RESPOSTA AO EMAIL ENGRAÇADINHO DO “NÃO”

20/10/2005

RESPOSTA AO EMAIL ENGRAÇADINHO DO “NÃO”

Todos devem ter recebido aquele email engraçadinho defendendo o "Não", tirando sarrro do "Sim" e dando outras providências. A seguir, respostas àquelas piadinhas. Piadas boas, é verdade, mas não por isso impossíveis de serem respondidas.

Ao contrário, são sofisminhas bem engraçados, rebatidos sem dificuldade. Vejam só:

Descobri que a arma legal alimenta os bandidos. Todas aquelas AR-15, AK-47, granadas e bazucas que os traficantes do Rio usam foram roubadas de cidadãos honestos que compraram as armas legalmente. Da minha casa mesmo, por exemplo. Ano passado me roubaram quatro mísseis stinger ...

Pois é. Os assaltantes, nos semáforos, não usam tresoitão nem outros revólveres. Eles assaltam com tanques de guerra e lançadores de granadas. De fato, não há mesmo armas que saem das casas dos "cidadãos comuns" (não são assim tão comuns, não é mesmo?) e vão para a criminalidade. Quando se ouve que alguém levou tiro num roubo de veículo, por exemplo, nunca era de revólver, né? Era sempre a explosão de uma mina terrestre ou rajadas de artilharia antiaérea.

* * * * *

Descobri que todos os pais que têm armas de fogo costumam deixá-las carregadas e engatilhadas em cima do sofá da sala. Por isso que 94 milhões de crianças brasileiras morrem brincando com armas de fogo todos os anos.

Não, não. Eles escondem muito bem escondidinho. Tanto que desde a empregada até o filho caçula da prima da vizinha sabem muito bem onde fica. É como aquela chave que as pessoas guardam debaixo do vaso ou do tapete da porta; está "escondido", mas até o carteiro sabe onde fica.

* * * * *

Descobri que todos os assaltantes de casa têm superpoderes. Eles atravessam portas e paredes e se materializam imediatamente na sua frente e apontam uma arma para a sua cabeça enquanto você ainda está deitado, tornando impossível qualquer reação. Eles não perdem tempo e não fazem barulho arrombando portas.

Não, nada disso. Eles fazem o maior barulho, para dar tempo da pessoa armada reagir, afinal, eles estão ali para uma luta justa. Os assaltantes não são pessoas que pretendem roubar, mas sim bravos guerreiros que buscam duelos equilibrados. Eles jamais atacam em grupo, mas apenas individualmente. De certo, é bem possível contê-los dando tiros para o alto com a garrucha. E eles jamais revidarão, né?

* * * * *

Descobri que se eu vir ou ouvir algum bandido pulando a cerca e entrando no meu quintal, eu não vou conseguir afugentá-lo com um tiro para cima ou para o chão. Se ele ouvir o tiro, aí sim, é que ele vai ficar excitado e vai querer de toda forma entrar em casa e trocar tiros comigo. Eles adoram fazer isso.

Não, eles não vão trocar tiros com o "bravo defensor do lar". Afinal, eles trocam tiro com a polícia, que tem armas pesadas, mas com um pai bravo com seu tresoitão, ah, com esse eles não se metem. E nem deixarão para voltar em outra hora, quando só estiver em casa a mulher e os filhos. Nada disso, bandidos não são vingativos. "Acerto de contas" é coisa do "cidadão de bem", não da "bandidagem". Ah, e atirar para o chão, dentro de casa, é o tipo de atitude compatível com a inteligência de quem defende esse argumento. Atirar para o alto, então, nem se fale. Principalmente se for num sobrado.

* * * * *

Descobri que os 570 milhões de reais investidos para realizar o referendo foram muito bem empregados. Afinal, porque que a gente vai gastar com segurança, quando se pode gastar num referendo? E dizendo SIM eles, nossos governantes, vão ver o quanto a gente adorou ter esse privilégio de exercer nosso direito como cidadão de decidir os rumos do nosso Brasil!

É mesmo, a democracia é um desperdício de dinheiro. Melhor seria morar na China, não é mesmo? Lá não se gasta com referendo; aliás, nem com eleições. Tudo já está decidido. Ah, tem um detalhe: o Estatuto do Desarmamento TORNOU OBRIGATÓRIA a realização do referendo. Não é uma decisão do Governo ou de um Partido, mas sim uma DETERMINAÇÃO da Lei. Caso não fosse feito o Referendo, aí se trataria de um Governo despótico e autoritário. Isso sim que é legal? É chato ter que decidir? Então vote nulo.

