BLOGOSFERA BRASILEIRA: A TRISTE PASMACEIRA
13/12/2007
BLOGOSFERA BRASILEIRA: A TRISTE PASMACEIRA
Mais dia, menos dia (tudo depende do servidor, do Edney e de alguns fatores climáticos), este blog será hospedado no Interney Blogs. A idéia de juntar um grupo de blogueiros num "condomínio" (é como eles chamam) me parece algo bem legal.
Mas mantenho todas as severas críticas que sempre fiz à blogosfera brasileira. E reapresento algumas delas agora, com adendos e novas abordagens.
Uma coisa que tem me irritado muito, por exemplo, é a quantidade ABSURDA de anúncios. Há blogs que são praticamente um "caderno de classificados" dividido em posts inexpressivos; mais ou menos como a "Revista da Folha", com suas três páginas editoriais e outras 200 somente com anúncios.
É "errado"? Não, não é. Cada um faz o que quer no próprio blog e foda-se o resto. Beleza. Pessoalmente, porém, acho mais interessante - e edificante - arrumar um emprego de verdade; até porque, salvo raríssimas exceções, ninguém ganha nada além de uns 500 mangos por mês com um blog.
Vender a alma ao diabo já custou mais caro.
O pior, mesmo, nem é isso dos anúncios. Como farei parte do condomínio, é certo que haverá alguma coisa do iG ou do Google, sei lá. É a contraprestação para pagarem a hospedagem, beleza. Dureza é quando o blogueiro resolve ser o maior boa-praça do planeta, abrindo mão de sua independência e senso crítico, tudo para atrair/agradar anunciantes ou patrocinadores.
Ridículo.
E tem mais: o único pro-blogger do Brasil é o Edney, o resto ganha menos do que um atendente de telemarketing e ainda acha que o blog é uma "fonte de renda"; assim como o único blogueiro-blogueiro que é realmente "celebridade" é o Inagaki - que ficou famoso em decorrência do seu blog e publica um conteúdo bacana no dito cujo (e, neste ano, foi o grande vencedor do The BoBs, como "Melhor Blog em Língua Portuguesa" - e olha que ele concorreu com gente que escreve num dialeto que passa longe da nossa Língua!).
Claro que há muitos profissionais, de verdade, donos de blogs. São jornalistas, escritores e outros, todos pagos ou patrocinados por revistas ou portais, para manter um diário em determinado domínio.
O engraçado disso tudo é que, por aqui, acontece algo que já conhecemos da "vida real". Quem mais poderia bater no peito é quem fica quieto e não dá bola para isso (*). Tenho um amigo - amigo, mesmo - que tem o emprego dos sonhos de qualquer blogueiro.
E ele NUNCA FALOU DISSO, NUNCA COMENTOU, NUNCA TIROU SARRO, NUNCA FEZ NADA DE NADA DE NADA. Enquanto meia dúzia de pangarés vão para algum blog-camp em Presidente Prudente e divulgam o evento como se fosse a Cerimônia do Oscar, o cara redige textos para a maior emissora do país e fica na miúda.
O blog, para ele, é uma brincadeira, um sarro, um passatempo. Por isso, não consigo conter a gargalhada quando algum blogueirozinho fala do número de visitantes ou comenta sobre uns trocados obtidos com anúncios e outras bobagens.
* * *
Bom... Pode ser, mesmo, que no futuro os blogueiros se tornem efetivamente profissionais. Mas, para que tudo dê certo, é preciso que nosso mundo prime cada vez MENOS pela qualidade textual/lingüística e pela criatividade. Se isso tudo acontecer - pelo andar da carruagem, estamos chegando lá! - a grande maioria da blogosfera pode um dia se dar bem.
* * *
Blogueiro com delírio de grandeza é como o Scooby-Loo. Valentão, corajoso, briguento, mas não passa de um chiuaua invocado. E olhe lá.
* * *
(*) - A única exceção, creio, é o Reinaldo Azevedo, que depois de ser contratado pela Veja passou a ter mais do que três leitores e, então, tripudia dos desafetos com menor número de visitação. É como o bobão do colégio que, por algum motivo, provisoriamente faz parte da "turma da pesada" e resolve fazer cara feia na hora do recreio. Sabem como é? E, no caso do Reinaldo, cara feia é pleonasmo.
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transubstanciado por gravata às 13.12.07 | 12 comentários
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Comentários:
Tb odeeeeio blogs com anúncios comerciais, não tem coisa pior. Tem uns que eu entro uma vez e nunca mais, e já ficou com preconceito de ler qualquer coisa.

Beijos
(Gravz: Foda é quando tudo é muito contaminado. Posts, pop-ups, links, "indicações"...)
(Gravz: Parar de ler é radical. Mas dá raiva)
(Gravz: Ah, acontece...rs)
(Gravz: É o que vai acabar acontecendo)
(Gravz: Sei como é isso... O "comenta lá" rolava, em 2002, via ICQ e MSN...rsrs)
(Gravz: Ângelo, eu quase nunca corto um comentário. Uma das raras causas é quando ocorre ofensas a terceiros (exceto pessoas famosas etc). Nesse caso, não tenho mesmo como publicar. Escreva um comentário no blog do dito cujo e diga isso tudo. Aqui, diante da política do blog, não tem como rolar. Espero que compreenda.)
Mas conforme-se, seu blog é, de longe, o melhor.
Parabéns!
(Gravz: Eu não estou, eu sou azedo. E meu blog não é nem de longe o melhor. Os melhores blogs são quase sempre desconhecidos)
Eu só não vi nada demais no que escrevi. O que citei sobre o prêmio é fato. E não acho que seja ofensivo chamar alguém de deslumbrado... bom, pelo menos já me chamaram de coisa bem pior.
(Gravz: Bom, pode ser que já o tenham chamado de coisa pior, mas não por aqui)
(Gravz: Mas como eleger o melhor blog sem votação pela Internet? No mais, eu não gosto do blog do Kibe, acho uma porcaria, principalmente quando ele põe o próprio link em vídeos manjaaaaados. Mas isso não tira a legitimidade de um link postado por lá, né? Tenho certeza de que o Inagaki não pagou pro Kibe)
(Gravz: E eu peço desculpas por essas e outras...rs)
(Gravz: Ah, peraí... Vc não tem como "recusar" isso, né? Vc vai falar o quê? Ei, tira a indicação daí? Claro que não!)
(Gravz: Ele tinha o público da Primeira Leitura, revista fundada pelo tucano Mendonção - aquele, demitido depois de acusações gravíssimas, e cuja corretora conseguiu um contrato sem licitação com o Alckmin para gerir um fundo da Nossa Caixa. Aliás, a Primeira Leitura fechou exatamente depois que a Nossa Caixa retirou o patrocínio... Nesse meio-tempo, Reinaldo foi fazendo fama por ser contra o Governo e ter um discurso acusatório e virulento. Mas somente depois de entrar para a Veja é que ele passou a ser realmente conhecido. Procure referências a ele antes e depois da Veja)
