“EU ACHO”, A FRASE QUE VENCE QUALQUER ARGUMENTO
23/11/2006
“EU ACHO”, A FRASE QUE VENCE QUALQUER ARGUMENTO
Não há fato ou argumento que não seja superado por um 'eu acho'. E não falo aqui do 'achismo' bem elaborado, que supostamente teria fundamentação - quase sempre exposto por meio de boa retórica.
Trato, especificamente, da frase "eu acho", que serve para embasar (ou refutar) toda e qualquer alegação. Sim: TODA E QUALQUER. Nada escapa de um "eu acho".
Foi-se o tempo em que só poderíamos 'achar' aquilo que possuísse certa subjetividade, passível de juízo de valor. Hoje, a conversa é outra! A ciência - toda ela - está na circunscrição de 'eu achos' ouvidos aqui e alhures.
Dois mais dois são quatro? "Eu acho que não!", diz uma mocinha com cara rebelde. O Brasil fica na Ásia? "Eu acho que sim!", grita um rapaz com semblante de intelectual relativamente engajado.
E assim vamos.
Outro dia, conversando sobre uma faxina étnica havida em país dos Bálcãs, ouvi um "eu não acho". Não foi simplesmente um "não houve isso" ou "esses dados estão errados". Foi na lata: EU NÃO ACHO. E fim de papo. Minha interlocutora "não acha" que aquele genocídio foi um genocídio. Simples assim.
O "eu acho", além de servir para confirmar ou refutar qualquer coisa, também não admite contestação. Quando tentamos argumentar, o legítimo 'euachista' diz algo como: "ei, essa é minha opinião e você precisa respeitá-la".
Sim, de fato precisamos respeitar opiniões divergentes. Mas, em alguns casos, é inócuo (e ridículo) haver um "eu acho". Por mais que não vivamos em uma ditadura e tenhamos liberdade de expressão, não podemos reverter o fato de que 'dois mais dois são quatro'. E não adianta "achar" algo diferente.
Ah! Se você quiser ser um 'euachista', não adianta simplesmente pronunciar a tal frase. Nada disso! Ela precisa ser dita com ênfase no "EU". Desse modo, tem-se a impressão de que quem 'acha' é uma divindade incontestável.
Dizer "eu acho", assim meio borocoxô, sem o devido destaque ao pronome, tira toda a força argumentativa do recurso.
Então, é isso. Discorda de algo, ainda que seja objetivíssimo e você não possua muito conhecimento a respeito? Diga apenas "eu acho que não". Concorda com algo, ainda que seja científico e você não tenha base alguma sobre o tema? Diga somente "eu acho que sim".
Não se preocupe com qualquer outro fato, argumento ou coisa que o valha. E a vida fica bem mais simples.
Importante: ao comentar este texto, resista aos apelos da infâmia, e NÃO FAÇA PIADINHAS ÓBVIAS COM A EXPRESSÃO 'EU ACHO'. Estamos combinados?
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transubstanciado por gravata às 23.11.06 | 5 comentários
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Comentários:
(Gravz: Tenha certeza disso)
Primeiro: eu não confio em estatística. Segundo: eu não confio em uma estatística d'uma pessoa que diz 'eu acho'. Terceiro: sabe se lá se tal pesquisa foi realmente feita. Quarto: minha seqüência ironizando o 'acho' e a 'estatística' na conversa costumam causar um mal estar no interlocutor.
(Gravz: Sim, isso também é dureza)
(Gravz: E alguns empresários que não recolhem impostos e, obviamente, cometem crime com isso)
(Gravz: Geralmente, quem 'acha' não 'pensa')
(Gravz:
