RETROSPECTIVA - 09 - MAIO DE 2003

18/08/2008

RETROSPECTIVA - 09 - MAIO DE 2003

O que realmente significam as frases clássicas de um namoro? O que as mulheres acham do "carro de malaco"? Há opções para os clichês das telenovelas? Respostas abaixo...

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O VERDADEIRO SIGNIFICADO DAS FRASES TÍPICAS DO NAMORO
Em Ubatuba, havia um velho grego muito sábio. Não, isso não é uma lenda. Por mais que "um velho grego sábio" seja algo próximo de um clichê, ele realmente existia.

O velho grego de Ubatuba dizia um sem-número de aforismos geniais. O melhor deles, a meu ver, era o seguinte: "quem fala a verdade não presta". Genial.

E foi mesmo um grego quem primeiro discorreu de forma efetiva sobre a falta de "veracidade" do mundo em que vivemos. As teses platônicas sobre o embate dos mundos sensível e inteligível deram subsídio para que Kardek criasse uma religião, ou os Irmãos Watchoski mandassem brasa numa das franquias cinematográficas de maior êxito comercial de todos os tempos.

Putaqueopariu! Mas que preâmbulo mais metido a besta! Rárárá! Pára com isso! É o seguinte, rapaziada: o dia todo, ouvimos frases nitidamente falsas. Mas fazem parte do script das relações humanas.

O primeiro capítulo dessa série trata das frases falsas do namoro. São várias, milhares. Mas só tive paciência de analisar dez, a meu ver, as mais típicas. Vamo que vamo:

"Pensei em você o dia inteiro."

O significado: "Na verdade, nem pensei direito na sua pessoa. Claro que isso não quer dizer que eu goste mais ou menos de você. O problema é que eu preciso dizer que pensei em você o dia inteiro, senão dá briga. Mesmo se eu dissesse que só pensei um pouco, o que já estaria de ótimo tamanho, daria uma briga desgraçada. Mas a verdade é que eu nem mesmo pensei. Foi um dia corrido. Ok, foi um dia até que meio parado. Mas não pensei mesmo assim, caramba..."

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"Nunca pulei a cerca nesse tempo todo de namoro."

O significado: "Se você realmente acreditou nessa frase, então é provável que ainda tenha dúvidas sobre a existência de Papai Noel, Coelhinho da Páscoa e da Fadinha do Dente. Deixa de ser idiota. É ÓBVIO que já saí com várias outras pessoas. O problema é que temos que manter a linha. E eu sei que você também já deve ter saído. Mas não caia na besteira de querer abrir o jogo, porque senão você me força a agir conforme o script, e terminar com toda a relação."

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"A despedida de solteiro? Ah! É só uma festinha boba..."

O significado: "Uma festinha boba, sim. Putaria, bebidas, garotas de programa... O que não falta nessa festa são coisas bobas. Obviamente, sou obrigado a dizer que foi só um bate-papo animado, e meu estado de (nenhuma) sobriedade também não me deixará mentir quanto à ingestão exagerada de álcool. No mais, as marcas de batom serão devidamente ignoradas por você, a menos que queira terminar um relacionamento por uma besteirinha dessas. Afinal, quem procura acha."

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"Calma, querido, vou tomar um banho e me arrumar. Em meia horinha já estou pronta."

O significado: "Meia horinha é o tempo que levo para escolher quatro peças de roupa. Ou seja, as quatro peças vão para uma ‘semifinal’. Depois, escolho duas e, das duas, uma. No final dessa meia hora, posso soltar um grito dizendo que não tenho roupas, vou ficar em casa e blá blá blá. Mas como já fiz isso ontem, então vou direto para o banho. Depois, passarei cremes, secarei o cabelo, colocarei a roupa, maquiagem. Resumindo: pode ir até a locadora, pegar a trilogia do Poderoso Chefão e ver os extras do DVD."

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"Eu engordei?"

