RETROSPECTIVA - 001 - AGOSTO DE 2002
05/08/2008
RETROSPECTIVA - 001 - AGOSTO DE 2002
Três textos inauguram a "Retrospectiva Gravataí Merengue": Respostas Cretinas, Palavrões Prolixizados e Guerreiros. Espero que gostem.
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RESPOSTAS PARA PERGUNTAS IDIOTAS
(Tolerância Zero)
All Jaffe, da revista MAD, criou as "Respostas Cretinas para Perguntas Imbecis". A idéia é ótima, e recentemente foi reproduzida por um programa humorístico da TV.
Quando era encarregado de uma "página de humor" do jornal Campus Mack, impresso e distribuído pelo DCE do Mackenzie, bolei umas "respostas cretinas" no estilo do Jaffe. Recentemente, já recebi meu texto, por e-mail, com assinaturas diversas.
Até ao Chico Anysio já atribuíram a autoria das piadinhas. Assim, mando a versão original, muito embora saiba que alguns leitores já devam ter lido essas piadas. O bom é que eu guardo a "versão impressa" do jornal (Luis Caversan, da Folha de São Paulo, já as publicou, dando autoria apenas na semana seguinte...).
A cena: Homem com vara de pesca na mão, linha na água, sentado em um píer.
A pergunta: Você está pescando?
Não, estou dando banho no camarão.
Não, estou caçando, não vê que estou com uma espingarda?
Não, eu amarrei meu relógio na ponta da linha e quero ver se ele agüenta mesmo 50 metros de profundidade.
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A cena: A mesma.
A pergunta: Aqui dá peixe?
Não, dá tatu, preá, quati... Peixe costuma dar lá no mato, né?
Aí onde você está, nunca deu, mas na água tem muitos.
Não, não dá. Por isso que é preciso pescar.
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A cena: Sujeito voltando do píer com um balde cheio de peixes
A pergunta: Você pescou todos?
Não, estes são peixes suicidas, e se atiraram no meu balde.
Não, eles se renderam pacificamente.
Não, eu cacei. Não está vendo a espingarda? (apontando para a vara de pesca)
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A cena: Torcedores de times adversários se engalfinhando na arquibancada.
A pergunta: É briga?
Não, eles estão apenas querendo aparecer na TV.
Não, foram contratados pelo Fernando Capez para ajudar na campanha contra as torcidas organizadas.
Não! Como poderia ser briga com tantos cafunés e beijinhos?
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A cena: Sujeito com um cigarro na mão, levando-o à boca.
A pergunta: Ora, ora! Mas você fuma?
Não, eu gosto de bronzear o pulmão também.
Não, é que tenho ações da Philip Morris e assim eu valorizo os produtos.
Não, eu coloco na boca e assopro.
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A cena: Sujeito no elevador do prédio, no momento em que pára num andar.
A pergunta: Sobe?
Não, esse elevador é diferente, ele anda de lado.
Não, ele só desce, pra subir é preciso usar escada.
Sim, mas só de meia em meia hora. Aliás, você já comprou a passagem?
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A cena: Edifício pegando fogo, e funcionários saindo correndo pela saída de emergência.
A pergunta: É incêndio?
Não, é maremoto.
Não, isso é uma pegadinha do Sérgio Mallandro.
Não, o edifício está sendo levemente flambado para realçar o sabor do concreto.
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A cena: Sujeito no caixa do cinema.
A pergunta: Quer uma entrada?
Não, quero uma saída.
Não, quero só bater um papo com você. Como vai? Tudo bem?
Não, é que eu vi essa fila imensa e queria saber onde ia dar.
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A cena: A mesma, mas com o sujeito apanhando talão de cheques e caneta.
A pergunta: Vai pagar com cheque?
Não, vou pagar com dinheiro, é que eu anoto aqui os meus gastos.
Não, vou pagar com títulos da dívida agrária.
Não, vou fazer um poema nesta folhinha.
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A cena: Casal abraçadinho, entrando no barzinho romântico.
A pergunta: Mesa para dois?
Não, vamos ficar de pé.
