CREMAÇÃO: DESAPEGO AO CORPO OU “COMPACTAÇÃO”?

29/08/2007

CREMAÇÃO: DESAPEGO AO CORPO OU “COMPACTAÇÃO”?

Muita gente, em vez do enterro tradicional, prefere ser cremada. E a justificativa, em praticamente todos os casos, seria um suposto desapego ao corpo físico morto; ou seja, desapego à matéria sem vida.

Ocorre que muitos dos que são cremados pedem que se jogue suas cinzas em algum lugar específico: determinada árvore, praia, oceano ou mesmo, entre infinitas opções, que se guarde numa urna a ser enterrada em determinado local.

Em suma: não há um verdadeiro desapego à matéria, mas no máximo uma compactação. Em vez de um defunto; cinzas: mas, ainda assim, um "túmulo" (no sentido amplo, não deixa de ser um túmulo, ainda que a matéria seja diluída depois da compactação).

Essas pessoas, portanto, não têm a menor intenção de se livrar do corpo. Elas querem, sim, manter sua matéria física; e de preferência num lugar pelo qual tenha simpatia ou afeição.

Pela lógica, quando alguém supostamente despreza a matéria, tanto faz ter as cinzas "distribuídas num passeio de barco entre Ubatuba e Caraguá" ou simplesmente ter seus restos jogados no lixo.

Digo isso não apenas por ter certa aversão a esse pó de gente morta queimada, que se costuma jogar nos mares, campos, parques e quejandos; a idéia aqui é, antes de tudo, apontar a falta de lógica desse tipo de desejo.

Não tenho subsídios técnicos para tal afirmação; digo com total irresponsabilidade: o "pó de gente queimada" não serve para nada. Não alimenta os peixes, não diminui a taxa de carbono (aliás, aumenta!), não despolui águas.... Nada, nada, nada. Utilidade zero.

Se alguém quer que o corpo seja útil, além da óbvia doação dos órgãos, poderia pedir para ter TODO O CORPO jogado no mar. Os camarões, pelo menos, agradeceriam.

E nem venham dizer que o texto é de mau gosto. Péssimo gosto é o de quem pede para ter as cinzas jogadas no mar. Prefiro saber que um camarão comeu um defunto - o que está dentro das regras da natureza -, do que imaginar que naquela água em que nado há um pouco do pó queimado de alguém.

Écati! (*)

ps - Antes que alguém pergunte: eu quero ser cremado. Antes que algum engraçadinho faça a piada óbvia: sim, só depois de morto. E, apenas para constar: gostaria muito que jogassem minhas cinzas no lixo. Como a Lei não permite, não dá para meu corpo ser jogado aos camarões (se pudesse, eu ficaria com essa opção; mas não queria que meus inimigos da máfia entendessem como uma sugestão).

(*) A expressão "écati!" pertence às Corporações DriBarroso S.A. e foi usada neste texto mediante autorização mais ou menos expressa. Todos os direitos são reservados e quem a usar poderá sofrer sanções legais e bem pouco legais.


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transubstanciado por gravata às 29.08.07 | 18 comentários


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Comentário de: Márcio F. M.

Valeu pelo texto, gostei demais. Então, acho a cremação mais uma moda dos últimos tempos, mas qd digo isso td mundo se ofende...
obs: pela foto no site das "Corporações Dribarroso", a dona da expressão "écati" n tem nada de ecati, ãh?

(Gravz: Não, ela é linda)

PermalinkPermalink 29.08.07 @ 11:38



Comentário de: bobmacjack · http://outforlunch.blogspot.com

Rá! Nunca tinha pensado neste sentido, e estás coberto de razão. O verdadeiro desapego é doar o corpo à natureza e virar cocô de camarão ou urubu, hehe.

(Gravz: Exatamente! rsrs)

PermalinkPermalink 29.08.07 @ 12:18



Comentário de: marcos

Bom, se o caso é de desapego mesmo ao corpo, e ainda dar alguma utilidade a ele, o melhor seria doar para uma faculdade de medicina.

