BUENOS AIRES: A “PORTO SEGURO” DOS DIAS DE HOJE
13/03/2007
BUENOS AIRES: A “PORTO SEGURO” DOS DIAS DE HOJE
Em meados dos anos noventa, Porto Seguro era o destino certo de quase todos os formandos da oitava série ou do terceiro colegial (sei que a nomenclatura escolar hoje é outra, mas não estou com saquinho de procurar o novo esquema do MEC).
Porto Seguro, mesmo sem grandes atrações turísticas ou mesmo uma orla das mais invejáveis, passou a ser o maior pólo turístico da rapaziada que partia aqui de São Paulo. Em 1995, muitos voltaram com as melodias de uma nova banda, "Gera Samba", hoje conhecida (ou desconhecida?) como "É o Tchan".
Até então, viajar para a Bahia era coisa de "gente rica". Mas alguns pacotes turísticos para Porto Seguro permitiam a qualquer um - mesmo! - conhecer o litoral baiano. Aquele negócio de parcelar em trocentas vezes, entre outras facilidades...
Hoje, acontece algo muito parecido com Buenos Aires. A cidade, ao contrário de Porto Seguro, tem muitos pontos turísticos e infinitos encantos. Mas a horda de brasileiros, aos poucos - escutem o que estou dizendo! -, vai tratar de bagunçar aquele histórico e charmoso coreto.
Não que eu seja "elitista" e considere ruim a idéia do proletariado conhecer os países do Cone-Sul. Acho isso legal, claro! Mas é que os brasileiros sempre modificam as paisagens por onde passam. São mais ou menos como os "hunos do turismo": depois de sua passagem, não nasce mais grama, capim, ou mesmo erva-daninha.
Alguém já viu quando chega uma excursão brasileira a um hotel?
Primeiro, do nada e sem aviso, aparece uma bola de futebol, que vem meio pingando/meio rolando. Daí surge um som de samba bem fuleiro, aumentando paulatinamente, até que a invasão propriamente dita começa de uma vez por todas.
Camisas da seleção brasileira, batucadas nos mais diversos móveis do estabelecimento, latinhas de cerveja arremessadas pra lá e pra cá e uma gritaria dos diabos: são os turistas brasileiros, mostrando a "alegria", a "graça" e principalmente a total falta de educação de nosso povo.
Muito em breve, isso acontecerá em Buenos Aires. Aliás, antes de mais nada, eu quero mais é que se foda! Nunca gostei de argentino, e seria o ótimo ver sua querida capital invadida por brazucas mal-educados.
Uma das razões para minha certeza é o fato de que muitas "Empresas Amigas da Classe-Média Não Exatamente Abastada" estão em aparente conluio para levar o máximo de brasileiros para a cidade amada de nossos hermanos.
"CVC", "Gol", "Ibis", entre outros empreendimentos voltados para os que "quase têm alguma grana", estão firmes e fortes no propósito de conduzir nossos compatriotas tupiniquins à terra de Maradona.
E como o dólar anda bem "caro", o pacote para Buenos Aires passa a ser a viagem internacional mais acessível pra rapaziada.
Ah, até que é divertida a atual moda portenha! Principalmente porque TODOS COLOCAM EXATAMENTE AS MESMAS FOTOS NO MSN E NOS ÁLBUNS DE ORKUT.
ps - sempre existe a possibilidade de rolar alguma reviravolta no câmbio, possibilitando aos "brasunos", novamente, os pacotes famosos de 1997 e 1998, tipo "Nova Iorque - Oito Dias, Sete Noites" ou "Miami - 4 Noites". Bons tempos aqueles, não?
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FANGIO POR TREVISAN...
transubstanciado por gravata às 13.03.07 | 12 comentários
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Comentários:
(Gravz: Não sei o nome da "famosa", acredite)
. adorei o texto do bush
. ganhou os dez mangos?
. hoje em dia até os cartões de ponto são pouco para o grande "jeitinho brasileiro", por que outra pessoa pode passar para vc e o departamento inteiro. Então hoje em dia, temos o ponto eletrônico com a digital do indivíduo, quer dizer, ele pelo menos tem que se dar ao trabalho de ir colocar o dedinho lá. O sistema ainda é um pouco mais caro do que o de cartão, mas a situação como está com certeza é custo benefício.
(Gravz: Fico feliz que tenha gostado - não ganhei os dez mangos ainda [mas vou ganhar] - concordo, vale a pena o sistema das digitais)
Até porque em 97, 98, quando o câmbio ajudava, muitos brasileiros iam para lá - e felizmente, nada mudou.
(Gravz: Hoje, há muito mais brasileiros indo para Buenos Aires do que em 1997 e 1998. Principalmente porque as demais viagens internacionais clássicas - NY, Miami, Europa... - estão caríssimas. Quanto ao fato de sair às duas da manhã e encontrar restaurante cheio, bom, basta vir pra São Paulo...rs)
Com certeza a viagem para a Argentina é em conta e de qualidade, por isso já vou comprar minha passagem pra voltar pra lá em Julho (de novo!).
Quem não pode ir pra Paris, se contenta com Buenos Aires.
Fazer o quê?
Bjinhos!
(Gravz: E vamo que vamo!
Outra coisa: o nome da batida mais famosa da passarela do álcool é o "CAPETA".
(Gravz: Valeu, Jorjão, mas sinceramente nunca pensei em ser roteirista de cinema. Aliás, que filme seria esse? "Os Brasunos em Buenos Aires"? Não faria sucesso por aqui, mas divertiria os portenhos!)
Por outro lado, lembro-me de um tempo em que um pacote para Fortaleza custava até mais caro do que um para Nova York...
(Gravz: Custava mesmo! Ir para o Nordeste era caríssimo, em 1997/1998! Naquela época, o pacotão de uma semana em NY era imbatível)
(Gravz: Isso! Esse é o exemplo clássico!)
Acabei de publicar um post sobre Buenos Aires, eheh...
Acho que vou apagá-lo. Me sinto agora contribuindo para a invasão bárbara.
(Gravz: Eita ferro! Deixa lá...rs)
O que não dá é pra fazer só programa de turista e não querer se misturar a eles, aí não tem jeito mesmo.
Beijos!
(Gravz: Albergue eu acho fria)
(Gravz: Albergue eu acho fria)
Concordo. Vai que resolvem arrancar meus dedos ou um olho...
Felizmente, ao contrário do estereótipo, os argentinos são bem receptivos com os brasileiros e se esforçam bastante em "tentar entender" o portunhol dos turistas.
Quanto a fazer os programas de turistas, felizmente, tenho uma grande amiga que é de lá e quanto estive na cidade portenha, ela fez questão de me mostrar a cidade e fez isto melhor do que qualquer guia turístico experiente.
(Gravz: Você deu sorte, David... A invasão está só começando!)
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