DO SACRIFÍCIO DE JESUS COMO PERDÃO AOS PECADOS DA HUMANIDADE: UMA BREVE E SIMPLÓRIA CONTESTAÇÃO TEOLÓGICA
19/09/2007
DO SACRIFÍCIO DE JESUS COMO PERDÃO AOS PECADOS DA HUMANIDADE: UMA BREVE E SIMPLÓRIA CONTESTAÇÃO TEOLÓGICA
Os cristãos acreditam que Jesus, mediante sua crucificação, salvou a humanidade do pecado em que vivera até então. Trata-se do "pecado original", aquele cometido por Adão.
Não, Adão não comeu uma maçã. Nem fez sexo com a Eva. O pecado se resume ao atrevimento de conhecer "o Bem e o Mal" (Deus os havia proibido de provar desse fruto, de obter o 'conhecimento do Bem e do Mal').
Algo um tanto parecido com a lenda grega de Prometeu, mas, para os gregos, a casa caiu apenas para o deus que se meteu a dar aos humanos a chama de Zeus - assim, os homens passaram a se distinguir dos outros animais (resumindo: é o mito da atribuição de raciocínio aos humanos, basicamente... "o juízo").
Adão e Eva pecaram, foram expulsos do Paraíso e, a partir de então, a humanidade teria vivido "em pecado" sobre a Terra (nem o Dilúvio serviu de anistia). Foi Jesus, por meio de seu sacrifício, quem finalmente nos livrou desse fardo.
É isso que diz a doutrina cristã.
Não se trata da minha opinião ou de uma leitura específica; é um ponto elementar do cristianismo. Cristãos de todas as vertentes (católicos, evangélicos, protestantes, neopentecostais etc) são unânimes quanto a isso.
Pois esse fato, exatamente esse fato, traz uma questão muito intrincada. Para fazer sentido, para ter um mínimo de lógica, é preciso que se adote uma das duas opções: ou Jesus não era a encarnação de Deus ou então o sacrifício de Jesus não livrou a humanidade do "pecado original".
Explico.
Se Jesus e Deus são apenas um, com o Espírito Santo também fazendo parte da Trindade, temos que o próprio Deus se sacrificou para salvar a humanidade de um pecado que Ele próprio criara. Ou seja, Ele condena os humanos e Ele próprio se sacrifica para salvá-los.
Dizem os cristãos que o Criador nos fez à sua imagem e semelhança. Desta feita, nosso raciocínio entra no segundo quesito (semelhança), de modo que, por mais Divina que seja, a lógica de Deus é pelo menos correlata àquela de seus filhos humanos.
E tal coisa não faz o menor sentido.
O mesmo Javé que expulsa Adão do Éden, com direito a condená-lo à morte, é aquele que "se mata" para salvar os humanos - DALI EM DIANTE - do pecado que ele próprio imputara à humanidade???
Um detalhe importante diz respeito à entrada no Céu: algumas doutrinas cristãs acreditam que aqueles que antecederam a Crucificação simplesmente NÃO VÃO PARA O CÉU (mas sim para o Limbo). O sacrifício de Jesus não teve efeito retroativo!
A Trindade em Xeque
Essa contradição óbvia da teologia cristã - de que o Deus que condena se transforma em condenado - põe em xeque a idéia da Trindade; mais especificamente, a idéia de que Jesus e o Deus Pai sejam o mesmo Ser.
Sabe-se que a Trindade não consta dos Evangelhos, nem mesmo Jesus, em tempo algum, disse que era Deus. Ao contrário, tratava Javé como Pai.
Foi a partir do Concílio de Nicéia, e por meio de uma decisão não exatamente pacífica, que se "decidiu" a respeito da divindade de Jesus, criando-se esse "três-em-um" que é a Santíssima Trindade.
De lá pra cá, como todos devem saber, não há mais contestação do que fora convencionado; e a convenção se transformou em "fato", haja vista que se trata de uma questão de fé e, quando se trata de fé, o 'objeto da crença' e um 'fato' têm o mesmo grau de 'veracidade'.
Da Piedade
Alguns podem argumentar que o Deus Pai, tendo piedade dos seres humanos, ofereceu a Si Próprio em sacrifício. Mas é importante frisar que, do "pecado original" à Cruficicação de Jesus temos aí uns bons - boooooons, mesmo - milênios.
