VÁRIOS PAPINHOS
13/04/2006
VÁRIOS PAPINHOS
Futebol: O Título Fez Mal ao Santos
O Santos foi campeão, e a parte irônica disso tudo é que o título veio na pior hora possível. Seguramente, e provarei a seguir, foi um mau negócio para o clube. É simples.
Depois de um título, o time passa a se achar o bom. Isso é saudável, faz parte do prazer do esporte, e acima de tudo é um direito inatacável do campeão. Mas, em alguns casos, pode ser um tiro no pé.
E é bem esse o caso do Santos.
A equipe do alvinegro praiano não é somente medíocre, ela é ruim pra caramba. Foi "regular", num campeonatinho só de ida, com poucos jogos e os principais clubes envolvidos num torneio maior e mais importante.
Não adianta tapar o sol com a peneira. Se Corinthians, Palmeiras e São Paulo não participassem da Libertadores, a conversa obviamente seria outra. Quase foi, aliás - o que já derruba qualquer tese de 'supremacia'.
Fez bem o peixe em aproveitar e vencer mais. Campeão justíssimo e merecido, mas vai se dar mal justamente porque o título dá uma espécie de "aval" para o timinho ruim.
Agora, vem o brasileirão, e os outros clubes logo deixarão de lado a Libertadores. Como é que esse time do Santos vai disputar alguma coisa? Eles tem time para fazer um bom Campeonato Brasileiro?
Com o título paulista, passaram a imediatamente se considerar imbatíveis, mesmo levando um baile de futebol no jogo anterior à final - o que seria motivo bastante para acender luzes vermelhas no departamento de futebol.
Enfim, há males que vem para bem, mas também há coisas boas que acabam se tornando ruins. Futebol é aquele esporte em que o pior tem chance de vencer, mas não vale apostar em milagres.
* * *
Seriadinho do Bom
"24 Horas" é uma série muito legal. Estou vendo a quarta temporada, acabaram de chegar os dois últimos CDs. É incrível como os americanos sabem fazer uma coisa legal mesmo quando exploram seus clichês mais deploráveis (inclusive os históricos, como a tortura).
Porque nós, brasileiros, continuamos com essa lenga-lenga de telenovela? Enquanto nos EUA não há mais isso de herói e vilão, aqui nossa teledramaturgia garante vida longa (talvez eterna) ao que há de mais primário em matéria de maniqueísmo: o herói do povão que é repleto de virtudes x o vilão rico que é cheio de maldade e acaba morto ou louco.
Precisamos dobrar a língua antes de falar do 'americano médio'. Porque o 'brasileiro médio' é, antes de tudo, um analfabeto.
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Seriadinho, Parte II
"House" recomeça hoje. Muito bom. Uma série brilhante, seguramente Hugh Laurie é um dos melhores atores da atualidade, na melhor tradição dos 'grandes atores ingleses que dão shows de interpretação nos EUA'.
E a Globo comprou os direitos da primeira temporada. Ponto para a Globo. Enquanto não produz bons seriados (a não ser as babaquices sem graça da Fernanda Yeargh), pelo menos compra os ótimos ("LOST", "24 Horas", "House" etc).
O SBT também compra bons seriados, mas as dublagens são de foder. Parei de ver "West Wing" após vinte segundos, e foi bem na hora da dublagem do Toby.
* * *
Universitários Brasileiros
O 'brasileiro universitário' muitas vezes é um pobre coitado que somente segue o 'pacto da mediocridade', um contrato vigente em boa parte das universidades privadas: o professor finge que ensina, o aluno finge que aprende; o aluno paga, a faculdade dá o diploma.
Nas públicas, não há pagamento, mas em certos casos o pacto funciona mais ou menos do mesmo jeito. Basta ver aquelas esqueminhas deploráveis de listas de mestrado, por exemplo, no qual alguns orientadores escolhem seus orientados.
E o que fazem os estudantes? Entram em rebelião contra o sistema falido? Não, nem pensar. Eles fazem parte do pacto, ficam quietinhos, na mais lamentável cumplicidade.
Em alguns casos, fazem questão de bater no peito mesmo estudando em faculdades notoriamente sofríveis. Como se o fato de estarem lá transformasse a instituição em um centro de excelência.
É uma mistura de prepotência com apatia. Mas, pelo menos, são reconhecidos como 'elite' pelo Silvio Santos. Lembram do "Show do Milhão"? Já é alguma coisa; embora não recomendasse a ninguém os conselhos daqueles universitários.
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transubstanciado por gravata às 13.04.06 | 6 comentários
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Comentários:
Achei um pouco triste seu último texto...
(Gravz: Alguns são negativinhos, mesmo.. Aliás, acho que maioria. Aqui, até o humor e a alegria se dão pelo escárnio
Quanto aos universitários... só falo ao vivo, é tanta coisa pra dizer que não daria pra escrever. Só posso dizer que discordo, pelo menos 90%. Se realmente quiser 'discutir' (e ponho entre aspas porque não quero brigar, já discuti com você outros assuntos sem brigas)me ligue. Ou mande seu telefone pro meu e.mail. Eu te ligo, com todo prazer. Até porque eu acharia ótimo ouvir sua voz e da sua digníssima esposa e talvez pudéssemos falar tantas futilidades que este assunto não seria nem relevante.
(Gravz: Eu tenho a mais plena certeza de que nossos 'universitário' são em sua maioria uns pobres coitados. Fico triste por isso, mas é a pura verdade. Não lêem, não se informam, são na verdade vítimas de um sistema sucateado feito em geral para esfolá-los financeiramente, a troco de lhes fornecer um diplominha. Sei porque já fui universitário, e já estudei em uma faculdade paga e outra pública; ambas consideradas 'das três mais' de sua área. Conheço bem os 'universitário', e se posso dizer isso de uma parcela considerável do que deveria ser a 'elite acadêmica', tenho pena daqueles que são inescapavelmente a raspa desse tacho denominado 'mercado do diploma')
(Gravz: Tem razáo, vírgula, House é mesmo ótimo. Ponto. Mas, vírgula, há outros seriados bacanas... reticências... E eu acho - hífen - na boa - hífen - que eles todos, vírgula, de uns tempos para cá, vírgula, têm melhorado bastante; ponto e vírgula; justamente porque quase não há mais aquele maniqueísmo exagerado. Ponto.
(Gravz: Essa assertiva é poeticamente bonita, mas o problema é que o brasileiro médio não sabe ler MESMO)
(Gravz: É o aluno que faz a faculdade, sem dúvida. E como esperar que os alunos 'façam' uma faculdade se o vestibular para qualificá-los aceita qualquer bagre? É ridículo defender essa tese e, ao mesmo tempo, desprezar a necessidade de uma seleção rigorosa)
(Gravz: Opa, valeu, Jorjão! Abraço)
