CINEMINHA: "ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ" É UM FILME BEM CHATINHO
18/02/2008
CINEMINHA: "ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ" É UM FILME BEM CHATINHO
Durante um ano, fui estagiário do departamento jurídico do Banco Central do Brasil. Dentre todos os procuradores, destacava-se a figura de Dr. Serrano. Muitos adjetivos podem ser empregados para qualifica-lo, mas há um que o define perfeitamente: sábio.
E Serrano sempre usava sua sabedoria de uma forma interessantíssima, quase sempre misturando temas aparentemente incompatíveis na hora de pitacos em conversas que tratavam de um terceiro tema também "nadavê". Tudo isso, acreditem, sem ser chato.
Vamos supor que alguém estivesse falando de futebol. O sábio interrompia o papo com alguma história sobre o funcionamento dos jipes na década de sessenta e a importância do conhecimento das doutrinas filosóficas orientais. E daí tudo se encaixava na narrativa do gol invalidado de forma indevida.
Todos ríamos - e ele ria ainda mais. Ele e eu, aliás, tínhamos algo em comum: ancestrais de Málaga. Até o sobrenome, por pouco, não era o mesmo. Meu avô materno tinha apenas o sobrenome Garcia, mas minha avó se chamava Dolores Serrano.
Enfim, era ótimo trabalhar naquele departamento jurídico, principalmente porque a nós, estagiários, cabia pouca tarefa e sobrava muito tempo para esse tipo de papo; e é assim, afinal de contas, que se aprende alguma coisa no Direito.
Essa historinha toda é para dizer que o mestre Serrano certa vez comentou sobre o único filme que faria se fosse um diretor com muito dinheiro à disposição (o pior é que ele TINHA MESMO muita grana, mas por conta da construtora da família).
Seu filme seria uma história trivial, narrada de forma normal, evitando todos os clichês do cinema. TODOS. Era essa a regra de ouro. Um filme do tipo "a vida como ela é, mas como ela REALMENTE é".
Em suma: o herói não se daria bem, nem a mocinha, as brigas seriam fatais, não haveria muita cerimônia na hora dos tiroteios, personagens morreriam sem proferir frases de efeito, ninguém acharia vaga fácil para estacionar e o café estaria frio.
Pois bem... Os irmãos Cohen, em "Onde os Fracos Não Têm Vez", fizeram exatamente o que Serrano faria. O filme não é um filme MUITO chato. É "apenas chato". Até na chatice ele não extravasa. É uma coisa morna, modorrentinha; do começo ao fim.
Não há herói, nem ninguém muito simpático. O xerife é um bunda-mole que tem preguiça de trabalhar. As mortes não são épicas, mas triviais. E até mesmo do final "bem bolado" eles escapam, quando o vilão sai do carro e não morre no acidente.
É um filme imprevisível exatamente por ser real. E estamos tão acostumados com o mundo "irreal" do cinema que até os filmes "reais" são, muitas vezes, meras simulações que obedecem as circunscrições estilísticas da linguagem cinematográfica.
"Onde os Fracos Não Têm Vez" trata de um xerife que vem de uma família com tradição policial e já não se encontra enquadrado no que seria "o mundo real" (seria no ano de 1980, pelo que notei). O filme começa com um discurso sobre a escalada da violência e termina sem "um final", mas com o camarada falando de um sonho besta que tivera. Só isso.
Trata-se, portanto, do filme do Serrano, um filme sem nada de mais. Não há genialidade alguma, não há uma grande "sacada", a história é comum, as pessoas são comuns, ninguém se sobressai. A vida passa.
Isso é bom? Não sei. Eu achei chato.
Não sei até que ponto é virtuoso fazer um filme assim. O sábio do jurídico do Bacen, quando falava sua produção hipotética, fazia obviamente uma piada. Mas a anedota dos irmãos Cohen saiu do plano das idéias e foi para as telonas (e, claro, não teve a mínima graça).
Querem um conselho? Não percam tempo vendo essa bobagem. É um filme bem chatinho.
Cinema e Espiritismo
Os defensores dos filmes "bons" (e, em geral, da arte "boa") costumam usar uma argumentação muito parecida com aquela dos espíritas. Quando atacamos alguma obra dita "genial", eles nem pestanejam: "você não entendeu!". É essa a conclusão da sentença condenatória.
No espiritismo, há algo parecido. Eles falam as maiores patacoadas e basta um pouco de raciocínio para perceber que metade é inverossímil e a outra metade é indesculpavelmente idiota. Mas aí, na hora de contra-argumentar, eles dizem que "não entendemos" ou "não estamos preparados".
Quando falei do filme dos irmãos Cohen, umas duas ou três pessoas disseram que eu não tinha entendido. Sei lá, pode ser. Vai ver que há um significado ali altamente secreto. Tão secreto que nem esses mesmos defensores souberam explicar. Porque, ainda que eu não tenha entendido (e até aceito essa possibilidade, claro!), meus interlocutores não disseram exatamente qual é a "idéia" do filme.
Pelo visto, é um segredo bem guardado. Ou então um correspondente cinematográfico à metáfora da roupa nova do rei.