(Gravz: Ainda prefiro a história do camarão...rs)

PermalinkPermalink 29.08.07 @ 12:20



Comentário de: Gilson

Do ponto de vista mais ou menos técnico, como foi iniciado aqui o lance: existe a grande possibilidade do pó de gente ser muito rico em sais minerais, de forma que quando jogado ao mar ele implique em estímulo ao crescimento do plâncton que um dia vai chegar até o camarão. Uma vantagem desse "modelo" seria a economia de espaço nos cemitérios e a prevenção dos seus impactos (principalmente no que diz respeito aos exsudatos que percolam para as águas subterrâneas). Jogar o corpo inteiro no mar implicaria em que esses exsudatos de gente morta se diluísse na água, formando um "caldinho de gente" muito poluente. De toda forma, trata-se de assunto discutível apenas no âmbito das hipóteses bem humoradas, como é o caso aqui no blog, uma vez que deve ter um monte de osvardo pulando dessa altura com esse papo de defunto.

(Gravz: Poderiam fazer uma "estação de tratamento de defunto", que prepararia o corpo a ser jogado no mar :D E que negócio é esse de "osvardo"?)

PermalinkPermalink 29.08.07 @ 12:49



Comentário de: Daniella Camara

Lembrei da declaração recente do Keith Richards que disse que na falta de uma farinha da boa pra cheirar, cheirou as cinzas do pai.

Pelo menos teve uma utilidade, não?

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA
Péssimo.

(Gravz: Eu sei que "Pó de Keith Richards" deve estar cheio de cocaína!)

PermalinkPermalink 29.08.07 @ 14:04



Comentário de: Jackie

Concordo com essa tese do "apego".
Eu também quero ser cremada, depois de aproveitarem o que der (órgãos, antes que se pense algo diferente)... Mas tenho um motivo, digamos, sanitário: corpos em decomposição dentro de caixões são péssimos para o meio ambiente, principalmente para os lençóis freáticos. Cremar diminui o problema, apesar da emissão de gases pouco agradáveis - mas um bom filtro nos crematórios ajuda bastante a minimizar o problema.
Como sempre (ou quase), ótimo seu post!

(Gravz: E eles onde eles jogam o filtro, depois? :D)

PermalinkPermalink 29.08.07 @ 14:19



Comentário de: Lili

Eu quero ser cremada. E quero que o Quentin Tarantino use um pingente no pescoço com um punhadinho das minhas cinzas, para sempre. Será que ele anima? Vou mandar um e-mail. :D

(Gravz: Aproveita e proponha também o contrário nesse email. A chance dele morrer antes é um tanto maior)

PermalinkPermalink 29.08.07 @ 17:03



Comentário de: Renata

Não acho ruim a idéia da cremação e prefiro pensar em mim voando e afundando sob o mar em forma de cinzas do que num corpo fedido dentro de um saco preto sendo jogado em algum lugar, rsrs...E (quase) ninguém pensa nessa utilidade do corpo pq a morte nunca é vista pelo lado racional...Mas de qquer forma o post foi engraçado, hehe...Bjo

(Gravz: Depois da morte, prefiro não pensar mais em mim)

PermalinkPermalink 29.08.07 @ 18:19



Comentário de: Gilson

Não concordo com a ETD (estação de tratamento de defunto) pois os problemas seriam mais ou menos os mesmos do cemitério). Se o lance é desapego com força mesmo, o negócio poderia ser a carbonização nos fornos de queima de cimento, que atingem altíssimas temperaturas e são utilizados também pra queima de lixo hospitalar, por exemplo. Os filtros são mais fáceis de resolver que efluentes tomados de cadaverina (é isso mesmo) uma substância altamente tóxica e fedorenta resultante da decomposição de corpos.
O osvardo é um personagem fictício, espécie de amigo invisível da galera de Pouso Alegre, que personaliza o lado tosco da nossa caipirice.

(Gravz: Mas e os camarões? Há todo um lobby da indústria pesqueira aí. Eles ficam sem comida?)