* * * * *

Descobri que se o NAO ganhar, as armas de fogo vão imediatamente ficar 90% mais baratas e vai acabar a burocracia para a compra de uma. No dia seguinte à vitória do NÃO, qualquer pessoa (bandido ou não) vai poder ir numa loja de armas, comprar um 44 e oito caixas de munição, já vai sair armado e vai para o bar mais próximo para arrumar briga e me matar.

Não, não. Vai continuar comprando o tresoitão que não serve para se defender de bandido algum, mas que é fatal na hora de matar alguém da família por acidente.

* * * * *

Descobri que delegados e policiais civis militares e federais - que são em quase totalidade favoráveis ao NAO - não entendem N-A-D-A de violência e criminalidade. Quem manja mesmo do assunto são atores, sociólogos e dirigentes de ONGs internacionais.

Quase totalidade? A Polícia Militar recomenda que se reaja a assaltos? Algum delegado sugere que o cidadão troque tiros com bandidos? Cadê essa estatística? Ops... Acho que ela não existe, né?

* * * * *

Descobri que estrangeiros que lideram ONGs como a Viva-Rio têm muita experiência no assunto. Afinal, todo mundo sabe que a situação social, econômica e de criminalidade da França, Inglaterra e Estados Unidos (que é de onde eles vêm) é IGUALZINHA à realidade do Brasil. Não tenho a menor dúvida de que as teorias que eles têm vão funcionar direitinho aqui.

Caso esses alegados (mas convenientemente não mencionados) estrangeiros REALMENTE defendessem uma igualdade de situações, eles seriam favoráveis às armas, pois nos EUA é permitido o porte. Quem gosta de comparar as situações são os próprios defensores do voto no "Não", como a revista Veja, que chegou ao ponto de comparar estatísticas de homicídios da Jamaica com as da Suíça. De fato, são países com condições sociais quase idênticas. A diferença é que numa se dança reggae, na outra há o relógio cuco.

* * * * *

Descobri que o governo quer que a gente vote sim. E o governo sempre pensa no nosso bem. Afinal, todo mundo sabe que a qualidade da saúde pública, ensino público, segurança pública, e etc vem melhorando cada vez mais, dia a dia.

A tal frente do "sim" é formada por políticos do Governo, e também do PSDB, PFL e outros da oposição. Claro que quando o "não" joga a coisa como "governo x povo", presta um grande serviço para a qualidade do debate. Mas pra quem defende dar "tiros para o chão" dentro de casa, isso é café pequeno.

* * * * *

Descobri que todos os cidadãos de bem assim que acabarem suas munições vão manter suas armas eternamente sem munição, até se deteriorarem, ninguém vai buscar bala no mercado negro (até porque a violência vai diminuir um bocado), e assim não corre o risco do mercado negro se fortalecer.

Se for "cidadão de bem", isso é bem provável. Certa vez, houve uma Lei que proibiu o comércio de escravos. Era um "direito do cidadão de bem", mas que foi cruelmente solapado pela inescrupulosa Princesa Isabel. Os cidadãos de bem pararam com isso. Os de bem, apenas. Os outros de fato demoraram um pouco, e continuaram abastecendo o mercado paralelo.

* * * * *

Descobri que se o SIM ganhar, não vão mais acontecer mortes banais. Maridos ciumentos só vão agredir as mulheres com travesseiros, torcidas organizadas vão se dar as mãos, facas e canivetes vão perder o fio, tijolos e paus vão ficar macios e os pitboys vão todos se converter ao budismo.

Não, não. A idéia do "sim" não é imediatamente modificar a cabeça das pessoas, mas sim dar um primeiro passo. Todos esses exemplos citados de forma jocosa servem para reforçar a idéia de que há muitos crimes decorrentes do uso de armas de fogo, e nenhum desses mostram "cidadãos de bem" defendendo a integridade do lar. Esse argumento fala em favor da proibição do comércio, e não o contrário.

* * * * *

Descobri que essa história dos crimes por armas de fogo ter aumentado 500% na Inglaterra nos 6 anos após o desarmamento por lá foi uma coisa super normal, afinal, a população tá se expandindo, né? É normal que haja um aumento.

