AVENTURAS NA EUROPA
30/08/2006
AVENTURAS NA EUROPA
Não fiz muitas viagens ao exterior, infelizmente. Fui para a Disney em 1984 e para a Europa em 1995 (desconsidero uma viagem que fiz a Foz do Iguaçu, na qual conheci o Paraguai).
Acreditem ou não, fui pra zoropa para jogar bola. Não, não fui contratado pelo Borussia Dortmund ou algo assim. A viagem era para disputar três campeonatos pelo Colégio Objetivo, e todos os alunos/atletas pagaram (não foi tão caro quanto uma viagem padrão, mas também não foi baratinho).
Fiquei trinta e cinco dias passeando, já que obviamente não quis saber de jogar. Conhecemos Paris, Gotemburgo, Colônia, Portsmouth e Londres. E visitamos Amsterdam e Frederikshavn.
Trago a vocês alguns fatos engraçados daquela viagem:
Queda da Bastilha
Estávamos em Paris no glorioso 14/07, data em que se comemora a Queda da Bastilha. Meus amigos, é o maior carnaval de rua da paróquia! Uma festa do caceta, mesmo. Muito boa! A parte chata foi ver aquele carinha dos teclados dando seu show idiota na Torre Eiffel. Mas, porra, até a parte chata é legal.
Chabu na SAS
Da França para a Suécia, fomos de SAS, as linhas aéreas da Escandinávia. Dividimos a turma em dois grupos, cada qual foi num avião. Por incrível que pareça, deu zica num deles, e por isso nem decolou. Em princípio, fiquei feliz por estar no 'grupo que viajou bem'. Mas depois fiquei com inveja dos outros, pois passaram a noite num hotel cinco estrelas, tudo pago pela companhia aérea.
Sorte em Gotemburgo
Demos sorte, muita sorte. A cidade, além de sediar a famigerada "Gothia Cup" (que diputaríamos) também seria anfitriã de um evento internacional de atletismo. Havia muitos turistas, principalmente mocinhas egressas de países como Noruega, Finlândia e Dinamarca.
Negociatas na Suécia
Levei 30 (isso mesmo: trinta) camisetas da seleção brasileira. Comprei todas no Brás, pagando seis mangos cada uma. Lá na Suécia, eram vendidas por 30 dólares (cada camiseta). Também fiz trocas, porque não sou um porco capitalista. Numa dessas, dei uma camiseta do Brás e ganhei uma blusa da Puma originalíssima. Também ganhei camisas oficiais do Liverpool (freguês do tricolaço), da seleção inglesa e até uma do Newcastle United.
Com o Dinheiro...
...que consegui vendendo camisetas, conheci Frederikshavn (Dinamarca). Fiz um passeio bacana de barco, indo de Hovercraft e voltando de navio-cassino (no qual perdi umas moedas). Na ida, conhecemos um velho dinamarquês, gordão e breaco, que era simplesmente viciado em bossa nova. Ele revelou o vício quando descobriu nossa nacionalidade. O caminho de ida foi quase todo na base da cantoria com o velhão gente boa.
Suécia Evoluída
Na Suécia, descobri que há gente civilizada no mundo. Enquanto na Inglaterra tudo é na base da multa, os suecos cumprem as leis espontaneamente. Nos bondes, por exemplo, você paga de acordo com o trajeto pretendido. Não vi fiscal algum. O cidadão entra, coloca um cartão na maquininha e aperta o botãozinho correspondente ao ponto de destino. Imagina uma coisa dessas no Brasil...
Surpresa em Colônia
Na Alemanha, fomos avisados de que dormiríamos em salas de aula. Até aí, tudo bem, pois na Suécia dormimos todos numa quadra poliesportiva. O grande problema nem era a sala de aula, mas sim os trajes: deram-nos roupas militares para dormir. Aquelas de dormir na neve, ou sei lá o quê. Tipo 'sleeping bag', mas todo camuflado. E estava um calor do cão, pleno verão, não dava para dormir nem de camiseta. Depois dessa primeira noite realmente estranha, deram-nos tatames. E também trocamos de sala. Curiosamente, ninguém roubou os trajes.
Passeio em Amsterdam
Fomos num trem super mega rápido e voltamos num trenzinho devagar quase parando. Lá, rolou algo bem engraçado. Estávamos em vinte, por aí, e um sujeito falou que viu uma garota linda. Era uma daquelas que ficam na vitrine. Uns cinco saíram correndo, tive sorte por fazer parte do grupo que ficou. Isso porque, logo depois, todos voltaram putos da vida. A 'menina linda', embora provavelmente fosse mesmo linda, não era exatamente 'menina'. Imaginem a cena.
Dormitórios Decentes em Portsmouth
Depois da quadra na Suécia e da sala de aula na Alemanha, ficaríamos finalmente em apartamentos legais na Inglaterra. Nosso técnico, usando critérios ditatoriais, estabeleceu que os mais disciplinados escolheriam primeiro os apês. Beleza. Por óbvio, fiquei no último grupo. Cada apartamento tinha uns quatro quartos. Nós, os indisciplinados, ficamos com os andares de cima. E sobraram vários apês. Adivinhem o que aconteceu? Ocupávamos um quarto por apê, enquanto os nerds se amontoavam nos andares inferiores.
