certo!
Por isto que os países de língua inglesa não possuem uma gramática normativa da língua inglesa e muito menos uma academia de letras da língua inglesa. Pois sabem que a língua não pode ser controlada jamais.
"Companheiros, não tremam pela trema. Vamos tomar os assentos da ABL e lutar pela permanência dos acentos."

