VÁRIAS BOBAGENS, NORMAN ROCKWELL, E HOMENAGEM A BH
31/07/2008
VÁRIAS BOBAGENS, NORMAN ROCKWELL, E HOMENAGEM A BH
Quase sempre tenho vergonha de admitir isso, mas é o seguinte: não gosto de artes plásticas. Não consigo me emocionar vendo um quadro, não importa a qual escola se filia o pintor. Não tem jeito: o máximo que consigo dizer é "puxa, que bonito" (às vezes com certo grau de falsidade).
E, ainda nessa seara, o que mais me impressiona até hoje são os desenhos de Norman Rockwell (*). Quem entende do riscado, por conta disso, me põe no mesmo patamar ao qual os cinéfilos colocam os adoradores de blockbusters hollywoodianos.
Então, aproveito a para continuar nessa linha: dramalhões me são mais honestos do que dramas-supostamente-bem-elaborados. Sabe? Aquela coisa do "você precisa gostar porque o diretor é fulano e os atores são beltrano e sicrana"? Quase nunca gosto dessas merdas (e já fingi muito).
Se as mulheres fingem orgasmo, nós homens fingimos que gostamos daquilo que nos daria pontos caso gostássemos. Tudo para depois conseguir comê-las, é claro; até que chega a vez de ter o fingimento devolvido. Teatro sem fim. Sigamos.
Falei de teatro, né? Pois é: odeio. Quando novinho, época de Faculdade, ficava deslumbrado com as peças do Zé Celso. Não suportaria ver algo assim nos dias de hoje. Mas não sou um inimigo do teatro. Tenho, sim, profundo desprezo por esses teatrólogos rebeldezinhos de butique, mas quero demais ver Hamlet encenada por Wagner Moura. Sou pop-televisivo, né? Sei que sou.
Ah, odeio fotografia. Ou melhor: adoro vê-las, tirá-las e até mexer em imagens. Mas não reconheço a fotografia como "arte". Façavor, né? Conversa pra boi dormir. Sebastião Salgado manda um milhão de rolos para seu estúdio, para que a equipe extraia 100 imagens. Estatisticamente, ele deveria ser o profissional menos qualificado do Cosmos.
Já que este é um texto em seqüência temática, falo agora de algo ligado à fotografia: lugares turísticos. Também não vou com a cara desse troço. Morei quase um ano na Bahia e não pisei em lugar algum que não fosse necessariamente o meu caminho. Lagoa do Abaeté? Pelourinho? Bonfim? Nem passei perto. E o Elevador Lacerda eu só via porque era caminho do trabalho.
Em São Paulo, a mesma coisa. Nunca fui ao MASP (embora tenha passado em sua calçada milhões de vezes), só fui ao Ibirapuera quando era obrigado a fazer coisas por lá (Planetário, Prodam etc). Não gosto de ir a museus e minha idéia de diversão urbana é pegar um cinema de shopping center para ver algum filme desses bem bobos, já citados - e em geral comendo aqueles sacos imensos de pipoca.
Nunca sei se sou uma pessoa autêntica demais ou um irrecuperável chato de galocha. Sei que muitas vezes me sinto mais feliz do que aqueles que visivelmente fingem gostar do que não gostam e fazem o que não querem por vários motivos.
Isso não quer dizer que todos os que discordam de mim sejam infelizes e eu o legalzão. Sei que sou o dono da verdade (tenho aqui a nota fiscal!), mas há raros momentos em que reconheço certos direitos a outras pessoas. São momentos, de fato, muito raros.
Ah! Também sou fiel a restaurantes e a profissionais de restaurantes. Vou ao mesmo japa toda semana (o Tiger), não apenas por conta do lugar, mas principalmente em razão do sushiman, meu amigo Edvan (sim, ele é meu amigo, e é óbvio que este post não foi pago).
É possível que eu vá ao Rio de Janeiro em agosto, estou em dívida com alguns amigos, em especial o Persegonha e um outro cujo nome não posso dizer. E também preciso voltar a BH, que é minha cidade favorita de todo o mundo.
Aliás, acho que gosto tanto assim de BH porque lá não existe essa coisa de "você precisa ver isso" sem que precisemos sair da rotina. As coisas legais da cidade são aquelas já integradas ao dia-a-dia e não atrapalham a rotina de ninguém.
Gosto muito disso. Queria que São Paulo fosse assim. Não tenho a menor inveja do Rio de Janeiro, mas sou obrigado a confessar que chega quase a doer a vontade absurda que eu tenho de que minha cidade pudesse ser um décimo do que é Belo Horizonte.
