MEU "SGT PEPPERS" E MEU "CHEGA DE SAUDADE"
15/04/2008
MEU "SGT PEPPERS" E MEU "CHEGA DE SAUDADE"
Quando João Gilberto lançou "Chega de Saudade", toda uma geração se sentiu pronta para fazer música. Foi algo parecido como que houve, no final dos anos 70, com o fenômeno punk. Desta feita, "Chega de Saudade" passou a ser um conceito de "após esse disco, eu queria ser músico".
Com "Sgt Peppers" ocorria algo parecido. Quem ouvia, ficava espantado, abismado, doido, encantado etc. Escolham aí um adjetivo. Um dos maiores músicos de todos os tempos, por exemplo, simplesmente resolveu parar com tudo após ouvir o disco (e falo aqui do gênio Brian Wilson, cujo disco "Smile" só foi lançado recentemente - embora se trate de um trabalho antigo).
Primeiro, falo do encantamento, e meu "Sgt Peppers" foi o acústico do Gilberto Gil, então ainda denominado "Unplugged". Gil montou uma espécie de "dream team" da música, com Marcos Suzano (percussão), Celso Fonseca (violão), Artur Maia (baixo), Jorge Gomes (bateria), Lucas Santtana (flauta) e, claro, o próprio Gil, que é um dos maiores violonistas da música popular mundial.
"A Novidade" tocava na MTV, era algo já manjado, e nem me abalou quando pus o CD. Mas de "Tenho Sede" em diante simplesmente não consegui parar o disco. Era algo absurdo aquilo tudo. Eu me perguntava como conseguiam, como era possível, como aquela extraordinária obra poderia sair assim ao vivo, sem nem aquela.
Em julho de 1994, esse álbum se tornou uma espécie de "disco onipresente" em nossa turma de Ubatuba. Suas execuções eram alternadas com várias outras coisas. Púnhamos o disco disso ou daquilo, mas entre um e outro ouvíamos inteiro o "Unplugged".
Claro que, depois disso, ouvi muita coisa que também me surpreendeu e talvez até me impressionasse mais. De todo modo, nada nunca reproduziu algo próximo do impacto de Unplugged, do Gilberto Gil, no que diz respeito à admiração pelo trabalho músicos geniais.
Esse foi, portanto, meu "Sgt Peppers", e agora vou falar de meu "Chega de Saudade", um disco muito provavelmente desconhecido de quase todos os leitores, mas que me fez perceber que fazer música popular seria algo bacana, divertido e dentro das minhas possibilidades.
Meu "Chega de Saudade" foi o disco "Tudo ao Mesmo Tempo Agora", dos Titãs. Não há qualquer 'hit' assim mais famoso, talvez "Saia de Mim", mas nem sei se conta. Quando ouvi, porém, fiquei deslumbrado com aquilo tudo, eu me via fazendo parte da banda, tocando a guitarra, ou a bateria, ou o baixo, ou cantando, ou compondo (ok, a letra de "Obrigado" não é exatamente um marco universal do lirismo).
Nunca tinha levado a música a sério - não que a leve agora -, mas foi graças a esse disco que passei a procurar o violão que havia lá em casa e aprender (aprender???) sozinho (minha mãe e meu irmão faziam aula, eu surrupiava o violão escondido e treinava sozinho as lições
).
E levei tão a sério o conceito "Chega de Saudade" - que àquela altura da minha vida não era algo conhecido, mas apenas "sentido" (ui) - que nem mesmo tirei uma mísera música dos Titãs, fui logo compondo as minhas (todas com duas ou três notas, uma espécie de punk sem gritaria).
Se alguém aqui tem raiva do fato de que eu faço músicas - sim, eu faço! -, saibam que a culpa é do disco "Tudo ao Mesmo Tempo Agora", dos Titãs. E, de certa forma, um pouco também do projeto "Nome", do Arnaldo Antunes.
Daí, claro, veio Caetano Veloso, cuja obra me deslumbrou como nenhuma outra coisa o fez durante toda a minha vida.
(sem revisão, atirem pedras)
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transubstanciado por gravata às 15.04.08 | 16 comentários
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(E vc canta super bem, tenho todas as musiquinhas salvas e ouço de vez em quando)
(Gravz: Eu canto mal, mas obrigado mesmo assim. E a Bethânia é maravilhosa)
(Gravz: Ela canta bem, sim)
(Gravz: Faça!
(Gravz: É assim... Você pergunta aos organizadores e eles dizem que há um milhão de pessoas. A PM diz que são só vinte e duas - contando o pipoqueiro)
Álbum sempre presente: Barão Vermelho (Barão Vermelho 2) E concordo contigo, o disco Tudo ao mesmo tempo agora realmente, para muitas pessoas, despertou o interesse em se fazer musica.
Valeu !
(Gravz: Pra mim, é o melhor dos Titãs. O disco mais "honesto", sob todos os aspectos)
Eu sou fã do Caetano, e a dimensao musical dele é enorme. Só que vejo muita gente desqualificar o trabalho do baiano pelos micos que ele paga, ao dar pitacos sobre tudo, desde cultivo de orquideas a física quàntica.
(Gravz: Mas é a imprensa que o procura. Quando ele eventualmente manda carta para algum veículo - e o faz rarissimamente - é para responder a acusações ou algo do gênero)
(Gravz: Nunca vi. A Britney participa, né?)
(Gravz: É um puuuuuuuuuuta disco)
p.s. Legal.
(Gravz: Tá, tá...)
(Gravz: Pra quem não sabe, essa é minha mãe)
(Gravz: Juro que não gostei desse)
(Gravz: Viu só?)
(Gravz: Eu acho que você é assim porque seu nome é Buck)
(Gravz: Ah, é óbvio que ela nem liga. O mais legal é rir dessa galera que comenta xingando
(Gravz: Pois é! O disco onipresente! Que legal vc visitar aqui, guilhermera!)
De qqr modo, já vimos q tem gente q gosta, então siga adiante e boa sorte.. só não conte mais com a minha atenção..
Abraço...
(Gravz: Olá, Fábio Reticências. Ou deveria chamá-lo de Fábio QQr? Enfim, pena que não vem mais. Aqui fica sem graça sem os comentaristas que passam vergonha. Um abraço!)