Trata-se de uma "piedade" bem tardia.
Isenção Quase Inócua
Nós, humanos, ficamos livres do "pecado original". Isso parece uma boa coisa, mas não houve uma graaaaande exoneração de culpa. Apenas, a partir de então, pudemos ter o direito de entrar no Céu. E só. Todos, mesmo depois da Crucificação, precisamos evitar os pecados e viver de acordo com os mandamentos sagrados.
Em suma, ficamos livres do "pecado original", mas ainda assim, para entrar no Céu, precisamos nos policiar para não cometer todos os demais pecados (e o universo de infrações é imenso).
Da Divindade Pós-Crucificação
Há estudos teológicos (ou seja, argumentos para tentar dar lógica à Trindade imposta em Nicéia) que afirmam o seguinte: Jesus era um homem-homem (apenas o Filho) até sua Crucificação. Após a Ressureição, tornou-se Deus e passou a fazer parte da Trindade.
APARENTEMENTE, esse argumento anula a idéia do "Auto-sacrifício para desonerar os humanos de uma condenação imposta pelo Próprio Sacrificado". Mas há falhas aí.
Jesus era um "apenas um humano" até sua Crucificação? Difícil. Antes de ser crucificado, ele operou milagres os mais diversos (ressuscitou, curou doentes, transformou a água em vinho, jogou o espírito do diabo sobre 2000 porcos, secou uma figueira etc).
Além disso, já tinha manifestado também sua onisciência, representada de forma cabal quando fez previsões diversas (como a traição de Pedro ou especificamente o fato de que sabia da própria morte - sobre isso falaremos também mais adiante).
Lendo o que consta do Livro Sagrado dos cristãos, temos que Cristo poderia ser tudo, menos um homem-homem.
Cai por terra, portanto, a idéia de que sua divindade surgiria APENAS depois da Crucificação. Ou Ele "sempre foi humano", e todos os milagres são meras alegorias; ou Ele "sempre foi divino" e, nesse caso, temos a curiosa idéia de que o "condenador" se transforma em "mártir" da própria condenação.
Da Onisciência Como Ponto Negativo ao Sacrifício
Como vimos, os Evangelhos apontam que Jesus, entre outros dons, conseguia prever o futuro. Trata-se, pois, da Onisciência. Ele previu muitos fatos, em especial a própria "morte".
Sua Crucificação é vista como um sacrifício; desta feita, o homem se entregou à morte para salvar seus irmãos (os humanos) do pecado em que viviam ("Pecado Original").
Ocorre que Jesus sabia do futuro e, claro, também sabia que haveria uma ressurreição. Por mais que tivesse sofrido no dia de sua Crucificação, Ele tinha pleno conhecimento de que ressuscitaria.
O mártir, pela regra, sabe muito bem que vai morrer. Mas NÃO SABE QUE VAI VOLTAR. E aí está boa parte de sua entrega. O "martírio" não se resume ao sofrimento, apenas; ele envolve também a ENTREGA TOTAL DA PRÓPRIA VIDA.
(alguns muçulmanos acreditam que receberão 70 virgens quando se tornam mártires; mas a verdade é que dão a própria vida por questão de ódio, e a isso se soma o fato de que suas famílias recebem polpudas pensões e/ou indenizações)
Mas voltemos a Jesus.
Se realmente previa o futuro, e obviamente - por isso - sabia de seu retorno, não pode ser considerado um mártir dentro do conceito clássico do termo, pois não ofereceu, de fato, a própria vida.
Sofreu, sim, sofreu muito. Mas não entregou a própria vida; ao contrário, tinha conhecimento prévio de que esse sofrimento lhe traria em seguida a vida eterna no reino dos céus (e vale salientar que, para a doutrina católica, Jesus ascendeu aos céus EM CARNE E OSSO e não apenas em espírito).
Argumentos de "Gambiarra"
Temos que a teologia cristã, em sua grande maioria, serve para justificar não apenas algumas inconsistências dos Evangelhos, como também para dar "razão" a alguns dogmas criados por sacerdotes que viveram BEM DEPOIS da passagem de Jesus pela Terra.
O catolicismo, em especial, contém um sem-número de dogmas que são acompanhados das mais diversas explicações; muitas delas, sem dúvida, extremamente profundas.
