SUPERMAN RETURNS (TÔ ATRASADO, NÉ?)
28/07/2006
SUPERMAN RETURNS (TÔ ATRASADO, NÉ?)
Com muito atraso, falo aqui de "Superman - O Retorno". Esse 'retorno' era anunciado de tempos em tempos, com todo tipo de especulação (mais um pouco, diziam que a Gorete Milagres seria o novo Clark Kent).
Eis que surge uma adaptação impressionante. Sim, é um 'filminho de herói', e exatamente por isso deve ser analisado como tal. É uma perfeita estupidez analisar um filme como esse tendo parâmetros outros.
Dentre os filmes de super-heróis, portanto, é o melhor. Sim, porque mesmo Superman I e II, de Richard Donner, não superam este filme. Quando Donner preparou suas películas, que são ótimas, não teve o menor cuidado em se livrar de algumas caricaturas.
Essa preocupação não faltou aos atuais produtores.
Brian Singer, diretor de "Superman - O Retorno", aproveito muitas coisas boas das primeiras versões, com destaques especiais para a trilha-sonora e também para um áudio de Marlon Brando que nem mesmo foi usado. Mas o diretor não se limitou a preservar o que era bom, pois fez também mudanças muito interessantes.
Lex Luthor, por exemplo, continua com alguns trejeitos. Mas a versão de Kevin Spacey supera a de Gene Hackman. Não é o caso de dizer que seja 'mais atual', pois o Lex de Superman I e II definitivamente não era um 'homem de seu tempo'. Spacey o humanizou, tornou mais realista, sem tirar a parte sarcástica e até mesmo um pouco do viés espalhafatoso.
'Atual', sem dúvida, é o contexto da atual história. É impossível fazer um filme de Superman primando pela verossimilhança, mas não custa nada usar contextos um pouco mais realistas. E a atual película faz isso muito bem. E de várias formas.
Uma delas foi casamento de Lois Lane. Essa nova Lois não lembra a do gibi, nem a dos filmes. Ela não é mais uma espécie de 'super repórter' que vive longe do mundo dos sentimentos e afins. Nada disso. Lois Lane casou e tem até filho. Humaníssima, portanto.
Também pode ser visto como algo positivo a idéia de manter o estilo de Cristopher Reeve. Nos gibis, Superman e Clark Kent não têm as mesmas características físicas e psicológicas de seus correspondentes cinematográficos.
Em "Superman Returns", a opção foi de manter o estilo dos outros filmes. Acertaram. De certa forma, porém, parece até exagerado, pois Brandon Routh é considerado uma espécie de clone de seu antecessor. E essa é outra 'opção pelo realismo', já que o messianismo infinito do gibi tornaria o filme um porre. A pequena falibilidade do "Super", no filme, ajuda a engolir essa que é mesmo a pior parte da personagem.
Os efeitos especiais também tornam o filme mais 'realista' (nesse caso, pela tecnologia mesmo, por parecer 'real' aquilo que bem sabemos ser pura fantasia). A cena do avião, por exemplo, é das melhores.
Trata-se, portanto, de um excelente filme. Nem preciso recomendar, pois a essa altura todos já devem ter visto.
Superman III, o Injustiçado
Para quem não sabe, Cristopher Reeve participou de QUATRO filmes do Superman. Os dois primeiros são tratados como clássicos absolutos, o terceiro é pouco comentado e o quarto simplesmente desprezado.
Concordo com o desprezo ao quarto episódio. Há razões objetivas (outra equipe técnica) e subjetivas (péssimo filme!) para simplesmente desconsiderá-lo.
Mas o terceiro não pode ser ignorado. Superman III é meu favorito da 'trilogia' (tetralogia, né?) antiga. As razões são várias, mas a principal delas foi a ousadia de fazer um FILME DE COMÉDIA com um dos super-heróis mais sisudos de que se tem notícia.
Superman III não é somente um filme de ação, mas sim uma comédia (e das boas!) com 'contexto de ação'. A coisa vai da abertura à última cena. Com direito ao Superman breaco, dando peteleco em amendoins e quebrando o espelho do boteco. Desta-se, obviamente, a atuação irreparável do saudoso Richard Pryor.
