MUITO OBRIGADO, TELÊ!

21/04/2006

MUITO OBRIGADO, TELÊ!

Estamos em luto pelo falecimento de Telê Santana, o grande mestre, o grande campeão. Até 1986, por conta das duas Copas perdidas, Telê era visto como 'pé frio'. Quase cinco anos depois, ele era considerado o técnico brasileiro de maior prestígio em todos os tempos.

O mestre era conservador e disciplinador. Não fez poucos inimigos por isso, e muitas vezes até os mais ardorosos fãs questionavam as medidas tão severas. Era seu estilo, e o clube que o contratasse sabia que deveria lidar com um treinador mandão, mas eficiente.

A moda pegou, e hoje a 'autoridade' é confundida com estrelismo. Técnicos pedem carta branca para mandar e desmandar, e o que se vê é um festival de vaidades. Uma pena. O único seguidor da filosofia de Telê, voluntária ou involuntariamente, é Felipão.

Telê Santana, o mestre, não era de usar terninho. Nem usava expressões de Gerente de Telemarketing na hora de lidar com a imprensa. Aliás, se possível, ele nem dava entrevistas. Mostrava-se visivelmente contrariado, não fazia a menor questão de ser simpático, mas mesmo os jornalistas mais críticos sabiam que era um traço autêntico de sua personalidade, e não uma jogada de marketing.

Há uns e outros que são bem bravinhos, mas vez por outra aparecem em programas televisivos cheios de amor para dar, fazendo brincadeirinhas e gracejos para acabar com a má-fama. Telê não era disso. Sua mesma cara fechada no estádio era usada na hora das entrevistas.

Quando o São Paulo fez seu primeiro gol no mundial, Telê apenas fechou um pouco os olhos, esboçou um discreto sorriso sorriso e aumentou o ritmo da mastigada de chicletes. Continuou no banco, sem pulos ou agressões, sem gritos ou disparates.

Ele teria não somente aquela, mas ainda outra partida de decisão mundial para vencer. O futuro bicampeão do mundo, portanto, não via motivo algum para sair pulando e dando cambalhotas no primeiro gol da primeira decisão.

O mestre deixará saudades em vários torcedores, especialmente os atleticanos e são paulinos. Infelizmente, um procedimento médico inadequado o afastou dos gramados - ele estava em via de ser contratado pelo Barcelona; depois, já doente, pelo Palmeiras.

Mas Telê deixa conosco a história de um grande vencedor. Deixa viva a imagem daquele treinador severo, mas campeão. E deixa milhares (milhões?) de torcedores felizes, sempre felizes, pelas glórias conquistadas pelo Mestre, e que nunca ninguém nos tirará.

Obrigado, Telê!


Telê Santana (1931 - 2006)

Títulos como Treinador
Taça Guanabara (1969, 1989);
Estadual do Rio (1969);
Campeão Mineiro (1970 e 1988);
Campeão Gaúcho (1977);
Campeão Árabe (1983);
Copa do Rei Árabe (1984);
Copa do Golfo (1985);
Campeonato Brasileiro (1971 e 1991);
Campeonatos Paulistas (1991 e 1992);
Copa Libertadores da América (1992 e 1993);
Mundiais Interclubes (1992 e 1993);
Recopa Sul-Americana (1993 e 1994);
Supercopa da Libertadores (1993);
Copa Conmebol (1994)

No Céu...
Se eu acreditasse em "Céu", ou em paraíso etc, com certeza seria um lugar em que as pessoas se aproximariam daquelas de sua área de interesse. De início, claro, os familiares se abraçariam e matariam as saudades. Mas a eternidade é longa, muito longa, então não custa nada dar um pulo até o boteco.

E, no boteco de Telê, só entrariam os que realmente sabem o que é futebol. Lá estariam Nelson Rodrigues, bebendo cerveja gelada (afinal, não há mais motivos físicos para só tomar leite), João Saldanha gargalhando, entre outros gênios. Talvez, estando ambos no meio de uma discussão ideológica cheia de piadas e alfinetadas, não perceberiam a chegada de Telê.

Ou então o estariam, já com o lugar reservado nessa restritíssima mesa.


Posts similares:
A DIFERENÇA ENTRE ‘MESTRE’ E PAU-MANDADO
Urubus
Seleção Brasileira é vítima da nossa esquizofrenia

transubstanciado por gravata às 21.04.06 | 4 comentários



(Os comentários abaixo exprimem a opinião dos visitantes, o autor do blog não se responsabiliza por quaisquer consequências e/ou danos que eles venham a provocar.)

Atalho pra o formulário

Comentários:



Como São Paulina e filha de Atleticano que eu sou é impossível não admirar esse homem. Ainda lembro quando ele foi afastado do São Paulo por motivos de saúde e eu achavaque logo ele voltaria... Perfeito seu post!

(Gravz: Devemos muito ao Mestre)

PermalinkPermalink 22.04.06 @ 00:56



Comentário de: Persegonha · http://www.leitedepato.com.br

CLASSIFICADOS DO PERSEGONHA:

TROCO:
Título mundial de 1994 pelo de 1982.

(Gravz: Na boa? Troco o de 1994 e o de 2002 pelo de 82)

PermalinkPermalink 22.04.06 @ 18:45



Comentário de: Persegonha · http://www.leitedepato.com.br

Ah, sim, e Nelson Rodrigues não teria mais motivo de só beber "água da bica"...

PermalinkPermalink 22.04.06 @ 18:46



Comentário de: Gustavo Cocina

Mandou muito bem, Gravata.

Grande abraço.

(Gravz: O mestre merece mais, né?)

PermalinkPermalink 24.04.06 @ 13:35



Deixe seu comentário:

Seu endereço de email não será exibido nesse site.
Sua URL será exibida.