EU E A MÚSICA
21/12/2007
EU E A MÚSICA
Hoje é dia das "notículas de sexta", mas um negócio aí nos comentários me deixou cismado (não dá para dizer "inspirado"), e resolvi falar sobre tal tema. Trata-se do que gosto no mundo musical.
Em primeiro lugar, é interessante o motivo pelo qual escrevo isso aqui. Leitores, em resposta a um texto azedinho sobre o que odeio, querem saber sobre o que gosto - uns para "comparar", outros sem justificar o pedido etc.
Não gosto de gênero algum e, ao mesmo tempo, gosto de todos. Não me atraio por uma música em razão de seu ritmo ou algo assim, bem como não a desclassifico, sistematicamente, usando esse mesmo critério.
Já vi coisas boas em praticamente todas as modalidades musicais; mas não serei mequetrefe a ponto de dizer que é uma coisa equânime, porque obviamente não é. Há gêneros nos quais encontrei MUITA coisa boa, e outros nos quais encontrei muito pouco que me agradasse.
Mas minha relação com a música é de prazer, não acadêmica. Não estudo música, embora ache que conheça uma ou outra coisa do tema. Claro que o texto de ódio, publicado ontem, era mais um apanhado de ironias e xingamentos do que análises profundas.
Porque, vamos lembrar (e é bom ter sempre isso em mente), este é um blog de humor. O QI de um leitor é inversamente proporcional ao quanto ele leva este espaço a sério. Podem reparar.
Quanto à música, nunca ouvi "rock" ou as músicas que esperavam ser as favoritas para um moleque. Não era birra ou sacanagem, mas simplesmente não ouvia nada. Ganhei, num aniversário em 1988, um disco do New Order e juro que nunca o ouvi.
Em minha casa, ouvia-se músicas de gêneros variados; de Roberto Carlos a Pablo Milanês, de música caipira "de raiz" aos sambas da turma do Cacique de Ramos, de músicas mexicanas obscuras a Julio Iglesias, de cantoras brasileiras da moda a coletâneas instrumentais internacionais.
Foi assim que aprendi a ouvir música, e nunca dei muita importância ao mundo musical. Não era isso que me atraía. Gostava de ler, de escrever e desenhar. Música era uma coisa à parte, sempre foi, durante muuuuito tempo.
Somente aos 16 anos, por aí, é que comecei a me interessar. Desse modo, muito mais por uma bagagem involuntária do que por "pedantaria", nunca me atraí por esse rock rebelde adolescente. Tinha muita excitação em conhecer as tais "músicas de protesto", que representavam para mim uma coragem e uma rebeldia acima de qualquer "adorador do capeta" do rock pesado.
Como sou uma pessoa visivelmente problemática e obsessiva ao extremo, nunca soube apenas ouvir algo de que gostasse. Era preciso saber tudo a respeito, pesquisar, ir atrás etc. Isso é bom e ruim. Bom porque posso dizer que sei praticamente tudo sobre alguns poucos artistas e bandas; ruim porque poderia ter diversificado mais esse aprendizado.
Meu primeiro grande impacto musical foi com os Titãs, isso em 1989 (e eu ainda não tinha 16 anos). Eu achava a música daquela banda muito melhor do que o das outras brasileiras. Não cheguei a cair na arapuca dos palavrões de "Cabeça Dinossauro", mas sim me intriguei - ainda bem novo - com a bizarrice de "O Pulso".
Com os Titãs, meu gosto pela música nunca deixou de ser "morno". As coisas mudaram radicalmente apenas quando me interessei mais pelo que se chama "MPB" (na verdade, por Caetano Veloso e Chico Buarque).
Naquela época, eu escrevia poemas, essas coisas, e as letras desses dois compositores foram uma revolução para mim, muito maior do que a leitura de diversos poetas. Era como se um menino habituado a ouvir música clássica, na década de sessenta, pusesse em sua vitrola o recém-lançado "Sgt Peppers".
Muita gente diz que "letra de música é letra de música e poesia é poesia", mas para a minha formação foi quase o inverso. Achava (e ainda acho um pouco) a poesia uma coisa chata, mais ou menos bocó, com exceções tão raras que não dão gosto de pesquisar. E as letras de música, ao contrário, ofereciam uma liberdade maior do que aquela vista nos livros - com o detalhe de que devem se adequar sempre a uma melodia.
Quando entrei nas faculdades (comecei fazendo duas de uma vez, Letras e Direito, mas logo fiquei apenas nesta última), já tinha definidíssimo meu desejo de ser músico profissional. Claro que seria necessário adaptar o mundo aos meus sonhos, já que jamais adaptaria a mim mesmo (nunca aceitaria entrar num conservatório ou mesmo aprender a ler partiruras, por exemplo).
