SOBRE AS PROMESSAS AO ‘DEUS DO ESCAMBO’
27/07/2006
SOBRE AS PROMESSAS AO ‘DEUS DO ESCAMBO’
A fé deve sempre ser respeitada. Como se sabe, há proteção legal quanto a isso, garantida pela Constituição Federal. Mas acho que podemos falar sobre as promessas, não é?
Porque elas não são desta ou daquela igreja, mas sim um comportamento humano muito difundido, principalmente aqui no Brasil. É uma troca, um negócio proposto pelo fiel. Supostamente, Deus embarca nessa conversa em troca de um sacrifício.
Sim, sim, sacrifício. O camarada oferece um tostão de sofrimento, ou verdadeiras fortunas de agonia, em troca de alguma coisa boa. Segundo essa crença, é exatamente isso que Deus quer: sofrimento. É assim que se agrada o Criador.
Sei lá, cada um inventa o Deus que quiser. Tem Deus que precisa de vela, tem Deus que precisa de farofa, tem Deus que precisa ser adorado e tem Deus que adora a idéia de uma pessoa subir uma escadaria de joelhos.
Convenhamos, essa última modalidade divina ao menos é muito bem-humorada. É bem mais divertido ver a rapaziada sentando na graxa do que 'ganhar' pinga, insenso ou algo assim. Nada paga o preço de ver o caboclo indo a pé de uma cidade até a outra. Genial!
Mas como são as pessoas que inventam Deus, então não adianta cultuar esse Criador Sarcástico. Ele é o resultado lógico da imaginação sofrível de seus fiéis-criadores. Sua genialidade é proporcionalmente inversa à de seus devotos.
Voltemos ao caso das promessas. Não entendo esse povo que propõe trocas. Sempre oferecem alguma coisa estúpida, idiota, ridícula ou inútil. Deixam de comer chocolate por um ano ou param de tomar refrigerante, enfim, coisas desse tipo.
O que Deus ganha com isso? Que Deus é esse que tem prazer diante do sofrimento de seu fiel? Mas o pior nem é isso...
É inquietante constatar que os fiéis que fazem promessa NÃO CONFIAM EM DEUS. Afinal, Ele deve pagar primeiro para que depois - e só depois! - a promessa seja cumprida aqui na Terra.
Esses fiéis confiam tanto em Deus quanto eu confio num camelô. Primeiro o produto, depois o dinheiro; primeiro o milagre, depois o pagamento da promessa. Uma piada, né?
E quase ninguém oferece, como troca, algo realmente positivo. É tudo essa bobagem de chocolate, refrigerante etc, no limite exato da imbecilidade do fiel.
Já que é inevitável fazer promessa, por que não oferecem algo bacana em troca? Sei lá... Poderia ser, por exemplo, tantas cestas básicas ou tantas horas de trabalho comunitário.
O camarada continuaria sendo um idiota, sem dúvida, mas pelo menos produziria alguma coisa útil. E, qualquer que seja o Deus, Ele seguramente não ficaria chateado diante de uma boa-ação.
Ou ficaria?
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