Na Inglaterra, proporcionalmente à população, há menos crimes do que nos EUA; e a proporção acompanha o número de armas de fogo por residência. Mas, ops! Quem era mesmo que reclamava quando comparavam a situação de outros países com a do Brasil? Ah, ta... Quando é para defender a própria tese, aí pode...

* * * * *

Descobri que o jovem é a principal vítima da arma de fogo. Claro que isso não tem nada a ver com o fato de o jovem ser o maior usuário de drogas, e nem o fato de que quase 100% dos envolvidos no tráfico de drogas têm menos de 30 anos (porque morrem ou são presos antes). Isso é só coincidência.

Então por que a maioria dos que defendem as armas também não defendem a liberação das drogas? Não parece incoerente? No caso da droga, apenas há prejuízo por parte de quem usa; já no caso das armas de fogo, salvo nos raros casos de suicídio, quem vai pro vinagre são os outros mesmo. Ter o direito de matar os outros, mas não o de se matar, não parece um tanto bizarro?

* * * * *

Descobri que quem mora em fazendas, isolado de todos, no meio do mato, não precisa de armas. No meio da natureza rola uma 'vibe' muito forte, as energias positivas das árvores e das flores protegem eles.

Não, não. O segredo é antes de tudo buscar informação, antes de sair por aí falando besteira. O Estatuto do Desarmamento, no parágrafo quinto do artigo 6º, permite o porte de arma de fogo para "residentes em áreas rurais, que comprovem depender do emprego de arma de fogo para prover sua subsistência alimentar familiar". Quer mais o quê?

* * * * *

Descobri que no Texas - onde há quase uma arma por habitante - reduziu para quase a metade o índice de crimes violentos nos últimos dez anos. Mas isso é porque nesses dez anos, o pessoal parou de comer carne vermelha e começou a ouvir mais Bob Marley.

Uepa! De novo a comparação entre países de primeiro mundo? Mas que negócio é esse? Isso já beira o bizarro! Faz uma crítica, mas comete o mesmo erro DUAS VEZES?

* * * * *

Descobri que todo mundo que tem arma de fogo é um suicida em potencial. E a única causa do suicídio é a arma de fogo, e não a falta de perspectivas, falta de um ideal, falta de um sonho a buscar ou então distúrbios mentais como a depressão.

Não, não. Suicídio não é o problema. Quem quer se matar, faz de qualquer jeito. O duro é quando o "suicida em potencial" ainda não é um "suicida em potencial", e mata por acidente alguém da família, ou resolve reagir a um assalto e descobre que os bandidos não invadem as casas individualmente, mas em grupo, e um dos meliantes reage atingindo também alguém da família do "ainda-quase-suicida".

* * * * *

Descobri que se algum bandido invadir a minha casa, basta eu ligar para o 190. A polícia sempre tem homens e viaturas sobrando e levará menos de 3 minutos para me atender.

Não, não! Então reaja, valentão! Vai lá! Fica você sozinho com um revólver, e quatro ou cinco bandidos, cada um também com uma. Você tem sangue frio e sempre atira, né? O bandido não, ele nunca atira, nunca usa a arma. Não é preciso ser mestre em matemática para saber qual das duas partes tem mais chances.

* * * * *

Caso isso não aconteça, basta eu fazer o sinalzinho do "sou da paz" com as mãos e o ladrão vai saber que eu sou um sujeito legal, e então ele vai embora em paz sem levar nada e sem violência nenhuma. Eles sempre agem assim quando descobrem que você é da paz, e não um daqueles psicopatas malvados que são a favor do NÃO.

Em qual dos casos, num assalto, há mais chances da família sair viva: com ou sem reação? É triste, muito, muito mesmo, mas a melhor forma da vítima de um assalto sair viva, é exatamente não reagindo. Parece covardia, talvez até seja visto assim por muita gente; mas até que ponto é inteligente e másculo querer defender a família, mas gerar um tiroteio dentro de casa, que se não houvesse reação não aconteceria?

* * * * *

Caso o ladrão seja muito, mas muito malvadão, eu só preciso gritar por socorro. Em cinco segundos vão aparecer a Fernanda Montenegro, a Maitê Proença e o Felipe Dylon para me salvar e prender o bandido. Sem usar armas. Êêêêêêêêêêê!!!

