SERIADOS, LITERATURA ‘FÁCIL’ E AQUELE ABRAÇO AOS DETRATORES SISTEMÁTICOS DE DAN BROWN
17/11/2005
SERIADOS, LITERATURA ‘FÁCIL’ E AQUELE ABRAÇO AOS DETRATORES SISTEMÁTICOS DE DAN BROWN
Cá estou com alguns objetos de desejo da minha cultura 'inútil': "West Wing" (quinta temporada), "Friends" (décima temporada), "O Corretor" (novo livro de John Grisham) e "Ponto de Impacto" (o novo de Dan Brown).
Eu gosto de histórias bem contadas. Histórias com começo, meio e fim. Não faço questão de sintaxes rebuscadas, nem de palavras incomuns. Não precisa também ser um texto com erros bobos, mas não exijo correção extrema.
Esse é o MEU gosto, não é uma regra geral.
Muitas vezes acho bizarro o gosto da galera por livros e/ou histórias sem pé nem cabeça. Não há uma linha tênue separando 'genialidade' de 'oportunismo'. Nada disso. Essas características não são vizinhas nem similares.
Há coisas engraçadas também, como aqueles amantes dos clássicos - muitas vezes defensores do idioma - que cometem eles próprios verdadeiras atrocidades com a tal da Língua. Aquela velha história de se admitir (ou nem conhecer) a própria ignorância, porém jamais perdoar aqueles que são 'um pouco mais ignorantes'.
Mas vamos.
O problema é com esses livros que não contam nada, que servem para o autor sair por aí dizendo que é o máximo, e para os amigos do autor dizerem que ele é mesmo o máximo. Porque esse autor também vai dizer que aquele outro é o máximo. São todos o máximo. Os medíocres se assanham com elogios de seus pares.
E este texto chato de hoje é porque (quase) não consigo entender a raiva causada por Dan Brown. Tenho amigos que são EFETIVAMENTE INTELECTUAIS (muitos destes nem abrem mão da vida sexual para isso), e nenhum deles odeia esse autor. Não o consideram o máximo, até porque ele não é mesmo o maioral, mas não acham que seja uma literatura imprestável.
Imaginem, agora, aquele intelectual caricato. Não um boboca como eu, que no máximo tem uma boa retórica, mas o intelectualóide feioso, que tem como mérito aquela coisa de adorar ler, amar livros etc e tal. Ele deve ficar bem irritadinho ao saber que MUITOS OUTROS também lêem.
O que ele faz? Ataca com unhas e dentes o tal 'autorzinho miserável'; o patife responsável por fazer toda aquela corja analfabeta se interessar por literatura - e também, vejam só, fazer com que o 'grande intelectual' não tenha mais um hábito 'para poucos', mas sim um passatempo partilhado pela maioria.
Ou os intelectuaizinhos mequetrefes atacam Dan Brown (nunca apontam razões objetivas, apenas atacam mesmo), tentando 'provar' que isso não é literatura (logo, quem lê esse tipo de coisa não está efetivamente lendo um livro), resguardando-se assim como os legítimos representantes dos que gostam de livros; ou então passam a viver uma vida normalzinha.
O maior medo talvez seja o de cair a máscara.
Já pensaram? Graças a Dan Brown a moçada começa a ler mais e mais. Começam com o primeiro, passam pelo segundo, lá vem o terceiro e o quarto etc. Daí podem querer ler outra coisa, outros autores e aí dano-use. Depois de todos esses anos aquele bocó, que todos acreditavam ser um legítimo intelectual (afinal, ele lê muito), é apenas 'mais um na multidão'.
Ele não quer isso. Custou muito forjar essa pinta de sabichão esquisito, para depois de tanto esforço perder o 'sabichão' e ficar só com o outro atributo.
O ataque sistemático a Dan Brown é, em muitos casos, uma luta corporativista dos babaquaras pseudo-intelectuais tentando evitar a queda da própria máscara. Reparem.
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transubstanciado por gravata às 17.11.05 | 23 comentários
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Comentários:
(Gravz: Não tem muito isso de reaça não... Esse tipo de entelequitual ataca nos dois flancos. Há os de direita, que se julgam sempre mais intelectuais do que os outros, porque em geral se privam de todo tipo de vida social, e também os de esquerda, por motivos outros...)
E parabéns pelo seu aniversário!
(Gravz: Não merece mérito um autor que tem talento suficiente para embaralhar fatos ficionais e reais? Até onde sei, praticamente toda a literatura ficcional faz isso, mas nem todos conseguem ser verossímeis o suficiente... - e obrigado pelos parabéns!
