A CURIOSA REAÇÃO AOS SPAMS
28/09/2006
A CURIOSA REAÇÃO AOS SPAMS
Ninguém gosta de Spam, isso é um fato. Ocorre que, em alguns casos, há boletins que precisam ser enviados - e são importantes para algumas pessoas. Eu, que odeio Spam, leio quase que diariamente vários informativos jurídicos, políticos e de imprensa.
Mas nunca tinha conhecido 'o outro lado da moeda', que é o da reação exacerbada dos que se irritam ao receber mensagens. Fui saber disso agora, quando comecei a enviar a 'newsletter semanal' da chefa.
Como alguns devem saber, trabalho para a Vereadora Soninha - sim, aquela lá, da MTV, TV Cultura, ESPN etc. Ela presta contas de seu mandato semanalmente, por meio de um Boletim.
Um vereador não trabalha apenas para seus eleitores, mas sim para TODOS os cidadãos. Claro que a visão clientelista ainda impera, tanto na política quanto na sociedade, de modo que alguns - que não votaram na Soninha - dizem que 'não querem saber' o que ela faz.
Pois deveriam querer. E não somente saber o que ela faz, mas o que todos os outros vereadores fazem. Aliás, todos os demais ocupantes de cargos públicos eletivos. Todos, sem exceção, devem prestar contas - e todos nós DEVEMOS QUERER SABER O QUE ELES FAZEM.
As pessoas, na política, parece que repetem aquele comportamento omisso que se percebe em alguns prédios ou condomínios.
Alguém aqui já viu como são vazias as reuniões nos prédios? Pois é... Se ninguém quer saber onde é gasto o dinheiro do condomínio, imagina se vai se importar com o andamento da política. E assim vamos. Infelizmente.
Mas é preciso ir além da análise da apatia. Há um outro viés bem mais curioso.
Como já foi dito, e é algo óbvio, ninguém gosta de spams. Mas é engraçado como eles provocam muito mais ira do que uma propaganda impressa que vem junto do jornal do bairro, ou mesmo o jornal que assinamos, ou dentro da sacola da locadora, entre outros 'esconderijos'.
Simplesmente olhamos, em geral com desprezo, e jogamos a propaganda fora. Embora o maldito papelzinho esteja presente no lar de quem o recebe, quase ninguém se sente invadido em sua privacidade.
Mas com os Spams, ocorre o contrário. Eles não causem estrago algum ao meio-ambiente, e não entram fisicamente em nossa casa; além disso, é muito mais fácil jogá-los fora.
Mesmo assim há muitas pessoas que se aborrecem mais com eles do que com as propagandas impressas.
Sim, SPAM é chato. Mas basta apagar, não precisa nem mesmo abrir a mensagem. Convenhamos, é algo inofensivo.
Há muito barulho feito em cima de algo besta, quase inócuo. E um silêncio quase estúpido diante do prejuízo ecológico provocado pelas propagandas impressas.
Se você fica mais irritado com um spam do que com um papelzinho de propaganda, é porque você dá mais valor à sua vida virtual do que ao mundo físico.
Vai ver o que é isso. Sério.
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transubstanciado por gravata às 28.09.06 | 11 comentários
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Comentários:
quando abre a caixa de entrada e percebe que existem dezenas de emails você nao tem como balançar a cabeça e dizer nao.. e ai a curiosidade ou sei lá o que te fazem abrir nem que seja para ver o que é.. nisso você perde tempo
interessante o seu texto sobre como o cidadão se comporta com relação a politica..mas essa do spam foi demais..ainda mais de uma pessoa que tem um blog e tem seus comentarios moderados..