A questão, portanto, não é apenas refutar aquilo que os filósofos católicos argumentam, mas sim questionar a veracidade do "fato dogmático". Como o campo da fé não se submete à luz da razão, tal exercício já nasce morto; e toda a "filosofia" que explica os dogmas não deixa de se resumir a "gambiarras argumentativas".
Hipóteses
Sinceramente, não sei se a teologia cristã já explicou essa contradição do Pai condenar a Si Próprio para salvar a humanidade que Ele condenara. E nem como eles explicam o "singelo hiato" de milênios entre um fato e outro.
Se foi "piedade", temos que ela demorou um bocado para se manifestar, de modo que MILHÕES de seres humanos, sem ter nada a ver com Adão, viveram em pecado e nunca puderam entrar no Céu.
Se alguém souber como se explica essa contradiçãozinha singela, por favor, avise nos comentários.
ps - Peço desculpas se me esqueci de alguma letra maiúscula em pronomes pessoais atribuídos a Jesus ou Deus.
pps - Os judeus antigos, sobretudo os autores do Velho Testamento, desconheciam o conceito de "céu" como vigora nos dias de hoje. Essa idéia nasceu com Platão e chegou ao cristianismo por meio dos padres que viveram séculos após a passagem de Jesus pela Terra (ele, aliás, seguia rigorosamente a lei judaica). Mesmo os escritos bíblicos cristãos mais antigos, os de Paulo (que era fariseu), sofrem influência grega muito grande, pois o autor das epístolas fora discípulo de Gamaliel.
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transubstanciado por gravata às 19.09.07 | 20 comentários
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Comentários:
Das minhas poucas leituras bíblicas (eu sou católica com razoável freqüência à Igreja), eu pude perceber que o sacrifício de Jesus foi para expiar os pecados "em geral" da humanidade, não apenas o pecado original, e não encontrei ainda na Bíblia algo que dissesse sobre a irretroatividade dessa graça, então se não tem, acredito que ela é válida "para trás". Parece-me também que, mesmo que Jesus soubesse que ia voltar, o que de fato sabia segundo os Evangelhos (Lucas 20, 17 é uma das referências), a crucificação foi um ato de sacrifício da parte humana dele, que trazia a natureza divina e a humana em si e, vou te falar, a parte humana deve ter sofrido um horror! Com esse sacrifício, que é uma versão "ampliada" dos antigos sacrifícios a Javé no Antigo Testamento (pombas, carneiros, etc.), Deus Pai mostrou que estava crucificando a parte humana do Seu enviado, onde ele era igual à humanidade, a fim que o restante das pessoas tivesse um "habeas corpus" ou um bode expiatório, digamos a grosso modo. Dessa forma, o fato de crer no sacrifício de Jesus-homem e na ressureição de Jesus-Divino nos torna livres das conseqüências do pecado (que Paulo diz que é a morte espiritual, mas não me lembro em qual Epístola), pois quando o Diabo vai até Deus para cobrar seus direitos em nossos pecados (O livro de Jó fala que isso acontece!), Ele mostra que um sacrifício maior já foi feito para pagar essas "dívidas".
À luz da razão e assim, de cara, não faz muito sentido, mas como você mesmo disse, não dá para buscar lógica na fé. Tem muita literatura por aí que talvez possa te esclarecer um pouco mais sobre o caso. Posso tentar te indicar uns livros do Augusto Cury (psiquiatra, eu acho); ele tem uma coleção que se chama Análise da Inteligência de Cristo, me parece que são 4 livros; ele faz uma análise dos ensinamentos de Jesus como educador, psicólogo, etc, são interessantes como ponto de partida. Dentro da Igreja Católica tem um cara que se chama Felipe Aquino (ele é professor do ITA e também escreve sobre teologia), deve ter escrito uns 50 livros de doutrina, alguns eu li e gostei (Editora Loyola).
Brilhante texto! Como eu já disse em comentários aqui, é difícil eu ler alguém que escreve criticando sem ser ofensivo (alguns ainda não entenderam o sentido da palavra "crítica"). Espero ter conseguido fazer algum sentido pra você. Não tive a intenção de te doutrinar, mas apenas de mostrar que a gente pode achar algum sentido na fé.
Abraços!