(Gravz: Sem dúvida!)
(Gravz: Mesmo caso dos que adoraram a fita-demo dos Manonas Assassinas, mas passaram a achá-los uma porcaria quando viraram arroz-de-programadominical)
Peguemos o Código da Vinci:
1) A trama é uma costura de teorias da conspiração, mensagens subliminares e boatos antiquíssimos e encontrados à rodo na internet. (Inventividade? Originalidade? Criatividade?)
(Gravz: Sabemos que "a rodo" não tem crase, de modo que esse escorregão - prometo! - não vai influir no seu talento como crítico literário. Afinal, nunca foi preciso saber escrever para dizer se alguém sabe ou não escrever.
Os "boatos" são "antigos"? Desde quando a boa literatura é feita de premissas exclusivamente originais? José Saramago simplesmente RECONTOU O EVANGELHO, e fez com isso um livro ótimo. Mensagens subliminares? Não, não existem. São mensagems cifradas por meio de anagramas, coisas assim. Brincadeirinhas, como o nome daquele inglês colecionador - é o nome dos autores de um livro com tese parecida com a de "O Código da Vinci".
Teorias da Conspiração? Não, não. Como a Igreja Católica já pisou feio no tomate, não é nem lícito dizer que se trata de "teoria de conspiração" quando se levanta uma lebre contra essa Instituição. Voltaire e Nietzsche atacam também a Igreja, e isso não faz deles autores menores. Ou faz?)
2) O estilo é primário, direto, sem qualquer brecha para interpretações ou suposições.
(Gravz: Estilo "primário"? Hm... O que seria um estilo "secundário"? E o "terciário"? Tenho a mais absoluta certeza de que a palavra "primário" não faz o menor sentido nessa frase. Um bom livro é aquele que nos dá "brecha para intrpretações ou suposições"? Certo, certo. Alguns consideram o EXCESSO DE BRECHAS uma certa falta de criatividade; de modo que costurar bem um roteiro pode significar exatamente o oposto. Machado de Assis fez com que todos pensassem e interpretassem em demasia quando escreveu "Dom Casmurro", mas o mesmo autor entregou tudo costuradinho em "O Alienista". De mais a mais, toda a história levantada por Dan Brown não permitiu "interpretações"? Então o que são aqueles trocentos livros de "Entendendo o Código", "Desvendando o Código", "Esclarecendo o Código", "Aprenda a Sapatear com o Código"...? Claro, são caça-níqueis, mas devemos concordar que o autor deixou material de sobra para muita, muita, muuuuuuuuuuuuita interpretação. E não precisou de um roteiro mal feito para isso.)
3) Lugares-comuns se revezam com chavões. Mona Lisa? Museu do Louvre? Paris? Americano salva o mundo? A Igreja é malvada?
(Gravz: Levando em conta que "lugar comum" e "chavão" são tecnicamente (para um roteiro) a mesma coisa, presumo certa ironia nessa primeira frase do item '3'. Melhor assim. Mona Lisa e Museu do Louvre são chavões? São lugares comuns? Hm.. Aguardo a lista de outros romances que você leu e tratavam desses dois temas (mas que trate dos DOIS temas, não só de um). Qualquer coisa, pergunta pro Marco Aurélio. O "americano" não salvou o mundo. Ele desvendou o tal mistério. Talvez você tenha certa razão nisso daí. Mas não dá para jogar um livro no lixo pelo fato de seu protagonista ser americano. Romancistas brasileiros tendem a usar protagonistas brasileiros, e assim por diante. É bem difícil quando acontece o contrário, sejamos honestos. Quanto à Igreja, a turma da hóstia de um jeito de tornar cafona e ridículo (além de curiosamente pouco inteligente) tratá-la como uma instituição malvada. Basta ler a história para notar o quanto a tal Igreja deu mancadas e mais mancadas. Quanto a ser ou não malvada, podemos perguntar aos padres pedófilos. Ah, eles não representam a verdadeira idéia da Igreja? É fato, mas eles representam DE FATO a Igreja. Ou não? E a Igreja expulsa os pedófilos? Não, não. Encobre. Então...
Por fim, Paris também entra na lista? Hm... Então já entendi. Um livro "bom" deveria falar mal do candomblé (não da Igreja Católica), misturar Guernica e Museu do Prado, além de ser ambientado em Águas de Lindóia. Ah, já ia me esquecendo do protagonista guatemalteco)
4)Não existe plausibilidade. (A cena do sabonete atirado da janela do banheiro é clássica).
