FAZ PARTE DO JOGO?
27/09/2005
FAZ PARTE DO JOGO?
Sempre que alguém fala em usar instrumentos eletrônicos para auxiliar a arbitragem numa partida de futebol, o grupo contrário se sai com uma explicação pra lá de estapafúrdia: o erro faz parte do jogo. E assim se encerra a discussão. Em vez de algum argumento, dizem que uma certa dose de injustiça (travestida de 'sorte' para quem foi beneficiado) faz parte do esporte.
Mas e agora?
Todo mundo sempre desconfiou que houvesse algum esquema com árbitros. Vez por outra, revelam casos isolados. Desta vez, porém, o maior de todos os escândalos foi estourar bem numa época em que se fala em "passar o Brasil a limpo". Misturar futebol e espírito cívico pode ser oportunismo político (como em 1970), mas também uma tremenda química para empurrar boas medidas.
Não há explicação cabível para se impedir o uso de câmeras filmadoras e computadores numa partida de futebol. A tecnologia atual não atrasa em nem um segundo a decisão do árbitro. É tudo muito rápido, e a chance de erro é zero. Não é nem "praticamente zero", é ZERO MESMO.
Qual a vitória de quem levantar esta taça de Campeão Brasileiro? Quais partidas desse vencedor não tiveram resultado manipulado? Essa dúvida emudece qualquer grito de "campeão". Tudo bem que torcedor em geral não está nem aí para justiça (quem nunca ouviu alguém dizendo que é até mesmo melhor ganhar 'roubando'?); mesmo assim, é lamentável.
Enquanto couber a uma única pessoa o destino de uma partida de futebol, é mais do que óbvia a possibilidade de fraude. O árbitro de futebol, durante a partida, é tratado com uma reverência sem igual. Muita patifaria, não é mesmo? Quando ouço algum jogador chamando o juiz de "professor" dá vontade de vomitar. Professor de quê? De quem? Subserviência imbecil.
E não adianta apelar para qualquer tipo de "tradicionalismo" como subsídio para a negativa de se usar aparato tecnológico no auxílio dos árbitros de futebol. Tradição por tradição, deveriam então usar ainda aquelas bolas rústicas e pesadíssimas, bem como aquelas chuteiras e uniformes. Tudo evolui, e é muito imbecil confundir tradicional com obsoleto.
Não se fala em aumentar o tamanho do gol, acabar com o impedimento, tirar o goleiro ou obrigar que só se dê um toque de cada vez na bola. Nada disso. O jogo se mantém exatamente como é. Apenas se acabam as injustiças. Isso é tão ruim? É parte tão essencial assim do jogo?
Talvez, mas não do nosso jogo. Essa competição obscura não tem nada a ver com futebol, é jogatina pura.
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transubstanciado por gravata às 27.09.05 | 2 comentários
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Comentários:
(Gravz: Acredite se quiser, bom e velho Trotta, TAMBÉM CHAMAM O JUIZ DE PROFESSOR!!!!!!!!!)
(Gravz: Fiquei sabendo disso... Muito bom. Tem coisa que é simples e é ótima, como por exemplo aquele spray que marca a posição da barreira... é o fim do migué)