(Gravz: O sacrifício de Jesus foi para expiar a humanidade do "pecado original". Isso é dogmático. Tanto que apenas os nascidos a partir de tal sacrifício é que - mediante batismo e outros que tais - teriam direito de entrar no Céu. Aos patriarcas restaria o limbo - menos, talvez, a Enoque, que ascendeu e se sentou ao lado de Javé. Mas valeu pela colaboração, e muito obrigado pelos elogios!
(Gravz: Sim! E foi ele, Elias, que contou sobre Enoque. Elias foi e voltou. Enoque ficou...)
Voltando à vaca fria, acho que tens uma argumentação boa, mas baseada muito no catolicismo e, na minha opinião, é como defender a invasão ao Iraque usando notícias da Fox News.
Apesar de não ser um evangélico e hoje acreditar muito pouco nisso tudo, que para mim não passam de alegorias para representar o que teria acontecido, já estudei bastante a Bíblia. Concordo com a Adriana, está escrito que Jesus morreu para livrar a humanidade de seus pecados, não d'O Pecado Original. O que está escrito é que as pessoas deveriam ter fé que depositando seus pecados em um ser sem defeitos, através da confissão a Deus, não a um intermediário, a morte dele expiaria-os.
A vinda de Jesus à terra seria para tomar o lugar desses seres sem defeito e, dali em diante, todo aquele que acreditasse que a morte d'Ele expiaria seus pecados, teria direito à vida eterna. Desde que houvesse a confissão.
A aceitação deve acontecer por meio do batismo e, por isso, nas religiões evangélicas ele só é aceito a partir de uma certa idade, quando a criança tem uma certa consciência do que está fazendo. E somento após estudar aquilo. Infelizmente não lembro-me é do que é dito sobre as crianças que morrem quando bebê ou antes do batismo.
Quanto ao "céu", que eu me lembre, seria uma espécie de Jardim do Éden onde as pessoas poderiam conviver com Deus. Ouvi certa vez umas lambanças de que cada um viraria um anjo e que o tamanho de suas asas representaria o quanto aquela pessoa dedicou sua vida a Deus. Uma bobagem sem tamanho, basta levar em consideração que a eternidade é bem mais longa do que a vida de uma pessoa na terra. Mesmo no caso do Matusalém.
Quanto à Trindade, prefiro tentar explicar a minha visão, pois das Escrituras tu já sabes. Eles são três, mas são oniscientes e tem julgamentos perfeitos, então praticamente compartilham a mesma mente, logo, são um só. Mais ou menos isso
Então a Trindade sabia que um humano perfeito teria de morrer para que os pecados da humanidade fossem expiados. Mas todo humando nasce pecador. Assim, Deus teria que assumir esse papel. Jesus, então, assume a forma humana para realizar este sacrifício. Como que ele sabia que era o Filho de Deus e todas as outras previsões? Sonhos, anjos, casa maluca com televisão 3D no Pólo Norte... Ao teu critério. Apesar de que eu acho que há algo escrito sobre isso. Já os milagres poderiam ser realizados pelo próprio Deus através de pedidos de Jesus.
Do que eu lembro, acho que era isso para contribuir...
(Gravz: Nenhum comentário até agora. Já falei desses temas outras vezes, e não recebi grandes xingamentos... Quanto ao mais, se a morte de Cristo representa o perdão do 'pecado original' ou de 'todos os pecados', convenhamos, isso não muda o centro deste texto. Afinal, é o "condenador" se oferecendo em sacrifício para livrar o "condenado" da pena imposta por Ele Próprio. Não há lógica nisso...)
(Gravz: As explicações científicas são interessantes, mas a idéia do texto evangélico era justamente demonstrar o poder de cura. A transformação da água em vinho seria explciada como??? Enfim, o texto bíblico contém façanhas da pesada - ah! Lazaro tinha lepra; não era cardíaco nem, acredito, tinha catalepsia)
Contudo, apesar de sua tese ser boa, ela contém algumas falhas. Advogado que é, sabe que o estado condena uma pessoa por um crime que ele ajudou a cometer, e depois lhe concede uma remissão, anistia ou coisa que o valha! Logo, Deus poderia ter criado uma regra, condenado todos os humanos por ela, e, depois, anistiá-los segundo uma nova regra por ele criada. Não há controvérsia nisso.
Tanto é que Jesus, em alguns trechos da bíblia deixa bem claro que Deus, o eterno sanguinário esta mudando, DEUS É AMOR, diriam alguns filósofos cristãos.