O significado: "Qualquer pessoa que não seja cega sabe muito bem que engordei. Engordei pra cacete. Mas você não vai falar que engordei, porque é uma pessoa sensível. Sei que você é uma pessoa da maior sensibilidade, então, posso fazer esse tipo de pergunta e esperar que você não diga a verdade. Até porque é óbvia. E se eu pergunto, é porque quero ouvir a mentira."

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"Não, claro que você não engordou!"

O significado: "Não estou dizendo isso porque sou sensível. Até sou, mesmo, sensível. Mas não uso da sensibilidade contigo há anos. Estou falando que você não tá gorda que é para me poupar aborrecimentos. Depois, você vai ficar me enchendo a paciência, como se fosse culpa minha o fato de você ter engordado tudo isso. Mas, se piorar mais um pouco, aí não somente vou dizer que sim, como também vou pular fora."

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"Que é isso! Não precisa me comprar um presente caro."

O significado: "Você que experimente chegar aqui sem um presente caro. Como toda mulher do mundo, somente dou valor para presentes que tenham custado caro, ou que tenham, de certa forma, causado algum tipo de transtorno. O presente pode até ser barato, mas deve ser algo raríssimo, ou então algo pelo qual você tenha dedicado horas e horas de algum trabalho minucioso. Isso significa, na primeira leitura, que queremos atenção. Mas, na verdade, queremos é contar para as amigas que nosso namorado é o máximo, e faz de tudo para nos agradar."

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"Ora, meu amor... Se eu tivesse que dar em cima de alguma mulher, seria justamente uma amiga sua?"

O significado: "Sim, eu daria em cima da sua amiga. Afinal, eu dou em cima das suas primas, da sua irmã, e até já olhei meio diferente para sua mãe. Uma amiga sua seria café-pequeno. Aliás, a bem da verdade, não é tão amiga assim, né? Porque não sou somente eu que pareço interessado num reco-reco..."

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"Eu te amo."

O significado: "Por favor, né? Eu não somente NÃO TE AMO, como estou longe de estar envolvido. O problema é que você já disse que me amava umas trinta vezes, e eu caí na besteira de dizer o mesmo. É essa mania de ver filmes românticos. Agora, deu nisso. Fica essa troca de ‘eu te amos’ sem qualquer lastro de sentimento."

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"Acho que seria bom darmos um tempo."

Significado 1: "Na verdade, quero apenas aprontar um pouco, então, o melhor é usar essa saída. O ‘tempo’ dá uma justificativa positivista. Como não estamos OFICIALMENTE namorando, não se pode dizer que houve OFICIALMENTE uma traição. Além de ser algo precário e superficial, trata-se de uma falta de ética tremenda. Mas é pegar ou largar. Nesse caso, LARGAR mesmo."

Significado 2: "Na verdade, quero é terminar esse namoro. Mas o ‘tempo’ tem aquele sentido de amenizar as coisas. É algo como, naquela piada, dizer que ‘o namoro subiu no telhado’. Você também sabe que eu quero isso, mas não fica tão triste porque tem uma esperança idiota de que as coisas possam voltar ao que eram antes."

* * *

CARRO DE MALACO X OPINIÃO FEMININA
Todos já devem ter visto um "carro de malaco". Em geral, é algum veículo popular transformado em "pseudo-fórmula1". Camarada compra um Golzinho e quer transformá-lo num Corvette.

A "plataforma" para um carro de malaco, salvo raras exceções, é sempre um carro popular ou algum modelo antigo. Muitos "malaqueiam" um carro 1.0. Outros, mais "amantes da velocidade", preferem um carro mais potente – ainda que antigão.

E é nessa hora que o cidadão aparece com um Passat Pointer, do tempo do onça, todo felizão, achando que acabou de comprar uma McLaren.

Mas por que esse fascínio pela velocidade, que muitas vezes caminha junto com um fascínio subconsciente pela breguice? O que move esses camaradas? De onde surge essa admiração pelo "rococó automotivo"?

Sinceramente, não sei. O que sei é que as garotas odeiam isso. Sim, elas não gostam nada desse negócio – com exceção daquelas suburbanas deslumbradinhas, que olham para um Golzinho fuçado com o mesmo olhar de paixão que dirigem a um Big Mac.

