TITÃS: TUDO AO MESMO TEMPO AGORA
08/07/2008
TITÃS: TUDO AO MESMO TEMPO AGORA

O rock nunca me impressionou, nunca achei interessante aquela rebeldia bocó das músicas mais "pesadas". Pra falar a verdade, até quase uns 15 anos eu simplesmente não tinha qualquer atração pela música.
Lembro que me atrai primeiro pela MPB, o que em princípio era motivo de gozação entre os amigos (depois, era motivo de admiração, pois eles passaram a gostar e eu já conhecia tudo - até que, por fim, não é mais motivo de coisa alguma).
Não conseguia gostar do rock internacional porque não entendia as letras, e sempre considerei a parte escrita de uma música tão interessante quanto a melódica.
Foi por isso que me vi atraído, isso já com praticamente 15 anos, pelo rock nacional; e em especial pelos Titãs, que na minha opinião de mocinho imberbe eram os melhores daquele segmento.
Mas o grande impacto, sem dúvida alguma, veio quando ouvi "Tudo ao Mesmo Tempo Agora", disco lançado em 1991. Ganhei de aniversário e fiquei ao mesmo tempo assombrado e deslumbrado com aquilo.
Eram músicas desconexas, um excesso de liberdade criativa, um rock mais pesado musicalmente e escatologias as mais variadas. Num mesmo disco, falavam de pus, porra, clitóris... Era o máximo! - valendo sempre lembrar que eu tinha quinze anos!
Um fator do acaso ajudou nesse meu gosto pelo disco: em vez de colocar o Lado A, pus sem querer o Lado B primeiro e, assim, comecei o disco por "Saia de Mim" (em vez de "Clitóris").
Em 1993, já sem Arnaldo Antunes, a banda lançou "Titanomaquia", uma coisa meio "mamãe quero ser grunge" que hoje acho ridícula a ponto de quase me dar vergonha.
Depois, veio "Domingo" e então o "Acústico", que tornou a banda famosa mas foi, digamos assim, o "início do fim" - morreu Marcelo Frommer, Nando Reis saiu etc.
E ainda considero "Tudo ao Mesmo Tempo Agora" o melhor e mais honesto disco da banda. Comprei o VHS com as gravações em estúdio e também é bem legal (sem contar que é um trabalho da Conspiração Filmes, na época não tão famosa quanto hoje).
É bem provável que quase ninguém tenha essa afeição pelo disco; é possível que se trate de pura memória afetiva associada a uma pequena análise comparativa quanto às demais obras da banda.
Ainda assim, eu gosto MESMO de "Tudo ao Mesmo Tempo Agora", com as escatologias, letras desconexas, "obrigado de nada", "uma coisa de cada vez", "clitóris" etc.
Minha favorita do disco é "Já", uma música não tão maluca quanto o resto do álbum, com uma igualmente normalzinha, mas com melodia bem bacana.
Por fim, elogio a capa, que ficou a cargo de Fernando Zarif. O artista utilizou ilustrações da Enciclopédia Barsa, com uma porrada de órgãos, fragmentos de corpo humano etc. Muito bom.
Algumas Músicas
Abaixo, minhas favoritas do disco:
* * *
Saia de Mim
* * *
clitóris
* * *
Já
* * *
Obrigado
* * *
Uma Coisa de Cada Vez
* * *
Não é Por Não Falar
* * *
E vamoquevamo!
(sem revisão, não esperei pela hellen... mal aê)
Posts similares:
GILBERTO GIL: VIAGEM MUSICAL
MEU "SGT PEPPERS" E MEU "CHEGA DE SAUDADE"
Uma banda aos domingos: Molotov
transubstanciado por gravata às 08.07.08 | 9 comentários
Trackback:
http://www.interney.net/blogs/htsrv/trackback.php/21601 (Os comentários abaixo exprimem a opinião dos visitantes, o autor do blog não se responsabiliza por quaisquer consequências e/ou danos que eles venham a provocar.)
