NOTAS FINAIS SOBRE A COPA
11/07/2006
NOTAS FINAIS SOBRE A COPA
Não é porque perdemos, mas achei essa Copa bem meia-boca. De trocentas mil partidas, houve poucos GRANDES JOGOS, e o único grande gênio foi mesmo Zizou.
Partidas realmente empolgantes: Alemanha x Argentina, Brasil x França (pelo show de Zidane, não pelo ridículo futebol brasileiro), Portugal x Inglaterra, Itália x Alemanha, Itália x França. Cinco jogos. É pouco, não?
A Copa de 86, por exemplo, foi muito emocionante e bonita de se ver. A de 1998, outra em que sentamos no quibe, também foi boa. A de 1994, que ganhamos, foi ruim.
* * *
Depois do jogo contra a Austrália, comentei com um amigo que esta Copa estava com 'cara' de 1990. Ele discordou. Falou que lembrava a de 1994. Nossas opiniões não eram em relação a todo o torneio, mas sim ao Brasil.
Agora, com o término da Copa, acho que ambos tínhamos razão. Foi a ressaca da Copa de 90 com a chatice geral da de 1994.
* * *
Continuo condenando a reação violenta de Zidane. Mas ele não foi o único violento naquela 'jogada'. Matterazzi aprontou das suas. Assim como ficamos perplexos com a reação de Zizou, não podemos negar que alguma coisa foi dita ali. E coisa feia.
E essa coisa, se for o que alegam ser, é um ato muito, mas muuuuuuuuito mais violento do que a reação de Zidane.
Porque uma cabeçada, por exemplo, não é ilegal. Ofensa racial ou calúnia, sim. Podem abrir o Código Penal. O máximo que encontrarão é 'rixa' ou lesão corporal de natureza grave, média ou leve. Aquela cabeçadinha não foi nada disso.
E o que Materazzi falou? Ninguém sabe. Vai ser sempre a palavra de um contra a de outro. O zagueiro, como bom covarde, saiu pela tangente, alegando ser 'ignorante' e, por isso, desconhecer o significado da palavra 'terrorista'.
Foi o espertão que 'expulsou' o craque do time adversário. Conseguiu vencer a guerra de nervos por meio de alguma ofensa inaceitável. Zidane deixou de lado a pose olímpica e reagiu como homem.
Não falo isso por machismo ou coisa que o valha. Foi uma reação humana, mesmo. Nesse sentido psicológico-hormonal. Ele errou? Sem dúvida. Mas Materazzi cometeu erro mais grave.
Não para os idiotas, é claro, que preferem a dissimulação e a ofensa racial sussurrada. Isso pode. O que não pode é dar uma cabeçada e aparecer no telão. Não pode ser homem, ser Materazzi tudo bem.
Eu tinha dito, ontem, que Zinedine Zidane havia fechado a carreira com 'chave de merda'. Bobagem. Foi chave de ouro, mesmo. Com muita dignidade. Todos estavam preparados para tratá-lo como um 'deus', dentro da coisa idiota do fanatismo, e ele deixou claro que é um homem.
Esse é o melhor jogador de futebol do mundo. O resto é um punhado de bananas.
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Por falar em Materazzi, vejam que gracinha esta coletânea de jogadas do grande craque. De fato, é um exemplo de bom-mocismo. Uma vítima da 'cabeça serelepe' do cruel Zidane.
Por falar no melhor jogador de futebol dos últimos 20 anos, este joguinho é muito bacana. Basta controlar o craque com o mouse e, clicando o botão, desferimos cabeçadas no Bequedefazzendazzi.
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Ok, Parreira merece xingamentos e cusparadas. E uns petelecos na orelha. Talvez, quem sabe, até uns dois ou três pescotapas (do Ostrogodo, claro).
Mas e o Ricardo Teixeira? Ele também é o grande culpado, não? Afinal, se é para culpar o chefe, vamos ao chefe de todos. Parreira é só um palhaço um pouco mais "de confiança". Não chega perto de ser o dono do circo.
Parreira é responsável direto pela derrota nesta Copa. Ricardo Teixeira é o responsável direto por toda a bagunça que é o futebol brasileiro.
Todo mundo quer saber quem vai ser o novo técnico. Por que não começam a perguntar, na grande imprensa, quem vai ser o novo Presidente da CBF? Já é hora.
É preciso ter inteligência e aproveitar o contexto desfavorável ao cartola. Logo mais a seleção ganha algum título e ele usa o 'triunfo' para se perpetuar no poder (e não me chamem de conspirador: ele faz isso há décadas!).
