FIGURAÇAS: RAPAZES E GAROTAS DO BAIRRO
20/11/2005
FIGURAÇAS: RAPAZES E GAROTAS DO BAIRRO
Toda a cidade, e toda cidade (dã), é formada por bairros. A expressão "do bairro", contudo, traz uma conotação preconceituosa e às vezes discriminatória, que poderia muito bem ser substituída por "da periferia" ou "das classes sociais menos abastadas".
Neste texto, que talvez tenha também alguma dose de preconceito e às vezes de discriminação, espero que entendam o "do bairro" pelo viés humorístico. Mas se não quiserem entender assim, também, foda-se. É o velho desabafo do melhor repórter fotográfico da imprensa brasileira: Nico Pentax. Quem conhece, sabe como é.
E vamo que vamo:
Boyzinho do Bairro: O Melhor Entre os Piores
Não se trata do filho de um comerciante apenas um pouco mais próspero, nem nada medíocre do ponto de vista financeiro. Ele tem grana, sim, e muita grana. Tanto quanto o playboy de outras áreas. O problema é que lhe falta classe e bom gosto. Assim como a mamãe coloca aqueles móveis estapafúrdios para decorar o casarão, ele enfeita sua caranga como se fosse um carro alegórico.
A Gostosa do Bairro
Em geral, namora com algum casca-grossa das redondezas. É o sucesso das quermesses. Sempre foi cobiçada no colégio, houve muita briga na rua por sua causa, bem como já ganhou muita carona nas mobiletes por conta de seus atributos físicos. Não que seja aquela super ultra beldade, mas se sobressai entre as outras de sua turma. Um camarada a sintetizou com perfeição: gostosinha, mas tem problema de pele.
A Oprimida Blasé
Os oprimidos são campeões no humor. Ninguém faz humor melhor do que os oprimidos. Mas, às vezes, alguns destes resolvem ser blazés. Fica complicado. Esse tipo de garota, por exemplo, deixa sempre claro, e a todos, que odeia isso e aquilo. Ela apanha da vida e devolve a surra em forma de muito mau humor. É a versão "do bairro" daquelas que, nos lugares menos distantes do centro da cidae, são as semi-patricinhas-semi-intelectualóides. Às vezes podemos confundi-la com a "Envergonhada" (última catetoria deste texto).
Intelectuais do Bairro: Duas Versões
O Obscuro
É o tradicional. Ele lê, ele produz, ele faz um sucesso danado na turminha. Enquanto os demais batem uma pelada, ele procura livros nos sebos. Enquanto os outros saem vão à "domingueira", ele escreve e revisa suas teses. Tira notas ótimas no colégio e, no geral, acaba se tornando uma pessoa financeiramente muito bem sucedida.
O Beatnik da Zona Suburbana
É um Kerouac do Cinturão Verde, um William Borroughs da periferia. Claro que ele não escreveria nada do tipo "On The Road", mas narrando experiências transcendentais no trem do subúrbio ou no ônibus intermunicipal. É apenas pose. Aquela rebeldia, aquele modernisminho, tudo muito caricato, mas que em sua área funciona. Apenas em sua área, claro.
O Da Pesada
É aquele que conhece o amigo do amigo do amigo do amigo. Como ninguém pagou para ver, ele se finge de bandidinho. Usa gírias diferentes, não é de muita conversa, e ninguém quer saber de briga com esse camarada. Em alguns casos, claro, ele é MESMO bandidinho. Por isso que ninguém arrisca para saber se é ou não é. Não vale a pena a loteria.
A Envergonhada
Ela não gosta de ser do bairro e pretende se mudar logo para alguma região menos periférica da cidade. Ela quer ir para onde "as coisas acontecem". E nem entra nessa coisa de "disfarçar" que periferia é bom. Ela acha que não é e ponto final. Seu comportamento 'descoladinho e cosmopolita' é o daquela garotas tipo "The Sex and The City". Morando onde mora e fazendo o que faz, com devidas proporções guardadas, é lícito denominá-la "O Cafuné e a Periferia".
Tem mais, né?
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transubstanciado por gravata às 20.11.05 | 5 comentários
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Comentários:
(Gravz: várias)
Enquanto todo mundo zoava à pampa, eu ficava em casa estudando, feito uma nerd.
O que não deixei de ser até hoje.
Mas uma nerd bem sucedida ! huahuahuahua
Bacana essas descrições que vc fez. E é engraçado comparar com pessoas do bairro que eu conheço e encaixam-se perfeitamente bem nas descrições.
(Gravz: E você acha que sou de onde? do centro da cidade??? rs)
(Gravz: acho que todos nutriam algum tipo de paixãozinha platônica por essa garota)
(Gravz: gosta das figuraças? aguarde novidades...)
(Gravz: Que sucesso... Parabéns! Eu ainda não cheguei a tanto... Falta o marido, p.ex.)
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