Por essas e outras, claro, jamais me tornei músico. Mas enganei e ainda engano muita gente, talvez por uma certa facilidade em escrever versos e encaixá-los em melodias; meu maior problema é criar tais melodias, mas até que já fiz uma ou duas relativamente bonitinhas.
Recentemente, ao resolver montar finalmente uma banda, a sério, juntei meu "repertório" e vi que boa parte das músicas são de cinco, seis, dez anos atrás. O que houve, de lá para cá, é que talvez eu tenha aprendido a cantar melhor e afinar minha voz de uma maneira menos risível (embora ainda provoque ódio justificado por conta dos "vibratos" inconvenientes).
Mas é isso. Nem sei como este texto se transformou numa autobiografia de minha história com a música. Deveria era mandar esse monte de comentarista tomar no cu, né? É bem mais prático escrever "notícula de sexta"; sem contar que tá tarde pra caralho.
Por fim, gosto de pouca gente do mundo musical, mas são artistas de diversos estilos: Beatles, Caetano Veloso, Chico Buarque, Bezerra da Silva, Fatboy Slim, Johnny Cash, Marisa Monte, Arnaldo Antunes, Mutantes, Secos e Molhados, Gilberto Gil, Maria Bethânia, entre outros.
ps - Juro que tentei, mas não achei brecha para tirar sarro do ríntias. E, como vem sendo comum, não fiz revisão (podem tirar sarro à vontade, dizer que escrevi "jeito" com "g" etc). Agora, vou ver "House".
ps2 - Levei um papelzinho para o amigo secreto "da firma"; o presente não chegou a tempo, mas não deixa de ser algo bacana (Trilogia "O Poderoso Chefão"). E quem eu tirei - vejam que zica! - fez a maior via-crúcis para comprar o presente de seu amigo-secreto. Fiquei super puto, pois não seria justo ela ficar sem o presente hoje, considerando que rodou pra caralho para fazer a compra. Mas o pior vem agora (e alguns já devem ter imaginado): ELA ME TIROU. Ok, esse não era todo o pior. O "mais pior" vem agora: É A CHEFA! Quase lancei um míssil terra-terra para o Submarino.
ps3 - A TIM me ofereceu R$ 700 de bônus (mais o desconto da loja para adesão aos planos). Aparelhos de R$ 1500 sairiam, sei lá, por 300 mangos. Sabem o que fiz? Isso, exatamente: RECUSEI. Tudo porque fui mal atendido tanto no telefone quanto na loja da operadora. Às vezes acho que fui (sou) besta, mas até que gosto desse meu jeito ranzinza.
ps4 - Chega de "ps", se não essa porra vira "notículas de sexta - formato post-scriptum".
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transubstanciado por gravata às 21.12.07 | 10 comentários
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Comentários:
O que mais me conforta quando criticam meu gosto musical é o fato de que continuarei a ser eu, não importa o que se faça.
(Gravz: O problema é exatamente esse... As pessoas confundem nosso gosto com o que sabemos/apreciamos de técnica musical)
Como se ouvir as palavras "Joãozinho do Cavaco é demais, como você pode não gostar?!?!?" me fizesse automaticamente decorar todas as letras e montar um altar pra ele.
(Gravz: Existe um meio termo aí, Eric. E se lembrar de Nick Hornby, na boa, não ajuda na construção desse seu sobradinho filosófico)
(Gravz: Você é a Gêmula que gosta muito de mim, isso sim rs)
Coloca as tuas canções aí para gente crit, ops, apreciar.
(Gravz: Só gravei voz-guia e violão-guia. Tá bem precário, ainda)
As vezes fico meio chateada por ter largado, gostava muito de tocar, mas acho que não era pra mim...
Beijos
(Gravz: Eu nunca quis "estudar música". Queria ser músico profissional sem precisar estudar
(Gravz: Jesus!)
(Gravz: Tá por aqui)
O comentário desse Biluluzinho foi demais!!! Hahahaha...
(Gravz: Claro que lembro! Vários amigos eram fã do Guns. Eu não dava muita bola)
não concordei com a sua lisitnha de músicos-que-detesto aí em baixo, mas isso não é novidade... a gente nunca concorda mesmo!!!
saudades de vc.
beijocas!
(Gravz: Beijo, moça!)
Depois compreendi.
Parabéns pelo texto e pela sinceridade!!
Abs
Juliano
(Gravz: Olha ele aí!!!!!! Tudo bem, meu caro?)
