CINEMINHA DOIS-EM-UM: "PONTO DE VISTA" E "CLOVERFIELD"
17/03/2008
CINEMINHA DOIS-EM-UM: "PONTO DE VISTA" E "CLOVERFIELD"

Neste domingo, fui ao cinema ver "Ponto de Vista"; e, no PC, terminei de ver "Cloverfield", filme de JJ Abrams. Gostei um pouco do primeiro e achei o segundo uma merda.
Por partes:
Ponto de Vista
É um filme a serviço de uma idéia. Não que isso seja ruim, nem sempre é, mas quando o conteúdo se torna refém da forma a coisa raramente ultrapassa um certo limite de genialidade. É o mesmo que se pode dizer, por exemplo, de "Amnésia".
"Ponto de Vista" é inspirado num clássico de Akira Kurosawa cujo nome agora me escapa e que, obviamente, não vi (muitas vezes tenho raiva de mim, mas nunca tive ódio-próprio, de modo que não verei o original nem debaixo de porrada).
O filme conta uma "mesma história" várias vezes e, em cada narrativa, alguma novidade muda o rumo da trama central ou uma informação modifica a impressão que tínhamos sobre algo importante. E isso se dá de forma surpreendente ou mesmo de maneira meio besta.
Tai o charme da coisa, mas está longe de ser um filme genial. Sem contar que as OITO versões bem que poderiam ser umas quatro (no máximo).
O filme, porém, não deixa de ser uma boa opção para quem pretende se divertir com uma traminha talvez boboca, mas que instiga um pouco de nossa curiosidade. Se você é da turma dos sabidinhos, lá pelas tantas dirá "eu sabia!".
Cinema pipoca (mas sem muito sal).
História
Como a forma determina o conteúdo, eles obviamente não tiveram muito cuidado com o roteiro. Noves fora a idéia de se contar a mesma lengalenga sob 4560 pontos de vista, temos uma trama absurda, com requintes de extrema imbecilidade.
Resumíssimo: matam o Presidente dos EUA e ninguém sabe quem foi. Depois, descobrimos que não o mataram, mas talvez possam mesmo matá-lo. E o filme segue essa "toada" (se é que podemos usar "toada" para definir esses solavancos de roteiro).
Atores
A parte boa, a meu ver, fica nas atuações. Como previsto, o "Jack de LOST" é o pior. Assim como no seriado, suas aparições (me recuso a usar a palavra "atuação") são inexperessivas.
William Hurt, Sigourney Weaver, Dennis Quaid e Forest Whitaker estão muito muito muito bem (dentro do que seja possível estar "bem" num filme assim, é claro). Merecem também destaque Zöe Saldana (linda!), Said Taghmaoui ("terroristinha caricato"), Edgar Ramirez ("ex-forças especiais" para Lorenzo Lamas nenhum botar defeito), Eduardo Noriega (ator de verdade!) e, claro, o IMDb (que facilita a vida de qualquer caboclo na hora de procurar esses nomes).
O desfecho é uma cerejinha hollywoodiana nesse bolo metafórico de cocô cinematográfico (que poético...). O turista americano, o agente do serviço secreto e o bravo (honesto e não-vingativo!) Presidente dos EUA fazem cada qual sua parte e o Mundo Livre escapa de mais um apuro. Ufa!
Sei que desci o porrete, mas o filme diverte. Só não dá para ver mais de uma vez - assim como Amnésia. Esse é outro mal dos filminhos que condicionam o conteúdo a uma forma "genial".
* * *
Cloverfield
É uma merda. Uma GRANDE merda. Muito muito muito ruim. E o final é simplesmente o mais previsível do século, sem contar que se trata de uma das histórias mais mal contadas do planeta.
O filme não diverte, as atuações são ridículas, personagens não são nem "normais" nem "extraordinárias", e ainda por cima não há nada de muito criativo (convenhamos: plagiar "A Bruxa de Blair" é o cu da cobra!) e nos obriga a Se o objetivo era "divertir", não diverte.