Não, nada disso. Mas nada de dizer "o ladrão", pois o único sozinho nessa história é você. Eles vêm de dupla, trio, quarteto etc. Você, sozinho, com seu revólver. Depois que começar o tiroteio, mas nem todo o elenco de todas as emissoras seria consolo no velório do resto da família.

* * * * *

Se o SIM ganhar, o Brasil vai ser um país mais feliz. Que nem na novela! Obaaaaaaa!

Não, não. A idéia do "Sim" não é transformar o País, ou mesmo o Planeta. A idéia é apenas proibir o comércio de armas e de munição. Para todos os efeitos, é bom lembrar que o "não" tão-somente mantém a situação como está. E por acaso a situação está boa?

:D


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transubstanciado por gravata às 20.10.05 | 13 comentários



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Comentários:


Comentário de: Leo B

Bom, esse e-mail não serve de argumento mesmo. Mas voto NÃO assim mesmo. Se a situação não está boa, não é por causa das armas, é por causa da incopetência de quem deveria prover segurança e educação.

(Gravz: Pois é, Leo B. Seu argumento é válido e respeitável. O duro é quando a opinião se sustenta por meio de sofismas)

PermalinkPermalink 20.10.05 @ 13:17



Comentário de: Guilherme · http://www.odropsdepimenta.blogspot.com

Vamos lá outra vez:

1- Os assaltantes de semáforos e demais ladrões de galinhas poderiam arranjar seus tresoitão no morro, no contrabando mas aí não teriam o gostinho de arrombar a casa de alguém, o que é muito mais recompensador.

(Gravz: Não posso falar sobre o "gostinho" que eles sentem. Isso é pessoal e intransferível)

2- Crianças pequenas tem atração por armas de verdade que podem assassinar de uma vez a sua professora chata ou até mesmo aquele coleguinha pentelho. A vida real é mesmo idêntica ao video-game. Por isso ao saber onde fica a arma, a primeira providência do petiz será sair atirando pra brincar de caubói.

(Gravz: Foi isso que aconteceu em Columbine. Você poderia ir lá e fazer essa piada. As mães das crianças mortas achariam um primor)

3 - Mais uma vez os assaltantes são engenheiros nucleares que por azar não passaram no vestibular e, em busca de emoção, resolveram empregar seus eficientes neurônios em assaltos 100% anti-ruído. Ao mesmo tempo, o treinamento no exército americano os brindou com nervos de aço para que gargalhem a cada tiro pro alto que derem na sua frente.

(Gravz: Como alguém que não passou no vestibular pode ser "engenheiro nuclear"? Fez curso técnico? Curso por correspondência do Instituto Universal Brasileiro, aquele das propagandas nas páginas centrais das revistas d'antanho? Eles realmente fazem muito barulho, por isso que roubam automóveis a torto e a direito (ou a torto e a torto, porque isso evidentemente não é direito) sem que os donos percebam, mesmo estando muitas vezes em residências na frente das quais estacionaram a charanga)

4- Isso graças à comunicação feita através do site www.ladraoprofissional.com.br que reúne os membros do sindicato e planeja tocaias dignas de 11 homens e 1 segredo.

(Gravz: Não, não.. eles não reagem a tiros de tresoitão. Quatro homens armados não vão devolver nem um disparinho quando o "pai-de-família-cidadão-de-bem-cidadão-comum" dá seus pipocos. Faça o teste)

5- vamos democratizar geral. Decidam pra onde o Lula viajará na próxima semana.

(Gravz: Melhor, decida se ele permanece ou não no poder. Viu que lindo o regime democrático? Caso ainda assim não goste, há passagens para Pequim, Havana e afins disponíveis no mercado. Boa viagem)

6- Assim como as facas de cozinha, os venenos de rato entre outro milhãozinho de coisas.

(Gravz: Facas de cozinha servem para se cortar alimentos. Venenos de rato servem para matar ratos. A arma serve para matar gente [embora haja quem defenda dar tiro para o chão, ou para o alto, dentro de casa]. Compare as vezes em que uma arma foi disparada dentro de casa, com o número de vezes em que se usou facas de cozinha nas residências, e constate em quais desses eventos há mais óbitos. Ah, em tempo: caso alguém tenha problemas com coordenação motora ou não tenha lá muito critério com o que anda comendo, é bom também tirar de casa facas de cozinha, venenos de rato e até mesmo muita feijoada. É melhor prevenir)

7 - Quem é responsável defende o recurso à utilização da arma. Não pra dar uma de suicida. Mas pra eventualidades.