Atalho pra o formulário
Comentários, Trackbacks:
(Gravz: Esse "compenção" não condiz com seu email da USP, Daniel. Ou, o que é pior, condiz)
Depois com tinanomaquia, com excessão de algumas musiquinhas dignas, a banda acabou p/ mim e de vez em quando vou atrás do som do nado e antunes.
Você acertou na lata qt suas opiniões sobre o disco.
Leeegal!
(Gravz: De Titanomaquia eu comecei gostando da faixa de abertura, pauleira e tals, mas hoje só acho bacana Disneylândia e Dissertação do Papa Sobre o Crime Seguida de Orgia, letra do Marquês de Sade
Perfeito!
Resumiu o que eu gosto da carreira dos titãs, que compreende "cabeça de dinossauro" até "tudo ao...". Não era aquela coisa pasteurizada de ser "roqueiro". Era algo mais parecido com o lance do artista plástico e escritor maduros:
_vamo pegar isso, junta com esse outro, e ver que porra dá.
Era pesado, briguento e inteligente.
Vejo as bandinhas de "rock" hoje fazendo uns trecos pouco ousados por serem exatamente pouco inteligentes. Falta referência, como vou superar uma coisa, se a coisa é meu colégio, condominio, apartamento, shop, baladinha...
( Parece coisa de véio...)
(Gravz: Quando vi uma vez Caetano Veloso ser o cara mais rebelde de um show da MTV, na boa, foi a constatação de que a nova geração está à espera de uma nova geração)
Eu tb! Vai ver que são as de letra menos problemas de adolescente do disco. O rock aqui no sudeste ficou muito hormonal.
(Gravz: Todo rock é hormonal)
(Gravz: E você faz tudo isso na sauna?)
Mas alguns morrem na punheta.
(Gravz: Ei, ei, ei! Você é o cara da USP que não sabe escrever! Não vale aparecer aqui dando liçãozinha de empáfia! Perdeu, uspianinho burro - e aprenda a usar a vírgula apositiva, bagre)
Rock é rock por causa da música, da pauleira, dos solos de guitarra, bateria, baixo. Guitarrista bom fala sempre que os vocais são perda de tempo entre os solos. Só isso. Esse papo de "sempre considerei a parte escrita de uma música tão interessante quanto a melódica" é bosta filosófica de botequim, de quem não manja de música e vem posar de entendido.
Rock é bom quando é bem tocado, não importa a letra. As melhores e clássicas composições do rock são aquelas que tem solos espetaculares, excelentes batidas, competentes linhas de baixo. Alguém aí vai fazer filosofia sobre o cara que comprou uma escada para o céu?? Porra, tenha paciência!!! Certamente vai gostar quando entra a bateria do Bonham na terceira parte da canção e, mais ainda, durante o solo (simples) do Page. Nada mais. Isso pra falar de um clássico.
Letra, retórica, texto é coisa de vagabundo. Quem faz música, toca e toca bem. Se música fosse só letra, Geraldo Vandré, com seu caminhando e cantando, seria insuperável. Aliás, essa pôrra de música desse idiota do Vandré é a antimúsica absoluta: dois acordes e melodia monótona durante intermináveis 7 minutos. Um saco. Tanto é assim que virou hino dos esquerdinhas estúpidos dos 80. Por outro lado, convenhamos que Caetano, Chico, Jobim, embora bons compositores, são chatos pra caralho, pois apostam muito mais no texto. A música fica em segundo plano. No final, vira coisa pra bebum, pra apaixonado careta, essas coisas todas, curtir
Falar é coisa pra blogueiro, poeta, daqueles que fazem parte desse grupo de merda. Música é domínio total do instrumento. E só.
Vejamos:
O Tudo ao Mesmo Tempo Agora é mesmo muito bom, não acho que precise lembrar que gostou muito porque tinha 15 anos, tenho 33 e acho-o muito bom até hoje.
Quanto ao Titanomaquia, eu discordo. Puta discão!
E daí que quiseram ser grunges?
Fizeram super bem feito.
Para mim os Titãs fizeram jus ao nome do Cabeça Dinossauro ao Titanomaquia.
Antes disso, foram uma bosta e depois, uma bosta e meia.
Um abraço
Este post tem 1 comentário aguardando aprovação...

