LILI: EM DEFESA DO FILME DO BÁTIMA
23/07/2008
LILI: EM DEFESA DO FILME DO BÁTIMA
A ex-colunista foragida, que agora resolveu aparecer (ainda bem!), enviou um texto defendendo o indefensável. Como ela é linda, bacana e uma pessoa que adoro, o texto será publicado.

BATMAN
Na última segunda-feira, quase tive um derrame ao ler a crítica que meu querido amigo e anfitrião Gravata publicou aqui. Sabe, é raro isso acontecer. Costumo concordar com 95% de tudo que ele fala, respeito suas opiniões a um nível olímpico e o considero tão inteligente que até parece que sou tiete.
Mas, dessa vez, discordei. E como! Sei que ele não fez pra ‘causar’, como algumas pessoas ofendidas já vieram insinuar nos comentários. Realmente, ele achou o novo filme do Batman uma grande bosta. Mas eu não achei. Então, pedi a ele um espacinho aqui pra tentar mostrar o outro lado. Estão vendo? Se fosse só pela polêmica, ele nem deixaria...
Batman – O Cavaleiro das Trevas não é um filme chato. Longo, sim. Chato, jamais. Pra mim, não foram três horas de tortura. Foram três horas de ‘putaquepariu, esse filme é fodão!’. Pra terem noção, saí de lá querendo ver de novo. O filme é cheio de pequenos momentos, diálogos impagáveis, que eu precisarei rever várias vezes para ficar satisfeita. Saí do cinema completamente embasbacada, com a sensação de ter visto uma grande obra.
Chego ao atrevimento de dizer que esse novo Batman está no topo dos filmes de super-heróis. E sim, estou incluindo o Homem de Ferro. Não me entendam mal, esse último é brilhante, e desde maio ocupa o posto de nº 1. Mas agora estou tentada a substituí-lo pelo homem-morcego.
Enquanto me decido, já posso adiantar que acima dos outros filmes do Batman, ele está. Comparar com as porcarias do Joel Schumacher é até sacanagem. Coitado do George Cloney... Já comparar com as obras de Tim Burton me deixa com o coração cortado, pois ele é um de meus diretores preferidos e pra sempre vou venerá-lo. E deixo claro que sou devota também dos dois filmes do morcegão que ele dirigiu. Mas a visão que Christopher Nolan deu para a história me agrada muito mais. Repito, enfática: muuuuuuito mais.
Não é tão simplista, como o Gravata descreveu. O promotor não deixa de ser ‘do bem’ para ser ‘do mal’. Ele é o Duas Caras, porra! Li uma análise fantástica (eu achei!) que diz que Harvey Dent é o Ego de Ghotam. Batman é o Superego e Coringa, o Id. Ele representa a luta constante para não se entregar a nenhum dos dois lados. E o Coringa mexe com ele, muito. Mas ele não assume responsabilidade hora nenhuma por isso, deixando a vida das pessoas nas ‘mãos’ do destino. Coisa de obsessivo, Freud já diria. Pra mim, é exatamente o espírito da história toda do Batman.
Discordo que todos eles são ‘arquétipos para dummies’. Aliás, minto. Concordo, então, que, em todo filme de super-heróis, todos os personagens são (inclusive o Alfred, o ‘Velho Sábio’). Como em ‘Corpo Fechado’, o personagem do Samuel L. Jackson explica bem: o herói e o vilão sempre serão inversos e, por isso, sempre se completarão. Existe uma relação de interdependência e isso não é ruim. E, no caso do Batman, os outros personagens são um reflexo do que a cidade se tornou. Há aqueles que ainda acreditam, há aqueles que se renderam. De que outra maneira seria, se não assim?
Não consigo nem discutir realismo ou falta dele. Parto do pressuposto que estou assistindo a um filme de super-herói. É um outro mundo, diferente do que eu vivo, onde as pessoas são picadas por aranhas radioativas ou vieram de outro planeta. Sendo assim, não me preocupo se o Batman machucou as costas na queda ou foi mordido pelo cachorrinho. Mesmo porque, se eu for focar nisso, não vou conseguir acreditar que um homem construiu uma ‘superarmadura mega power destrutiva à prova de bombas com lança-chamas acoplado’ em uma caverna no Afeganistão, onde era mantido refém por terroristas. Mesmo esse homem sendo Tony Stark.
No quesito ‘furos gerais no roteiro’, constato o seguinte: não achei nenhum! A máfia do cinema é bocó? Não, mas a de Gotham é. Um bando de trogloditas que fazem tudo na porrada. Tanto que foi só um criminoso de Q.I. elevado aparecer para tomar tudo. Tudo ali tem explicação plausível. E não consigo enxergar como um roteiro furado, preguiçoso, analfabeto. Pelo contrário! Considerei esse o filme com menos diálogos clichês na história dos filmes blockbusters. Vários diálogos memoráveis, como entre o Coringa e o Duas Caras (GE-NI-AL!). E ainda tem alívio cômico, como aquele entre Lucius Fox e o advogado que queria fazer chantagem.