É de uma diferença grotesca o Deus-AC e o Deus-DC, um Deus que amava sangue, sacrifícios, destruir povos vizinhos (porque o verdadeiro Deus sempre é o que ganha a batalha, invariavelmente) de um dia "Jesus" pra outro dia "Jesus" se torna um pai amável, um ser disposto a perdoar.
"Pelo sangue do seu filho amado" (frase claramente de alguém religioso... rs), ele remiu os pecados da humanidade... que, no mais absurdo possível, teria apenas descumprido uma regra dele.
Alguns padres defendem que ADÃO E EVA é só uma história de ninar... uma alegoria à criação do mundo e a explicação para o sofrimento da raça humana...
Logo, não se sabe realmente onde foi cometido o pecado original, representando por ADÃO E EVA...
A bíblia esta cheia de erros, traduções erradas, sem contar que era passada de pai para filho, logo, "quem conta um conto, aumenta um ponto". Um dia eu li que a bíblia não tem nem 2300 anos... foi escrita pouco tempo antes do nascimento de Jesus.
Me lembro de uma cena de "coração valente", onde um cara olhando pro willian wallace fala -- você não é ele, ele tem dois metros de altura! e o will responde: e tb solta raios pela bunda!
Em relação à entrada nos céus antes de jesus, ta aí uma dúvida que sempre mecheu comigo... contudo, salvo engano, há uma parte na bíblia que diz que depois de Jesus, o efeito foi retroativo! Antes dele ninguem entrara no céu, mas depois, a festa tava armada! Todo mundo pra dentro!
A bíblia é um belo livro, grandes escritores, grandes sintetizadores de lendas, que, é claro, deram sua pitada de romance a tudo... Guerras, brigas, sangue, anjos mortais, Deus-homem, irmão matando irmão, mares que se abrim com um toque de cajado...
Hoje estou no limbo entre o ateu e o fiel (agnóstico?), a verdade é que entendi que a bíblia é um livro de regras que se levadas totalmente à sério, mal nenhum há de fazer (mas, é bom sempre ponderar... pois minha mão peca e não prentendo arrancá-la)... Que, o big ben e outras teorias são bem interessantes...
Que a bíblia fala que o mundo era habitado por feras (dinossauros?!) e que, dos males o menor, já vi muita gente que tava jogada na merda ser levantada pelas palavras da bíblia...
Ou seja... religão para os que precisam dela... fé para os que precisam dela... e razão para os que, mesmo sentindo falta de religião e fé... preferem se guiar por seus próprios passos!
(Gravz: Comentarei um trecho em específico: "Contudo, apesar de sua tese ser boa, ela contém algumas falhas. Advogado que é, sabe que o estado condena uma pessoa por um crime que ele ajudou a cometer, e depois lhe concede uma remissão, anistia ou coisa que o valha! Logo, Deus poderia ter criado uma regra, condenado todos os humanos por ela, e, depois, anistiá-los segundo uma nova regra por ele criada. Não há controvérsia nisso." - o problema é Deus, onisciente, esperar milênios para mudar a regra. Ou não é onisciente, ou fez a humanidade sofrer de propósito por muitos, muitos e muuuuuuuitos anos)
BALELA!!! O pecado original não existe! Isso é um dos maiores mecanismos de guerra e dominação já criados pelo homem para manter o poder nas classes mais abastadas frente a sociedade em geral!!!
Tanto que eu prefiro muito mais cultuar a natureza e sua divindade, do que cultuar uma pessoa! Como acontecia com as religiões pagãs que foram aniquiladas pelas Igrejas Modernas (principalmente a Católica Romana).
Deus deu o dom do livre arbitrio para que cada ser pudesse escolher seus próprios caminhos e sofrer as consequencias de suas escolhas!!! Por isso que não admito o papel exercido pelas Igrejas de forma geral, pois elas tolhem o livre arbitrio para manter "seus rebanhos".
As igrejas, TODAS, acabaram com a espiritualidade do homem de forma a impor sua própria doutrina. E era através dessa espiritualidade que a cultura do homem, o conhecimento acumulado de uma sociedade ao longo das gerações e a adaptação da humanidade à natureza, permaneceu ao longo dos séculos até a fundação da Igreja por Pedro e todas as demais ocidentais que surgiram após (Islamismo, Evangelicos, Protestantes, Adventitas etc, etc etc)!