JJ deveria se manter apenas nos seriados. E olhe lá.
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transubstanciado por gravata às 17.03.08 | 10 comentários
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Comentários:
Considerando o moço culto que vc é, eu esperava que não gostasse.
Mas considerando eu, uma famigerada que adora cinema catástrofe hollywoodiano, adorei !
Principalmente a cena da estátua da liberdade com a cabeça decepada...ahahahahahahaha
(Gravz: Não sou um moço culto. O filme é um cocô, mesmo. E vc é famigerada? Como assim????)
(Gravz: Dessa vez ele escapa de uma explosão nuclear usando um pedalinho)
(Gravz: Falei de "Amnésia" porque é um filme cujo mérito se restringe à forma, não ao conteúdo. E nem sabia que filme tinha "fã"; sobretudo um como "Amnésia")
Reparou que alguns jornais e emissoras de tevê estão cometendo uma das maiores barrigadas da história. Dizem em manchetes garrafais e em pomposas reportagens que o Vaticano aumentou de sete para 13 os chamados pecados capitais.
De acordo com a cuidadosa e zelosa imprensa brasileira, além dos tradicionais sete pecados (avareza, inveja, ira, gula, luxúria, cobiça e soberba), o papa Joseph Ratzinger, o Bento 16, teria decidido que "uso de drogas", "manipulação genética", "poluir o meio ambiente", "causar injutiça social" e "ficar rico" também são considerados pecados.
Pura balela. Invenção. Falha grosseira de quem não checa e apura direito as informações.
A informação veio à tona depois de o jornal italiano Corriere della Serra entrevistar um assessor de quinto escalão do Vaticano. O jornal fez a seguinte pergunta: "Se a Igreja fosse atualizar os pecados capitais, quais seriam?" Ele respondeu e o jornal publicou.
Foi o suficiente para parte da imprensa brasileira tomar o assunto como oficial. Veja que nenhum grande jornal, como a Folha de S.Paulo, publicou uma só linha sobre o assunto. Na internet então, só quem repercute os "novos pecados" são blogs fajutos e sites de fofocas. No site oficial do Vaticano http://www.vatican.va não há nenhuma referência sobre o suposto aumento de pecados.
Vamos ver se cedo ou tarde, a combativa imprensa tupiniquim vai dar um "erramos" ou algum esclarecimento aos seus leitores e telespectadores sobre a barrigada do século.
P.S. - O assunto caberia uma discussão quilométrica e interminável sobre pecado. Afinal, mesmo que o tal aumento de pecados fosse verdadeiro, então é assim: durante toda a existência da humanidade desmatar, usar drogas ou ficar rico foi permitido ante aos olhos de Deus. Agora, de uma hora para outra, de acordo com a vontade de um velhinho fantasiado que se julga o tal, passa a ser pecado? Quem é esse cidadão que se diz papa para dizer o que as pessoas podem ou não fazer. Aliás, esse Bento deveria ser condenado à morte, no mínimo a prisão, por desestimular o uso de preservativos e pílulas anti-concepcionais por ser "contra a doutrina católica." Se ele zela tanto pelo bem estar da humanidade, por que não pega o ouro e toda a riqueza que a Igreja pilhou do mundo por séculos e investe no fim da pobreza? Falar é fácil, dr. Ratzinger. Fazer é que é difícil...
(Gravz: Ué, eu entrei nessa, então. Achei que tivessem aumentado, mesmo)
sem contar que o cara, com a ajuda de meia dúzia de zulus e tutsis armados de lanças e escudos de couro destrói o império egípcio em alguns minutos. Fántástico!
(Gravz: É o Rambo das antigas)
(Gravz: Minha tela tem 19. Mas o filme caberia numa de 5)
(Gravz: A tela do PC não é de cinema. Mas precisa ver a TV com o Home
(Gravz: Isso mesmo. A única cena. Tudo é um cocô depois [e antes] daquilo)
(Gravz: Tá todo mundo falando isso...)