Sem contar a genialidade dos roteiristas em criar a vilania do Coringa. Diferente de outras aparições em filmes ou seriados, o Coringa é retratado como um absoluto psicopata. Ele não quer dinheiro. Ele quer fazer e acontecer. Esse é o grande lance do filme, que eu falarei em parágrafo separado, cercado de luminosos:
SPOILER – SPOILER – SPOILER – SPOILER – SPOILER – SPOILER
Sério, ler esse parágrafo antes de assistir ao filme vai arruinar a experiência. Confie em mim!
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Em raras oportunidades, eu vi um vilão puro como o Coringa. Estou falando do Coringa, não do Heath Ledger, ok? Isso fica para depois. Enfim. Não sei escolher qual é minha maldade preferida. Dizer o endereço errado que Rachel está para que Batman salve Harvey Dent? Obrigar pessoas a escolher entre a própria vida ou explodir centenas de estranhos? Incentivar a população a matar um civil em troca da explosão de um hospital? Isso é tudo muito, muito bom. Ele não tem regras, ele não tem limites. O Batman tem, e isso é o que torna o Coringa imbatível. Claro, isso não é crédito do filme, o personagem já existe há anos. Mas créditos para o roteirista que entendeu isso bem e teve a capacidade de transpor para a telona com perfeição.
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FIM DO SPOILER – FIM DO SPOILER – FIM DO SPOILER
Voltamos com nossa programação normal.
Enfim, sobre a atuação de Heath Ledger. Eu vejo da seguinte forma: fazer um vilão é muito fácil. Existem milhares de ‘moldes’ já existentes para um ator escolher. Vide novelas da Globo, por exemplo, nas quais os vilões sempre bravejam com os braços no ar gritando ‘você me pagaaaa!’.
O Coringa de Heath Ledger não se parece com ninguém. Não é risadinha forçada, não é olho esbugalhado, não é cara de mau, como atores medíocres fariam. É uma interpretação completa, de pura expressão corporal, voz, olhares, trejeitos, deboche. A maquiagem ajuda a compor, lógico. Isso é mais do que óbvio. Mas os méritos são dele sim, é absurdo pensar que não. Não sei se ele será indicado para o Oscar, mas eu torço para que seja. E o faço sem considerar que ele já morreu. Se ganhar, talvez seja por causa disso sim. Mas a atuação merece uma indicação e muito respeito.
Realmente, não podemos comparar com o Coringa do Jack Nicholson. Mais uma vez, me deixaria de coração partido, visto que amo aquele velho doido. Mas se estivessem concorrendo à mesma estatueta pelo papel do Coringa, ficaria na dúvida...
Para finalizar, e para vocês não acharem que eu sou totalmente contra a opinião do Gravata, também não gostei da voz de Batman do Christian Bale. Puta chata, me incomodou o filme inteiro. Mas, é isso aí, não se pode ganhar sempre.
Assistam ao filme, por favor. Concordem comigo, concordem com o Gravata, tanto faz. Ou melhor, discordem de nós dois e façam suas próprias críticas.
Beijo e tchau!
Lili escrevia semanalmente neste blog. Agora, sei lá, acho que ela morre de saudade, mas mesmo assim não volta só de birra.
Revisão: Hellen Guareschi
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transubstanciado por gravata às 23.07.08 | 22 comentários
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Lili nas auturas!!!!Salve, salve!!!!
Abração Gravata e Beijão em Lili!!!
(Gravz: Juro que ele escreveu isso mesmo, desse jeito mesmo, e eu não alterei a grafia de palavra alguma)
Mesmo 'acim', valeu a 'defeza' do meu quase chará
[]'s
Voz do Christian Bale "sucks"
Novo Batman "its ok"
Abraços
Super concordo.
abraço!
(Gravz: Que legal! E eles? Mande um abraço para todos, mas não me convidem para reunião alguma
[E aconselho que façam o mesmo]
"O promotor não deixa de ser ‘do bem’ para ser ‘do mal’. Ele é o Duas Caras, porra!"
Coisa que quem conhece Batman mesmo teria sacado sem problemas.
"Não consigo nem discutir realismo ou falta dele. Parto do pressuposto que estou assistindo a um filme de super-herói. É um outro mundo, diferente do que eu vivo, onde as pessoas são picadas por aranhas radioativas ou vieram de outro planeta."
Uma coisa que me irrita profundamente é quando uma pessoa acaba de ver um filme e diz que foi péssimo porque não foi real. Quer realidade, não vai ao cinema. Ou acha que um cara vir de outro planeta, voar, ter super força e usar uma cueca por cima da calça é real? Ponto pra você, LILI.