Precisamos nos livrar do maniqueismo que rege nossa sociedade. Não existe "bem" X "mal"; "certo" X "errado". O que existe são diversas interpretações, visões sobre uma determinada realidade!!!
Mas enfim, eu respeito àqueles que seguem uma determinada religião e espero que essas interpretações equivocadas da Biblia e da História se adequem à razão, pois só teremos uma sociedade evoluida quando o HOMEM encontrar o equilibrio entre a Emoção e a Razão!
Abraços gravata, excelente texto
(Gravz: Seu comentário vai gerar briga, Vitão...rs)
Quanto a questão da Trindade, Jesus afirma categoricamente que é Deus, quando afirma: "Eu e o Pai somos um" (jo 14,30); inclusive, um dos motivos que levaram à condenação de Jesus pelo sinédrio foi a de que "sendo homem, se faz igual à Deus" (desculpe, mas não lembro em qual dos evangelhos isso é dito). Jesus era Deus ANTES da encarnação, DURANTE sua vida terrena, e APÓS sua ressurreição. Jesus era em tudo humano, mas ao invés de uma alma, era animado pela segunda pessoa da Santísssima Trindade, o Verbo encarnado de Deus que, no princípio, esteva junto de Deus (Jo 1,1). Quanto ao conceito d emártir, Jesus NÃO É E NUNCA PODERIA SER MÁRTIR, pois mártir é aquele que morre por defender alguém/alguma causa (na acepção critã da palavra, mártir é aquele que morre por causa de Cristo e do anúncio do Evangelho). Jesus é vítima sacrifical, oferece livremente a vida, ao contrário do mártir, geralmente um perseguido/preso. Jesus poderia ter fugido do que o esperava, mas não o fez porque tinha plena consciência do que fazia. Quanto à ressurreição, Jesus não ofereceu a vida buscando a vida eterna, aifnal ELE É DEUS; sua ascenção em corpo para o paraíso significa que a partir daquele momento, todo ser humano está apto a ingressar no céu em corpo e alma, coisa que antes da Redenção por ele operada, seria impossível. Ele mesmo diz que nínguém tirava a sua vida: ele tinha o poder de dá-la, e o poder de retomá-la (evangelho de João, mas não lembro qual capítulo). Então, ele realmente não pode ser considerado mártir nem no conceito cristão, nem no clássico (também não sei que idéia é essa, pois cada religião tem seu conceito do que é martírio).
O Pai que salva a si próprio: em primeiro lugar o Pai, o Filho, e o Espírito Santo são um só Deus, mas são pessoas distintas, portanto Jesus não salva de algo que le mesmo condenou, porque ele e o Pai são distintos. Aliás, mesmo que fossem iguais, Deus NÃO CONDENOU a humanidade, pois ele nos deu livre-arbítrio, e o pecado original foi feito por iniciatia,livre e espontânea do homem: a expulsão do paraíso (que não é o paraíso celeste, apenas uma alegoria para expressão a harmonia que havia no mundo no início da criação)é simples consequência do ato cometido pelo primeiro casal, e simboliza a perda da Graça recebida originalmente do Criador. Isso é assim até hoje: quando pecamos, ninguém nos obriga a fazê-lo, nós o fazemos porque queremos, e com isso, nos afastamos de Deus; não podemos imputar a ele, a culpa por não querermos partilhar de sua presença e sua vontade para nós - nesse sentido, Deus não condena ninguém ao inferno; nós vamos para lá em consequência dos atos que realizamos nessa vida. Deus, pelo contrário, não quer condenar ninguém: se quisesse não teria feito o sacrifício da Redenção para nos salvar.
Em tempo: seu blog é muito bacana, e acho legal ver opiniões como a sua, que apesar de serem diferentes das minhas, são opiniões com argumento, (aqui não falo só de religião, mas de todos os assuntos em geral). Isso tá meio raro na blogosfera, onde tá cheio de gente raivosa espumando pelos cantos da boca (e entre as pontas dos dedos... háhá, que sem graça...). Valeu!
(Gravz: Olá, José. Não concordo com seu ponto-de-vista, claro, mas o respeito profundamente, por ser oriundo de sua fé e, também, por ter sido exposto de forma tão civilizada. De fato, isso faz falta na Internet. Um abraço!)