(Gravz: Não existe plausibilidade? E seu "exemplo" é um sabonete atirado da janela do banheiro? Isso tá me cheirando coisa de católico que, envergonhado dos massacres promovidos pela Instituição a que dedica fé, ataca a obra usando exemplos escapistas. Você poderia falar também dos carros na garagem do inglês. Ou então do drink com sal de amendoim. Há vários exemplos. Mas daí a dizer que não "existe" plausibilidade? Então por conta do sabonete atirado pela janela não devemos dar crédito às acusações contra a Igreja? Certo, mano...)
5)Pontas soltas. (Por quê o raio do investigador francês obcecou com o detetive?)
(Gravz: Ué... Use sua "interpretação"... Não foi você que, agora há pouco, disse que não havia margem para suposição, interpretação...? Agora, há ponta solta? Como é isso??????? (e esse 'por que' não tem acento, mas blz))
6)Adultice. (Ô rapazinho que se leva a sério, viu.)
(Gravz: Se não gosta de livros com essa característica, há boas sugestões como Harry Potter, O Pequeno Príncipe, toda a Série Vagalume etc)
7) Descartável. Objetivo exclusivo do autor: polemiquinhas, revelações "bombásticas" e como resultado? Muito dinheiro da classe média.
(Gravz: Mesmo? Ele que te contou isso? Para mim, é um livro que como qualquer outro conta uma história. Se ele usou tantos "lugares comuns" e "clichês", presume-se que seja uma história "batida". Logo, nesse caso, ninguém deveria se interessar com a polêmica. Como você explica, afinal de contas, o fato dessa sucessão de clichês e lugares comuns ser objeto de tantas vendas? Por que os outros livros que supostamente falam dos mesmos temas e trazem os mesmos assuntos não venderam, não repercutiram? Foi sorte? E como é isso do "dinheiro da classe média"? O lance é escrever para milionários ou mendigos?)
Mas é a minha opinião, claro. Não li os outros livros mas digamos que não teria porquê. Mais vale dar uma boa cochilada.
PS: Reconheço que apenas referendei os argumentos já apresentados pelo Marco Aurélio do Jesus me Chicoteia!, que aliás fez a melhor análise possível desse livro. To com ele.
(Gravz: Sem problemas, nem todas as pessoas têm opinião própria. Não se acanhe. Você achou essa a 'melhor análise' do livro? Quais foram as outras que você leu? Ah, esse "mais vale" deveria ser "mas vale", né? Tudo bem, tudo bem... Como eu disse lá pra cima, não é preciso saber escrever para dizer que alguém sabe ou não escrever.)
PS: Falando em critérios objetivos, gostei do "todo aquele que fala mal do Dan Brown é feio, esquisito e não possui vida social"
(Gravz: Viu? Nada como a objetividade)
PS3: Eu gosto de Harry Potter.
(Gravz: Ah, vá! Jura?)
(Gravz: Eu gosto dessas palavras meio estranhas...rs)
(Gravz: É exatamente o que penso, João. Curiosamente, também preferi "Anjos e Demônios" (e, sim, as histórias são quase idênticas). Quanto à teoria do corporativismo.. Hm... Cuidado...rs)
E nessa linha de escritores, gostei de Jackdaws, do Ken Follet. Que ainda não havia sido mencionado nesses comentários nem no seu post.
(Gravz: É isso mesmo que acontece... Dureza)
O importante é gerar gosto pela leitura. É o primeiro passo, enfim. E nisso, Dan Brown ajuda. Como Agatha ajuda também. Ah, sem esquecer a Coleção Vagalume...
(Gravz: É bem por aí... Mais ou menos como faz Harry Potter... Abre as portas do mundo da literatura. E talvez seja esse um certo receio da turma que gosta de livros, mas não gosta que os outros também gostem. Preferem se manter em guetos, como se fosse uma profanação mais gente apreciar essa arte etc etc. Eu acharia ótimo que mais e mais e mais e mais pessoas lessem, e lessem cada vez mais. E nada melhor que a literatura-pipoca para dar o primeiro passo, né?)
(Gravz: Não conheço e fiquei com muita vontade de conhecer esse Andrea Camilleri. Mas como é isso do Grisham ser muquirana? rsss)
Dan Brown só faz as pessoinha gostar de Dan Brown.
Literatura é outra história. Que inclui Agatha Christie, Harry Potter. Mas não Dan Brown. Pelamordedeus.
