LILI: BRINCADEIRINHAS

04/04/2007

LILI: BRINCADEIRINHAS

Nossa articulista, aproveitando o tema da semana passada, resolveu falar agora sobre brincadeiras inventadas por sua turma. Vejam só:

BRINCADEIRAS INVENTADAS
Na semana passada, escrevi sobre meus jogos preferidos de todos os tempos, como vocês devem se lembrar. Pois bem! Nos comentários, o Jorjão falou sobre aquela brincadeira "detetive", em que o assassino mata as vítimas com uma piscada, e o detetive tem que descobri-lo antes dele chacinar todo mundo. Sabem qual?

Então! Lendo esse comentário, lembrei que, no auge dos meus 12 anos, eu e meus amigos inventamos uma versão muito bacana dessa brincadeira, e fiquei morrendo de vontade de contar pra vocês como era. Passei a última semana matutando aqui qual outra brincadeira inventada eu podia contar, e me lembrei só de mais uma.

No texto de hoje, compartilho ambas com vocês. Tá que elas têm um potencial enorme de desenvolver psicopatas, ou deixar as crianças com medo irracional do escuro, ou servir como um bom motivo pra cair na porrada com irmãos ou primos. Mas eu juro que são divertidas, e quem quiser fazer uma média com a criançada, dando uma de "o tio legal", eu empresto, ok?

Detetive no Escuro
Essa é uma das mais legais da história! No jogo tradicional, os participantes tiram as cartas do baralho. Quem tirar o "Ás" será o assassino, a "Dama" será o detetive, e o restante das cartas serão as vítimas. Todos sentam em roda, e o assassino vai piscando e matando as pessoas, que devem se manifestar e avisar que morreram. O detetive tem que ficar esperto e "prender" esse assassino antes que todo mundo bata as botas. Simples, não?

Ah, mas o nosso era muito mais legal! Primeiro, precisávamos arrumar uma casa vazia, sem pais por perto. Convenhamos, pais são um saco. Eles acham ruim quando os móveis mudam de lugar, quando os vasos quebram... Não dá! Feito isso, era hora de esperar anoitecer. Detetive no escuro deve ser jogado, bem, no escuro.

Tudo certo pra começar! Os participantes entravam todos dentro do banheiro, ou de um quarto qualquer, e tiravam as cartas, como no jogo tradicional. Quando todos já sabiam seu papel na brincadeira, começavam a sair do recinto, aleatoriamente, se espalhando pela casa e andando no escuro. Até os olhos acostumarem com a falta de luz era uma trombadeira só!

Essa era a hora do assassino começar a agir. Para matar, ele devia dar um puxãozinho mínimo no cabelo da vítima, que sentia aquilo e sabia que tinha sido executado friamente, coitado. O assassino então podia fazer o que quisesse com aquele morto (não pensem bobagem, sim?), inclusive esconder o corpo para que o detetive demorasse mais ainda para descobrir tudo.

Nessa, eu já entrei debaixo da cama, dentro do armário, ao lado do sofá, atrás do vaso... Eu era uma ótima morta!

O assassino saía por aí feliz e contente, passando geral. Até que o detetive encontrasse o primeiro corpo, ou resolvesse que tinha motivo o suficiente para abrir um inquérito. Era a hora dos interrogatórios! Ele acendia a luz do cômodo em estivesse, e todos os vivos tinham que ir pra lá imediatamente para se apresentar.

Ele começava a fazer perguntas, suposições, pedir depoimentos etc. O assassino fazia de tudo pra ele não descobrir, as vítimas se dividiam por grau de amizade. Se o assassino fosse mais meu amigo do que o detetive, eu fazia de boba e fingia que não tinha visto nada! Se fosse o contrário, já saía apontando o dedo "eu vi fulano passando ali ao lado do lavabo com cara de quem tinha acabado de aprontar, viu"?

O detetive só podia palpitar uma vez. Podia, é claro, abrir quantos inquéritos quisesse, até se sentir seguro para acusar alguém. Mas, na hora que ele dava o nome do suspeito, era definitivo. Às vezes acertava, às vezes não. Nessa brincadeira, bom mesmo era ser assassino!

Eu digo que hoje em dia estou bem mais treinada pra cometer um crime perfeito do que antes de inventar essa brincadeira. Sério.

Roseira
Já já eu explico o porquê do nome dessa brincadeira. Não tem muito a ver com o conteúdo do jogo, mas a história por trás do nome é divertida.

A casa do meu bisavô tinha um jardim enorme. Ele era comprido e tinha meio cara de labirinto. À noite, normalmente durante festas da família, todos os primos se reuniam em uma das extremidades do jardim, e era ali que a brincadeira começava.

