PEQUENO TRATADO SOBRE A JOVEM FAUNA PAULISTANA
12/06/2007
PEQUENO TRATADO SOBRE A JOVEM FAUNA PAULISTANA
O primeiro erro dos estudos anteriores, que merecem repúdio acadêmico e desconsiderações as mais variadas, é o fato de dividirem os jovens em "tribos".
Antes de ser uma falta de respeito com os louváveis ianomâmis ou os bravos txucarramães, é um lapso grotesco. Tribo é um conjunto de índios. Os jovens paulistanos não são índios (embora às vezes se pareçam com silvícolas, sobretudo por conta dos piercings ou quando se sentam à mesa do jantar).
Os infantes da capital paulista são dividos em ESPÉCIES. E a fauna é farta, há de tudo um pouco! Este TRATADO tem por objetivo discorrer sobre algumas das espécies de jovens paulistanos. A ver:
Esquerdoidis Festivus
É um fungo que nasce nas faculdades, cursinhos pré-vestibulares e também em rejuntes de azulejos. Para combatê-lo, é necessário um tratamento com o antifúngico "noção-e-lógica". Mas muitos resistem à terapia alopática, e duram algum tempo, em geral consumindo muito álcool e nicotina. Uma característica desse fungo é a capacidade de passar horas, dias, semanas e meses inteiros discutindo absolutamente nada. E com veemência. Só um legítimo "esquerdoidis festivus" consegue discutir o 'nada' com revolta e exaltação.
Direituschu Moralistem
Trata-se de um protozoário muito comum em associações religiosas e poças d'água em ruas não asfaltadas. Mais raramente, aparecem em universidades, mas sua ação acaba suprimida pela força retórica (e chatonga) do fungo do tópico anterior. Esse protozoário tende a ser relativamente mais intelectualizado, mas quase sempre cai em contradições idiotas, principalmente quando se trata da seletiva defesa da supremacia do indivíduo em razão do Estado (p.ex.: o indivíduo é intelectualmente autônomo quando se trata de portar armas, mas é um parvo irresponsável quando se trata de usar drogas).
Escritorum Fracassadus
É uma variante da velha conhecida "ameba". A diferença é que a ameba original escreve melhor. Só isso. O "escritorum fracassadus" nasce e cresce embaixo de pias e tanques de roupa, mas para beber ele prefere o Armazém São Pedro ou algum outro barzinho da Vila Madalena ou da Rua Augusta. Essa variante da ameba possui a característica marcante de exalar frases de péssima qualidade, bem como difundir parágrafos incompreensíveis ou mesmo textos inteiros sem qualquer história plausível. A resistência a terapias alopáticas e homeopáticas é muito grande. No início, presume-se que se alimentam de ideologia artística, mas o que lhes engorda é grana (coisa que nunca vêem, daí a voracidade de quando a encontram pela frente).
Jornalistem Publicitarium
Segundo algumas teorias, essa espécie é um híbrido de dois outros seres. O 'jornalistem publicitarium' é um tipo de alga fotossintética que povoa bares da moda, casas noturnas badaladas, restaurantes chiques e manguezais do norte do país. Além de atacar o sistema digestivo de quem dela se aproxima, tal espécie tem um apetite voraz por "convites VIP" e outras regalias. Uma característica marcante desses bichinhos é que eles geralmente não têm a menor noção de Língua Portuguesa.
Atoriatrizis Obaobis
Assim como a minhoca, é um anelídeo hermafrodita; mas bem menos inteligente. Essa espécie possui dois estágios de vida: a fase pobre e a fase rica. A primeira ocorre antes do sucesso, e nesse estágio o vermezinho se alimenta de arte e é chato pra diabo. Nas raras vezes em que consegue evoluir para o estágio seguinte, ele então se alimenta de grana, muita grana, mas continua chato pra diabo. A evolução ocorre por uma série de fatores climáticos, mas pode ser facilitada no caso de cópulas com espécies como "Diretoris da Globum" ou "Teatróloguem Famosus".
Mauricius Patricinhens
Esse molusco é do período cretáceo, tendo passado por várias eras de nosso planeta: por exemplo, já usou brilhantina, já vestiu paletó com ombreiras, já calçou sapato de camurça e já usou calça jeans da Forum ou Zoomp pagando o preço de um carro por isso. Vive sempre acompanhado de sua concha, cujo IPVA corresponde ao valor de um apartamento de dois quartos. Habita todo e qualquer lugar que seja caro, mas tende a não sair da circunscrição da zona sul da cidade. Possui problemas sexuais, mas inexplicavelmente se reproduz com facilidade.
Manus Daquebradem
Tal crustáceo resiste às mais cruéis circunstâncias climáticas e sociais. Enfim, segura os rojões mais bravos e continua, como dizem por aí, "na atividade". Em experiências feitas dentro do laboratório, mas também em campo aberto, foi constatado que o "manus daquebradem" aumenta a produção de hormônios ligados ao bem-estar quando espanca, tritura, chuta e mija em cima de "mauricius patricinhens" (principalmente quando eles pegam o tal molusco no flagrante, ouvindo 'rap' e se fingindo de malandro). Os mais diversos manuais de biologia urbana recomendam não fazer muita graça para o 'manus daquebradem'. Quem avisa, amigo é.
Largadum Fakis
A fauna é repleta de seres que se camuflam, sendo que alguns conseguem imitar perfeitamente outras espécies. É o caso do pólipo 'largadum fakis', que não tem nada de 'largadum', mas é como se fosse um legítimo pobre-coitado. Ele tem grana, mas finge que não tem. Ele vive bem, mas finge que não é nada disso. Para completar o conjunto de características, ele chega ao ponto de defender os pobres e oprimidos como se fizesse parte dessa classe (mais ou menos como faz o já mencionado 'esquerdoidis festivus'). O habitat do 'largadum fakis' são os bares do centrão, os botecos no entorno de faculdades e as raízes de gramíneas do centro-oeste do Brasil.
Por enquanto, é só. Talvez haja um "Volume II" com novas espécies. Aguardemos...
ps - as ilustrações são minhas! são toscas, mas até que razoáveis, não? ![]()
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transubstanciado por gravata às 12.06.07 | 7 comentários
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(Gravz: Mas o cara do segundo desenho não é um liberal direisita que teve de fechar uma revista porque o governo parou de anunciar)
(Gravz: São tosqueira...rs)
(Gravz: E estaduais, privadas etc)
Muito engraçado o post e otimamente toscos os desenhos.
(Gravz: Chico Buarque é bom. Mas alguns fãs não são tão louváveis)
(Gravz: Alguns contagiam, sim! É preciso ter o sistema imuno-intelectual em dia!

