RESENHA: "FORA DE ÓRBITA", DE WOODY ALLEN, DEVERIA SER O LIVRO DE CABECEIRA DE TODO ESCRITORZINHO BRASILEIRO DA "NOVA GERAÇÃO"
12/03/2008
RESENHA: "FORA DE ÓRBITA", DE WOODY ALLEN, DEVERIA SER O LIVRO DE CABECEIRA DE TODO ESCRITORZINHO BRASILEIRO DA "NOVA GERAÇÃO"
Estou praticamente terminando a leitura de "Fora de Órbita", livro que reúne vários textos de humor de Woody Allen, originalmente publicados na imprensa norte-americana.
As histórias, quanto ao argumento, são bem simplórias. Mas a forma como ele as conduz é que o diferencia dos demais autores de historietas, contos e quejandos. Woody Allen deveria ser seguido pelos demais autores desse gênero; em especial os brasileiros.
Assim como faz Moacyr Scliar na Folha de São Paulo, ele também produz crônicas tendo por base algumas notícias reais; e esse tipo de texto compõe boa parte do livro.
Mas também há historinhas que são simplesmente historinhas, mas obviamente nada "simples". Allen passeia por diversos estilos e linguagens, tudo isso arrancando gargalhadas (pelo menos de quem chega às referências que ele suscita).
Nitidamente, é livro de um "não-escritor". São textos de alguém que não está tão preocupado com valores literários, ou com o desfecho das histórias, quanto se preocupa, por exemplo, com a graça dos diálogos, o inusitado das situações e o show de absurdos que povoam a literatura fantástica tanto quanto nossa vida corriqueira.
Gabo, o mestre do gênero - e, sim, autor supremo -, por óbvio não deixa de ser citado. Bem como uma miríade de artistas de todo tipo de modalidade ou vertente (artistas plásticos, atores, diretores de cinema etc).
Woody Allen se consagra definitivamente, também, como o campeão do "humor do resmungo", que consiste nas tiradas mais geniais emitidas em geral nas introspecções das personagens, pensamentos, frases soltas e outras formas de expressão que em qualquer gênero literário passariam como encheção de lingüiça.
No conto dedicado ao esoterismo, é difícil achar uma passagem tão engraçada como aquela em que comenta o nome do Sr. Plêiades. É um trecho bobo, que seguramente não faria a menor falta no conto. Mas, com a piada, torna-se seu melhor momento.
Mas por que, afinal de contas, falei da "nova geração" dos escritores brasileiros? Porque eles, como todos sabemos, não escrevem nada com começo-meio-e-fim. Seu talento consiste na elaboração de parágrafos rebuscados ou o exato oposto disso.
E, claro, nas referências literárias enfadonhas e modorrentas, que em geral passam por beatniks que muito mais enchiam a cara do que se punham a escrever algo de útil.
Woody Allen também não se preocupa com começo-meio-e-fim, mas é porque isso realmente pouco importa. Sua genialidade está nos diálogos, nos resmungos, nos pensamentos e, quando se trata de referências, ele as usa não como base ou cópia descarada, mas como forma de produzir um humor refinadíssimo.
"Fora de Órbita" é um livro fácil, rápido e simples de ser lido. Ao mesmo tempo, é extremamente complexo para quem se dispuser a rir nas geniais entrelinhas - sem que isso o torne chato.
Coisa de quem sabe o que faz, mesmo quando atua num campo artístico no qual está longe de ser um mestre.
* * *
Passagem Favorita
Como estou sem o livro aqui, não dá para fazer transcrição. Então segue o relato:
Um cara visita uma casa, depois de ler no anúncio que ela estaria "pronta para morar". Assim que avisa aquilo que no máximo são escombros, ele diz o seguinte: "só se estiver pronta para abrigar eventuais fugitivos ou para servir de acampamento a uma caravana de ciganos".
Em seguida, quando sua mulher diz que reformar aquela casa em pandarecos seria "um desafio" ele diz que ela quebrou o "recorde feminino em quadra fechada de observações otimistas".
Acho que é isso. Leiam!
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BLOGUEIRO-ESCRITOR É PAPAGAIADA
Meias vermelhas: primeiras opiniões
transubstanciado por gravata às 12.03.08 | 17 comentários
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Comentários:
Sua critica me deu vontade de ler...
(Gravz: Tradução. Comprei no aeroporto. Leia sim! É ótimo!)
Você lendo Woody Allen e eu lendo "Lipstick Jungle" da mesma escritora de Sex and the city...hahaha
(Gravz: Esse "Lipstick Jungle" não virou seriado com a maravilhosa Lucy Liu?)

Leio tudo dele e adorei o Fora de Órbita também. Humor judeu já mata a pau, o dele, em especial, me agrada demais.
Vc já leu um conto dele chamado "Se os impressionistas tivessem sido dentistas"?
Se não, leia, leia! Tá no livro "Sem Plumas".
(Gravz: Não conheço. Agora, quero ler!)
Assim sendo, taí um ensaio completo da cachorra mor, também chamada nas quebradas de "maior rabeta do mundo":
GOSTOSA BAGARAI, PUTA QUE PARIU! Se o maluco cair em cima dessa bunda, dá para dar dois rolamentos que ainda está em cima dela!
Não a tôa, tem gente defendendo a Bruna para fazer a Druuna no cinema. Bunda gigante, cabelos longos e olhos verdes ela já tem. E claro, não é do tipo que nega fogo para homem, mulher, alien ou jumento.
(Gravz: Link não funciona. Acabei de ver fotos dela. É horrível. O Woody Allen é mais bonito)
(Gravz: Epa, peraí! Se você já leu Woody Allen, e inclusive o conhece bem, como pode saber se o "comentário" desperta ou não a vontade de ler em quem não o conhece? É chute? E a idéia, na verdade, não é despertar ou deixar de despertar algo, mas sim dizer o que EU achei do livro. Blogs são para isso
E de boa, vou desconsiderar "prefiro o Woody Allen". Viadagem tem limite.
(Gravz: Quais são os seus limites de viadagem? rs)
(Gravz: Seu avô merece, Bia!
valeu a dica!
(Gravz: Tenho certeza que vai gostar, Paula!)
(Gravz:
(Gravz: Literatura de boteco é objeto de crítica de boteco. Não dá para fazer diferente. Ah, não houve promoção recente. Nem nada do gênero. Tá tudo beleza por aqui. E, claro, Woody Allen é "tedioso". Divertido é quem escreve "outrossim" numa caixa de comentários)
(Gravz: Eu também tenho essa falta
(Gravz: Não li "Sem Plumas". Guardo a dica - que a Patrícia também deu. Mas "Que Loucura" não achei tudo isso)
Falar que QUALQUER homem - sobretudo o Allen- é melhor que uma gostosa, com certeza ultrapassou todos os limites baitolísticos.
(Gravz: Então você não fala, você apenas sente. Entendi. Bom, espero que um dia saia do armário. Quanto ao Allen, qualquer pessoa com mais de 5 neurônios sabe que foi uma ironia. Superestimei suas sinapses. Culpa minha. Então fica a explicação... ERA IRONIA. Ok?
(Gravz: Arrisque-se, mesmo assim
(Gravz: Perto dessa mulher que você disse ser bonita, o Woody Allen é MESMO um galã. Mas quem sou eu para discutir com o cavaleiro de Senhor dos Anéis, né?
(Gravz: Não li o original. Mas por que foi tão ruim?)