Não, para três! Não quer vir conosco?
Não, mesa para um e cadeira para dois.
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A cena: Cidadão levando cinco pacotes de batata palha de um supermercado.
A pergunta: Nossa! Você gosta de batata palha?
Não, eu como tudo a contragosto.
Batata palha? Puxa! E eu achando que fosse mortadela.
Não, eu faço isso pra dar uma força pro supermercado.
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A cena: Sujeito entrando no Fórum João Mendes.
A pergunta: E aí? Vai ao Fórum?
Não, vou até a Rua da Glória, é que eu corto caminho por dentro.
Fórum? Puxa, eu estava achando essa Igreja esquisita, mesmo...
Não, vou dar um grito daqui e ver se o juiz concede o despacho.
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A cena: Noiva entrando na igreja, escoltada pelas daminhas de honra.
A pergunta: É casamento?
Não, é festa junina. Isso é a encenação da quadrilha.
Não! Pela roupa dela, você logo vê que é uma mãe-de-santo.
Não, é um desfile do Ronaldo Ésper.
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A cena: Cortejo levando um caixão no cemitério.
A pergunta: É enterro?
Não, é uma prova da gincana maluca do Faustão.
Não, é mais uma tentativa do David Blane de ser enterrado vivo.
Não, é o campeonato regional de enterradas.
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A cena: Sujeito corre para buscar o automóvel, parado em local proibido, e vê o guarda anotando no talãozinho.
A pergunta: O senhor vai me multar?
Não, estou fazendo uma caricatura sua.
Não, estou matando palavra cruzada.
Não, vou mandar o DETRAN te enviar uma medalha de Honra ao Mérito.
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A cena: Rapaz sentado na cadeira do dentista, para tratar de um canal.
A pergunta: Vai doer, doutor?
Não, você vai sentir cócegas.
Não, você vai ter um orgasmo.
Acredite, filho: isso vai doer muito mais em mim do que em você.
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A cena: Bandido encosta um revólver no playboy.
A pergunta: É um assalto?
Não, é uma cantada. Quer namorar comigo?
Não, é roubo. Assalto não é figura típica do Código Penal.
Não, eu quero seu relógio emprestado para sempre.
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A cena: No aeroporto, homem aponta para um airbus e fala com um funcionário.
A pergunta: Nossa mãe! Isso voa?
Não, isso flutua na água.
Não, isso vai por baixo da terra.
Não, vamos pela estrada. Aliás, sabe se a Fernão Dias tá com muito trânsito?
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A cena: No velório, sujeito olha para o defunto e dirige-se a um familiar.
A pergunta: Ele morreu, né?
Não, está só fingindo.
Não, é que ele tem o sono pesado.
Sim, mas guarde segredo porque ninguém aqui sabe disso.
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A cena: Funcionários da empresa recebem o holerite.
A pergunta: É o salário?
Não, estamos todos sendo demitidos.
Não, é carnê do baú.
Não, é um telegrama que recebo todo mês do RH.
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A cena: Negrão com um pandeiro na mão, cantando Zeca Pagodinho.
A pergunta: Você é sambista?
Não, sou tenor.
Não, estou esperando meu parceiro da dupla sertaneja.
Não, toco violino na Filarmônica de Berlim.
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INSULTOS PROLIXIZADOS
O palavrão, aqui no Brasil, tornou-se inócuo. Sim, pois parte deles foi absorvida pela própria língua. Outros, de tão chulos, acabam por colocar aquele que os profere em situação quase sempre vexatória.
Millôr Fernandes, o gênio da cabeça de lâmpada, inventou os "Provérbios Prolixizados". Num processo similar, Gravataí Merengue solta seus "Palavrões Prolixizados":
Vai tomar no cu – Recebei em vossa cloaca;
Seu filho da puta – Herdeiro da profissional autônoma que atua na locação do próprio corpo por tempo determinadíssimo;
Vai se foder – Pratique o coito individualmente;
Vai pra puta que o pariu – Retornai à meretriz que vem a ser vossa genitora;
Você é foda! – Uma relação sexual serve como exemplo para qualificar sua pessoa;
É bom pra caralho! – Tais qualidades positivas servem inclusive ao pênis;
Bosta! – Sobra do processo digestivo!;
Que porra! – Que sêmen!
