CELULAR DE BEBUM PODE SER UMA ARMA
13/02/2006
CELULAR DE BEBUM PODE SER UMA ARMA
Muita gente, quando bebe, sofre ataques de carência. Não somente vomitam, babam e dançam polca fantasiados de Ultraseven: é preciso também ligar para amigos (ou não tão amigos assim), para fazer todo tipo de declaração, além de manter os papos mais bizarros do planeta.
Se você nunca sofreu isso, é porque no mínimo está do outro lado do balcão do bom-senso.
A coisa é feia de verdade, pois não se limitam a ligar e falar. Quando, por algum motivo, não conseguem completar a ligação, deixam mensagens na secretária. Ou então mandam mensaginha de texto.
Até o email vira uma arma. Qualquer forma de comunicação se torna potencialmente perigosa para esse tipo de gente. MSN, orkut (cada scrap, gente, cada scrap que surge assim...), a lista é mesmo infinita.
Vamos supor um diálogo único, com uma compilação de pauladas já dadas (e algumas criadas agora), tendo como exemplo uma segunda-feira, 4 da manhã, e o telefone tocando:
- Eu te acordei?
- Não, não. Esqueceu que sou uma coruja?
- Não, claro que não, eu costumo combater o crime nesse horário. Foi culpa minha não ter deixado o celular só no vibra-call, pois o toque afugentou um facínora que eu estava perseguindo silenciosamente.
- Não, eu acordei três segundos antes da ligação, graças ao meu sentido de aranha.
- Você sabe que eu gosto de você, né?
- Pois é, e mesmo assim liga de madrugada, num dia como hoje. Tenho medo do que acontece com quem você não gosta.
- Você poderia provar isso, desligando o telefone agora, sem mais nem um pio.
- Sem dúvida. O problema é que você tem um conceito de 'gostar' que não é exatamente o meu.
- Cara, eu tava precisando conversar...
- E eu estava precisando dormir. Pelo visto, hoje nossa amizade não está naquela sintonia, pois nossas necessidades são totalmente opostas. Assim, acho que é melhor nem conversarmos.
- Ah, nada mais normal do que essa vontade de colóquios nas madrugadas. Fico muuuito feliz de ter me escolhido para suprir essa sua carência.
- Você também tava precisando de um pouco de noção. Talvez mais do que somente um pouco.
- Tem como você me encontrar agora?
- Claro! Afinal, o fato de eu estar na cama, de pijama, às quatro da manhã, tendo que inclusive trabalhar amanhã, convenhamos, não é um grande obstáculo.
- Sem dúvida! Sobretudo porque é uma questão de vida-ou-morte, mais precisamente 'você precisa de alguém para desabafar até passar a bebedeira'.
- Tem, mas é provável que eu não vá.
Além da categoria 'amigo mala', tem também a categoria 'coração partido'. Alguns clássicos (não darei as respostas, mas seguramente cada um tem a sua, ou as suas):
- Podemos conversar agora? Tenho que te falar o que sinto!
É impressionante essa vontade de 'falar o que sente' bem de madrugada, na pior hora possível. É uma verdadeira falta de sensibilidade, isso sim.
- Vamos voltar?
Imaginem um casal sem chances de voltar. Nem mesmo chance matemática. Nem como exercício de metafísica se aceitaria tal hipótese. Então, por que cargas d'água isso aconteceria JUSTAMENTE NO MEIO DA MADRUGADA, ACORDANDO-SE ABRUPTAMENTE JUSTO A PARTE QUE NÃO PRETENDE VOLTAR??? Parece um tanto contraproducente a tentativa, não?
- Estou sentindo sua falta...
Em alguns casos, há uma enxurrada diária de emails, ligações etc. Claro, acontece também a Sessão Corujão. Mas, nas hipóteses mais bizarras (não que a outra seja totalmente normal), a turma deixa para 'sentir a falta' só depois que toma todas e se vê sem ninguém na madrugada. Apelação.
- Me perdoa? ou - Eu te perdôo!
Pedir perdão e perdoar é uma arte. Na verdade, a primeira não é tão arte assim, mas seguramente a segunda possibilidade é coisa para poucos. De todo modo, isso acontece muito na hora da cachaça e com celular em punho. Pedir perdão e/ou perdoar é moleza nesse momento.
- Tô te querendo
Grande Clássico! Talvez o mais tradicional do samba. Não se trata de carência afetiva, mas sim a boa e velha vontade de aplicar o Fornicari. Nessa hora, como sabemos, a turma perde totalmente as estribeiras. Apelam de todas as formas; ou rebocando canhões indesculpáveis, ou recorrendo a papos sentimentais com quem já tiveram alguma relação.
Foda, né?
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transubstanciado por gravata às 13.02.06 | 3 comentários
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Comentários:
Mas eu considero o teu blog pra caramba, tá? ^^
(Gravz: Depois neguinho fica de ressaca e ressaca moral)
(Gravz: Isso é beeeeeeeeeeeeeeem normal)
Deprimente!!!
(Gravz: Nooooooooooooossa... Essa foi foda mesmo)
