BLOGUEIRO-ESCRITOR É PAPAGAIADA
20/11/2007
BLOGUEIRO-ESCRITOR É PAPAGAIADA
Eu acho bem ruim esse negócio de blogueiro achar que é escritor. Claro que há blogueiros escritores, e eventualmente até mesmo escritores blogueiros, mas uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Não falo aqui nem de "linguagem" ou de "mídia", mas de talento, mesmo.
Blogueiro que não sabe escrever nem tem uma BOA história definitivamente não é escritor. É, no máximo (e sendo bem bonzinho), um cara com textos divertidos, boas tiradas, frases interessantes e... só. Pois é. Pára por aí.
E uma coisa que me intriga muito é essa necessidade de sair da virtualidade textual para o papel impresso. Como se um livro legitimasse aquilo que, até então, era apenas algo especulativo. Como se a materialização - em sua forma mais literal e óbvia - fosse um sinal de consagração; algo como um "rito de passagem" nesse raciocínio absurdo.
Há quem fature com isso. Eu acho divertido. Mas no sentido ruim da palavra "divertido" (mais ou menos como acho "divertido" quando um corintiano comemora um gol e depois toma dois, sabe?).
Uma prova cabal de que blogueiros quase nunca são escritores é a quantidade gigante de livros de "contos". Não me venham com isso e aquilo: conto é o romance com preguiça. Conto é a "tirada" travestida de história. Um romancista pode ter bons contos, sei lá. Um "contista", que seja única e tão-somente "contista", não passa de um embustezinho.
É um contador de anedotas a quem deram muito valor.
Isso não quer dizer que os "blogueiros romancistas" sejam, eles sim, grandes escritores. Porque não são. Com exceção da mulher do Idelber, não conheço ninguém no mundo dos blogs que tenha verve necessária para receber a qualificação de escritor (ou escritora).
É livrinho sarcástico, romancinho mequetrefe, comedinha de costumes, entre outras merdas. Sejamos honestos: é tudo uma grande porcaria. È ruim demais. Demais!
Nós blogueiros, que temos dois ou três leitores, quase sempre recebemos sugestões do tipo "publica isso", ou "lança um livro". É preciso saber filtrar esse tipo de comentário. Em geral, é um elogio bobo, uma forma de dizer "gostei de seu blog". Não é para levar a sério. O problema é que a maioria leva.
Jamais lançarei um livro. A menos, claro, que alguém seja idiota o bastante para PAGAR para que eu o publique. Recentemente, uma editora me procurou (juro) e falou que gostaria de publicar o "Manual do Cafajeste Moderno". Tudo bem, tudo bem, mas aí eu teria que pagar um negocinho lá (era até pouco, juro). Tirei o time de campo.
Tenho um respeito razoável pelos livros, a ponto de não me ver em uma prateleira contaminando um espaço que deveria ser minimamente respeitado. Muitos livros de blogueiros são piores do que os de auto-ajuda. Em conteúdo e estilo. E até mesmo em gramática.
Esse texto nervosinho é porque tenho um roteiro pronto e em princípio pensei num livro. Obviamente - como parece claro agora -, não o publicarei dessa forma. Mas resolvi lançá-lo, em capítulos, num blog ou algo do gênero (um capítulo por vez, todos já escritos, e não aquel coisa de escrever enquanto publica e blablabla, porque isso aí sempre dá chabu). E também sem "pdf" ou outras bobagens. Só o livro, mesmo, no blog. Por sarro e semi-subversão.
Eu juro que não sou o campeão mundial da lengalenga literária, mas a história é boa, viu?
Aguardem.
Posts similares:
A Vida Secreta dos Grandes Autores
SOBRE FACTOTUM E NADA SOBRE FACTOTUM
MILAGRE: UM ‘ENCONTRO BLOGUÍSTICO’ QUE NÃO PARECE SER ROUBADA
transubstanciado por gravata às 20.11.07 | 8 comentários
Trackback:
http://www.interney.net/blogs/htsrv/trackback.php/9835 (Os comentários abaixo exprimem a opinião dos visitantes, o autor do blog não se responsabiliza por quaisquer consequências e/ou danos que eles venham a provocar.)