Vejamos, portanto, as diferentes visões a respeito dos acessórios mais clássicos que compõem uma "charanga malandróvski":

Insulfilm
Trata-se de uma película afixada nos vidros do veículo. O carro "filmado" tem os vidros escuros. A opacidade varia bastante, chegando a um grau extremo de opacidade.

A opinião do malaco:
"Meu carro tá filmado! Tá muito louco! Tá firmeza! Agora vô apavorá! Os mano vão pagá mó pau!"

A opinião feminina:
"Deve ser útil nos dias de sol e para algumas brincadeirinhas à noite..."

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Som potente
Alguns camaradas não se contentam em ter somente um aparelho de som com caixas acústicas. Tratam de colocar no automóvel praticamente uma filial do DirectTV MusicHall. O pior é que o repertório raramente é digno daquela potência toda...

A opinião do malaco:
"Essa sonzeira tá maluca! Vô passá de vidro aberto na porta da balada! Andá devagarinho... Só de olho nas mina! Vô colocá um CD irado, todo mundo vai pagá pau!"

A opinião feminina:
"Som ridículo. Será que esse idiota não se enxerga? Além do barulho infernal, a música é chata pra caraca."

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Roda cromada
O carro tem quatro rodas e isso é tudo, certo? Em termos. Para um malaco, essas quatro rodas merecem um tratamento especial. Nessas horas, aparecem as famigeradas "rodas cromadas", que são rodas de liga leve REALMENTE CROMADAS. Aquela prateada, que brilha como um talher de prata.

A opinião do malaco:
"Ah! Agora sim... Saca o naipe dessas roda, malucô! Sente o lustro do sapato! É só passar um pretinho no pneu e tá tudo maravilha..."

A opinião feminina:
Raramente, a mulher repara na roda do carro. Para as mulheres, o que é evidentemente lógico, as rodas servem para rodar. E só. Tal raciocínio, na mentalidade de um malaco, chega a ser um sacrilégio. Mas então vejamos a opinião feminina das que eventualmente repararem nas rodinhas: "Que coisa mais cafona! Que brilho todo é esse? Não subo num carro assim, mas nem que a vaca tussa!"

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Carro rebaixado
Trata-se daqueles automóveis por cuja altura entre o cárter e o chão as formigas são obrigadas a passar de cabeça baixa. Rebaixado mesmo. O carro fica próximo do chão.

A opinião do malaco:
"Tá Socado! Tá no chão! Derrubei! Mandei pra baixo! Passei a chinela! Tá raspando a bunda no chão! Se liga aê!"

A opinião feminina:
"O que é isso? Ele nunca teve um carrinho de rolimã?"

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Aerofólio e bigodinho
O aerofólio é a peça que fica atrás, na carroceria, com a função aerodinâmica de "prender o carro no chão". Automóveis muito velozes precisam de aerofólio. Carros que não passam de 60km/h não precisam tanto de tal acessório. O bigodinho, tão bonito quanto um bigode de verdade, é aquele "complemento" que fica abaixo do pára-choque. Ou seja, além do pára-choque, o camarada tem mais uma firulinha para deixar o carrinho ainda mais "chapado".

A opinião do malaco:
"Agora meu carro tá firmeza! Dá um look no aerofólio! E o bigodinho? Hein? Só na malandragem!"

A opinião feminina:
"Mais um pouco e fica parecendo uma navinha espacial de brinquedo."

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Escapamento invocado
Nem todos têm um motor V8. A maioria tem motores bem menos potentes. Pela regra, o máximo é o 2.0 – mas há muito "malaco" com carrinho mil. Qual a solução? Colocar um escapamento que faça aquele barulho de Dojão.

A opinião do malaco:
"Ouve o ronco da fera! Sente o drama! A moçada vai ficar com medo quando o leão rugir!"

A opinião feminina:
"Será que esse babaca não percebe o quanto esse barulhinho é ridículo?"