* * *
Já estou na metade de "Vida que Segue", uma coletânea dos artigos de João Saldanha, publicados durante as copas de 1966 e 1970. Imperdível, genial etc etc etc. Todos os aplausos do mundo ao responsável pela compilação, Raul Milliet.
E aplausos infinitos ao mestre João Saldanha. É impressionante o que esse cara sabia de futebol. E seu talento para simplificar o negócio em poucos parágrafos, de forma simples.
Saiam correndo e comprem esse livro. Ele está à venda nas melhores casas do ramo. E também nas piores. Mas eu não recomendo comprar nestas.
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transubstanciado por gravata às 11.07.06 | 14 comentários
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Comentários:
Aliás o preparo físico de um time formado por coroas me chamou muito a atenção.
Perdeu a globo que ficou endeusando zidane....
(Gravz: A hipótese de doping é sempre investigada. A FIFA faz exames constantes. Você acha que a reação de Zidane, de ódio, foi graças a uma 'verdade' dita pelo zagueiro italiano. Sei lá.. Acho que você não deveria sair por aí medindo as pessoas por sua própria régua. Pode ser que, para você, a verdade seja ofensiva. Entendo e, se for o caso, respeito. Mas essa regra não pode ser aplicada a todos)
(Gravz: Na hora, todos condenamos Zidane. Agora, aos poucos, ele vai ganhando mais e mais apoio. Realmente, dá para saber o que o Materazzi falou. Basta descobrir alguém que saiba fazer leitura labial naquele dialeto)
(Gravz: Esqueça o Felipão. E, por agora, esqueça o Luxa. Se for entre esses três, acho que é o Autuori)
Parabéns por isso aqui, cara...
(Gravz: "Os Subterrâneos do Futebol", hoje denominado "Histórias do Futebol", era para ser um livro sobre Garrincha. Acabou se tornando um relato sobre viagens e histórias do Botafogo, mas, ainda assim, realmente é bem leve e engraçado. "O Trauma da Bola", que reúne crônicas da Copa de 1982, é aparentemente mais tenso - talvez pela preocupação de Saldanha em relação ao favoritismo do Brasil. Mas o livro traz ironias ótimas. Bem como "Vida que Segue" que, de fato, é muito tenso. Afinal, eram os anos de chumbo. E Saldanha estava no olho do furacão. Mas há piadas ótimas!)
No fim, a copa terminou de forma adequada: um campeão medíocre, à altura do torneio. A Itália só jogou realmente bem contra a Alemanha. Nisso realmente parece com 94, uma copa chatíssima que teve um campeão medíocre.
(Gravz: Pois é! Para nós, foi a ressaca de 90. Para o futebol em geral, foi a mediocridade de 1994. Parreira deve ter ficado prepotente quando percebeu que esta seria a 'copa da mediocridade'. E, dos medíocres, ele sempre foi rei. Mas não deu...)
Beijos!
Má
(Gravz: Valeu, Má!
(Gravz: Quem?
você vai me desculpar, mas o que Zidane fez não tem perdão. Ele é um homem de 34 anos de idade, joga futebol há 17 anos, não foi a primeira decisão de que participou e certamente não foi a primeira provocação em que caiu. Um sujeito que não tem nervos para disputar uma final de Copa de Mundo, que cai na primeira pilha que se lhe diga, não é digno de estar ali. Não é demais lembrar que Zidane nunca se pautou por ser um jogador LEAL. Foi expulso diversas vezes (em 1998 deu uma pisada criminosa num adversário - foi xingado também?) e naturalmente Matterazzi devia saber disso. Como eu sabia e, quiçá, todos vocês que curtem futebol. Foi vergonhoso o que Zidane fez! Como foi vergonhosa a agressão de Ronaldinho Gaúcho no Brasil x Inglaterra em 2002, quando era simplesmente o melhor em campo. Se perdêssemos por causa dele, não seríamos tão condescendentes como estão sendo com Zizou. Foi uma cabeçada criminosa. A França perdeu a Copa ali. Poderia ter aprendido com Romário, vítima de centenas de provocações durante as partidas e esperar o melhor momento de respondê-las: depois da vitória garantida. Mas nem todo mundo tem o sangue frio do Baixinho. Taí: Romário jamais seria expulso numa partida dessas! Jamais! Por motivo nenhum... Esta é a diferença.
(Gravz: O que ele fez, claro, foi algo errado. Mas o que Materazzi fez TAMBÉM foi errado. Não podemos nos esquecer do erro anterior, até porque ele dá ensejo ao erro subseqüente. Um erro não justifica o outro, mas também não anula. Nem diminui. Errou Zidane? Sim, sem dúvida. O cartão vermelho foi merecido. Agora, na boa, é inaceitável esse negócio de que ofensa 'faz parte do futebol'. A escravidão 'fazia parte' do Brasil durante séculos. Até que acabaram com isso. ALgumas coisas 'fazem parte' de determinados contextos, mas não por isso que são aceitáveis e/ou admissíveis. E, usando seus próprios argumentos, tendo Zidane essa experiência toda, inclusive participado de uma final, que ofensa foi aquela que o transformou? Foi chamado de corinthiano?)
