COLUNA DA LILI: SERTANEJO
14/12/2006
COLUNA DA LILI: SERTANEJO
Nossa colunista - e musa de alguns leitores - ataca agora de "sertanejo". É isso mesmo! O tal ritmo desprezado por uns e adorado por outros.
Em qual trincheira ela se coloca? Leiam para saber.

Canto, Bebo e Choro
Antes de começar, vamos deixar duas coisas claras: 1) gosto não se discute, se lamenta; 2) quem quiser atacar pedra, não vai me acertar mesmo, então foda-se!
Ok, dito isso, posso seguir com a coluna de hoje...
Música sertaneja é uma coisa engraçada. As histórias são sempre as mesmas, as vozes esganiçadas dos cantores idem. Palavras como “sofrimento”, “amor” e “ciúme” parecem ser pré-requisitos para compor qualquer letra desse gênero. E, dessa forma, eles conseguem fazer homens crescidos e conscientes gritarem coisas sem sentido como “ê, butina véia!” ou “pega fogo, cabaré!”.
Essa é a parte divertida! O cidadão não necessariamente está com dor de cotovelo, nem entende o que é a vida dura da fazenda, mas na hora que a música toca ele se sente o maior dos peões. Sensacional!
Desde que "2 Filhos de Francisco" saiu, tem uma turminha discursando por aí: “Ah, eu não gosto de sertanejo, mas respeito.” Papo de pedro-bó! Ou gosta, ou não gosta! No meu caso, após muita insistência do namorado e de outras pessoas que fazem questão de desvirtuar meu gosto musical, eu gosto!
Sim, gosto mesmo. E, como detesto ir para o buraco sozinha, mando uma listinha com cinco das minhas preferidas. Quem sabe não consigo levar mais alguém comigo?
1 - Nome da agenda
Aqui a história é assim: cansado de se ferrar por causa da mulher, o homem pede, encarecidamente, que a moça tire o nome dele da agenda de telefone e pare de ligar. Uma coisa meio “tô nem aí pra você mais”, sabe? É ótima!
Trecho clímax: “Eu quero que risque meu nome da sua agenda, esqueça o meu telefone não me ligue maaaaaais”. Mas tem que cantar bem gritado, senão não dá onda.
2 - Fio de cabelo
Essa podia ter entrado no texto da semana passada, sobre músicas com temas imbecis! O que se passa na cabeça de uma pessoa que escreve uma canção sobre um fio de cabelo da ex-namorada? Além de tudo, é anti-higiênica! O cara fica sofrendo porque achou o cabelo da menina no paletó dele, o mesmo cabelo que “já esteve grudado em nosso suor!” Eca!
Trecho clímax: Esse aí mesmo, a parte nojenta. “Aquele fio de cabelo comprido, já esteve grudado em nosso suooooor”. Ah, tem dó de mim, Chitão!
3 - Página de amigos
Olha que situação chata: a menina cansou do cara, e resolveu transferir o número de telefone dele, na agenda dela, pra uma página somente com números de amigos. Eu penso que essa agenda deve ser confusa, pois ao invés de organizar alfabeticamente, ela separa por afinidades. Enfim...
Trecho clímax: “Como é que eu posso ser amigo de alguém que eu tanto ameeeeeei?” Coitado! Parte pra próxima, meu chapa!
4 - Evidências
Eles terminaram há algum tempo, o romance não estava dando mais certo, a chama da paixão havia se apagado. Ele falou que não a amava mais, mas era mentira. E a coitada tinha que adivinhar? Agora, as evidências indicam que o certo é que os dois fiquem juntos. Ah, ok, se as evidências estão dizendo isso...
Trecho clímax: “Eu preciso aceitar que não dá mais pra separar as nossas vidaaaaas”. Essa hora aí eu até fecho os olhos pra cantar!
5 - Boate Azul
Sabe os caras crescidos e conscientes que eu citei no começo do texto? Os que gritam coisas sem sentido? Eu sou assim quando ouço Boate Azul! Os braços vão ao alto, os olhos fecham e a gritaria começa! Juro que é involuntário! E é fantástico. O cara tá tão fudido e mal pago, que a única esperança de consolo é procurar uma boate (leia-se: puteiro) no meio da madrugada, pra afogar as mágoas (e o ganso. infame...) Não é poético?