O Puteiro-Encrenca
Como era uma viagem de estudantes, claro que alguns nerds viajaram. Um deles, querendo se enturmar, já tinha metido meia dúzia numa tremenda roubada na Suécia, quando mentiu dizendo que conhecia um puteiro. Ninguém se perguntou como aquele rapaz do Jabaquara conheceria um puteiro em Gotemburgo... Aliás, ninguém perguntou como aquele rapagote residente nas proximidades do Bosque da Saúde conhecia, também, um puteiro em Portsmouth. A molecada foi seca quando ele disse que tinha ouvido falar num inferninho local. Dividimo-nos em três grupos. O primeiro entrou facilmente, mas os outros dois não conseguiram. Fiquei entre os barrados. Achamos que os 'sortudos' fossem demorar horas lá dentro, mas acabaram saindo em cerca de vinte minutos. Isso porque o 'puteiro' era nada menos que um CLUBE MILITAR DA MARINHA. Olha o tamanho da merda. Quando o povo lá de dentro descobriu as intenções da molecada, quase rolou morte. Aliás, também quase rolou morte no alojamento, pois todo mundo queria bater no panaca que 'descolou o puteiro'.
Golaaaaaaço
Embora eu não tenha ido para jogar, vez por outra batia minha bolinha. Tive a sorte de participar do embate contra um time local, em Porsmouth. Eles jogavam mal pra burro, mas nossos jogadores não eram tão melhores. O jogo já estava acabando, naquele um-a-um sofrível. De repente, nosso goleiro dá um chutão. Eu acredito e saio correndo, mas ninguém mais vai, pois o goleiro adversário facilmente pegará a bola (até os zagueiros desistiram). Ocorre que o genial arqueiro inglês leva um tremendo golpe, pois a pelota bate no chão e passa por cima de seus braços. Adivinha quem estava lá para assinalar o precioso tento da vitória? Maravilha! Meu único gol marcado no exterior, valendo por campeonato oficial (*), foi essa 'pintura'.
Depois do Golaço
Logo após o lance mais oportunista de toda minha carreira de centroavante, tive uma câimbra de amargar. Ocorre que, no meio da crise, eu lá com a perna esticada no chão, começa a sair uma treta desgraçada. Aquela distribuição generalizada de sopapos e bicudas. Mas os ingleses são civilizados, pois todo mundo apanhava, menos eu, já que estava machucado. E eles viram que me machuquei antes da briga começar.
Pay-per-View
Em Londres, onde ficamos dois dias, fizemos uma grande sacanagem com um cara. Todos fomos para o quarto do camarada e colocamos o filme pornô do pay per view. O filme era bem sem graça, e na verdade nem demos bola, pois todos prestavam mais atenção ao jogo de pôquer. Mesmo assim, deixamos rolando o canal e 'compramos' uns três filmes. Na hora de pagar a conta, ele ficou meio nervoso e tentou argumentar com o gerente do hotel. Se ele falasse inglês, talvez os argumentos tivessem efeito mais positivo.
Baile na Sinuca
Durante a viagem, descobrimos que um dos nossos fazia aula de sinuca. O cara jogava bem pra caramba e faturou uma grana apostando com todo mundo. Em Londres, havia um pub pertíssimo do hotel, com várias mesas de bilhar. Umas garotas estavam jogando e resolvemos colocar dinheiro na brincadeira. Perdemos feio. Levamos um baile dos diabos. Enquanto aqui no Brasil a sinuca é coisa de 'malandro', na Inglaterra é uma prática comum entre os jovens. Foi vexatório.
Essas são quase todas as histórias publicáveis.
(*) - Fora dos campeonatos oficiais, devo ter feito uns 50 no campinho do alojamento de Gotemburgo, mais uns 40 na quadrinha em Colônia. Partida de campeonato era uma chatice e ninguém dava muita bola, mas pelada sempre foi coisa séria. Jogávamos todo dia, por no mínimo duas horas.
Posts similares:
HISTÓRIAS DA EUROPA: SINUCA DE BICO
EU QUERO VOLTAR PRA DISNEY (*)
PASSAGENS ENGRAÇADAS DA VIAGEM PARA A EUROPA: OS ATAQUES AO GAY NO METRÔ DE PARIS
transubstanciado por gravata às 30.08.06 | 9 comentários
(Os comentários abaixo exprimem a opinião dos visitantes, o autor do blog não se responsabiliza por quaisquer consequências e/ou danos que eles venham a provocar.)
Atalho pra o formulário
Comentários:
(Gravz: Não, não...
(Gravz: Eu nunca soube direito o que é esse RSS)
(Gravz: Nenhuma. Em 1995, estávamos bem, pois o Brasil havia ganhado a Copa no ano anterior. Nos dias de hoje, a 'canarinho' não está com essa bola toda...)
(Gravz: O cara ficou putaço! Pagou - claro - em libras)
(Gravz: É mais jogo, mesmo)
Parabéns pelo blog.
Abraços.
(Gravz: Valeu, Tatiana! Volte sempre!)
(Gravz: Mas é isso mesmo! Tem que se render às manias!)
a parte das camisetas foi sensacional!! haha tirar uma graninha, tá certo! e dá-lhe Brasil!!
KKKKK
beijo
Um abração,
Denis.
(Gravz: Não sou o Ricardo e, sim, lembro do Denis - quem é Felipe?)
Este post tem 1 comentário aguardando aprovação...
