ZÉ DO CREPE: UM EMPREENDEDOR CONTEMPORÂNEO

15/09/2006

ZÉ DO CREPE: UM EMPREENDEDOR CONTEMPORÂNEO

Essa é uma figura famosa nos dias de hoje. Trata-se de um grande empreendedor, de um verdadeiro baluarte da Livre Iniciativa. O nome masculino é apenas uma representação simplificada, pois existe também seu equivalente feminino: Maria da Fralda.

Desta feita, peço que façam uma leitura assexuada dessa personalidade dos tempos modernos. Certo? Então vamo que vamo.

Zé do Crepe já tentou de tudo. Ou quase tudo, pois ele continua tentando e sempre surge algo novo. Ele não se abala com fracassos, pois segue adiante e aposta tudo na nova tentativa. É um perseverante!

Mas ele quer ganhar dinheiro sem ralar muito. É o 'equivalente capitalista' àqueles que querem emagrecer sem fazer exercício nem parar de comer, ou aos que pretendem aprender inglês fluente em apenas meia lição (e dormindo).

Tudo começou quando ele entrou no ramo dos produtos dietéticos. Um amigo o convenceu a participar de uma rede imensa, e em pouco tempo ele se tornaria algo como gerente-supervisor-sênior-alfa. Obviamente, esse dia nunca chegou; e ele morreu numa grana preta - toda ela gasta em farelos e congêneres.

Depois disso, comprou uma máquina de fazer fraldas. O raciocínio era simples: há muitos bebês no mundo e todos eles precisam de fraldas. Mas faltou uma observação ao simples e simplório pensamento: NEM TODO MUNDO COMPRA FRALDAS CASEIRAS PARA COLOCAR NO BUMBUM DO AMADO FILHINHO.

Claro que o negócio naufragou, mas nem deu tempo do Zé chorar. Logo adquiriu sua máquina de fazer crepes (daí o apelido, ora pois). Fazia tantos crepes por hora, tantas horas por dia, tantos dias por mês que, matematicamente, ganharia uma grana alta. Ah, essa matemática traiçoeira! Não ganhou nada...

Mas ele tinha outras fontes de renda, de modo que sempre sobrava um pequeno troquinho para investir nesse 'por fora'.

Após o fiasco do crepe, nosso amigo Zé resolveu simplificar um pouco: comprou uma maquininha de fazer pão. Pão normal, mesmo. Claro que poderia rechear (aliás, com 90 tipos diferentes de recheios, desde cremes até frutas cristalizadas).

Como sabemos, pão é mais simples do que crepe. Ele acreditou que dessa vez daria certo. Mas pão, além de mais simples, é também muito fácil de comprar. Os consumidores, para azar do empreendedor, continuaram adquirindo seus pãezinhos na padaria, em razão do preço mais barato e também da facilidade.

Desistiu dos gêneros alimentícios, mas não da vontade de empreender, pois logo comprou uma máquina de estampar camisetas. Não chegou a vender meia dúzia, mas fez pelo menos umas cinqüenta, todas de graça, para os amigos do bairro e também gente da família. Até hoje, quando tem algum aniversário, seu presente todos sabem qual é: uma camiseta personalizada.

Embora, como sempre, não tenha tido lucro, pelo menos desta vez conseguiu alguma utilidade prática e econômica para o utensílio. Verdade que passa sempre vergonha na hora de dar os presentes, mas tem economizado muito em razão disso, já que teria que comprar os mimos em cada aniversário.

Ele também tentou 'ganhar dinheiro a partir de sua casa, bastando apenas uma conexão com a internet', bem como 'aumentar os ganhos financeiros usando apenas um microcomputador'. Não houve alteração significativa em sua conta corrente, pelo menos não para 'mais'.

O que mais ele fez ou fará? Nem eu sei. Só sei que é inacreditável a capacidade do pessoal de cair em todo tipo de conto-do-vigário. Mas agradeço a eles por dar subsídio aos humoristas quando estão com pouca inspiração.


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transubstanciado por gravata às 15.09.06 | 3 comentários



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Comentários:


Comentário de: Carla

A minha irmã, na adolescência, comprou umamáquina de estampar camiseta. A primeira venda foi para um comerciante de sergipe, que ela nunca tinha visto mais gordo. O cara comprou umas 300 camisetas e a boba aceitou dois cheques pré-datados como pagamento... os dois sem fundos. Ingênuas não servem para ser maria camiseta...

(Gravz: Vixi... Mas processou o cara?)

PermalinkPermalink 15.09.06 @ 19:12



Comentário de: Dri · http://www.oblogdadri.blogspot.com

Nando, eu lembrava daquela história da Veja, que coisa impressionante isso, né? E o pior é que Wisnik e Caetano são parceiros na trilha sonora, e ninguém brigou com ninguém por autoria de nada ali. A Veja é quase uma piada - oops, esqueci do Mainardi... é uma piada completa, na verdade. Beijos, vou publicar a explicação do seu site no meu blog, ela é ótima.

(Gravz: A Veja é feita pra classe-média quase alfabetizada)

PermalinkPermalink 16.09.06 @ 10:50



Comentário de: Lady Metal · http://www.ladymetal.blogger.com.br

O cara que caiu no conto do (011) 1406

(Gravz: Exatamente!)

PermalinkPermalink 17.09.06 @ 19:33



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