COMPROVADO: COÇAR É SAGRADO
14/03/2006
COMPROVADO: COÇAR É SAGRADO
O trabalho não dignifica o homem. Quem disse o contrário, transformando a bobagem em ditado, foi Barão de Mauá, para tirar um sarro de seu adversário, D. Pedro II (que, como Imperador, não era exatamente um exemplo de pessoa ocupada com afazeres laborais).
Se não enobrece, tanto menos o torna divino. Não que seja assim tão fácil tornar-se Deus ou tão-somente uma pessoa sagrada. Mas o caminho, seguramente, não é o do trabalho.
Os exemplos são fartos.
Jesus, por exemplo, não tinha emprego. Tudo bem, era o Salvador, livrou-nos do pecado, e não teve um dia tão agradável na ocasião em que foi crucificado. Mesmo assim, não era alguém que fazia o 'nove-às-cinco'.
Pregava durante uma ou duas horas (embora eu ache que durasse no máximo quarenta minutos, com pausa para um vinho), e passava o resto do dia de conversa mole com os apóstolos e com a Maria Madalena, porque ninguém é de ferro, nem o Filho do Homem.
Qual era o emprego de Maomé? Operário? Autônomo? Era um empreendedor? Não, nada disso. Também, apenas pregava. Fez suas peregrinações, passou por poucas e boas (na verdade, foram muitas e nada boas), mas não chegou a pegar no batente.
Abraão, patriarca do povo judaico, fez fortuna quando sua esposa Sara se casou com o Faraó. Quando o monarca se interessou pela jovial Sara (na época com uns 60 anos), Abraão não disse que era sua esposa, falou apenas que era uma irmã. Depois de tudo ser descoberto, foram expulsos do Egito.
Mas não há registro de que Abraão devolveu os bens que ganhou por conta do casório do Faraó com sua própria esposa. Em suma, essa não é a história de alguém que amealhou patrimônio por meio de suada labuta.
Não conheço os iluminados do oriente. Pode ser que eles venham a desmentir minha tese. Acho improvável, mas assumo minha ignorância quanto a esses pensadores, profetas e avatares. Sei de alguns gurus da Índia que fazem de tudo, menos trabalhar. Mas não posso fazer disso uma regra.
Nas tribos em geral, a figura mais 'come-dorme' é o Pajé. Ele passa o dia queimando um fumo e, na hora do 'trabalho', basta chacoalhar alguma erva molhada em cima do doente, soltar fumaça na cara e, no máximo, oferecer alguma virgem para o caso de pouca (ou muita) chuva. Moleza.
As estatísticas comprovam: Deus escolhe gente que não trabalha. Pode ser que venha a ter alguma simpatia pelos trabalhadores no dia do Juízo Final; mas, desde o início dos tempos, os Iluminados jamais são workaholics.
Esses números me obrigam a criar uma nova igreja, pois está comprovado que o trabalho não leva ninguém à santidade. Não falo aqui do 'ócio criativo' de Domenico deMasi, mas sim da coçação geral e irrestrita.
Preciso ver como organizar a seita. É que estou com uma preguiça danada. Coisa de iluminado...
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transubstanciado por gravata às 14.03.06 | 1 comentário
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Comentários:
(Gravz: Alckmin disse que é um predestinado. Ele é católico fervoroso, ligado à Opus Dei. Lula, não. Lula foi eleito pelo povo, não por Deus - em que pese aquela coisa de "a voz do povo é a voz de Deus". Quanto ao trabalho, isso é mesmo uma pedra no sapato de muita gente. José Serra nunca teve uma atividade laboral em uma empresa[a não ser a de professor universitário, já depois de famoso como político]. Ele NUNCA TRABALHOU. Não é que 'está parado a 20 anos'. Simplesmente nunca trabalhou. Mas, deixando de lado essa história do trabalho, volto a dizer que Deus não tem nada a ver com as eleições. Acredite, Ele não interfere)