Atalho pra o formulário
Comentários, Trackbacks:
Gosto do seu blog pra caramba.
(Gravz: Se eu deixar de ser chato, você deixará de gostar do meu blog pra caramba)
bom cara, vou direto ao ponto, sou leitor dos seus blogs, gosto do seu estilo etc.... mas vc pegou pesado em falar mal de contistas cara, o conto não é um projeto subdesenvolvido de romance, ele tem um estilo próprio, independente.
você, como bom leitor que é, com certeza conhece alguns contos de Machadão, Allan Poe, e outros q eu não vou ficar enumerando aqui, que são obras primas da literatura, e definitivamente não provêm de pseudo escritores fajutos. mas de qualquer modo, parabéns pelo seu trabalho e vamoquevamo (não é plágio, é referência!!!!!)
(Gravz: Conto é gênero literário. Sei disso. Mas, predominantamente, é coisa de sub-escritor que só faz gênero. Não é trocadilho, é referência
(Gravz: Não dispenso o comentário! Ele não tinha sido publicado porque eu estava em reunião
(Gravz: O problema é quando o feedback é na base da "brodagem". Dá vontade de distribuir voadoras. O blogueiro X publica um livro horrível; mas o blogueiro Y vai lá e diz que é uma obra-prima. E assim por diante. Pode reparar)
Aliás, acho que discordo de praticamente tudo.;0)
Sempre fui leitora de contos e crônicas, acho que julgar gênero "menor" é reducionismo, além disso, não saquei seus parâmetros.
Ainda não li a maior parte do foi publicada pelos blogueiros, mas quero ler. De qq forma decidir que "é ou não" escritor, porra,é papo "pra mais de metro". Nunca me atreveria a fazer isso, não acho que exista uma estrutura conceitual que segure essa argumentação.
Coloca seu livro na roda, vou gostar de ler.;0)
Mesmo que apareça um espertalhão classificando como não-literatura ou algo assim.
beijos.
(Gravz: O problema não é a diferenciação entre "escritores" e "não escritores", mas sim os livros bons dos ruins. E, dos blogueiros, não vi nada que prestasse - com exceção da mulher do Idelber, é claro. Só livro bem ruinzinho. Mas beeeeeeeeeem ruinzinho. Uma coisa é escrever compulsivamente, outra coisa é escrever por ter talento. E não são meia dúzia ou três dúzias de comentadores de blog que vão decidir que fulano é um "bom escritor". Eles valem menos do que o "espertalhão" do seu exemplo. E é por conta disso tudo que ñao ponho livro meu "na roda")
Os comentadores não podem decidir? po, me lembrou o texto "O discurdo competente" da Chauí..que aliás, é tida como menor por vários filósofos.
beijos.
(Gravz: O leitor decide. Não é um valor universal absoluto, mas um valor pessoal e relativo. Eu acho tudo uma merda. Eles, os próprios blogueiros-escritores, se acham gênios. Empatamos.
Agora estamos falando a mesma língua.Ou quase.;0)
Primeiro, livro e blog possuem formatos diferentes, propostas diferentes, estilo de textos (incluindo tamanho mesmo) diferentes.
Segundo, quem criou o blog e para quê.
Pessoalmente, eu criei um blog há um ano já para publicar meus textinhos sem-graça e não tê-los somente na hd ocupando espaço.
Outros criam blogs com o fim de terapia, de diário...
Cada um com seu cada um.
Texto para blog é diferente de texto para livro... Eu acho pelo menos. Desde a criação tu já pensas o texto em como ele deve ser... Que tipo de linguagem vais ou não usar...
Escrever para um jornal e escrever para um livro não é a mesma coisa.