(Gravz: Harry Potter não é autor
Ah! Pelo visto os "clichês" não são tão clichês assim, né? Porque não falou quais os outros livros que tratavam de Mona Lisa e Louvre ao mesmo tempo... Não conseguiu falar com o Marco?
Dane-se se é bom ou ruim, mas se é popular, então eu não gosto.
O que não pensam é que mesmo as coisas populares, em alguns momentos não deixam de ser coisas legais. E como vc mesmo disse, o incentivo ao hábito da leitura é sempre importante, mesmo que seja pra ler Harry Potter ou O Código da Vinci.
(Gravz: sei lá... às vezes neguinho abraça a causa alheia e, quando vai ver, nem tem opinião sobre o tema)
(Gravz: São Longuinho ajuda a achar
(Gravz: às vezes eu fico pensando qual a diferença de aproximar deste ou daquele tipo de arte. Por que é tão bom aproximar dos livros? E se aproximasse dos filmes, qual seria o problema? E se não aproximasse de nada, mas tão-somente fosse uma história boa e pronto? Sei lá também...)
O que então a Agatha Christie e mesmo a JK Rowling tem que falta ao Sr. Dan Brown? Habilidade. Fluência. Plausibilidade.
A narrativa é lotada de buracos, caminhos sem volta, explicações estapafúrdias. Coisa que não salta aos olhos no Harry Potter, por exemplo.
Além disso Dan Brown se leva demais a sério, quer doutrinar, dizer verdades inconfrontáveis e se vale de recursos sensacionalistas pra isso.
Agatha Christie e Harry Potter se assumem plenamente como literatura-pipoca. Eu senti no Código Da Vinci um messianismo pedante que não cai bem num livrinho tão chinfrim com uma narrativa tão esburacada e artificial.
PS:Não encontrei outro romance passado no Louvre que fale da Mona Lisa. Afinal, esses 2 temas já foram tão explorados em tudo que é mídia que os escritores tiveram semancol.
(Gravz: Por favor, qual a "explicação estapafúrdia" do "Código"? E como é isso de algo ser clichê sem ninguém ter feito??? De todo modo, aguardo também quais as mídias que exploraram, ao mesmo tempo, "Louvre" e "Mona Lisa". Quanto ao mais, de fato as "explicações" de 'Harry Potter' não são mesmo estapafúrdias... Tudo ali é muuuuuuuuuuito plausível...
E como é isso de ser 'esburacado' se há pouco tempo você dizia que tudo era explicado e não dava margem para interpretação ou suposição?????
Ah, ele não quer "doutrinar". Talvez você tenha se impressionado com o estilo daquela literatura, a ponto de confundi-la com doutrina ou, que seja, 'pretensão de doutrina'.
Antes de tudo, obrigada pelos parabéns no meu aniversário ontem! E parabéns atrasados pra você!
Estava aqui bisbilhotando o seu blog sempre muito legal e vi isso sobre o Dan Brown, Codigo da Vinci, etc... Fui ficando confusa. Às vezes me identificava com o que você estava atacando, noutras, com o que você estava defendendo... (se é que tem ataque e defesa nessa história, mas essa nomenclatura aqui é só pra facilitar). Na dúvida, gostaria de me manifestar: não me considero uma intelectual mas amo, amo mesmo ler; isso não me impede de fazer sexo regularmente (e gostar de ); eu ODEIO Diogo Mainardi; eu ODEIO MAIS AINDA Daniel Pisa (esses, sim, intelectualóides de m...); mas eu também não gosto nada do Dan Brown... e nem por isso sou uma metida a intelectual que merece o desprezo da humanidade! Tenho razões muito objetivas e claras para considerar que o que ele faz é uma "literatura menor"(que pena que essa expressão é tão petulante). Não vou discorrer sobre essas várias razões aqui e agora porque esse espaço é apertado e não quero ficar dando uma de intelectualzinha que escreve tese no comentário do blog do amigo, mas quando a gente se encontrar (um dia, quem sabe, seu sumido!), vamos conversar sobre esse tema palpitante.
E boa leitura pra você, seja lá do que for!
Saudade de você!
Beijos
(Gravz: Ah, moça.. Vc nem leu!!!! Confessou hoje que nem leu...)
Da Vinci não gostei não, li so uns pedaços. Não tenho saco pra ficção. Mas nada contra quem gosta.
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Leia Sidney Sheldon e se arrependa por ler os livros de Dan Brown (Não faça como eu que ainda li os seus livros, tive que ter paciência de santo).
(Gravz: Xi... Nem tem nada a ver com a cidade...)
(Gravz: Sim, esta valendo. E qual e o seu Internacional?)
