MONTE VOCÊ TAMBÉM SEU BARZINHO ESTILO CARIOCA

11/11/2005

MONTE VOCÊ TAMBÉM SEU BARZINHO ESTILO CARIOCA

Os bares em estilo carioca fazem sucesso há anos aqui em São Paulo. Não sei se alguns bares do Rio são assim mesmo, ou se tudo é um caricatura. Independente disso, a coisa funciona muito bem por aqui.

Assim, vocês também podem fazer parte da festa. Aprendam como:

Estilo Geral
Nada de muita sofisticação. O negócio é utilizar mobília meio "com-cara-de-velha". Se for velha de verdade, então, perfeito. Teto, paredes, piso, tudo bem "com-cara-de-velho". Apenas não dê vacilo num telhado velho, porque se ele cair você irá à falência. Nas paredes, coloque fotografias de sambistas, ou jogadores de futebol, paisagens etc, o importante é que tudo remeta ao Rio de Janeiro das antigas. Uma saída é encher a parede de bebidas, muito embora isso venha a transformar seu estabelecimento num verdadeiro coquetel molotov.

Nome
Deve ser alguma coisa que lembre o Rio de Janeiro. De preferência, algo bem caricato. Talvez, diante da profusão desses bares em São Paulo, já tenham 'registrado' os nomes de todas as praias e bairros da Cidade Maravilhosa. É preciso, pois, uma certa criatividade. Mas nada de abusar.

Imóvel
Aproveite galpões velhos, armazéns, oficinas, coisas assim. Quanto mais for velho, melhor; até porque vai ser ótimo, nos termos do tópico acima. Quanto à localização, não invente moda. Nada de gastar fortunas para inserir o Jabaquara no circuito dos bares descolados. Abra preferencialmente na Vila Madalena (arrisque, no máximo, nesses novos centros de bafafá da Zona Norte ou do Tatuapé).

Produtos
Dê preferência ao chopp. Tenha como 'forte' o chopp. Faça propaganda do seu 'chopp'. Você vai vender whisky? Sim, claro. Vai vender cerveja de garrafa? Vá lá, vá lá. Mas o que é que você vende MESMO? O chopp. Quanto às comidinhas, é de bom tom mandar bem em algum salgado, mas sempre algo ligado à tradição botequeira. Nada de ser especialista no 'foie gras'. Como sempre, prevalece a regra: NÃO INVENTE MODA.

Atendimento
Alguns novos restaurantes entraram na onda de colocar garçons bonitões, garçonetes elegantes, uniformes fora do padrão tradicional, entre outras firulas. Você, não. Você tem garçons desajeitados, com uniformes manjadíssimos (gravata borboleta etc) e outros que tais. De preferência, figuraças pouco atenciosas. O povo gosta. Sim, o povo adora. Faça um 'tour' pelos bares-estilo-carioca de São Paulo e veja que os mais lotados são aqueles com o maior número de garçons desatentos. Siga o exemplo, pois não se mexe em time que esteja ganhando; tanto mais com esse placar elástico. Quanto aos salários, nada de exorbitâncias. Pague um fixo bem pequeno, o resto fica por conta dos dezpurça.

O Lucro (E Que Lucro!) do Chopp
Você comprará chopp em barril, mas venderá em copos. Você comprará o barril de chopp por um preço bem camarada, mas venderá os copos por R$ 3,50. Nos copos, haverá por volta de uns 150ml de chopp, o resto é colarinho. Não sei quanto custa um barril de 50 litros. Digo apenas que, vendendo o copo a R$ 3,50, e colocando nele uns 200ml, você vai ganhar R$ 17,50 por litro. Num barril de 50 litros, portanto, você ganha R$ 875,00. Tenho certeza que um barril custa 'relativamente' menos do que isso; e, com ele, você enche 250 copos. Quem nunca saiu daquela mesa cheia e animada, da qual foram cobrados uns 100 chopps? Pois é... Cinco mesas dessas já fazem dois barris (R$ 1.750,00 para seu boteco). E por aí vamos. Tenho a impressão de que compensa para quem vende.

IMPORTANTE ORIENTAR OS GARÇONS A SERVIR COPOS E MAIS COPOS DE CHOPP MESMO SEM NINGUÉM PEDIR. ELES VÃO COLOCANDO NA MESA E PONTO FINAL. QUEM NÃO QUISER, QUE RECUSE EXPRESSAMENTE. SEM ESPERAR QUE ACABEM O QUE ESTIVEREM TOMANDO, OS GARÇONS COLOCAM OUTRO COPO E ASSIM POR DIANTE.

Coca x Pepsi
A Ambev não é amiga da Coca-Cola. Nossa, elas nem podem se ver, maior briga, vocês precisam ver. Curiosamente, em alguns bares não se encontra Coca-Cola. Você pede Coca, o garçom faz a mais impressionante das caras-de-cu e diz "pepsi". Não, você não quer pepsi, mas acaba aceitando. Por que isso? O bar imagina que ninguém vai pedir Coca-cola? Ou seria algum tipo de acordo com a Ambev? Vamos ver... Você pretende vender chopp, cerveja etc. A Ambev é dona das marcas Bohemia, Skol, Brahma, Antarctica, Miller etc. A Coca-Cola tem a Kaiser. Quem sai na vantagem para negociar contigo?

Porção a Preço de Ouro
Não importa se o salgadinho seja feito com mandioca, batata, lingüiça, ou qualquer outra matéria prima vendida por aí a preço de banana. Você vai vender como se fosse camarão. A classe média endinheirada, mesmo quando vai a bares e finge estar em um ambiente 'largado', não dá a menor bola para o próprio dinheiro, de modo que aceita gastar verdadeiras boladas para comer aquilo que não vai lhe custar nada. Enfie a faca, cobre caro, e que se dane. Aprenda a ter um lucro tão satisfatório quanto o do chopp.