Grande bosta! – Tal excremento dá-se em tamanho descomunal;
Grande porra! – Quanto à quantidade, o sêmen iguala-se às proporções do excremento retrocitado;
Senta e roda! – Ponha-se sobre tal assento e, em seu eixo, prossiga girando;
Chupa meu pau! – Proceda à sucção do órgão masculino ao qual confere-se as propriedades de reprodução e que, por coincidência, vem a ser o que me pertence.
Além dos palavrões de "baixo calão", também podemos tornar prolixas as expressões tradicionalmente usadas para reforçar nossa indignação, surpresa, raiva, bronca ou tudo isso ao mesmo tempo:
Vá plantar batatas! – Sugiro que inicie no plantio de tubérculos;
Vá catar coco na ladeira! – Apanhe o fruto dos coqueiros em rua íngreme;
Vá pentear macaco! – Uma boa pedida para sua pessoa seria o alinhamento dos pêlos de um símio, realizado por meio de um pente, ou escova, ficando aí a seu critério;
Vá se roçar nas ostras! – Um meio alternativo para extravasar sua carga de estresse seria a fricção da cloaca em moluscos – infelizmente revestidos com a carapaça – que se fixam em rochedos da encosta litorânea;
Vai ver se estou na esquina! – A despeito da impossibilidade física de tal conselho, em que pese o avanço da genética no que tange à clonagem, peço a sua pessoa que verifique se estou presente acolá, na encruzilhada.
Claro que faltam muitos outros. Assim, fica aberto para que nossos trilhões de leitores elaborem seus próprios palavrões ou expressões ofensivas de forma prolixa. É Gravataí Merengue a serviço da retórica inútil!
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QUAL TIPO DE GUERREIRO É VOCÊ?
Muitos camaradas se consideram "guerreiros", pois costumam ficar com verdadeiros tanques de guerra nas baladas. Isso, que antigamente era motivo de vergonha, passou a ser uma virtude. Já vi até briga para ver quem era o mais guerreiro, com direito a tirar a prova real. Um show de horrores, literalmente.
Fato é que os que se dizem "guerreiros" não têm motivos para brigar. Há vários tipos de "guerreiros". Querem ver só?
O Vestibular da UNIP
É aquele que aprova qualquer uma. A mina olha para ele e pronto, é o suficiente. Qualquer canhão tá valendo, para um representante dessa categoria. Em geral, o "Vestibular da Unip" não é um sujeito tão deplorável. Triste é que esses camaradas, ainda por cima, ficam de lero-lero e mãozinha dada com a tranqueira.
O Curva de Rio
Esse encara tudo, tudo, mesmo. Todo tipo de mulher ou apenas IPB (isso eu só explico por e-mail), não importa: encara de tudo. É como se fosse um "Vestibular da UNIP" elevado à quinta potência, diferindo apenas pela vantagem de não ficar de namorico com o monstro.
O Benevolente
Também conhecido por "Nico Bondade", em alusão àquela personagem de Chico Anysio. Trata-se daquele tipo que dá "colher-de-chá" para uma garota horrível, fazendo isso por piedade, por compadecer da rejeição alheia etc. Enfim, a emenda obviamente sai pior do que o soneto, porque a garota naturalmente vai se empolgar, e aí acabará descobrindo que benevolência tem limites. Esse tipo, depois da terceira ligação da monstrenga (acreditem, ele passa o telefone verdadeiro), diz frases do tipo: "porra, a gente dá a mão e a mina quer o braço...". Pois é.
O Barango
Simples: é aquele que arrasta o dragão porque, ele próprio, também, é uma criatura horrível. Não pega porque gosta, nem por qualquer outro motivo. Simplesmente foi o que sobrou.
O Apostador
Resulta de pequenas brincadeiras da série "vamos-ver-quem-arrasta-o-dragão-mais-peçonhento", ou então de promessas a algum santo. Logo após o Brasil ganhar o Penta, por exemplo, registrou-se um aumento sensível de barangas que foram assediadas. Por quê? Simples: a turma tava pagando a promessa.