(Gravz: Pois é. Aí vai mostrar para o irmão como a arma é bacana e dispara no dito cujo. Não se faz um omelete de direito de cidadão civil sem quebrar alguns ovos da integridade física dos familiares)

8 - EUA e Canadá tem desenvolvimento parecido. As armas são legais em ambos. A taxa de homicídios dos EUA é infinitamente maior.

(Gravz: Isso prova que essas estatísticas não provam nada)

9 - Na verdade quem acha que o Governo não pensa muito no povo é lunático. Onde já se viu uma coisa dessas?

(Gravz: Por isso que eu vejo aqueles políticos que apóiam o "Não", e aquele discurso dos fabricantes de armas, e penso: "esses sim pensam no povo!")

10 - E a Lei Seca? Como foi?

(Gravz: É verdade. As pessoas gostam tanto de álcool quanto de armas de fogo. São coisas idênticas. É muito comum alguém no boteco pedir uma caipirinha e quatro caixas de munição para Magnum 44)

11 - Não entendi. Como acidentes com armas de fogo mostrariam alguém defendendo a integridade do lar?

(Gravz: Para alguns isso pode parecer complexo, de modo que respeito profundamente alguns lapsos de exegese. Vamos lá: o pai-de-família-cidadã0-de-bem-pistola-mais-rápida-da-zona-oeste dispara seu revólver, mas sem querer atinge o filho que estava entrando com amigos e ele pensou que fosse bandido. Ou então atira para o chão, como recomenda o email, e descobre de forma trágica que a bala não pára quieta e pega na esposa. Ou, como nem todos são peritos em armas, talvez ele não consiga atingir com um único revólver os sete bandidos, fazendo com que sua 'reação de macho man' leve os meliantes a também dispararem e aí um deles atinge alguém da família do caubói do asfalto. E assim por diante. Continua sendo algo de difícil entendimento?)

12- Após o desarmamento aumentou o número de armas por residência?

(Gravz: Quem evoca essas estatísticas é a turma do "não". Trabalhar com números sem boas fontes dá nisso. Infelizmente, não podemos tirar outras conclusões. Mas é aquele negócio, quem pariu que embale. De mais a mais, é razoável comparar a situação social do Brasil com a Inglaterra? No Vaticano, não há armas de fogo entre a população civil, e a taxa de homicídio é QUASE zero. Isso porque há indícios bem feios acerca do que houve com Albino Luciani, o J. Paulo I. Dá para comparar com algum outro País?)

13 - Eu defendo a liberalização das drogas. O Estado não tem que meter o bedelho na minha vida. Mas o que uma coisa tem a ver com a outra, mesmo?

(Gravz: Mais uma vez, aquela boa e velha dificuldade hermenêutica, quanto ao que prestamos a mais benevolente das solidariedades. Seguinte: muitos dos que votarão no "não" baseiam esse entendimento porque não querem a supressão de um direito. Ou seja, partem da filosofia anti-coletivista, pela qual o Estado não pode controlar direitos individuais. Desse modo, também deveriam usar esse mesmo argumento no caso das drogas. Ocorre que nosso melhor filósofo anti-coletivista é absurdamente moralista, sendo que jamais defenderia a liberação das drogas. Ou seja, é um caso curioso de dois pesos e duas medidas dentro do âmbito estritamente filosófico. Teratológico, pois)

14- Só na Zona Rural? E nas regiões urbanas afastadas? O que quase não existe aqui em SP, claro.

(Gravz: Com mil perdões. Quer dizer... Com mil e duzentos e trinta e quatro perdões, mas como é possível haver uma região "afastada" que ao mesmo tempo seja "urbana"? Urbano é aquilo que está dentro da cidade, da "urbe". Ou seja, há muitas e muitas casinhas em seu redor. E também comércio. Quiçá, até indústrias. Isso é a zona urbana. O que está fora disso, não é mais urbano. Não dá para ser urbano e afastado. Cuidado com o equívoco de se confundir "dentro dos limites do município" com "dentro da zona urbana". Afinal, todos sabemos - ou deveríamos aber - até mesmo há tribos indígenas com terras demarcadas e tudo mais, em plena área do Município de São Paulo. Bem como Zona das mais Rurais tão logo se ultrapasse, sentido centro-bairro claro, a bonita e pra lá de arborizada e matagalizada região de Parelheiros. Engenheiro Marsilac, mas pode chamar de "mais um pouco eu caio em Mongaguá")

15 - Sem comentários.

