"FRIENDS", JOÃO GILBERTO E "BEATLES"
18/06/2008
"FRIENDS", JOÃO GILBERTO E "BEATLES"
Comprei aquela caixona do seriado "Friends" e estou revendo os episódios desde a primeira temporada. Já vi todos, claro. E ainda estou - nessa "revisita" - no segundo CD da temporada 1.
Isso me faz lembrar as qualidades óbvias do seriado, dentre as quais uma merece destaque absoluto: texto enxutíssimo e genial. Por "texto", claro, valem não apenas os diálogos, mas também as idéias por trás dos episódios e até - sim, sim - a direção dos atores e seus trejeitos (independentemente de serem oriundos de seus talentos cênicos ou de haver previsão em 'script').
Quando lia de forma voraz artigos e ensaios sobre Bossa Nova e João Gilberto, isso há uns quinze anos, entendi a transformação realizada pelo gênio musical de João - e acompanhada, depois, por gente "da antiga bossa nova". E é curioso como, nos dias de hoje, muitos consideram João Gilberto a expressão da Bossa Nova, quando na verdade ele foi um legítimo transgressor do movimento.
O que os roteiristas de "Friends" fizeram com os seriados é algo parecido com o que João Gilberto fez com a Bossa Nova. A judeuzada brilhante da equipe da série simplificou ao máximo - sem deixar perder o brilho - aquilo que antes dependia de certa sofisticação ou prolixidade.
Por isso, é equivocado situar "Friends" na mesma categoria estilística de "Seinfield". Independentemente de qual seja melhor ou pior, são estilos distintos; e o seriado mais recente é uma inequívoca evolução das idéias estilísticas propostas pela série do genial Jerry.
Assim como fazem com João Gilberto, também tentam submeter "Friends" a uma fórmula, como se a simples junção "disso, daquilo e daquilo outro" resultasse num inescapável sucesso de público e crítica. Bobagem, claro. O buraco é bem mais embaixo.
Não sou fã de João Gilberto, apesar de reconhecer sua genialidade e até assegurar que se trata do grande precursor de TODA a moderna música brasileira (resumindo: sem João, não haveria nenhum músico, banda ou coisa que o valha nos moldes como os conhecemos).
Volto a "Friends".
Não há uma fórmula para fazer um seriado bom (ou que seja a garantia inequívoca de um ótimo programa). Há elementos, claro, que precisam ser observados: bom texto, bons atores, temática razoável etc.
Mas milhares de produções seguem direitinho a cartilha e... NÃO DÃO EM NADA. Por quê? Misticismo e cosmologia à parte, há uma condição "sine qua non" para o humor: PRECISA TER GRAÇA. É isso, enfim. Sem ter graça, não é humor.
Gostaria, por fim, de fazer uma correção quanto à referência. João Gilberto, para a música brasileira, foi sem dúvida um grande transformador, mas não é adequado associá-lo a "Friends", pois o seriado é engraçado e o mestre da MPB é... chato!
Os "Beatles" servem de exemplo mais acertado. São aquela unanimidade quase óbvia, são adorados pela grande maioria - inclusive e talvez principalmente os que estudam música -, e são definitivamente muito legais.
E, assim como no caso dos FabFour, fica sempre a impressão de que todos os sucessores de "Friends" na verdade imitam o seriado. Pode ser malandragem voluntária ou apenas inspiração talvez até inconsciente.
Mas o fato é que é impossível fazer um seriado de humor, hoje, sem prestar homenagem, referência e reverência àqueles seis amigos que viviam historinhas bobas. Assim como é impossível tocar qualquer música minimamente popular sem fazer algo já anunciado pelos Beatles.
(ou mesmo por João Gilberto, mas não quero polemizar com os anti-fãs do pai da música popular brasileira moderna)
ps - texto sem revisão porque a Hellen está jogando bola e eu sou impaciente demais para esperá-la...
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transubstanciado por gravata às 18.06.08 | 16 comentários
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Comentários:
(Gravz: Eu prefiro quando sua colega de trabalho comenta
um beijo.
(Gravz: Sei sei. Deve estar cheio de erros, nem o reli para não passar nervoso)
(Gravz: Ele é chato, mas é um gênio)
Friends, sensacional, principalmente as 3 primeiras temporadas, hoje em dia eu assisto 'How i met your mother', recomendadíssima.
Beatles, super massa, mas o Paul é melhor que todos os outros 3, principalmente com o 'Wings'.
Abraços!!!
(Gravz: Paul é o mais bosta. Acho que só ganha do Ringo porque qualquer coisa ganha do Ringo. Aliás, o Ringo foi o maior caronista da história da humanidade, pode apostar. No mais, sem João Gilberto não existiria Gilberto Gil)
ELA NEM LÊ DIEREITO O BLOG. SÓ AQUELE TEXTO QUE A INTERESSAVA, PORQUE ELA TAMBÉM MANDA BEIJOCA
(Gravz: Sei)
A comparação entre a revolução/renovação de João Gilberto na música e o que "Friends" fez com os seriados de TV é perfeita. Não há excessos nos dois, e tb não são unânimes: ou ama ou se odia João e Friends.
Amo os dois!
(Gravz: Opa, seja bem vinda, Gisele. Achei que os leitores do Daniel chegariam aqui me detonando. Grata surpresa)
Friends é sensacional, será eterno. Pena que não "pegou" junto ao grande público brasileiro. Talvez pela dublagem, que matou as atuações.
(Gravz: Gosto muito de "TAHM" [adoro essas siglas!]. Segue o "padrão friends", como tantos outros, e é calcado também na competência de Charlie Sheen)
(Gravz: Eu gosto muito do Matthew Perry e da Courtney Cox; mais - bem mais - que da Jennifer Aniston. Mas ela é a mais famosa do sexteto, sem dúvida)
(Gravz: "judeu grandalhão"? Isso lá é jeito de falar? E ele já era diretor antes - inclusive, dirigiu alguns episódios de "Friends", mesmo)
Um beijo, moço...
(beijo, e não beijoca)
(Gravz: Vomitou uma jarra de sangue???)
(Gravz: Eu acho que a Marina não existe)
(Gravz: Não namoro. Opa! Finalmente o blog tá dando certo!)
Mas Seinfeld é o meu favorito. George Constanza é um personagem que merece um tratado de psiquiatria...
Abs
(Gravz: Eu gosto do doidão de cabelo em pé)
hahaha
lembra desse gravs ?
(Gravz: Vixi... Pior que não)
