ANOS 80: A VOLTA DO VERDADEIRO TRASH
27/04/2006
ANOS 80: A VOLTA DO VERDADEIRO TRASH
O retorno da década de 80 não se limita apenas às músicas trash, aos astros e programas de TV, ou às roupas e cortes de cabelo. A coisa vai além. E fica bem mais pesada.
A cocaína voltou com tudo. Não que tivesse 'saído', mas agora a coisa veio que veio. Muita gente cheirando, sem qualquer embaraço em assumir publicamente, sem aquele pudor que se via nos anos 90 e no comecinho desta década.
E boa parte da molecada que está cheirando agora ( com no máximo 25 anos) era bebezinha na década de 80. Não dão seus tiros por nostalgia.
Há explicações mercadológicas para esse revival da branquinha: os preços baratearam e dizem por aí que a distribuição em São Paulo é feita atualmente com ajuda de um pessoal do RJ. Coisa profissionalizada, portanto.
Filosoficamente, não condeno as drogas. Não vejo lógica alguma no Estado proibir determinadas substâncias de entorpecimento, mas permitir outras tantas. Não faz o menor sentido. Mas também não sou um entusiasta.
Não que eu precise aqui me justificar, mas não custa lembrar que nem mesmo álcool eu uso. Boa parte dos leitores sabe disso, mas alguns obviamente não; principalmente quem estiver aqui por acaso (talvez chegando por uma busca no google, do tipo 'meninas com peito grande').
Além da cocaína, também parece que a AIDS 'voltará' com tudo. Se isso não acontecer, é porque os santos andam fortes. Mas não se recomenda apostar em esoterismo quando se trata de ciência.
Não se trata exatamente de uma 'volta', porque ela sempre esteve por aí. Acontece que não se vê mais aquelas figuras cadavéricas da década de 80. O alarme em torno da doença é bem menor. Isso resulta de uma coisa que é inegavelmente boa: o avanço da medicina.
Por conta do que deveria ser uma grande maravilha, há um saldinho negativo: alguns abrem mão da prevenção, justamente porque o 'fator medo' não existe mais.
A molecada de hoje não viveu a triste época em que, a todo momento, alguém famoso (ou amigo) morria por causa da AIDS. Essa nova moçadinha até sabe da doença, mas não a vê como a grande ameaça que foi e é para todos nós mais velhos.
E o 'barebacking' (transa sem camisinha com ejaculação interna) não se limita ao mundo heterossexual. Há grupos que o defendem abertamente inclusive no mundo gay - que sofreu as maiores baixas na pior fase da AIDS.
Todo mundo já deve ter dado uma, duas, três ou mil pisadas na bola. Acontece, sabemos. Não deveria acontecer, mas acontece. Mesmo assim, todos ficamos com a pulga atrás da orelha, com uma culpa dos diabos e prometemos que não acontecerá mais. Em muitos casos, conseguimos cumprir a promessa.
O que não faz o menor sentido é abrir mão de qualquer tipo de medida preventiva, dando pouca trela para a AIDS e apostando todas as fichas nos avanços da medicina.
Na verdade, bem na verdade, a turma se preocupa primeiro com gravidez. É a encanação que vem primeiro. Depois é que vão lembrar da AIDS. No resto, nem pensam. Só vão se preocupar se der alguma zica.
Então é isso aí. Temos a volta da 'glamourização' da cocaína e um provável crescimento exponencial da AIDS. São os anos 80 de volta, mostrando para a galera o quanto aquela década foi bem mais horrível do que indicaria a péssima qualidade das musiquinhas.
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transubstanciado por gravata às 27.04.06 | 2 comentários
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Comentários:
(Gravz: Uma coisa é ter consciência. Isso acho que todos têm. O problema é que ninguém vê nessas coisas algum tipo de problema. E não sei até que ponto há tanta informação assim, porque muita gente, mesmo bem esclarecida, não sabe exatamente quais os danos e riscos físicos da cocaína, p.ex.)
(Gravz: E a todo momento anunciam alguma gravidez inesperada de artistas famosas. Com camisinha não engravidaria, né? As novelas sempre mostram heroínas e vilãs engravidando - passam a mensagem nada subliminar de que a coisa rola desencapada. E vamo que vamo)
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