Trecho clímax: A música inteira! Posso quebrar a cabeça procurando um pedaço que represente o quão sensacional ela é, mas não vou achar. Essa aí é toda boa! A baranga que mora em mim recomenda!
Bom, é isso. Aconselho que, pelo menos no começo, o momento de ouvir música sertaneja seja sempre acompanhado de uma boa cachaça e de uma turma de amigos bobos e engraçados, senão não desce. Depois que for acostumando, dá até pra ouvir no carro ou em outras situações em que sua atenção esteja desviada pra outra coisa. No mais, apreciem com moderação.
Beijo e tchau!
Lili escreve neste blog às quintas-feiras. Não é tooooda quinta, mas até que ela tem feito uma força.
Importante: continuam vetadas as cantadinhas sofríveis.
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transubstanciado por gravata às 14.12.06 | 21 comentários
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Comentários:
(Gravz: Após muitas cachaças, eu diria)
(Gravz: Certo)
(Gravz: Ô se é)
Mas em geral nao gosto de sertanejo, nao tenho paciencia com essa melancolia toda.
Mas Lili, ce so' falou das musicas antigas, essas ainda da' pra engolir. Renato Teixeira, Pena Branca e Xavantinho (nao sei qual deles ja morreu), Tonico e Tinoco (tambem nao sei qual morreu), Joao Mineiro e Marciano (essa era brega demais), Milionario e Jose Rico (um desses ai cantava o tempo todo com a mao no ouvido, hilario, brega tambem), esse ai sao bacanas.
Por acaso ce aguenta Leonardo, Daniel, Zeze de Camargo e Luciano, Bruno e Marroni??? Em caso afirmativo ta' bom de voce formar uma dupla com minha irma, nunca vi igual.
(Gravz: Gostei da idéia da dupla! Será que a Lili topa? Qual seria o nome?)
(Gravz: Dureza isso)
(Gravz: Assaz Galhofeira!)
Mas, eu resisto!
(Gravz: Resista!)
E o pior é que mesmo que vc não goste de música sertaneja o troço é tão comercial que quando temos festa reunindo a família e o tio já alto, por causa das cervejas, começa a puxar uma música, todos cantam...êita!
(Gravz: Depende muito da festa)
(Gravz: Deve ser animado, por aí)
E respondendo a alguém aí, que falou que só foram citados sucessos antigos: sertanejo é sertanejo, a gente canta aos berros e de olhinho fechado em qualquer tempo e compositor.
Lili, já ouviu a versão de José Augusto para Evidências, cantando junto com Roberta Miranda? É de chorar! Pra dor-de-cotovelo é ótimo, eu recomendo.
O óbvio: adorei o texto! Já virei fã da Lili.
(Gravz: Bem vinda ao clube
Mas a mais desafiadora (e desafinadora) é "Há uma nuvem de lágrimas sobre meus olhos, dizendo pra mim que vc foi embora, e que não demora meu pranto rola-aa-AAAAAAAAAAAAAAr"
HAAHHAHAHAHHA!! É muito libertador cantar isso!
(Gravz: Imagino)
Beijos!
Marcela
(Gravz: Jisuis)
(Gravz: Ave)
(Gravz: Por que o comentário entre parênteses? rs E de que reputação você está falando?
O Gravataí ficou nivelado por baixo. Bleh!
(Gravz: Isaías mandou avisar que jamais usou palitinho no canto da boca. Aliás, em lugar algum da boca. Ele é cafajeste, e não figurante em filme da malandragem carioca dos anos 50
(Gravz: Apóio a iniciativa)
Além disso, eu adoro "Boate azul". Tbém por causa da minha avó que era doida com a música.
Eu acho que música sertaneja é naquelas: A maioria fala que não gosta, mas todo mundo sabe cantar pelo menos uma.
(Gravz: Eu não gosto e não sei cantar nenhuma)
Duvido que vc não saiba pelo menos "Fio de cabelo" ou "Evidências". Músicas tão tocadas que vc aprende por osmose, nem tanto por gostar.
(Gravz: Sou ruim de osmose