Primeiro, a gente se dividia em dois grupos: os monstros e as vítimas. Eu ficava normalmente no time que a minha irmã escolhia, pois era pequena e tinha medo de ir sozinha, na cara e na coragem. Os monstros se espalhavam pelo jardim, estrategicamente colocados. As vítimas tinham que montar sua estratégia também, para conseguir atravessar o trajeto inteiro sem ser capturados.

O caminho era longo e, diga-se de passagem, bastante tortuoso. Se os monstros pegavam alguém, essa pessoa se tornava monstro automaticamente. Tipo filme de zumbi, sabe? Muito legal! Os que sobreviviam, deveriam chegar ao outro lado do jardim e subir na área do viveiro de pássaros. Lá era o pique. Ganhava o time que permanecesse com mais componentes ao final.

Se eu não me engano, as vítimas que viravam monstros podiam ser salvas, se o time decidisse voltar atrás para o resgate. Mas quase nunca isso funcionava. Quem era capturado, podia dar adeus ao resto dos companheiros. Eu, pelo menos, passava correndo sem nem olhar pra trás. Que medo daquele jardim! Os primos mais "macacos" trepavam em cima da jabuticabeira do Vô Irnério e despencavam em cima da gente, poucos metros antes do pique. Eu, pequena demais, até chorava de susto.

Muitos de nós nos machucamos brincando disso. Um dos meus primos, que estava no time das vítimas, levou um susto tão grande em uma das vezes, que caiu com tudo em cima de uma das estimadas roseiras do meu bisavô. Nem precisa falar que ele se estropiou todo, né? E foi aí que surgiu o nome do jogo. Foi um dos tombos mais engraçados que já vi na vida, e todo mundo concordou que era a alcunha perfeita para batizar a brincadeira, que até hoje é conhecida assim.

A autoria do jogo é desconhecida, mas creio que isso tudo tenha saído da mente maluquinha e adorável da minha irmã. Ela era a mais velha de nós, e provavelmente inventou tudo isso só pra ter uma desculpa de maltratar os mais novos e dar susto em todo mundo sem levar bronca. Não comigo, claro. Eu era a protegida! Às vezes é por isso que eu lembro dessa brincadeira com tanta saudade, enquanto os outros arrepiam de medo só de lembrar.

É isso! Beijo e tchau!

Lili escreve neste blog às quintas-feiras. Em razão do feriado de páscoa (e da "emenda", claro), seu texto foi publicado hoje, plena quarta-feira.


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transubstanciado por gravata às 04.04.07 | 5 comentários



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Comentários:


Comentário de: bia

Oi Lili, adorei o texto, nossa que nostalgia da minha infância. Como passei boa parte dela em cidades do interior, foram várias as brincadeiras no estilo. A minha tia morava em uma casa bem grande e ela mais do que ninguém adorava inventar brincadeiras para nos entreter. Nada como ser criança. Que os pais saibam educar e brincar (e deixar brincar) com os filhos, para que eles possam ter lembranças como as nossas. BJ

(Gravz: Amém)

PermalinkPermalink 04.04.07 @ 16:24



Comentário de: Luisa Maria

Muito massa esse detetive! Mas não entendi uma coisa: quando o assassino faz uma vítima, acontece o que? Quer dizer, ele esconde o corpo, e ninguém fica sabendo que a coitada morreu? A vítima tem que avisar que morreu? Ou fica tudo na moita? Então, quando o detetive esbarra em uma pessoa, como ele sabe se tá morta ou viva?

Enfim, parece que foram várias coisas que não entendi, né? rsrsrs. Adorei relembrar minha infância (e adolescencia)! Beijos!

PermalinkPermalink 04.04.07 @ 17:21



Comentário de: marina

É, isso tem cara mesmo de ser invenção daquela cabecinha ruiva...

PermalinkPermalink 04.04.07 @ 19:00



Comentário de: Ana · http://mineirasuai.blogspot.com

hahahahhaa Adorei as brincadeiras! Lembro que eu meus primos inventamos "cabra-cega" no escuro. Entrava todo mundo num quarto na casa de uma tia, tudo fechado, um breu só. A "cabra-cega" ainda tinha venda nos olhos, e tentava pegar os outros participantes que tinham que passar ao lado dela, encostar, provocar, etc... O tromba-tromba era geral! Muito divertido!
Bjo

PermalinkPermalink 04.04.07 @ 22:00



Comentário de: raphaelly · http://brincadeira inventadas

poxa,legal e ao mesmo tempo sem nexo a brincadeira!!! a do detetive prefiro a brincadeira original pois essa aí inventada muito confusa e sem explicíto para uma brincadeira legal e sadia para crianças...a da roseira piorou brincadeira de ''índio perdido na própria oca''...ou seja, vamos ser mais criativos né gente...bjos e esse é meu ponto de vista me desculpe viu Lili...

PermalinkPermalink 04.09.08 @ 19:20



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