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Turbo
Muito embora os grandes centros urbanos tenham congestionamentos que impeçam velocidades superiores a 100km/h, e acrescentando os contratempos das multas (com radares com tecnologia cada vez mais casca-grossa), mesmo assim a rapaziada quer porque quer acelerar mais e mais a charola. Aí, entra o turbo. Trata-se, a grosso modo, de uma forma de aumentar consideravelmente a velocidade, alterando procedimentos mecânicos do carro.

A opinião do malaco:
"Agora, ninguém segura, xará! Vô colá na traseira e dá farol! Senão abrí, eu passo por cima! Se liga no barulhinho quando eu troco de marcha!"

A opinião feminina:
"Esse carro tá com gases."

* * *

CLICHÊS E ANTICLICHÊS PARA TELENOVELAS
É muito fácil fazer uma novela. A variação entre todas se dá pela "ambientação" e também pela presença deste ou daquele ator ou atriz. E só. Às vezes, nem isso. Afinal, alguns atores são presenças constantes em determinados "tipos de novela".

Enfim, tudo não passa de um grande clichezão.

É relativamente fácil fazer uma novela "dentro dos padrões". Basta, para isso, seguir a trilha notória dos "roteiros manjados".

Desse modo, trazemos para a rapaziada algumas alternativas de roteiro. É isso aí! Maneiras criativas e inusitadas de se resolver os típicos "problemas" de andamento de uma história.

Abaixo, portanto, veremos as formas óbvias e, depois destas, as soluções fora do clichê. Vamoquevamo:

Aproximar casal certo
Trata-se da artimanha do roteirista de fazer com que o casal bonitinho da novela se conheça e, claro, sinta aquela paixão novelística. Talvez, de todas as demais etapas óbvias de um roteiro, essa seja aquela com maior incidência de soluções criativas. Mas, não por isso, escapa dos clichês. Qual o quê!

Clichê:
- São filhos de famílias inimigas;
- São de estratos sociais opostos;
- Alguma tragédia os separou no passado;
- Alguma tragédia os uniu no presente.

Anticlichê:
- Encontram-se numa casa de swing;
- Encontram-se num cativeiro;
- Encontram-se num jogo do Corinthians;
- Encontram-se num encontro de blogueiros.

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Separar casal certo
Nenhuma novela sobrevive apenas com o casalzinho do bem se amando o tempo todo. Nada disso. É preciso separá-los para dar graça à trama. As comédias românticas de Hollywood são um exemplo de que, mesmo em tramas compactas, é necessário haver conflitos para dar um pouco de emoção.

Clichê:
- Por motivo de chantagem (ver próximo item), um abandona o outro;
- Alguém flagra o outro em situação de traição (mas não houve traição de fato);
- Descobre-se algum pecado horrível do passado;
- Simplesmente dá a louca e um dos dois resolve terminar o romance.

Anticlichê:
- Um dos dois tem chulé;
- Um dos dois tem bafo;
- Um dos dois ronca;
- Um dos dois não sabe fazer sexo oral.

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Aproximar casal errado
Para deixar o telespectador ainda mais atraído pela trama, é necessário que haja um "vilão". Não somente de pura e simples maldade vivem os vilões das telenovelas. Atualmente, essa coisa do "vilão mauzão" já está meio defasada. Na maioria das vezes, hoje em dia, as atitudes mesquinhas são tomadas em nome de amores platônicos (ou malucos, mesmo).

Clichê:
- Chantagear uma das partes (como visto no anterior);
- Forjar situações de flagra;
- O vilão finge ter bom caráter;
- Uma das partes de afasta por força maior (viagem longa, 30 anos de cadeia etc.).

Anticlichê:
- O vilão promete fazer sexo oral direitinho;
- O vilão tem uma caranga importada;
- O vilão não é brega;
- O vilão não racha a conta do motel.

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Separar casal errado
Uma hora, é claro, a baboseira precisa acabar, porque logo mais virá o "final feliz" dos pombinhos da novela. Diante desse fato inevitável, os roteiristas precisam dar um fim para o casal errado.

Clichê:
- A chantagem é desmascarada;
- O falso flagrante é desmascarado;
- O caráter do vilão é descoberto;
- A parte sumida reaparece.