(Gravz: Não sei se fui suficientemente claro, mas em alguns casos é bom frisar pontos 'polêmicos' do texto. Vejamos, pois. Em primeiro lugar, eu começo e termino o texto explicando que o Spam é algo ruim - cito apenas que, em alguns casos, é um 'mal necessário'. E em momento algum falo de papéis entregues na rua. O que menciono é CORRESPONDÊNCIA, ou seja, aquele papel que chega FISICAMENTE À NOSSA CASA, e quanto ao que também não adianta balançar a cabeça negativamente. Chamei atenção para uma curiosidade, que é a de que alguns 'nerds' simplesmente jogam fora esses papéis, sem dar muita bola, mas ficam totalmente revoltados quando alguém 'invade' seu universozinho virtual. Espero que, agora, tenha ficado claro. Ah, e meus comentários são moderados porque já fui vítima de um processo judicial, não tem nada a ver com 'newsletter' ou coisa do tipo. Portanto, vamos repetir: não defendo o spam, mas acho incoerente e até mesmo idiota uma pessoa ficar mais irritada com ele do que com uma correspondência impressa que chega sem solicitação)
Mas um coisa é importante dizer... na newsletter dela tem como se descadastrar. E eu optei por continuar recebendo. Sempre digo que spam só é spam quando vc não pede para receber e ainda não tem como cortar o envio.
Quanto a papéis que recebo em casa ou na rua... lixo. Assim como os virtuais... lixo.
E concordo que não há porque me 'estressar' tanto assim. Vai pro lixo e pronto. Não vou valorizar tanto aquilo que nem tem valor.
(Gravz: Pois é, a questão é exatamente essa... A turma valoriza demais)
(Gravz: E como sua casa faz para desviar quando alguém joga algo na caixa de correspondência?)
(Gravz: O referido é verdade e dou fé)
(Gravz: Sim, não adianta reclamar. Tem que acompanhar)
(Gravz: Pois é... A rapaziada não quer saber de nada. Nada)
(Gravz: Liga sim, claro. A menos que você tenha medo)
(Gravz: Esses do orkut são mesmo foda. Acho que era algum problema do servidor deles, né? E também o pessoal que clicava trinta vezes para enviar)
Uma vez eu reclamei de um sujeito. Ele não enviou algo que eu precisava saber, mas sim uma propaganda estúpida de um serviço discutível. Na resposta, bem mal-educada, ele apresentou argmentos parecidos com os seus. Dizia que o e-mail dele era mais inofensivo do que o papel do supermercado - especialmente porque, para fazer o último, ao menos uma árvore foi derrubada. Minha resposta foi a mesma que te deixou indignado: quando eu quiser saber, eu te procuro. E sempre que eu me interesso por alguma coisa, eu recebo bem. Seja um e-mail ou um papel. O informativo da Soninha é um bom exemplo disso.
Pessoalmente, eu me incomodo muito com quem entrega panfleto na rua (eu digo "não, obrigado"), com as malas diretas e com os malditos vendedores por telefone. Claro que isso irrita muito mais que uma mensagem no computador, e é bem mais fácil "apagar o e-mail e não ler", mas essa é uma resposta simplista, que desvia o foco do problema real do spam.
Quem faz spam de verdade utiliza máquinas de usuários em massa para enviar e-mails e comentários em blogs de spam, e aqui entra centenas de baixarias, inclusive mensagens relacionadas a fraudes. A coisa é traiçoeira: mesmo as mensagens com os tais "descadastrar" só servem para confirmar a existência da conta. Essa bola de neve corresponde a mais da metade de todas as informações que circulam pela rede, deixando servidores e conexões mais lentas. Talvez não seja grave quanto os panfletos contribuindo para enchentes, mas também não é pouco.
Não tenho problemas em excluir e-mails não desejados do outlook, mas já deixei de receber mensagens importantes por causa de bloqueios dos servidores de e-mail. E no blog, que não é exatamente meu ganha-pão, não tenho muito controle: diariamente, apago uns cem comentários, sem brincadeira.
Como te falei, concordo com as suas razões, e isso é um problema cultural. Desinteresse, falta de memória e de educação são coisas sérias. Mas a questão do spam não pode ser vista como um simples "ah, apaga aí que é facinho".
(Gravz: Claro que existe o 'Spam nocivo', assim como existe o website nocivo - aquele no qual entramos e ele próprio ativa algum vírus ou coisa assim. Esse tipo de coisa, independente do meio, é totalmente repugnante. E o próprio Spam é algo ruim, sim. Mas, como eu disse, às vezes é um mal necessário. Quanto ao mais, também vivo apagando comment spam..rsrs Dureza)
(Gravz: Pois é... Exatamente. Claro que política é um negócio chato e que dá trabalho, mas é preciso se esforçar)
(Gravz: Spam telefônico é dureza...)