Falei sobre esse filme em um texto antigo (se tiverem um tempinho, dêem uma lida!).
As outras duas edições têm aqueles caras vestidos de preto, Lex Luthor totalmente caricato etc etc etc. Gostamos, sim, mas muito mais pelo valor afetivo/nostálgico do que por uma análise isenta. Sejamos francos.
Sobre o Mito do Messias
Nós, ocidentais, conhecemos bem esse mito. Sua versão predominante é a de Jesus Cristo. Os judeus, que não são cristãos nem consideram Yeshua o Messias, também acreditam na vinda do Salvador.
Superman foi criado dentro dessa estrutura de personagem. É mais um para uma grande lista. Todas - exatamente todas! - duas características são as do legítimo Salvador. O velho Mito do Messias.
Ele vem de fora, ele chega para nos salvar, ele se guia pelas virtudes, ele defende a justiça, ele tem poderes bastantes para subjugar os opressores. E tem a humildade de caminhar entre nós, como se fosse mais um.
Mas não culpem os criadores de Superman pela 'falta de criatividade', haja vista que toda grande figura da ficção em geral tem origem em algum mito. É quase impossível fugir disso.
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e Superman - o retorno
Mais um vídeo de
Superman Returns
Capa de Superman Returns:
Krypton to Earth
transubstanciado por gravata às 28.07.06 | 7 comentários
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Comentários:
(Gravz: Nunca li 'O Pode do Mito', também...)
Ah, reparou que a atriz que faz a Lois não tem bunda? Acho que apagaram na pós-produção...
(Gravz: Eu achei que quis, sim, ser filme de herói. Quis até demais. Ao mesmo tempo em que inseriram o 'realismo', também mantiveram todos os símbolos e sinais claros do 'filme de herói'; da trilha sonora ao culto da virtude, da reiteração do messianismo à caricatura do vilão. E assim por diante. "X-MENT" talvez seja o único filme-de-herói que foge do tema. O resto assume)
Mas considerando a comparação heróis, vilões e cia, ainda prefiro XMen III. Achei imbatível o filme.
(Gravz: Muito bom, mesmo)
(Gravz: Escrevi, antes, que teria cautela. E tive. Não gosto de comemorar o que não está ganho. Adoro - sem dúvida - comemorar vitórias. Desse modo, só se comemora uma 'vitória', em mata-mata de ida-e-volta DEPOIS do segundo jogo)
(Gravz: Eu achei Batman Begins bem meia-boca)
É um filme que não esbanja violência (não vemos lutas sangrentas ou monstros gigantesco), ao contrário é um filme de muita sensibilidade, com cenas belíssimas (como o vôo de Superman pelas ruas de Metrópolis ao entardecer) e uma forte mensagem da importância da superação de valores, de seu esforço à altura da ameaça que pesa sobre a humanidade, porque o verdadeiro herói, com “H” maiúsculo precisa beneficiar muitas pessoas. Ele reafirma sua riqueza interior, através da moralidade, da espiritualidade e do caráter, é isso que torna-o uma pessoa virtuosa...
... E é aí que o Diretor Bryan Singer mostra um trabalho diferente no ramo de super-heróis: ele trabalhou em primeiro lugar os sentimentos, veja o requinte de sua sutileza ao mostrar o Super voando pela cidade com lágrimas nos olhos. E claro, não faltou o vôo romântico do Super e Lois a noite, encantador!!!!
Fechando no final com o grande impacto sobre as pessoas de sua coma, mostrando que o homem de aço não poupou esforços para impedir um tragédia maior . Foi para isso que Superman Voltou, para mostrar para a humanidade esse caminho...
... O tema musical do Superman foi mantido, recebendo o toque de arte de de John Willians que consegui fazer uma adaptação quase que foi magestral, recebendo arranjos primorosos. Acredito que todos ao escutá-la se arrepiaram.
(Gravz: Exatamente. Adaptação magistral, e com rigor quase acadêmico, do Mito do Messias)