"Sem contar a genialidade dos roteiristas em criar a vilania do Coringa."
Esse foi o melhor ponto do filme. Nesse filme você percebe a periculosidade do Coringa. Os fãs dos filmes antigos que me perdoem, mas sempre achei o Coringa MUITO bobo, e dessa vez eles acertaram, dando o ar "sombrio"[ou doido, como o colega do outro post prefere] que o Coringa deveria ter SEMPRE.
"Para finalizar, e para vocês não acharem que eu sou totalmente contra a opinião do Gravata, também não gostei da voz de Batman do Christian Bale."
Ah, eu vou além. Creio que foram infelizes na escolha do ator, pra falar a verdade, mas nada que tenha incomodado a ponto de tirar a diversão.
Devo acrescentar que a atriz que fez o papel de Rachel também deixou a desejar ._.
Achei o filme melhor que o do Iron Man, e deu até vontade de assistir o do Super, pra ver se a DC tá mandando bem, como a Marvel xD
E sabe um filme que eu adoraria ver? Sandman!
Conhece?
É uma HQ em 75 números sobre o senhor dos sonhos e sua família, os Perpétuos.
É da DC, e inclusive aparecem o Batman e o Super Homem em um número, no reino do Sonhar, enquanto eles dormiam.
Uma obra prima de Neil Gaiman que ganhou vários prêmios, e eu recomendo =]
(Gravz: Pela chatice, eu deveria ter adivinhado... Fã de Sandman! Vai lá, veja Superman e o "super bebê" dando bicuda em piano de cauda que fica pregado no chão. Daí você me conta)
ueahuaheueh e a única coisa que concordo com vc Gravata é que a voz do Batman ficou meio esquisita mesmo(fiquei tão surpresa com o post passado que ate deixei de dizer isso!), confesso que me incomodou um pouco, mas ainda assim gostei de Bale no papel!
O negócio do Gravz é mais delicado, Cine Belas Artes, filmes das gêmeas Olsen, etc. Depois que ele falou que o Coringa não podia porrar o Batman eu parei.
(Gravz: Da série "Ter Blog é..." - receber dicas de macheza de um sujeito que usa como apelido o nome de uma das personagens de Senhor dos Anéis [justamente o barbudão mais gay style do filme inteiro]... é mole?)
(Gravz: Vamos lá. Toda "decapitação" é de cabeça. Não dá para "decapitar um braço" - nesse caso, seria decepar. E não é "decaptar", como vc grafou. Os nerds já foram melhores...)
(Gravz: Sei, sei... Pleonasmo proposital... Ok... Você é engraçado!
Precisamos estar na moda do pensamento atual. Deixe suas idéias do Pari e venha para a última moda de Paris e New York. E o que há de mais fashion na atualidade é que pensemos que o mal não é tão mal assim e o bem não é tão bom. Este é o pensamento de primeira, prêt-à-porter, podem confiar. Quem vesti-lo, irá provocar verdadeiro frisson nos círculos de melhor freqüência, tenham certeza, porque os maiores pensadores da arte atual, há anos, vestem-nos. Nada mais chic que mostrar as nuanças, digo, nuances, da moralidade à conta de riqueza de pensamento, de abrangência de compreensão de vida, de percepção mais multifacetada da existência. Quer parecer inteligente? Então, reze: "a personagem é rica e a trama, bem urdida, porque o malvado acabou fazendo o bem e o herói ficou perdido. É tão complexo que não sabemos na verdade quem era o herói. Aliás, como é mesmo o nome do filme?" Nem os heróis de histórias em quadrinhos escapam dessa nova onda de refrescamento filosófico. O herói ser bom, ora, coisa mais démodé, coisa mais maniqueísta! Por favor, não faça o papel do simplório do pensamento, não acredite na bondade, que cada dia tem vestido menos homens. Os artistas, sempre antenados com o que há de mais atual no pensamento moderno, repetem os filósofos que há pouco tempo, um século, vêm mostrando ser impensável: falar sobre o bem. Nada mais cafona que isto, tire de seu armário todo o tipo de idéia que fale da moral, de princípios, de uma linha de conduta. Os filmes mostram como a verdade é relativa. Vocês viram as cenas: forçado por um psicopata, o cidadão teve que escolher entre a própria vida ou a de centenas de outras pessoas e preferiu salvar-se. Viram?? Como a verdade é relativa? Como disse uma personagem de outro filme a que assisti, a verdade é uma questão de perspectiva. Uau! Viram que idéia bem alinhavada? E que perfeito caimento?
I'm the iron woman!(leia com voz robótizada - tchaNNN)
=)
O Gravata é o arquétipo perfeito do cantor de Churrascaria de Paragominas ...
bj
fernando
O melhor filme do batman é o feira da fruta.
beijos
Fernando