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transubstanciado por gravata às 18.02.08 | 14 comentários
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Comentários:
(Gravz: Claro que não! É muito hermético para mim. Aliás, pra ser franco, não entendi também o começo. Nem o meio. Era sobre uma dançarina de foxtrot que se separa de um marinheiro para seguir carreira com uma trupe de malabaristas armênios, não?)
(Gravz: Cristina, a narrativa É LINEAR. Juro. Não é como as montagens doidas do Charlie Kauffman)
(Gravz: Olá, Haroldo. Justiça seja feita, o servidor ficou um pouquinho fora do ar para publicação de comentários, então deu esse problema. Mas, ainda assim, quando se trata de putaria todo mundo comenta mesmo)
(Gravz: Júlia, você está convocada a nos explicar os significados do filme. E colchetes para você também!
Mas é bom saber q n estou sozinho nessa de "não achei o filme tuuuudo isso". Na boa, sem querer dar uma de pedante, mas "Gosto de Sangue", "Barton Fink" e "Fargo" são apenas 3 exemplos de filmes mais interessantes dos Coen.
Abraço!
(Gravz: Relaxa, Tiago. Conhecer os Cohen não é pedantaria. É cineminha de Hollywood, mesmo, mas disfarçado de filme 'difícir'. Estamos aqui aguardando as explicações da Júlia para elucidar esse enigma)
(Gravz: Hm... Desculpa a petulância, mas... QUAL REVIRAVOLTA???)
(Gravz: Na minha sexta série - não sei como chamam isso agora -, a professora nos proibia de fazer histórias que terminassem com o "foi tudo um sonho". Só faltava MESMO ser isso. Tiraria o filme da mediocridade e o faria ser bem ruim. Mas, creio, não é. A menos que o sonho do xerife seja estupidamente real, verossímil etc)
(Gravz: O filme é chato)
(Gravz: Daí pra baixo)
(Gravz: Vez pro outra a Academia premia um filme ruim, mesmo)
(Gravz: Lamento por vc, Raquel!)
O filme dos manos judeus é bom,.Certo o colega acima: o sonho de um xerife, que sente a decadência própria e do lugar. Um crime sem solução, apenas indagação . Uma carreira experimentada pode decifrar, mas a falta de modernidade não permite solucionar. Porem a violência não choca; está presente sempre. Resultado: o xerife se aposenta e narra um episódio de um crime sem solução, ou melhor: o culpado não foi preso, tb pouco importava. O culpado era o próprio xerife diante de sua incapacidade,
Acho q ta bom.
(Gravz: Prometo não perguntar mesmo de onde você veio...
Eu escrevi o q tah ali embaixo p/ postar no meu blog mas ficou ruim, ñ vou postar. Mas então, eu "joguei no google" "narração do sonho do xerife" p/ ver se eu havia perdido algo, vai saber... "Caih" aqui, deu vontade d comentar, cah estou eu. Mas nem vou me dar ao trabalho d saber exatamente o q o cara descreveu no sonho dele (na hora eu jah tava msm pensando no acarajeh q comeria depois dali e ñ prestei atenção), mais, ñ, eu hein...
Abração!
(Comentário gigante se ñ quiser ñ posta -óbvio- mas preferi a enviar um email)
Soh hj fui ver “Onde os fracos ñ têm vez”. O q ouvi ateh então eh q o filme era denso, meio difícil d ser compreendido, ‘s/ final’...
Na porta duas senhoras (bem senhoras) e uma falou: “Forte? Q nd, td mundo gostou: Iolanda, Arlete, Graça..”. huahuah...
Aih depois: “Eu ñ gosto de fofoca, mas ela falou q vc falou q ela falou q...” huahuahuah As duas c/ sotaque forte d mineiras.
Pois eh, eu acho q entendi o filme, sim. Ou ñ entendi nd: p/ mim eh mais um filme sobre um assassino serial. Bom, bonito, c/ um jeito peculiar d ser filmado... Mas soh isso, msm. Agora vou ali ver se acho alguma resenha q me diga mais q isso.
Por enquanto o q me deu vontade msm d falar foi das duas senhoras. Eu quero envelhecer indo assistir um filme q falam q eh violento e denso!!!!!!!!!! Ñ acho isso p/ qq um, ñ. Tb ñ sei pq. Ñ sei se estou sendo preconceituosa, discriminadora... Tô? Eh vero q pelo mundo afora mtas outras senhoras e senhores fizeram o msm mas msm assim acho o q disse q acho.
P.S.: Eu dizer q o jeito d eles filmarem eh peculiar ñ significa nd, pq sou daquelas q no máx. diz q a 'fotografia eh boa', sabe como?...
Enfim, pelo que entendi, é naquela de o personagem central é o xerife que se tornou xerife meio que na obrigação por causa do pai dele...
Justamente por isso "onde os fracos nao tem vez/ no country for old man/ sin lugar para los debiles" o xerife incapaz (fraco/old/debile) nao conseguir solucionar um crime... então, nao tem vez pra ele.. saca?
ou entao... Onde os fracos não tem vez 2...