Anticlichê:
- Aquela potência toda era Viagra;
- O vilão não pagou o leasing e perdeu a charola importada;
- O vilão mijava para fora do vaso;
- O vilão arruma uma garota mais gostosinha que a protagonista coroa da novela.

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Perder bebê
Essa é clássica. Sempre que o autor quer criar um contratempo para sensibilizar a audiência, trata logo de mandar algum feto pro beleléu. O mais incrível é que se perde o bebê SEMPRE DO MESMO JEITO. Dureza isso. Mas sempre acontece a mesma coisa com a mãe...

Clichê:
- Rolou a escada;
- Rolou a escada;
- Rolou a escada;
- Rolou a escada.

Anticlichê:
- Ouviu o disco do Dave Matthews;
- Leu alguma coisa do Nick Hornby;
- Recebeu telefonema de algum telemarketing;
- Escreveu um texto gigantesco diretamente no Blogger, não salvou e perdeu tudo na hora de mandar publicar.

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O tempo relativo
Einstein já nos ensinou que o tempo é relativo, exemplificando-a com brilhante história dos gêmeos e a variação do tempo em função da velocidade do corpo. Legal. Mas a novela é menos afeita à Teoria da Relatividade Geral (ou Especial). O negócio é mais na base da esculhambação. Há várias provas da irregularidade do tempo.

Clichê:
- Lá se vão 40 anos, e os atores continuam com a mesma cara;
- Em cinco minutos, todos os casais rompem o relacionamento;
- Leva-se cinco anos para conseguir ajeitar todos os casais;
- Cento e vinte capítulos correspondem a seis meses. O penúltimo e o último capítulos podem corresponder a até cinco décadas.

Anticlichê:
- Após 40 anos, todos envelheceram... 40 anos!!!;
- Os casais levariam anos para romper algum relacionamento;
- E, em dois minutos, tudo voltaria ao normal;
- Capítulos com variação cronológica regular (sem essa de "seis meses depois" ou "vinte anos depois" e outras baboseiras).

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Fim da linha para o vilão
Gostaram da expressão "fim da linha"? Não é assim que eles falam? Pois bem... Os vilões têm sempre finais clássicos. A variação é bem pequena, infelizmente. Justamente na hora de ir à forra, o telespectador já sabe de cor e salteado como é que a coisa vai acabar.

Clichê:
- Vai para o hospício;
- Morre em alguma tragédia braba;
- Regenera-se e resolve pagar por todos os crimes e maldades;
- Fica pobre.

Anticlichê:
- O vilão fica velho, gordo e careca;
- Abre uma microempresa e se fode de trabalhar, ganhando pouco;
- Vai parar num programa vespertino de fofocas;
- É condenado a ouvir o último disco do KLB por três anos seguidos

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Happy end para os mocinhos
Novela sem final feliz? Que é isso! Nem pensar, né? Segundos antes de aparecer o letreiro "FIM", há algumas possibilidades óbvias. Poderia ser diferente? É claro! Mas, como sabemos, tudo ocorre do mesmo jeito. Deve haver algum convênio com a igreja. Mas talvez, em nome da criatividade, fosse melhor não ter finais tão felizes assim. Afinal, desde quando o casamento é um final feliz? Quando muito, é um "começo feliz", mas o final é SEMPRE trágico (porque ou acaba em divórcio, ou em morte...).

Clichê:
- Casamento;
- Casamento;
- Casamento;
- Casamento.

Anticlichê:
- Uma epidemia mata todos os personagens;
- O tempo avança 230 mil anos, e os últimos instantes da novela se passam numa era desértica e glacial;
- A questão é resolvida no teste de DNA promovido por um certo programa televisivo (ok, é da concorrente, mas firmeza);
- Em vez de casamento, todos aderem ao amor livre e a novela acaba numa grande orgia dionisíaca.

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Revisão: Hellen Guareschi


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transubstanciado por gravata às 18.08.08 | 1 comentário



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Comentários:



querer que nós mulheres achem a "caranga" legal vcs querem, nos deixar dirigir não né!!!

(Gravz: Mais ou menos isso)

PermalinkPermalink 19.08.08 @ 12:02



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