O BRASIL É UM PAÍS DE BRASILEIROS

27/04/2006

O BRASIL É UM PAÍS DE BRASILEIROS

Parece que nem todos entendem o significado do título deste texto. Essa lenga-lenga de que o melhor do Brasil é o brasileiro não passa de slogan publicitário governamental. A verdade é que o PIOR também é o brasileiro.

Sei que há motivos inúmeros para se explicar esse ou aquele defeito coletivo. Fato é que nosso povo sabe ser tanto pacífico e apático como também beligerante e violento. Depende apenas do motivo.

Quando há uma razão realmente importante e influente para o País, ninguém faz nada. Não há qualquer manifestação popular, com grande adesão, em nome de reivindicações políticas. São sempre os mesmos grupos que agitam as mesmas bandeiras. E só.

Mas na hora dos assuntos superficiais, aí tudo muda. O futebol leva multidões não somente aos estádios, mas também às ruas. O povão vai para o pau, enfrenta a polícia, pratica todos os mais ousados atos de desobediência civil, muitas vezes resvalando para o vandalismo puro.

Quem entende de Brasil não se choca com isso. Apenas lamenta.

Quando criaram o metrô de São Paulo, por exemplo, estudaram várias modalidades. Havia uma série de modelos para se adotar, do parisiense ao nova-iorquino, do londrino ao moscovita.

Ficamos com o da Cidade do México. Sabem por quê? Porque o metrô mexicano foi especialmente concebido para o povo de lá, que é primo-irmão do brasileiro no que tange às regras basilares da vida coletiva.

Em suma: os trens são praticamente à prova de vandalismo. Os bancos são quase inquebráveis e os balaústres (uia) são de aço. Não dá para quebrar nada. São trens especialmente desenvolvidos para o povo que os ocupa. Essa constatação é triste, porém verdadeira.

Além dos trens "à prova de brasileiros", as estações contam com informações claras e óbvias. É preciso um altíssimo grau de bagrice para se perder numa estação de metrô.

Toda essa delonga do metrô serve de introdução para o que acontece nos estádios. O Morumbi é um estádio feito especialmente para nosso povo. As arquibancadas são distantes do campo e tudo é de concreto. Praticamente, não há meio de invadir o estádio.

E o que houve ontem, em pleno clássico brasileiro na Libertadores? Marcaram jogo no Parque Antarctica! Assim não dá, né? Aconteceu o óbvio: deu merda.

Um jogo desses não poderia ser realizado lá. Apenas dois mil ingressos para os são paulinos? Apenas vinte mil para os palmeirenses? Sem condições. Deu no que deu.

Sei que para o Palmeiras é importante 'jogar em casa'. Mas, poxa!, jogar no Morumbi não é jogar 'fora de casa'. O verdão é de São Paulo, e jogaria em sua própria cidade - eventualmente até disponibilizando bem mais ingressos para sua torcida.

Tanto pelas razões de segurança do estádio, quando principalmente pela capacidade, seria um evento sem a mesma probabilidade de dar merda.

ps - Sou obrigado a elogiar o Palmeiras, que ignorou a supremacia atribuída à equipe do São Paulo e fez o tricolor correr em campo. Não somente deu trabalho, como arrancou um empate num jogo que mesmo o mais ferrenho palmeirense considerava derrota óbvia.

Mais ainda: foi um empate com sabor de vitória para os torcedores de ambos os times. Não que o resultado seja ótimo, mas sim porque o Curíntia perdeu. Isso sim que é notícia boa! Infelizmente, porém, eu tenho certeza da vitória do Timeco aqui em São Paulo. O River vai precisar de novo da ajuda 'divina' do árbitro. Se isso acontecer, mais um juiz ganhará 100 anos de perdão.


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transubstanciado por gravata às 27.04.06 | 1 comentário



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Comentários:


Comentário de: KKKK · http://www.karushenka.blogger.com.br

Perdi meu link nesse ilustre blog, mas tudo bem, porque foi mesmo merecido. Não posto nada há meses... ainda assim, deixo meu elogio às suas opiniões muito bem escritas. O brasileiro é mesmo um bichinho estranho e não parece muito a fim de mudar isso...

(Gravz: Pois é... Você não atualiza, né? :) )

PermalinkPermalink 03.05.06 @ 13:32



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