QUATRO, CINCO MESES
10/05/2006
QUATRO, CINCO MESES
Talvez um pouco mais ou um pouco menos. Mas é por aí. Esse é o tempo de se esquecer uma paixão, um amorzinho etc. Tanto faz se, na ruptura, você entrou com o pé ou com a bunda. Depois desse período de carência (literalmente), tudo se resolve.
Se você entrou com o pé, no início se acha o malandrão, aproveita a 'liberdade', para em seguida sentir falta e querer voltar. Se demorar muito, acaba perdendo a vez para algum espertinho que estava à espreita. E aí é tarde demais. Você sofre, chora etc. Depois de alguns meses (quatro, cinco), as coisas ficam bem.
Se você entrou com a bunda, obviamente tudo é mais traumático. Há um sem número de reações neurastênicas, mas uma hora você se acalma. Basta ter paciência e deixar transcorrer o prazo, e então partir para outra.
Os pagodeiros, por exemplo, deveriam saber esperar. O maior problema das letras de pagode não é a falta de qualidade, mas a pressa. Se esperassem uns quatro ou cinco meses, não escreveriam aquele monte de lengalenga. A dor-de-cotovelo teria se acabado.
Certo estava o grupo Molejo, que não dava muita trela para sentimentos rancorosos e nem se acomodava num 'porto seguro amoroso'. O grupo preferia falar de 'brincadeira de criança' ou 'vou varrendo, vou varrendo, vou varrendo, vou varrendo'. Bem melhor.
O filme "Closer", que é tão profundo quanto um pires, é uma espécie de 'pagode cinematográfico'. A trama se resume a um sujeito que não se resolve entre a namorada e a outra, e um outro cara que aparece para faturar ambas. É uma coisa tão simplória, que muitos defensores dizem assim: 'o filme vale pelos diálogos'. Ninguém ousa discutir quão ridículo é o roteiro.
E é obviamente exagerado esse enaltecimento dos diálogos. Não há nada de mais. No máximo, os atores fazem 'cara de sério' ou 'cara de desprezo'. Aquele "Hi, Stranger!" é tão profundo quanto "o pimpolho tá de olho". Na verdade, o verso do "pimpolho" é melhorzinho.
Todo o roteiro do filme "Closer" pode ser representado por meio qualquer letra de pagodinho dor-de-cotovelo. Vejamos um exemplo apanhado a esmo:
"O que é que eu vou fazer com essa tal liberdade / Se estou na solidão pensando em você / Eu nunca imaginei sentir tanta saudade / Meu coração não sabe como te esquecer / Eu andei errado, eu pisei na bola / Troquei quem mais amava por uma ilusão / Mas a gente aprende a vida é uma escola / Não é assim que acaba uma grande paixão"
Vocês acabaram de ler o roteiro de "Closer". O resto são aqueles super-ultra-hiper diálogos, com os atores de bracinhos cruzados e fazendo cara de poucos amigos. É o filme da vida de quem não tem vida.
Qual foi, afinal, o problema dos autores de "Closer" (que, antes de filme, era peça de teatro)? Simplesmente não souberam esperar. Deveriam ter aguardado os tais quatro ou cinco meses; por certo, escreveriam algo melhor – até porque seria teoricamente impossível fazer algo pior do que aquilo.
Meu conselho é esse: saibam esperar. Dar um tempo não é conformismo, é apenas evitar afobações e babaquices (como compor pagodes ou escrever "Closer").
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transubstanciado por gravata às 10.05.06 | 6 comentários
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Comentários:
(Gravz: Sim, a-mei, e vocês ajudaram a 'inspirar' o ensaio-bicuda
E vale muuuuito por isso!
Aperta o "mute" e vê denovo.
Inté,
(Gravz: Nem precisa apertar o "mute". Ela tem uma boa voz, também...)
Desculpe, não resisti
(Gravz: Farei! Está prometido! Porém, depois da segunda partida... Espero que até lá você resista)
(Gravz: Você acha 'reconfortante' quando alguém está em situação pior do que a sua?)
(Aqui é a patroa. Dá preguiça de deslogar).
(Gravz: Já deixou...)
