PERIPÉCIAS ETÍLICAS EM LOCALIDADES AFASTADAS

22/12/2005

PERIPÉCIAS ETÍLICAS EM LOCALIDADES AFASTADAS

Viagens para sítios ou casas de praia em lugares bem distantes, e pouco estruturados, são sempre uma verdadeira aventura quando se trata da bebida. É um drama, um drama lastimável.

Como não bebo, sou testemunha 'sóbria' da aflição da galera. Exatamente por isso é que estou melhor habilitado para falar do tema. A coisa acontece em vários estágios. Mando para vocês todas as etapas:

I - Cálculo Errado da Cerveja
São vinte pessoas, calcularam (para a primeira noite) uma média de trinta latinhas para cada um (incluindo na conta as meninas que nem bebem). Como sabemos, as trocentas caixas acabam antes da meia noite. Bate o desespero.

II - Destilados
Claro que muita gente já parte direto para o destilado. Mas a 'massa', mesmo, só entra na vodka ou na pinga quando não tem mais breja. E nessas de fazer batida ou caipirinha, claro que o goró acaba.

III - A Procura
Acabou geral. Cerveja, vodka etc. A animação, porém, está longe de acabar. É hora de procurar algum 'comércio' nas proximidades. O anfitrião sabe muito bem que tá tudo fechado, mas mesmo assim não há notícia ruim que abale a perseverança de um cachaceiro. O mais empolgado pega a charanga e partem para a busca frenética.

IV - Operação Gambiarra
Descobre-se que não há comércio algum, exatamente como havia alertado o dono da casa. E a vontade de encher o caneco cada vez aumenta mais. É hora de procurar algo pela casa. Esse tipo de casinha sempre tem alguma garrafa que pode salvar a pátria. A seguir, as bebidas mais clássicas encontradas nessas casas:

Pinga Velha
Quando alguém acha a garrafa de pinga véia, até se arrepende de ter saído para procurar outra coisa. Nada melhor do que a boa e velha cachaça para fazer a cabeça do pessoal. Aproveitam o limão e assim começa a Sessão Coruja de caipirinhas. Logo, percebem que aquela pinga dá sentido bem mais intenso à palavra 'envelhecimento'. Mesmo assim todos bebem.

Bebidas Atípicas
Achar garrafa de pinga é a salvação da lavoura. Mas há também o infortúnio de se encontrar apenas algo como: vermuche, bitter, underberg, steinhaeger etc. No começo, alguns podem até torcer o nariz, mas em pouco tempo estão todos brindando e fazendo a festa.

Licores, Licores...
Os licores são um caso à parte. Os porres são históricos. Quem já teve ressaca de licor de menta sabe do que estou falando.

Deixando o Limite Para Trás
Em alguns lugares, não há mesmo bebida. Então, o jeito é improvisar. Há casos e casos de idiotas que tomam coisas como ÁLCOOL DE LIMPEZA, entre outros absurdos inclassificáveis. E vocês sabem que não é mentira. Todo mundo deve saber de pelo menos uma história envolvendo o bom e velho álcool Zulu.

V – Ausências Diversas
Às vezes falta açúcar, mas fazem caipirinha assim mesmo. Quando a geladeira não está das mais católicas, o negócio é seguir aquela teoria da ‘temperatura ambiente’ (sem dar muita atenção para o fato de que tal tese funciona apenas em países de clima temperado, não tropical). Há casos, ainda, em que há pinga ou vodka, mas falta o limão, daí a caipirinha é preparada com frutas diversas, tais como abacaxi, goiaba, manga, jaca...

É mais ou menos por aí.


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transubstanciado por gravata às 22.12.05 | 2 comentários



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Comentários:


Comentário de: Fabiola · http://eraumaveis.blogspot.com/

É por aí mesmo Gravata. Agora pior mesmo é em acampamento que não tem nada mesmo, nenhum lugar pra procurar nada, portanto se acabou... acabou... E se for à noite, piorou, durante o dia sempre tem um 'inspirado' que tenta localizar um boteco. Mas à noite o bicho pega mesmo. ;)

(Gravz: Acampamento é fria, mesmo... Verdade!)

PermalinkPermalink 22.12.05 @ 10:34



Comentário de: Thiago

Tem outro aspecto a ser considerado. Psicotrópicos não-etílicos podem estar envolvidos na chapação da melança. Aí já viu...

(Gravz: Sim, sem dúvida... Mas o texto diz respeito somente a variantes etílicas...rs)

PermalinkPermalink 22.12.05 @ 16:35



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