(Gravz: Tudo bem, não fique triste por isso)

16- Idem.

(Gravz: Ibidem)

17 - Por mais desagradável que pareça, graças à agilidade e presteza da polícia, é o que nos resta, né?

(Gravz: Boa sorte. Quem não reagiu, está vivo. Mas há muitos também que reagiram. Pena que não podem falar como foi, pois foram pro brejo)

18 - Isso mostra a babaquice dos que pretendem mudar a índole de bandidos com um sinalzinho de pomba. Eu não acho recomendável reagir a assaltos, somente em último caso.

(Gravz: Ué. Você havia dito que era o que nos restava. Ou já partiu para o 'último caso' antes de avaliar o primeiro, segundo, terceiro...?)

19 - Estaremos indefesos. Mas não os artistas e seu arsenal de seguranças.

(Gravz: Vai falar isso para o William Bonner ou para o Sílvio Santos. A situação não está boa. Na verdade, está péssima. E não existe arsenal de seguranças. Arsenal é sempre de armas. Seguranças são uma equipe, ou um séquito)

20 - na verdade a idéia é desviar a atenção do povo, gastar dinheiro público e colocar em prática "boas intenções" mas focar tão longe, mas tão longe do alvo da violência que só nos resta dar uma sonora gargalhada.

(Gravz: Na verdade é alguma preguiça em ler a Lei. Tudo bem, nunca fomos famosos por nosso empenho. Caso alguém perdesse poucos segundos procurando o Estatuto, constataria - supimpa!!! - que é OBRIGATÓRIA a realização do Referendo. Isso porque houve PRESSÃO do tal 'lobby da bala', para que não fosse aprovada pelos próprios parlamentares a proibição de comércio. Agora, embora seja Lei, e embora a oposição também apóie o "sim", eles dizem que é 'coisa do governo', como se fosse possível não realizar o referendo. É tanta afeição ao autoritarismo, que a democracia parece lhes causar repulsa. Acontece)

Como eu sou chato.

(Gravz: eu sou mais)

PermalinkPermalink 20.10.05 @ 14:35



Comentário de: Ângelo

Na moral Gravata, defender o gasto de 570 milhões de nesse referendo ridículo é dose! Se a lei determina que haja o referendo, culpa de quem fez a lei e de quem a sancionou. Não seria muito melhor o Governo adicionar essa grana aos 170 milhões reservados à segurança no Orçamento 2005, ao invés de transferir suas responsabilidades para o povo? Referendos e plebiscitos devem ser usados em questões que realmente fazem diferença na vida do povo, como a obrigatoriedade do voto e do serviço militar, ou a liberação do aborto, casmento gay, liberação da maconha etc. Não em uma questão técnica, complexa e, pior, inócua.

A vitória do sim ou do não no referendo vai mudar muito pouca coisa na prática. A maioria dos 38 nas mãos de cidadãos de bem são do mercado negro. Lá em casa sempre teve arma e meu pai nunca foi numa loja. Como todo mundo, comprava de um amigo que conhecia um vigilante ou soldado que “tinha lá o seu canal”, ou de alguém que comprou da mesma forma e queria repassar. As mais sofisticadas, como pistolas Glock e Desert Eagle, que nem Policiais Federais podem portar, vêm de contrabando. E são essas armas ilegais que em sua maioria matam criancinhas em casa e pais de família no trânsito.

Sabe aquela história de que 80% das armas em mãos de meliantes são fabricadas no Brasil? É verdade, mas elas são roubadas em sua maioria de empresas de segurança, paióis do exército e das PMs etc, que não estão em questão no referendo. Vão, obviamente, continuar se abastecendo de armas. Se contarmos só as armas vendidas a particulares em lojas, as que o SIM quer proibir, e que não somam 1.300 por ano, esse número fica abaixo de 1%.

Quanto aos policiais, não sei a maioria, mas tenho e grandes amigos delegados, 1 federal e 2 civis da Bahia, que são contra o desarmamento.