O Excêntrico
Tipo raríssimo, mas existente. Alguma vez na vida, alguém já viu algo assim. É o cara que larga uma garota bonita para ficar com uma feia. Isso mesmo. Somente para ficar. Não é para namorar (circunstância em que se admitem fatores como "caráter", "jeito", "compatibilidade" etc.). É só para ficar e, invariavelmente, são alguns beijos numa balada. Assim como há os que comem feijão gelado, tem gente que faz isso.
A Exceção
Comum no colegial, trata-se daquela "baranga esquema", que todo mundo já encarou de vez em quando para tirar o atraso. Todo colégio tem uma, e até tenho medo de discorrer a respeito porque o Caco Galhardo já falou sobre isso. Leiam o que ele escreveu sobre a "Gordinha Esquema". É por aí.
O Desesperado
Simples: fulano está na maior seca, maior pindaíba de mulher, aí resolve baixar o controle de qualidade. Ataca algum bagulho. Alguns dizem que é "para tirar a zica". Não acredito nisso. Na minha opinião, é porque o homem não passa sem. Não tem jeito. As mulheres, notadamente mais evoluídas, conseguem ficar um tempo sem mandar brasa. Os homens não. Daí, as monstrinhas vivem momentos de glória por conta do desespero desses machos alvoroçados.
O Alterado
É aquele que pega a mocréia e depois fica se justificando, dizendo que estava bêbado, louco ou algo assim. Bobagem. Dêem uma nota de cem reais para ver se o camarada rasga. Então, não tem desculpa. Assuma o erro e bola para frente.
O Jaspion
Esse, seguramente, é o pior tipo de guerreiro. É aquele que pega mulher feia, mas acha que é bonita. Sempre pega bagulhão, e quer convencer os amigos de que se trata de uma garota aceitável. Não adianta. Não se "desbaranga" uma mulher por decreto. Não adianta mesmo. Mas o mais engraçado é que o sujeito, ainda por cima, acredita MESMO que a garota não é feia. Na minha opinião, é caso patológico. "Jaspion" porque o indivíduo "só encara monstros".
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Se tudo correr bem, publico três textos por dia, durante todo o mês de agosto. Essa será a retrospectiva. Evamoquevamo!
Revisão: Hellen Guareschi
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transubstanciado por gravata às 05.08.08 | 15 comentários
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=(
Tô de mal Gravz
(Gravz: Opa! Você faz direito na unip e briga comigo???? Eu que deveria brigar com você!
rsrs
(Gravz: Isso é segredo)
(Gravz: Beijo, Bia!)
Adoro você, beijos.
(Gravz: É uma retrospectiva, né? E eu agradeço, Lara!
(Gravz: Valeu, Má)
Tradução: Vá peidar n´água para ver se sai bolhinhas!
(Gravz: Excelente!)
até esqueci o que ia postar akE! tchetchetche =-D
enfim, insultos prolixizados! hasuihusiah muito bom!
bjs
(Gravz: Não é bacana? Faça os seus também!
(Gravz: Mulheres muitas vezes também são guerreiras)
(Gravz: Opa, verei!)
(Gravz: Ótima!)
(Gravz: Segredo, Jackie)
"Amava/amo Perguntas Cretinas..."; Mas tinha uma sessão que também adorava, era uma de expressões ao pé da letra
( não lembro o nome, seria esse mesmo?).
Palavrão prefiro curto e grosso (com margem para duplo sentido, que também dá margem para ambigüidade...).
Quanto aos guerreiros, gostaria que você escrevesse sobre as guerreiras!!!
Hoje tô meio louca...
p.s.Vou ficar aí de 14 até 24 de agosto...trabalhando de 10h às 22h...
Beijo
(Gravz: Você vem mesmo pra São Paulo! Aee!)
(Gravz: Não tem como. Segredo. Mas, vá lá... "I" é de "Indivíduo"... Tente deduzir o resto)

