LEILA BABY
29/03/2006
LEILA BABY

Fui ver a peça "Leila Baby", texto de Mario Bortolotto, com minha amiga Juliana Mesquita e Daniel Alvim. Sou extremamente irregular com teatro. Fui duas vezes ao Oficina (Cacilda! e Boca de Ouro), vi certa vez "Pai Ubu", do Grupo Ornitorrinco, e não me lembro mais das outras.
Desse modo, acho que sou a última pessoa que poderia dar pitacos teatrais. Mas a peça me agradou. Muito mais do que eu esperava. Os detalhes que não me agradaram no texto foram compensados pelas duas atuações maravilhosas.
As caras e bocas de Daniel Alvim e o pezinho da Ju balançando em sua noite de insônia são exemplos bobos e simplórios de alguns requintes que vão muito além da literalidade textual; e ajudam a fazer da peça algo muito bom.
Minha implicância com o texto precisa ser esclarecida. O começo não é um começo, no sentido honesto da expressão, haja vista que é uma desculpa qualquer para que as duas pessoas díspares se encontrem.
Daí em diante, tudo é ótimo. As cenas são engraçadíssimas, os diálogos são ótimos e, de novo, devemos à atuação da dupla uma elevação ainda maior do texto. E é esse, afinal, o papel do ator. Não somente repetir o que foi escrito, mas dar vida a tudo aquilo. Eles deram.
Assim como não há exatamente um 'começo', também não há um 'final'. Lembra aquelas redações de colégio, nas quais os alunos preguiçosos dizem que tudo era um sonho, se livrando assim de criar um fim.
Mas, para a mensagem (acho que é esse o objetivo...) central da peça, isso pouco importa. E, como se pode fazer com todos os textos do mundo (inclusive com a lista telefônica), dá para se tirar mil metáforas, dependendo de nossa simpatia com o autor.
Tipo: "o final demonstra não o ceticismo, mas sim o encandamento da moça diante das idéias lançadas pelo outro protagonista momentos antes" ou "tudo que para ela havia de mais positivo em seu futuro, era visto por ele como óbvio e negativo; e ao final ela fugiu de toda a obviedade, mas mesmo assim ele manteve seu único real interesse desde o início do encontro de ambos".
Mas o autor (o que é bacana) não tenta passar metáfora alguma. Não é seu estilo, e isso fica claro com o exato último gesto de Daniel Alvim - o 'sem nome' é, por óbvio, o próprio autor. Nada contra as referências biográficas, claro. Mas é possível captar alguns sinais, algumas intenções, por meio do que nos chega pela boca de "Octávio" (o 'apelido' dado à personagem de Daniel).
Mas, vocês sabem, esse negócio de implicar com 'começo' e 'fim' é coisa minha. A peça é ótima, os atores são ótimos e a solução cenográfica de se usar as luzes é pra lá de genial.
Sinopse e Informações:
"Leila Baby" trata de uma pós-adolescente (ou pré-adulta), no auge de seus olímpicos 19 aninhos, que vem de Piracicaba para estudar em São Paulo, para o vestibular. Ela conhece um sujeito beberrão, avesso a clichês e obviedades, que despreza tudo que ela adora. O texto trata de como o 'invasor' se comporta no universo de Leila, e de como ela reage diante de tal 'invasão'.
A peça é de Mario Bortolotto, com Daniel Alvim e Juliana Mesquita e direção de Jairo Mattos.
Em cartaz no Teatro Cultura Inglesa Pinheiros
Rua Dep. Lacerda Franco, 333.
Sexta: 21:30 / Sábado: 21:00 / Domingo: 19:00
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transubstanciado por gravata às 29.03.06 | 1 comentário
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