Acho que nunca concordei tanto com um texto seu. A parte referente ao Zidane, sobretudo, posso assinar embaixo.
O que tenho ouvido de comentaristas por aí é de embrulhar o estômago. Um sinal claro do quanto a moral de hoje em dia está doente, completamente enviesada. Esses hipócritas da mídia, os mesmos vendidos que endeusavam o Zidane antes, virem invocar o "fair-play" e condenar um reputação... Ora, faça-me o favor.
Acho que foi o Camus que disse que a alma do homem passa pelo campo de futebol. A mais pura verdade, e isso que o faz um esporte apaixonante. É claro que Zidane errou, prejudicou seu time. Isso não se discute. Mas todos erramos. E, convenhamos, ele errou lindamente. Errou com caráter e honra. Nem mesmo agrediu Materazzi pelas costas. Enfrentou de frente o fascínora (já conhecia o vídeozinho, eheh).
O sujeito mostrou que tem sangue nas veias, justamente aquilo que faltou a nossa seleção canarinho.
E aí vem jornalista esportivo e fala que ele "manchou sua carreira".
Putaqueopariu, seu verme, digne-se. Jornalista esportivo, ô raça.
(Gravz: Na hora do lance, fiquei estarrecido. Claro que sucumbi à tentação de falar mal do cara. Imagina! Absurdo! Agrediu o zagueiro! Depois, claro, entendi tudo. E me senti um perfeito idiota por ter passado pela minha cabeça uma condenação a Zidane. Sim, a agressão é algo condenável, mas também compreensível. E a agressão verbal anterior é muito mais grave do que uma cabeçadinha no peito. E foi bem isso que você falou: ele chegou de frente, olhando no olho do Covardazzi)
(Gravz: Os zagueiros de Trinidad e Tobago jogam assim porque é o estilo deles. Um estilo equivocado, para dizer o mínimo, mas não há maldade. Materazzi, ao contrário, vai na mais pura maldade. Pisoteia por puro sadismo. Os lances estão aí, para qualquer um ver. Esse é o 'coitadinho' que 'sofreu' com Zidane)
Eu tava torcendo pra França e sempre enalteci e defendi o Zidane, tinha todos os motivos pra ficar puto, decepcionado... mas fiquei foi chateado pela repercussão que o lance ia ter, as besteiras que seriam ditas, e é claro o monte de torcedor brasileiro débil mental comemorando mediocremente e fazendo piadinha imbecil... Zidane merecia uma despedida um pouco mais FELIZ, não digo mais digna, pq como esse vídeo mostra, ele nocauteou um puta dum zagueiro carniceiro e isso desarma até os viadinhos que ficaram "chocados com a violência, que coisa animal, ui!" já que tava só pagando o outro na mesma moeda.. com certeza Zidane deve ter levado umas boas porradas durante o jogo, e não foi só o suposto xingamento que deixou ele de saco cheio
Outra coisa pra se observar foi a canalhice dele ter sido expulso por vídeo, coisa que a Fifa abomina (justamente pra poder ter o controle sobre certas decisões, só ver a Coréia em 2002, não passava das oitavas, aliás nem o Brasil passava das oitavas se o juiz procurasse uma falta do belga na reprise do gol anulado)
No mais achei uma copa bem razoável, melhor que 2002 mas pior que 98..
(Gravz: Brasileiro não pensa em 'conspiração' quando é vencedor. Em 2002, passamos da Bélgica na base do erro de arbitragem. E a Alemanha jogou conosco desfalcada de seu grande craque [Ballack]; bem como seu outro craque, o goleiro, fez uma atuação muito abaixo de qualquer outra daquela Copa. Não recei um mísero email de gente falando em conspiração... Porque, claro, não houve. É o acaso. Mas, quando é contra nós, o acaso vira 'mutreta')
(Gravz: Pois é.. Meu amigo Persega já falou nele. Gosto de David Yallop, mas pela obra "Em Nome de Deus")
(Gravz: Alguns podem achar que foi um exagero diante de uma ofensa à mãe e à irmã. Mas isso vai da qualidade da mãe e da irmã de cada um. Há umas por aí, é verdade, que não valem a dor de cabeça)
(Gravz: Eu não sei se ele é muçulmano. Ele é de origem 'berbere', né?)
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