:-)
(Gravz: Aí sai briga! rs)
Disse uma vez para uma turma de alunos que para me tornar um bom engenheiro tive que me livrar de certas amarras judaico-cristãs. O bicho pegou.
O Brasil é um dos poucos países do mundo em que qualquer um pode sair de casa, professar a sua fé em qualquer templo de qualquer religião (muitas vezes em mais de uma...) e voltar pra casa sem ser insultado e/ou ridicularizado. Mas pôr em dúvida sua difícil fé - qualquer que seja ela - ou mesmo afirmar ser ateu ou agnóstico com base em argumentos absolutamente lógicos é pedir pra levar chicotada. Especialmente aqui no sul, onde recusar-se a torcer por Inter ou Grêmio, ou tangenciar o fato de que os gaúchos comemoramos (20 de setembro) uma guerra que perdemos é pedir pra ser linchado.
(Gravz: Pois é... Ser agnóstico é uma barra pesadíssima. Às vezes eu evito entrar nesse assunto já prevendo o linchamento. Mas cristãos também sofrem. Tenho um amigo, católico, que sofre discriminação violenta. Acho uma estupidez. Ele também evita esses temas para não se aborrecer)
hahahaha... big bang... obrigado pela ótima piada com a teoria Albion!
(Gravz:
(Gravz: Carlos Castañeda sugeriria 'peyote'...
(Gravz: Abrão? E Adão?)
EU NÃO ME IMPORTO!
Pronto, desabafei. (E ainda li um bocado de comentários, mas sá comé, bebi o sangue de Cristo demais hoje e tava dando soninho.)
(Gravz: rsss)
Opa! Pera lá!
Claro que há controvérsia.
1. Deus é Justo. e uma parte de seu Plano Criativo foi executato, a saber, de se 'encher a terra e sujeita-la'. A terra esta cheia de gente. (Gênesis 1:28) Como desfazer isso?
2. Você faz idéia de quantos anjos viram, desde o céu, a criação de Deus? Inclusive, Jesus estava lá, por ser sua primeira Criação. Satanás também estava, viu tudo e achou tão belo que quis pra si a adoração a Deus. Tanto que foi lá embaixo tentar Eva / Adão.
Deuteronômio 32:4 diz: "A Rocha, perfeita é sua atuação. Todos os seus caminhos são justiça. Justo e reto é ele".
Você acha justo, mesmo de nosso ponto de vista humano, que Deus "refizesse tudo" por causa de uma falha de planos causada pelo homem, mesmo tendo uma parte de seu projeto dado certo?
Cadê a justiça nisso?
Outra coisa: Você faz idéia do que é 'eternidade a eternidade'(salmo 90:2)? Quer pautar o tempo de Deus com o nosso? dizer que Ele está 'esperando demais' não seria prepotencia, dizer o que deve ser feito, e quando?
Sabia que pra Deus um dia são mil anos 2 Pedro 3:8?
Calcule entao aí, verá que foram tomadas medidas IMEDIATAS por Deus, pra resolver as questões.
2 Reis 2:11 diz : " seguindo eles andando, falando ao andarem, ora, eis um carro de guerra, de fogo, e cavalos de fogo, e eles passaram a fazer uma separação entre os dois; e Elias foi subindo aos céus no vendaval"
Não diz que elias subiu NO CARRO DE FOGO. Tampouco a Bíblia diz que ele morreu naquela ocasião.
Provas? Sim!
5 anos depois do acontecido no vendaval, Elias mandou uma carta para Jeorão, rei de Judá.
Consta em 2 Crônicas 21:12, onde diz: "Por fim chegou a [Jeorão, rei de Judá] um escrito da parte de Elias o profeta"
Por que todos querem ir pro céu? Se Deus criou a humanidade pra ir pra lá, por que colocou Adão e Eva aqui na Terra?
Onde eles estariam, se não tivessem pecado e, por consequencia, morrido?
Aqui na Terra - ou ido pro céu?
Os seus argumentos padecem de uma hermeneutica biblica razoável, pois se tivesse isso em seu cachola, saberia que a criticas da fontes distingue nos textos originais o que é acréscimos de movimentos a titulo de interesses dentro do judaismo e o que é "Palavra de Deus". Mas vai estudando, um dia cv mais. abraõs