PermalinkPermalink 29.08.07 @ 19:54



Comentário de: Gilson

se a preocupação for o camarão, podemos ficar com o procedimento crematório - lançamento das cinzas.
O adendo foi apenas pra enriquecer este debate tão premente, que aflige multidões no mundo todo.

(Gravz: Soube de um grupo da Tailândia que se imola em praça pública em todas as últimas quartas-feiras de setembro, só por conta disso)

PermalinkPermalink 29.08.07 @ 20:18



Comentário de: dri · http://oblogdadri.blogspot.com

Cada vez que eu ganho um link aqui, meu anônimo blog bate um recorde de visitações.
Você sabe que a gente só é amigo por interesse, né?

(Gravz: Você ganha visitações, cantadas...)

PermalinkPermalink 29.08.07 @ 20:46



Comentário de: Claudia

Quero ser enterrada direto na terra...seria a mesma idéia de ser lançada aos camarões, mas, eu prefiro os animais terrestres!

(Gravz: Eu gosto muito de camarão. Mas não posso dizer, assim com toda segurança, que os prefiro em vez dos "animais terrestres". Afinal, nunca comi uma "moqueca de barata de cemitério" :D)

PermalinkPermalink 29.08.07 @ 21:02



Comentário de: Liu

Uma coisa é certa.
Parar na mão de estudantes de medicina, eu não irei. Nunca.
Conheço bem o tipinho.
De certeza, essa é a pior hipótese.

(Gravz: Depois de morto, faz diferença?)

PermalinkPermalink 29.08.07 @ 21:25



Comentário de: Pablo

Salve Lili e salve Dri! E salve salve Gravatai Merengue no meio desse time. Este blog está muito bem frequentado pelo que pude ver nas fotos.
Valeu.
P.

(Gravz: Sim, Pablo, elas são muito lindas. Mas ambas namoram - não que isso importe para você, né? Já que seu interesse é puramente literário....rs)

PermalinkPermalink 29.08.07 @ 22:04



Comentário de: Herbert

"ps - Antes que alguém pergunte: eu quero ser cremado. Antes que algum engraçadinho faça a piada óbvia: sim, só depois de morto. E, apenas para constar: gostaria muito que jogassem minhas cinzas no lixo. Como a Lei não permite, não dá para meu corpo ser jogado aos camarões (se pudesse, eu ficaria com essa opção; mas não queria que meus inimigos da máfia entendessem como uma sugestão)."

VOCÊ É ABSOLUTAMENTE PIRADO!!! rsrsrsrs

(Gravz: Nada. Sou relativamente pirado! :D)

PermalinkPermalink 30.08.07 @ 17:32



Comentário de: Persegonha

1. Rafael, meu pequerrucho, fala "ecati" desde os dois anos sem conhecer Dri Barroso.

2. Quero ser cremado. Acho cemitério o maios desperdício de espaço e não suporto a idéia de que meu corpo vá apodrecer - apesar dos meus puns, arrotos e de não estar mais vivo para ver...

3. Minha avó teve suas cinzas jogadas nos jardins do cemitério vertical do Caju (RJ). Em nenhu momento manifestou meu desejo, mas como era apaixonada por plantas, meu avô quis lhe prestar esta última (última mesmo!) homenagem...

4. Morrer já é chato pra caralho. Precisave ter dor e coisas afins? Não era mais fácil a gente "ploft", desaparecer? ;)

(Gravz: Será que morrer é chato? rs)

PermalinkPermalink 01.09.07 @ 19:09



Comentário de: Persegonha

Correções: onde todos leram "maios desperdício", favor ler "MAIOR desperdício". Em "nenhu" é "nenhum" - acho que deu pra entender, "manifestou meu desejo" é "manifestou SEU desejo"... É isso.

PermalinkPermalink 01.09.07 @ 22:26



Comentário de: Lú

Eu quero ser cremada, não por falta de apego mas sim para não dar trabalho aos que ficam.(pagar o cenitério, limpar a cova e ficar com a obrigação de visitar todos os anos)Gostaria de ser lembrada pelo que eu fui para cada um.

PermalinkPermalink 23.04.08 @ 10:42



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