Em BH, eu não preciso fingir que gosto de nada.
* * *
(*) Norman Rockwell
Abaixo, alguns desenhos do gênio:





Prestem atenção no primeiro, um auto-retrato. Ele se desenha OITO VEZES (de costas, na tela, no espelho e cinco estudos!). Pra complicar (se é que precisaria disso), outros quatro auto-retratos clássicos no canto superior direito da tela - dentre os quais, um de Rembrandt e outro de Van Gogh. Foda, né?
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transubstanciado por gravata às 31.07.08 | 17 comentários
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Comentários:
(Gravz: Gosto muito daí)
Agradeço a atenção dispensada.
(Gravz: Não precisa agradecer... Mas aqui abriu direitinho [uso também o Firefox 3.0])
E sim, sou uma menina televisiva. Hahahaha.
E não acho que vc precisa fingir que gosta de algo, gravz. Eu quero mais é que se foda e se eu não curto não há cristo que me convença do contrário.
(Gravz: Opa, certíssima)
e concordo com a parte do ter que gostar pq diretor é fulano e os atores são beltrano e sicrana? ...isso é ridiculo, e soa totalmente fake!Não sei se seria o melhor..mas..(num tem muito haver esse comentário..enfim,to mandando)Peguemos ..Antony Holpkins(sei lá
Quanto a cidade..é..ouço falar muito bem de BH, ou Minas em geral...Mas..apesar de tudo..São Paulo é são paulo, saca? Sua idéia de 'diversão urbana' foi o melhor comentário que já li!! haushuaihuiashuih entretanto, eu discordo...dá pra faze uma pá de coisa nessa são paulo querida, vai da pessoa querer - corági meu filho!
Observação para os quadros..CARACA! o 1º é o melhor! surreal!
Adorei!!!
=)
(Gravz: O primeiro é fodão, tem várias paródias por aí, inclusive)
(Gravz: Sempre que dá algum erro, dizemos que a foto era mais "artística")
Mas sou obrigada a discordar sobre a fotografia! Fotografar não envolve só um mero click... é todo um conjunto de visão, enquadramento e principalmente saber mexer na máquina! só aprender a regular velocidade do obturador, o foco e essa parafernalha toda já pode ser considerado uma arte!!!
(Gravz: Eu gosto MUITO dos quadros do Van Gogh. É um dos poucos de quem gosto pra valer)
(Gravz: Os desenhos de Rockwell são maravilhosos)
(Gravz: Feitiço de Áquila? Jesus)
Beijos
(Gravz: Ué, deixa ele ir sozinho!)
mas o que tenho que te agradecer é a indicação do Tiger, que vc citou e que já havia escrito sobre ele há um tempo.
Que restaurante. Aquelas trouxinhas de frango da entrada...já valem a balada.
(Gravz: É ótimo, né? Vou falar pro Edvan me pagar ou PELO MENOS não cobrar de mim. É fantástico o restaurante!)
sera que meu post vai pro ar ??!! (roendo as unhas)
vc eh sincero, isso sim. autentico.
mas originalidade ? nao seja presuncoso...
vc me parece ser mais um, apenas mais um...
se vc falasse que gosta de nietszche todos os baba-ovos iam achar otimo e etc e tal. Quem aguenta essa turma que nao questiona nada ?
Deus te livre
(Gravz: Pelo menos você escreveu o nome do filósofo com todas as consoantes. Já é um avanço perto dos detratores contumazes)
Beijo.
(Gravz: É verdade, as meninas se arrumam demais para ir ao Shopping e, passou da meia-noite, só a Araújo está aberta)
Esse eh um sintoma comum a todos nascidos (e criados principalmente) no Novo Mundo. Essa parada de gostar de artes em geral eh coisa de Europeu. Tenho 1 amigo que diz que isso eh o tipico americanismo.
Arrolo outros sintomas:
1. Odiar ser fumante passivo
2. Adorar transportes privados em detrimento dos públicos
3. Don't give a shit about heritage
4.Achar mobilidade social a coisa mais normal do mundo.
Se lembrar outros coloco aqui...daria 1 tese ridiculamente interessante.
(Gravz: Prédio geminado é coisa de europeu. As construções daqui que são assim - repare - vêm de inspiração urbana européia)
(Gravz: Opa, seja bem vindo! E eu também acho que Watchmen tem óbvia grandiosidade literária, mas não sairá de seu posto por preconceitos vários. Assim como as duas tramas da "Liga Extraordinária" se filiam ao que de melhor foi publicado em ficção nos últimos tempos)