(Gravz: A Lei foi aprovada pelo Legislativo. O Executivo cumpre a Lei. Se não o fizer, é autoritário. Deixar de cumprir uma lei que determina a consulta popular, na boa, é inequivocamente autoritário. Desse modo, não só é errado como é de certa forma bem ignorante - naquele sentido chato mesmo da palavra - atribuir culpa ao Governo pelo referendo. Mas a culpa é da imprensa, porque em vez de esclarecer fica tomando partido)

PermalinkPermalink 20.10.05 @ 16:39



Comentário de: Alicio · http://www.bardoalicio.blogger.com.br

Cara, não que exista "certo" e "errado" nesse sim e não meio simplista, mas cada vez mais eu me convenço que os votantes do não tão com a cabeça em outro mundo!

Mas enfim, quando eu li o email também pensei numas respostas do tipo, mas a falta de vocação e excesso de preguiça não me permitiram rs

Você autoriza mandar isso por email pro pessoal (principalmente pros que me madnaram o original!), com link pro blog?

abraço!

(Gravz: opa! autorizadíssimo)

PermalinkPermalink 20.10.05 @ 20:52



Comentário de: leandro

Discordo da sua afirmação: "No caso da droga, apenas há prejuízo por parte de quem usa". Além do incentivo ao tráfico, pessoas drogadas geralmente ficam mais violentas (coca, crack...) Mas quem sou eu pra opinar? Acho que até o álcool deveria ser considerado droga ilegal...

abraço

(Gravz: tem razão. É verdade. De certa forma, as drogas acabam interferindo na vida alheia. Mas o tal "incentivo ao tráfico" não existiria, se fossem liberadas. E os "nóias de crack" não precisariam praticar roubos, porque haveria programas de distribuição. Quanto ao álcool, ele consegue dar prejuízo aqui, ali e acolá. Aqui, no viciado; ali, quando o viciado fica macho e faz merda; acolá, quando o viciado provoca algum acidente)

PermalinkPermalink 20.10.05 @ 22:58



Comentário de: Alfredo

Vi esse texto metido a engraçadinho numa página, acho que Leite de Pato. O cara lá é defensor ardoroso do NÃO. Quem pensa, vota na vida, vota sim

(Gravz: Não lembro de ter visto isso lá. O "cara lá", por sinal, é meu amigo. E ele tem todo direito de defender suas opiniões, não é mesmo? Principalmente no próprio espaço.)

PermalinkPermalink 20.10.05 @ 23:25



Comentário de: Francisco

Olha, eu voto não, mas a campanha (tanto do NÃO quanto do SIM) é muito fraca. Dá até vergonha de dizer no que se vai votar quando se vê a maneira que é defendido o assunto por todos, na tv, em rádios ou na net.

E, de boa, ainda bem que é domingo o referendo né? Puta assunto chato que virou esse.

Abraço.

PermalinkPermalink 21.10.05 @ 06:38



Comentário de: Guilherme · http://www.odropsdepimenta.blogspot.com

Gostei da discussão. Respeito sua posição e jamais pretendi impor qualquer posicionamento. É bom constatar que nem todos os partidários do "sim" são pacifistas violentos.

Parabéns pelo blog. E saudações tricolores.

(Gravz: Opa, valeu! E vendo pelo lado bom (isso tem sim um lado infinitamente bom), nosso povo finalmente está discutindo algo útil. bacana, né?)

PermalinkPermalink 21.10.05 @ 14:01



Comentário de: Alfredo

Caro Gravataí
Sou eleitor do SIM,procurei argumentar com todos minhas posições. Acho, sinceramente que o NÃO vencerá, o argumento deles é de fácil assimilação, é como letra e música brega, parece que você já está acostumado a elas desde a primeira vez que ouve. E nessa sociedade violenta de hoje, a questão da defesa pegou, e o pessoal do SIM foi incompentente na campanha.
Gostaria de ouvir sua opinião sobre esses comentários de um desembargador (...)