Pronto para a livre iniciativa, amiguinho?


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transubstanciado por gravata às 11.11.05 | 8 comentários



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Comentários:


Comentário de: Persegonha · http://www.leitedepato.com.br

Na verdade, o Rio está sendo invadido por barzinhos paulistas fingindo que são barzinhos cariocas. Olha, me falta conhecimento, conheço praticamente nada de SP (fora o interior, claro, raiz de parte da minha família), mas esses "botecos" são muito limpinhos e não possuem a alma do Rio. Tanto os de SP (o que seria pedir demais), quanto alguns aqui do Rio mesmo, que querem inventar a roda e o pé-sujo chique (ou pé-limpo)... Blasfêmia das blasfêmias!!!

Pé-sujo forever!!!

(Gravz: um amigo, bem próximo, visita o Rio de Janeiro quase que semanalmente... ele disse que realmente há uma certa onda paulista, tipo, deixou de ser cafona ser paulista, ou melhor, as coisas paulistanas deixaram de ser vistas como cafonas; aqui, nos bares, a 'alma' carioca sempre imperou. Mas não é alma, né? É caricatura. Exatamente como você disse, um 'pé limpo' travestido de 'pé sujo'. Neguinho dando uma de despojado, mas cheio da nota, pagando três e lá vai fumaça para tomar um chopp)

PermalinkPermalink 11.11.05 @ 17:55



Comentário de: Persegonha · http://www.leitedepato.com.br

Desculpe, Gravz, mas tenho que comentar isso:

IMPORTANTE ORIENTAR OS GARÇONS A SERVIR COPOS E MAIS COPOS DE CHOPP MESMO SEM NINGUÉM PEDIR. ELES VÃO COLOCANDO NA MESA E PONTO FINAL. QUEM NÃO QUISER, QUE RECUSE EXPRESSAMENTE. SEM ESPERAR QUE ACABEM O QUE ESTIVEREM TOMANDO, OS GARÇONS COLOCAM OUTRO COPO E ASSIM POR DIANTE.

Há uma idéia aqui no Rio que o melhor garçom do mundo é aquele que serve o chopp mesmo sem você pedir, desde que, claro, o copo esteja praticamente vazio... Concordo! Garçom bom é aquele que não atrapalha o melhor da conversa (ou seja, o período em que você está entornando).

(Gravz: Essa idéia foi bem distorcida por aqui. Eles servem o tempo todo, toda hora, bastando talvez neguinho colocar o copo na bolacha... E nem precisa tomar o primeiro, viu? Eu mesmo, que não bebo, vira e mexe preciso gritar para o garçon tirar o copo de chopp posto à minha frente. Ele coloca e sai a milhão, como se nada tivesse acontecido)

PermalinkPermalink 11.11.05 @ 17:58



Comentário de: Jucelio · http://www.deusnaoetrouxa.blogger.com.br

Gravata, vc anda frequentando o Copacabana no tatuapé?
Rapaz, nunca ví tanta exatidão ao descrever um bar ruim.
Abraços

(Gravz: viu como é tudo um padrão? Eu NUNCA FUI PARA O COPACABANA!!! Nunca, nunca mesmo. Não sei se é bom ou ruim. Mas como tudo é um padrão, a descrição que fiz de alguns outros bares de outra região, curiosamente (ou não), serviram direitinho para esse lugar)

PermalinkPermalink 11.11.05 @ 18:23



Comentário de: David · http://www.farofacarioca.com.br

Bom, meu camarada, como carioca nativo, posso afirmar que a maioria das coisas que você escreveu aí, realmente, são características dos bares cariocas. E que, por aqui, essa onda de bares paulistas também é verdadeira (é só dar uma volta em alguns bairros da Zona Sul carioca - leia-se Ipanema, Leblon e Jardim Botânico).

Entretanto, você só esqueceu de mencionar apenas uma características dos legítimos bares cariocas: o garçom-celebridade!

Fisicamente ele se encaixa perfeitamente nas características de garçom desajeitado, a diferença é que todo mundo que vai ao bar conhece o cara de nome, trata ele como "parceirão" e o dono do estabelecimento sempre o usa como chamariz nas reportagens que fazem sobre a casa nos jornais de bairro daqui.

(Gravz: Se o garçom é mesmo alguém firmeza, maravilha... O duro é quando é celebridade sem fazer nada, só porque tá lá)

PermalinkPermalink 11.11.05 @ 20:41



Comentário de: Alicio · http://www.bardoalicio.blogger.com.br

Não troco meu barzinho paulista de snooker por nada! Muito menos por esses "consuma-pouco-gaste-muito"!

(Gravz: Snooker? Ah... SINUCA!!! rsss)

PermalinkPermalink 12.11.05 @ 11:41



Comentário de: Ângelo

Gravata, você não bebe? Cara, você caiu muito em meu conceito (não que você vá se importar...).

(Gravz: Pois é, pois é...)

PermalinkPermalink 14.11.05 @ 18:30



Comentário de: kari

Credo!...
Vá gostar assim de coisa ruim!...
Como preferir a desatenção de um garçon
a um bom atendimento?!!!!!
e o abuso então?....
Fala sério!... Não falem por Minas, pois.

PermalinkPermalink 19.10.08 @ 23:29



Comentário de: marta oliveira

verdadeiramente adorei a ideia achei ilario a forma imposta nas dicas, mas eu acho que aqui em minas não daria muito certo mineiro é conservador e as vezes chatos faz questão de um centavo em alguns lugares, e em outros gastam verdadeiras fortunas só pelo estatus. mas mesmo assim valeu a dica bjus

PermalinkPermalink 02.04.09 @ 05:41



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