(Gravz: desculpa, mas não vou publicar aqui aquele texto imenso, porque é um famigerado spam que todo mundo já recebeu. Como não chequei se o ex-Desembargador é ex-Desembargador mesmo, não dá para sair por aí publicando, dando crédito etc. De mais a mais, ele faz uma especulação sobre exportação de armas que é totalmente fraca, porque não haverá proibição de que sejam exportadas, mas tão-somente USADAS pelo cidadão comum. E pode-se exportar aquilo que é vedado ao cidadão comum, haja vista a exportação de tanques de guerra. Você jura que não achou mesmo argumentos para rebater aquilo? rs Pronto, tá rebatido..rs)

PermalinkPermalink 21.10.05 @ 20:42



Comentário de: Thiago

Só li o começo... você tentou, mas você NUNCA vai conseguir refutar o argumento que o assaltante VAI FUGIR SIM se alguém disparar de dentro da casa, que seja uma garrucha... ou ele vai pensar "ah não, tenho aki minha pistola automática, o dono da casa com akele 3oitão não vai ser páreo pra mim!"

ele vai é salvar o rabo dele e tentar roubar coisa mais tranquila.

(Gravz: O que é isso? Está escrevendo em cirílico? A questão é que na intenção de "espantar o bandido", é possível cometer uma série de acidentes. A pior das conseqüências é o BANDO (sim, bando, ou você acha que eles vêm sozinhos, atrás de lutas paritárias?) também devolver tiros. E aí? Se pegar um na testa do filho, como fica? E se o dito cujo dá o azar de acertar algum deles, aí é que terá mesmo acerto de contas. Vale a pena?)

PermalinkPermalink 21.10.05 @ 21:46



Comentário de: Mozart

Se vale a pena ou não, vc não acha que é algo que a própria pessoa pode decidir?
E bandidos não vêm em bando de sete pra roubar uma casa, eles vêm mais frequentemente de noite, madrugada, quando não existem muitas crianças soltas brincando... acho que nesse ponto vc tá forçando um pouco a barra.

(Gravz: eu acho válido a pessoa decidir acerca de um direito que diga respeito apenas a ela própria; o diferencial nas armas é que, por acidente ou imperícia, podem causar problemas a inocentes. E, por 'problemas', entenda a morte, paralisia etc. Quanto ao horário dos bandidos, nos arrastões de prédios residenciais as coisas acontecem SEMPRE (sem exceção) pela manhã. E os bandos têm em geral nove, dez pessoas. Com metralhadoras etc. Trocam tiros até com a polícia, que tem armas parecidas. Alguém, com um tresoitão no apartamento, só coloca a vida da família em mais perigo. Talvez até salve a si próprio, supondo aí que baixe o espírito do Charles Bronson no danado. Mas com um revolvinho, contra várias outras armas, e a família em jogo, na boa, só sendo muito idiota para iniciar um tiroteio. Ou estou forçando a barra?)

PermalinkPermalink 24.10.05 @ 21:00



Comentário de: Mozart

Ah, beleza, vc tá falando de arrastão em condomínios. Aí com certeza um 38 não faz absolutamente nenhuma diferença. Eu tava imaginando de crimes mais simples (e acho que mais comuns), nos quais vem sempre um ou dois caras, entram numa casa e faz a limpa de dinheiro, jóias e etc. Lembro claramente de diversos casos desse tipo com pessoas próximas.
E sobre a falta de perícia, acho que se for uma criança, por exemplo, filha do cara que tem uma arma, que fizer a cagada de dar um tiro na cabeça, o pai estava ciente disso na hora que escolheu ter uma arma em casa, e deve ser responsabilizado (preso). Se o cara tirar a arma de casa, deve ser preso, também. Se for pego no trânsito com uma arma, preso. E assim vai. Se isso não acontece, é isso que tem que ser mudado, melhorando a polícia e principalmente a educação. Na minha opinião, qualquer coisa fora isso é tapar o sol com a peneira.
Valeu aí, acho que estamos conseguindo manter a discussão no alto nível. Daqui a pouco este tópico vai embora... heheheh

(Gravz: Aí é que está o problema. Como é próprio do viés filosófico do Código Penal, ele não proíbe nada. Mas imputa penas. E há penas para o homicídio. Logo, o Estado pune aquele que tira a vida de outrem e também a daquele que coloca a vida de outrem em perigo. Desse modo, é preciso olhar de forma mais ampla o que dizem TODAS as leis acerca da hipótese de se colocar a vida de alguém em risco. Não é bem assim do pai "decidir" sobre a periclitação da vida do próprio filho)

PermalinkPermalink 25.10.05 @ 22:13



Comentário de: wiliam

gostaria de saber se uma pessoa for pega com uma arma de pressao vai presa?

PermalinkPermalink 02.06.07 @ 03:24



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